{"id":23978,"date":"2015-07-04T18:02:05","date_gmt":"2015-07-04T18:02:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23978"},"modified":"2015-07-04T18:02:05","modified_gmt":"2015-07-04T18:02:05","slug":"como-o-fascinio-da-humanidade-com-o-rei-dos-animais-acabou-com-uma-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-fascinio-da-humanidade-com-o-rei-dos-animais-acabou-com-uma-especie\/","title":{"rendered":"Como o fasc\u00ednio da humanidade com o &#8216;rei dos animais&#8217; acabou com uma esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content\">\n<div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\" O fasc\u00ednio causado pelos le\u00f5es data de priscas eras  (Foto: Thinkstock)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/UBXLf4_mArAwAB_0jJlA7UfcVcQ=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/07\/04\/leao.jpg\" alt=\" O fasc\u00ednio causado pelos le\u00f5es data de priscas eras  (Foto: Thinkstock)\" width=\"620\" height=\"380\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>O fasc\u00ednio causado pelos le\u00f5es data de priscas eras (Foto: Thinkstock)<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Le\u00f5es abriram caminho pela hist\u00f3ria com a beleza e agilidade, inspirando medo e respeito.<\/p>\n<p>Mas, apesar do fasc\u00ednio gerado por estas criaturas, os humanos conseguiram acabar com um tipo de le\u00e3o, segundo a jornalista da BBC Mary Colwell.<\/p>\n<p>O tema do le\u00e3o aparece em bras\u00f5es de reis, carros, barras de chocolate e camisas de times. A famosa companhia cinematogr\u00e1fica MGM usou e ficou famosa com a imagem de um le\u00e3o rugindo em seu logo, usada desde 1924.<\/p>\n<p>Le\u00f5es est\u00e3o entre os assuntos mais populares dos filmes sobre hist\u00f3ria natural, nos quais cada nuance de suas vidas \u00e9 explorada detalhadamente. Nunca nos cansamos da emo\u00e7\u00e3o de uma ca\u00e7ada ou de ver filhotes brincando em volta de um animal adulto e sonolento.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma constela\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o e o animal \u00e9 considerado a encarna\u00e7\u00e3o do poder e riqueza, um s\u00edmbolo de beleza f\u00edsica, agilidade muscular e majestade.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\" O famoso s\u00edmbolo do cinema americano  (Foto: BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/nsMsx4IS0nqxXnQbnTSp5TInCSU=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/07\/04\/leao2.jpg\" alt=\" O famoso s\u00edmbolo do cinema americano  (Foto: BBC)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>O famoso s\u00edmbolo do cinema americano (Foto: BBC)<\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Historicamente, o le\u00e3o-do-atlas (tamb\u00e9m conhecido como le\u00e3o-b\u00e9rbere), uma subesp\u00e9cie de le\u00f5es da Savana africana, eram considerados mais valiosos pois o macho exibia uma longa juba preta. Os pelos se estendiam da cabe\u00e7a at\u00e9 a barriga, dando ao animal um perfil magn\u00edfico. Todos os que queriam mostrar ao mundo que tinham poder, queriam este le\u00e3o.<\/p>\n<p>Imperadores romanos queriam o felino como animal de estima\u00e7\u00e3o e gladiadores frequentemente tinham que enfrentar este le\u00e3o na arena. O p\u00fablico vibrava com a vis\u00e3o da coragem humana contra a eleg\u00e2ncia e for\u00e7a do animal. A selvageria do le\u00e3o o transformou em um agente perfeito para a execu\u00e7\u00e3o de criminosos e crist\u00e3os.<\/p>\n<p><strong>Le\u00f5es da Torre de Londres<\/strong><br \/>\nNa <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/inglaterra\/\">Inglaterra<\/a> medieval estes le\u00f5es eram mantidos na Torre de Londres. As jaulas ficavam t\u00e3o prontas da entrada &#8211; o Port\u00e3o do Le\u00e3o &#8211; que nenhum visitante podia entrar nos dom\u00ednios reais sem primeiro encarar os olhos cor de \u00e2mbar do le\u00e3o. A mensagem era clara &#8211; este rei tem at\u00e9 o magn\u00edfico le\u00e3o sob controle.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\" Detalhe de um mosaico mostrando a hist\u00f3ria b\u00edblica de Daniel na cova dos le\u00f5es  (Foto: Thinkstock)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/l6PvWjMKOpdEn-343w7JuiPVFl4=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/07\/04\/leao3.jpg\" alt=\" Detalhe de um mosaico mostrando a hist\u00f3ria b\u00edblica de Daniel na cova dos le\u00f5es  (Foto: Thinkstock)\" width=\"620\" height=\"667\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong>Detalhe de um mosaico mostrando a hist\u00f3ria b\u00edblica de Daniel na cova dos le\u00f5es (Foto: Thinkstock)<\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os cr\u00e2nios de dois le\u00f5es-do-atlas machos foram encontrados por oper\u00e1rios em um fosso da Torre em 1937. O m\u00e9todo de data\u00e7\u00e3o por carbono determinou que os animais viveram entre 1280 e 1385, o que nos d\u00e1 um vislumbre da condi\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos animais que viveram em Londres h\u00e1 cerca de 700 anos.<\/p>\n<p>E o que foi descoberto \u00e9 que os pobres animais morreram jovens, n\u00e3o tinham alimenta\u00e7\u00e3o adequada e sofriam com problemas f\u00edsicos.<\/p>\n<p>Em um dos cr\u00e2nios, por exemplo, o buraco por onde entra a coluna \u00e9 deformado.<\/p>\n<p>&#8220;Deveria ter uma bela forma, subcircular&#8221;, afirmou Richard Sabin, curador da \u00e1rea de mam\u00edferos no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres.<\/p>\n<p>&#8220;Mas voc\u00ea pode perceber que, no topo do buraco, h\u00e1 preenchimento de osso, e isto \u00e9, na verdade, uma patologia, uma rea\u00e7\u00e3o potencial a algum tipo de estresse nutricional. Quando o osso cresceu, pode ter feito press\u00e3o na coluna e causado paralisia e cegueira&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>N\u00e3o que isto importava para os que iam olhar aquele le\u00e3o. O que os visitantes da Torre de Londres viam naquela \u00e9poca era a ep\u00edtome da majestade.<\/p>\n<p><strong>Cristianismo<\/strong><br \/>\nNa mentalidade medieval o le\u00e3o tamb\u00e9m tinha um significado crist\u00e3o: representava Jesus Cristo e, na \u00e9poca, acreditava-se que filhotes de le\u00e3o ficavam na toca durante tr\u00eas dias ap\u00f3s o nascimento, sem forma ou identidade. At\u00e9 que eles ouviam o rugido do pai e ganhavam vida e energia.<\/p>\n<p>Era clara a refer\u00eancia a Jesus no \u00fatero esperando o Pai cham\u00e1-lo para uma nova vida.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\" Ca\u00e7adas ajudaram a dizimar o le\u00e3o-do-atlas no s\u00e9culo 20  (Foto: Getty Images)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/TxbNbS8rSCfh3ULCRCnzAcFqn6I=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/07\/04\/leao4.jpg\" alt=\" Ca\u00e7adas ajudaram a dizimar o le\u00e3o-do-atlas no s\u00e9culo 20  (Foto: Getty Images)\" width=\"620\" height=\"381\" \/><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><strong> Ca\u00e7adas ajudaram a dizimar o le\u00e3o-do-atlas no s\u00e9culo 20 (Foto: Getty Images)<\/strong><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O esplendor f\u00edsico dos le\u00f5es se fundia com o poder de Deus e a grandiosidade dos reis, dando aos le\u00f5es medievais uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica.<\/p>\n<p>Mas o desejo de ter um le\u00e3o, principalmente os le\u00f5es-do-atlas, significou que muitos deles foram tirados de seu habitat no norte da \u00c1frica e, durante s\u00e9culos, os n\u00fameros da esp\u00e9cie sofreram quedas dram\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o da arma e a popularidade da ca\u00e7ada esportiva no s\u00e9culo 19 reduziram ainda mais os n\u00fameros e os \u00faltimos le\u00f5es-do-atlas selvagens foram mortos no meio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>O poder do le\u00e3o, t\u00e3o cobi\u00e7ado pela elite da Europa, foi seu fim.<\/p>\n<p><strong>Recriando le\u00f5es?<\/strong><br \/>\nPesquisas atuais sugerem que n\u00e3o existem le\u00f5es-do-atlas puros em cativeiro, mas h\u00e1 discuss\u00f5es para trazer estes le\u00f5es de volta \u00e0 vida usando o DNA de parentes pr\u00f3ximos na <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/india\/\">\u00cdndia<\/a>, ou fazendo a reprodu\u00e7\u00e3o seletiva de le\u00f5es em cativeiro, le\u00f5es que tenham os genes desta subesp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Mas qual seria a raz\u00e3o para se fazer isto? Mesmo se fosse tecnicamente poss\u00edvel ver um le\u00e3o-do-atla puro novamente, ele seria apenas uma curiosidade e nunca poderia vagar pelo norte da \u00c1frica de novo.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos recriar o ambiente natural deles ou isto foi mudado para sempre? Ou eles v\u00e3o ser apenas exemplos isolados de sua esp\u00e9cie em um zool\u00f3gico, e as pessoas v\u00e3o pagar para v\u00ea-los?&#8221;, questionou Richard Sabin.<\/p>\n<p>No presente, o mais pr\u00f3ximo que as pessoas v\u00e3o chegar de um le\u00e3o-do-atlas \u00e9 em Trafalgar Square, a pra\u00e7a no centro de Londres na qual quatro esculturas de bronze deste le\u00e3o guardam os p\u00e9s da Coluna de Nelson. Colocados no local em 1867, eles s\u00e3o um lembrete comovente de nosso poder de destruir o que mais admiramos.<\/p>\n<p>Sabin, no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres, acredita que os restos dos le\u00f5es-do-atlas ainda t\u00eam um papel importante a cumprir.<\/p>\n<p>&#8220;Dizimamos estes le\u00f5es e os empurramos para a extin\u00e7\u00e3o. O fato de termos os restos deles em nossa cole\u00e7\u00e3o no museu significa que os pesquisadores t\u00eam a oportunidade de extrair dados e coloc\u00e1-los em um contexto moderno e analisar de perto as esp\u00e9cies relacionadas que podem estar a caminho da extin\u00e7\u00e3o e, potencialmente, parar e desacelerar estas extin\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fasc\u00ednio causado pelos le\u00f5es data de priscas eras (Foto: Thinkstock) &nbsp; Le\u00f5es abriram caminho<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23979,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/leao_atlas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O fasc\u00ednio causado pelos le\u00f5es data de priscas eras (Foto: Thinkstock) &nbsp; Le\u00f5es abriram caminho","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23978"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23978\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}