{"id":23945,"date":"2015-07-04T12:26:00","date_gmt":"2015-07-04T12:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23945"},"modified":"2015-07-04T12:26:00","modified_gmt":"2015-07-04T12:26:00","slug":"meta-de-universalizacao-do-saneamento-basico-esta-ameacada-entrevista-especial-com-edison-carlos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/meta-de-universalizacao-do-saneamento-basico-esta-ameacada-entrevista-especial-com-edison-carlos\/","title":{"rendered":"Meta de universaliza\u00e7\u00e3o do saneamento b\u00e1sico est\u00e1 amea\u00e7ada. Entrevista especial com \u00c9dison Carlos"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cApenas 39% do esgoto do pa\u00eds \u00e9 tratado, para termos uma ideia de quanto o Brasil tem de desafio nessa quest\u00e3o\u201d, afirma o presidente do Trata Brasil. <\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"https:\/\/encrypted-tbn3.gstatic.com\/images?q=tbn:ANd9GcQBbO-1gZSS-E4BRkxZxqzf3BAyj3EZJtKpLSqMY3tYcVrm4MLkNg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: urbanidades.arq.br<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Se os investimentos em <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542329-coleta-de-esgoto-para-todos-so-daqui-a-45-anos\" target=\"_blank\"><strong>saneamento b\u00e1sico<\/strong><\/a> continuarem seguindo os mesmos \u00edndices dos \u00faltimos cinco anos, o <strong>Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico<\/strong>, que pretende universalizar os servi\u00e7os no pa\u00eds at\u00e9 2033, \u201cn\u00e3o ir\u00e1 acontecer\u201d, adverte <strong>\u00c9dison Carlos<\/strong> em entrevista concedida \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por telefone.<\/p>\n<p>De acordo com o presidente do <strong>Instituto Trata Brasil<\/strong>, o<strong> Ranking do Saneamento B\u00e1sico<\/strong> analisou a situa\u00e7\u00e3o das 100 maiores cidades brasileiras em rela\u00e7\u00e3o ao saneamento, e os dados indicam que \u201cpraticamente metade dessas 100 grandes cidades n\u00e3o alcan\u00e7aria a universaliza\u00e7\u00e3o, se mantidos os \u00edndices de evolu\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos cinco, seis anos\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos<\/strong> salienta que, diferente de outros anos, os investimentos no setor t\u00eam evolu\u00eddo, mas o que se questiona, pontua, \u201cn\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7os, mas a velocidade do avan\u00e7o. N\u00f3s estamos falando de <strong>demorar 20 anos<\/strong> para ter a infraestrutura mais b\u00e1sica que uma cidade deveria ter. \u00c9 rid\u00edculo falarmos em 20 anos para ter <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542981-universalizacao-do-acesso-ao-saneamento-basico-no-brasil-pode-reduzir-ate-68-do-atraso-escolar\" target=\"_blank\"><strong>\u00e1gua e esgoto<\/strong> para todo mundo<\/a>. Isso, em um pa\u00eds desenvolvido, h\u00e1 d\u00e9cadas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais discutido\u201d.<\/p>\n<p>Os problemas referentes \u00e0 demora no desenvolvimento das obras, assegura, n\u00e3o est\u00e3o mais relacionados com o financiamento. \u201cPodemos dizer claramente que antes de 2007 t\u00ednhamos todos os problemas poss\u00edveis no setor de saneamento, desde n\u00e3o haver uma lei nacional que regulamentasse o saneamento, at\u00e9 de n\u00e3o haver recursos dispon\u00edveis pelo governo Federal, principalmente. Mas, depois de 2007, com a <strong>lei do saneamento<\/strong> e com a cria\u00e7\u00e3o do <strong>PAC<\/strong> e do <strong>Minist\u00e9rio das Cidades<\/strong>, podemos dizer com certeza que n\u00e3o t\u00eam faltado recursos para saneamento\u201d. Embora o Brasil precise investir cerca de 16 bilh\u00f5es por ano, seis a mais do que tem investido, os <strong>gargalos a serem enfrentados<\/strong> s\u00e3o de ordem burocr\u00e1tica, como em rela\u00e7\u00e3o ao repasse das verbas, e de dificuldades na cria\u00e7\u00e3o de projetos municipais para dar continuidade ao <strong>Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico<\/strong>. \u201cFalta capacidade de muitos mun\u00edcipios em elaborar projetos, ent\u00e3o muitas vezes o Minist\u00e9rio tem o dinheiro parado, mas os munic\u00edpios n\u00e3o t\u00eam projetos\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/532197-mais-da-metade-dos-municipios-nao-tem-servicos-de-saneamento-basico-regulados-por-agencias-reguladoras-entrevista-especial-com-edison-carlos-\" target=\"_blank\"><strong>\u00c9dison Carlos<\/strong><\/a> \u00e9 qu\u00edmico industrial graduado pelas Faculdades Oswaldo Cruz e p\u00f3s-graduado em Comunica\u00e7\u00e3o Estrat\u00e9gica. Atuou por quase 20 anos em v\u00e1rias posi\u00e7\u00f5es no Grupo Solvay, sendo que, nos \u00faltimos anos, foi respons\u00e1vel pela \u00e1rea de Comunica\u00e7\u00e3o e Assuntos Corporativos da Solvay Indupa.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista. <\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/exame2.com.br\/forumdesustentabilidade\/images\/speaker_edison_carlos.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: Revista Exame<\/p>\n<p><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as principais metas do Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico e por quais raz\u00f5es o Brasil provavelmente n\u00e3o conseguir\u00e1 cumpri-las, conforme indica o Ranking do Saneamento B\u00e1sico divulgado pelo Instituto Trata Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> As metas principais do <strong>Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico<\/strong> est\u00e3o ligadas \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541987-no-ritmo-atual-universalizacao-de-coleta-de-esgoto-so-ocorrera-em-2060-aponta-tcu\" target=\"_blank\"><strong>universaliza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de saneamento<\/strong><\/a>, ou seja, que praticamente todos os brasileiros tenham \u00e1gua tratada, coleta e tratamento de esgoto em at\u00e9 20 anos, isto \u00e9, at\u00e9 2033. Isso significa que todos os munic\u00edpios brasileiros deveriam estar muito pr\u00f3ximos dos 100% de atendimento em duas d\u00e9cadas, contando a partir de 2014.<\/p>\n<p>Todos os anos o <strong>Instituto Trata Brasil<\/strong> faz um ranking da situa\u00e7\u00e3o das 100 maiores cidades, com rela\u00e7\u00e3o ao saneamento b\u00e1sico. Dessa forma, olhamos os indicadores, os quais as pr\u00f3prias cidades enviam para o <strong>Minist\u00e9rio das Cidades<\/strong>, que publica esses n\u00fameros nacionais e n\u00f3s coletamos esses dados das 100 maiores cidades. A partir disso, fizemos uma an\u00e1lise dos \u00faltimos cinco, seis anos e projetamos esse crescimento dos indicadores para 20 anos, e v\u00e1rias dessas cidades \u2014 praticamente metade dessas 100 grandes cidades \u2014 <strong>n\u00e3o alcan\u00e7ariam a universaliza\u00e7\u00e3o<\/strong>, se mantidos os \u00edndices de evolu\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos cinco, seis anos. Ent\u00e3o, estamos dizendo que \u00e9 poss\u00edvel sim se universalizar, mas a se manter o ritmo que tem ocorrido nessas grandes cidades nos \u00faltimos anos, isso n\u00e3o ir\u00e1 acontecer.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as principais dificuldades de se avan\u00e7ar no sentido de alcan\u00e7ar as metas do\u00a0Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico? O problema \u00e9 basicamente de ordem financeira?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> N\u00e3o \u00e9. Podemos dizer claramente que antes de 2007 t\u00ednhamos todos os problemas poss\u00edveis no setor de saneamento, desde n\u00e3o haver uma lei nacional que regulamentasse o saneamento, at\u00e9 de n\u00e3o haver recursos dispon\u00edveis pelo governo Federal, principalmente. Mas, depois de 2007, com a lei do saneamento e com a cria\u00e7\u00e3o do <strong>PAC<\/strong> e do <strong>Minist\u00e9rio das Cidades<\/strong>, podemos dizer com certeza que n\u00e3o t\u00eam faltado recursos para saneamento nos \u00faltimos anos. Logicamente que se <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/534849-pais-tem-que-investir-o-dobro-para-levar-agua-e-esgoto-a-todos-os-brasileiros\" target=\"_blank\">precisa de muito recurso<\/a>. O <strong>Plano Nacional de Saneamento<\/strong> sugere 304 bilh\u00f5es em 20 anos s\u00f3 para \u00e1gua e esgoto. Ent\u00e3o, \u00e9 muito dinheiro, estamos falando na faixa de 15, 16 bilh\u00f5es por ano s\u00f3 para \u00e1gua e esgoto, mas o Brasil tem investido na faixa dos 10 bilh\u00f5es. \u00c9 muito dinheiro, mas n\u00e3o \u00e9 isso que tem feito com que o saneamento n\u00e3o ande, existem outros gargalos, desde gargalos burocr\u00e1ticos \u2014 a dificuldade de o dinheiro sair de Bras\u00edlia e chegar \u00e0s obras \u2014, at\u00e9 a falta de capacidade de muitos mun\u00edcipios em elaborar projetos; ent\u00e3o muitas vezes o Minist\u00e9rio tem o dinheiro parado, mas os munic\u00edpios n\u00e3o t\u00eam projetos.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;A maior empresa do Brasil, no estado mais rico do Brasil, est\u00e1 postergando obras de esgotamento sanit\u00e1rio em detrimento das obras de \u00e1gua&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Existe tamb\u00e9m uma dificuldade de apoio do munic\u00edpio no momento em que as empresas de \u00e1gua e esgoto precisam fazer as obras na cidade; ou seja, h\u00e1 problemas de licen\u00e7as ambientais e <strong>vontade pol\u00edtica<\/strong> tamb\u00e9m. Em muitos munic\u00edpios brasileiros esse assunto n\u00e3o \u00e9 sequer discutido. Junta-se a isso o cidad\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 bem informado sobre o tema, que muitas vezes n\u00e3o associa a <strong>falta de saneamento<\/strong> com o problema da <strong>sa\u00fade<\/strong>, por exemplo, e n\u00e3o cobra solu\u00e7\u00e3o. Dessa forma, o problema vai desde o cidad\u00e3o que n\u00e3o se envolve com esse tema, de uma autoridade, seja um prefeito ou um governador, que tamb\u00e9m n\u00e3o demonstra interesse pelo assunto do saneamento porque <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/506863--existe-a-ideia-de-que-obra-enterrada-nao-da-voto-e-faltam-projetos-para-saneamento-basico-diz-especialista-\" target=\"_blank\">prefere outras obras mais vis\u00edveis<\/a> do ponto de vista eleitoral \u2014 construir hospital, por exemplo \u2014, at\u00e9 aquele prefeito, governador que tem interesse em resolver, mas da\u00ed cai em outros gargalos, como chamamos, que \u00e9 a dificuldade de elaborar um bom projeto, ou de buscar dinheiro em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>Temos uma s\u00e9rie de problemas, mas mesmo assim o setor tem evolu\u00eddo. O que questionamos bastante no <strong>Trata Brasil<\/strong> n\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 avan\u00e7os, mas a <strong>velocidade do avan\u00e7o<\/strong>. N\u00f3s estamos falando de demorar 20 anos para ter a infraestrutura mais b\u00e1sica que uma cidade deveria ter. \u00c9 rid\u00edculo falarmos em 20 anos para ter \u00e1gua e esgoto para todo mundo. Isso, em um pa\u00eds desenvolvido, h\u00e1 d\u00e9cadas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais discutido; imagina na Europa uma pessoa nascer em um lugar que n\u00e3o tenha saneamento. E n\u00f3s temos um prazo de 20 anos, correndo o risco ainda de n\u00e3o atingir, mesmo em duas d\u00e9cadas; \u00e9 um quadro muito preocupante.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que distingue as cidades com melhor saneamento b\u00e1sico no pa\u00eds, a exemplo de Franca, Limeira, Santos e Taubat\u00e9, em S\u00e3o Paulo; Maring\u00e1, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa, no Paran\u00e1; Niter\u00f3i, no Rio de Janeiro; e Uberl\u00e2ndia, em Minas Gerais, das cidades mais carentes em saneamento, como Porto Velho, Santar\u00e9m e Ananindeua, no Par\u00e1; Jaboat\u00e3o dos Guararapes, em Pernambuco; Macap\u00e1, no Amap\u00e1; V\u00e1rzea Grande, em Mato Grosso; Gravata\u00ed, no Rio Grande do Sul; Bel\u00e9m e Manaus; e S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti, no Rio de Janeiro? <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> Em todas as cidades que est\u00e3o bem no ranking, \u00e9 verificado o foco claro da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica no avan\u00e7o do saneamento, o qual vem avan\u00e7ando h\u00e1 muito anos, e isso demonstra que o poder p\u00fablico local tem se empenhado na <strong>solu\u00e7\u00e3o do problema<\/strong>, pois essa \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o de longo prazo. Ou seja, independente do prefeito ou do partido pol\u00edtico que lidera a cidade, o saneamento continuou sendo foco de aten\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, se olharmos <strong>Franca<\/strong>, <strong>Santos<\/strong>, <strong>Limeira<\/strong>, <strong>Maring\u00e1<\/strong>, grandes cidades do Paran\u00e1, em todas elas h\u00e1 investimentos fortes h\u00e1 muito anos.<\/p>\n<p>O que distingue as primeiras cidades das \u00faltimas \u00e9 investimento forte e vontade de resolver. No <strong>rodap\u00e9 do ranking<\/strong> \u00e9 poss\u00edvel ver que existem cidades que h\u00e1 dez anos est\u00e3o exatamente no mesmo lugar, ent\u00e3o quer dizer que n\u00e3o houve <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/531839-pac-do-saneamento-54-das-obras-estao-atrasadas-ou-paradas\" target=\"_blank\">nenhuma prioridade do poder p\u00fablico<\/a> local em resolver o problema. Al\u00e9m disso, a cidade cresce, porque mais pessoas v\u00e3o morar nas grandes cidades; esse fen\u00f4meno de imigra\u00e7\u00e3o de \u00e1rea rural para \u00e1rea urbana, logicamente que esse pico j\u00e1 aconteceu, mas esse processo continua, todo dia a cidade cresce um pouquinho. Se n\u00e3o h\u00e1 um servi\u00e7o de saneamento que avance, os indicadores pioram, porque h\u00e1 mais pessoas que n\u00e3o est\u00e3o sendo atendidas, e os indicadores, al\u00e9m de n\u00e3o subirem, ainda caem.<\/p>\n<p>Desse modo, se pegarmos, por exemplo, as 20 piores cidades do ranking, em qualquer ano que olharmos, elas estariam a\u00ed embaixo. O avan\u00e7o \u00e9 muito pequeno e muito lento, sendo que s\u00e3o todas grandes cidades, n\u00e3o tem uma cidade abaixo de 250 mil habitantes, todas elas t\u00eam recursos, sabem fazer obras, ent\u00e3o estas n\u00e3o t\u00eam como dizer que n\u00e3o sabem. Isso \u00e9 mais chocante ainda porque estamos falando de <strong>grandes cidades<\/strong>, at\u00e9 capitais como <strong>Manaus<\/strong>, <strong>Bel\u00e9m<\/strong>, <strong>Porto Velho<\/strong>, <strong>Rio Branco<\/strong>, <strong>Teresina<\/strong>, s\u00e3o capitais que avan\u00e7am muito pouco. O que estamos dizendo \u00e9 o seguinte: a se manter nesse ritmo, o <strong>Plano Nacional <\/strong>n\u00e3o ir\u00e1 acontecer. Mas l\u00f3gico que torcemos para que a repercuss\u00e3o dessas publica\u00e7\u00f5es, dessa discuss\u00e3o fa\u00e7a com que as autoridades olhem com mais cuidado para o saneamento e se reverta esse hist\u00f3rico muito ruim.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;Estamos falando de duas d\u00e9cadas para ter uma estrutura que deveria ser constru\u00edda antes de a cidade nascer&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o as dificuldades que o pa\u00eds ainda enfrenta em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento de esgoto? Esse \u00e9 o principal problema? <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> Sim, sem d\u00favida. S\u00e3o dois indicadores que avan\u00e7am muito pouco dentro do ranking. Um \u00e9 o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541234-diluir-esgotos-em-rios-e-a-forma-mais-perversa-de-desperdicar-agua\" target=\"_blank\"><strong>tratamento do esgoto<\/strong><\/a>, em que temos muitas cidades com taxas altas de coleta, mas taxas muito baixas de tratamento \u2014 a rede passa na rua, pega o esgoto das casas, mas joga em um rio, riacho, no mar, em algum lugar \u2014, ent\u00e3o o esgoto \u00e9 coletado, mas n\u00e3o \u00e9 tratado. Apenas <strong>39% do esgoto do pa\u00eds \u00e9 tratado<\/strong>, para termos uma ideia de quanto o Brasil tem de desafio nessa quest\u00e3o. Esse baixo \u00edndice de tratamento \u00e9 um indicador muito ruim.<\/p>\n<p>Outro indicador que avan\u00e7ou muito pouco se refere \u00e0s<strong> perdas de \u00e1gua no sistema de distribui\u00e7\u00e3o<\/strong>, e agora todo mundo olha como absurdo esse indicador por conta da crise h\u00eddrica. Mas historicamente <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/541265-brasil-desperdicou-37-da-agua-na-rede-de-distribuicao-em-2013\" target=\"_blank\">sempre houve perdas muito grandes no sistema de distribui\u00e7\u00e3o<\/a> de \u00e1gua pot\u00e1vel que n\u00e3o consegue chegar \u00e0s nossas casas. Esse dois indicadores s\u00e3o os que menos avan\u00e7aram historicamente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consiste o estudo sobre a ociosidade das redes de esgotos no Brasil? Como ajudaria a resolver o problema de tratamento de esgoto? <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> Quando falamos da <strong>ociosidade das redes<\/strong>, estamos falando das redes que existem, mas com as quais as pessoas n\u00e3o se conectam. Imagina que voc\u00ea mora em uma rua que n\u00e3o tem rede de esgoto, e chega um momento em que aquela rede passa, mas voc\u00ea decide n\u00e3o ligar sua casa porque n\u00e3o quer que aumente sua conta de \u00e1gua, uma vez que o esgoto est\u00e1 atrelado \u00e0 conta de \u00e1gua. Dessa maneira voc\u00ea continua usando aquela fossa em seu quintal, continua jogando o esgoto no rio ou jogando na rua, porque voc\u00ea decide por algum motivo que n\u00e3o quer ligar sua casa \u00e0 rede. Aquela rede fica obsoleta, acaba estragando, o prestador de servi\u00e7o n\u00e3o consegue ter recursos financeiros, porque \u00e9 da tarifa que ele consegue ter dinheiro para ampliar o sistema. Ent\u00e3o isso gera um <strong>problema ambiental<\/strong>, pois as pessoas continuam <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/526814-despejo-de-esgoto-sem-tratamento-nos-rios-lagos-e-mares-problema-ambiental-social-e-de-saude-publica\" target=\"_blank\">jogando o esgoto no lugar errado<\/a> mesmo tendo a rede. Tamb\u00e9m \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica, porque jogar esgoto no lugar errado \u00e9 uma fonte de doen\u00e7a, e \u00e9 um problema econ\u00f4mico, porque o sistema de saneamento n\u00e3o recebe o recurso para aquela obra feita.<\/p>\n<p>Apuramos que, s\u00f3 nas 100 maiores cidades, existem 3,5 milh\u00f5es de pessoas que poderiam estar ligadas \u00e0 rede de esgotos e n\u00e3o est\u00e3o porque decidiram n\u00e3o ligar. Este \u00e9 outro problema, e n\u00e3o \u00e9 o caso de culpar a empresa de \u00e1gua e esgoto; a rede est\u00e1 l\u00e1, \u00e9 uma decis\u00e3o do cidad\u00e3o que precisa ser revertida, porque muitas vezes a pessoa tem dois celulares na cintura, uma TV a cabo e n\u00e3o quer pagar 20 ou 30 reais de esgoto. Trata-se de uma falta de vis\u00e3o, de <strong>valoriza\u00e7\u00e3o da infraestrutura de saneamento<\/strong>, em que a pessoa \u00e0s vezes n\u00e3o valoriza esse servi\u00e7o, enquanto recebe e paga por outros servi\u00e7os sem questionar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A crise h\u00eddrica pode impactar negativamente o desenvolvimento do Plano Nacional de Saneamento B\u00e1sico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> Gera, sem d\u00favida, um impacto. Por exemplo, a <strong>Sabesp<\/strong> acabou de anunciar que vai suspender por quatro meses as obras de esgoto por falta de caixa, ou seja, para atender as obras de \u00e1gua,<strong> pararam as obras de esgoto<\/strong>. Esse \u00e9 um problema enorme porque \u00e9 jogado para frente um problema que j\u00e1 \u00e9 grande. Ent\u00e3o, a maior empresa do Brasil, no estado mais rico do Brasil, est\u00e1 postergando obras de esgotamento sanit\u00e1rio em detrimento das obras de \u00e1gua por conta da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539580-a-crise-hidrica-nacional-e-o-descaso-com-o-meio-ambiente-artigo-de-rodrigo-mesquita-costa\" target=\"_blank\"><strong>crise h\u00eddrica<\/strong><\/a>. Isso \u00e9 um problema n\u00e3o s\u00f3 por causa da paralisa\u00e7\u00e3o, mas porque se sinaliza para a sociedade que o <strong>esgoto<\/strong> pode ficar em segundo plano.<\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica \u00e9 muito boa por um lado, nos faz <strong>refletir sobre a \u00e1gua<\/strong>, porque, ao menos no <strong>Sudeste<\/strong>, viv\u00edamos com a sensa\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia, de que havia muita \u00e1gua, e n\u00f3s nunca mais vamos olhar a \u00e1gua dessa forma. Ent\u00e3o o cidad\u00e3o vai aprender a usar com mais crit\u00e9rio, vai se envolver mais nesse assunto; o tema do saneamento tamb\u00e9m vem \u00e0 tona com o esgoto, porque as coisas est\u00e3o conjugadas, mas n\u00e3o tem d\u00favida de que tamb\u00e9m impacta nesses indicadores por conta da <strong>crise econ\u00f4mica<\/strong>. Estamos em uma crise econ\u00f4mica enorme, mas tamb\u00e9m tem o fator da falta de \u00e1gua, a crise de energia el\u00e9trica \u00e9 uma crise de \u00e1gua e isso tudo faz com que as metas sejam afrouxadas, postergadas, e acabamos jogando para frente um problema que j\u00e1 \u00e9 muito grande.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;\u00c9 o momento de pararmos de pedir posto de sa\u00fade e hospital e pedirmos que se fa\u00e7a infraestrutura, cuja falta nos leva para o hospital&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; \u00c9 poss\u00edvel estimar como o ajuste fiscal feito pelo governo pode impactar nas obras de saneamento, no PAC? <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> N\u00e3o, mas nos preocupamos porque estamos falando de duas d\u00e9cadas para ter uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/532512-falta-de-saneamento-basico-e-os-prejuizos-economicos-ambientais-e-sociais-entrevista-especial-com-rafael-volquid-\" target=\"_blank\">estrutura que deveria ser constru\u00edda antes de a cidade nascer<\/a>. Qualquer coisa que seja postergada por 20 anos \u2014 este prazo j\u00e1 \u00e9 um absurdo \u2014 ter\u00e1 sempre um atraso maior, porque daqui a pouco vamos estar falando de 25 anos. Estamos muito preocupados porque quanto mais a meta do plano nacional de saneamento anda, mais distante ela fica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-line &#8211; Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00c9dison Carlos \u2013<\/strong> Eu sempre chamo a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que o <strong>cidad\u00e3o<\/strong> tem um papel muito importante nesse processo. Na verdade quem pauta as autoridades somos n\u00f3s, cidad\u00e3os e eleitores. No ano que vem teremos elei\u00e7\u00f5es para prefeito e n\u00e3o podemos perder essa oportunidade de cobrar saneamento, nas campanhas eleitorais. Essa \u00e9 a oportunidade em que o cidad\u00e3o fica mais pr\u00f3ximo da autoridade, porque os candidatos v\u00eam pedir os nossos votos. \u00c9 o momento de pararmos de pedir posto de sa\u00fade e hospital e pedirmos que se fa\u00e7a infraestrutura, cuja falta nos leva para o hospital.<\/p>\n<p><em>Por Patr\u00edcia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-line<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cApenas 39% do esgoto do pa\u00eds \u00e9 tratado, para termos uma ideia de quanto o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cApenas 39% do esgoto do pa\u00eds \u00e9 tratado, para termos uma ideia de quanto o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23945"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23945"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23945\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}