{"id":23939,"date":"2015-07-04T12:14:28","date_gmt":"2015-07-04T12:14:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23939"},"modified":"2015-07-04T12:15:19","modified_gmt":"2015-07-04T12:15:19","slug":"60-dos-grandes-herbivoros-correm-risco-de-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/60-dos-grandes-herbivoros-correm-risco-de-extincao\/","title":{"rendered":"60% dos grandes herb\u00edvoros correm risco de extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"medias-container\">\n<div class=\"article-media\">\n<div class=\"article-media-item\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/assets0.exame.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/4\/488686\/size_810_16_9_anta.jpg\" alt=\"Anta e filhote em zool\u00f3gico\" width=\"640\" height=\"360\" data-src=\"http:\/\/assets0.exame.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/4\/488686\/size_810_16_9_anta.jpg\" \/><\/div>\n<p class=\"media-label\">A \u00fanica representante brasileira no grupo \u00e9 a anta (Tapirus terrestres), que pode chegar a 300 kg e tamb\u00e9m est\u00e1 sob amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"article-main-content\">\n<div class=\"journalist-container\"><\/div>\n<article class=\"article-body\" data-content-body=\"\">De acordo com uma revis\u00e3o publicada recentemente na revista Science Advances, 60% das esp\u00e9cies remanescentes de grandes mam\u00edferos herb\u00edvoros \u2013 aqueles com massa corporal igual ou maior que 100 quilogramas \u2013 correm risco de <a href=\"http:\/\/www.exame.com.br\/topicos\/animais-em-extincao\"><strong>extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>. Quase todas as popula\u00e7\u00f5es amea\u00e7adas est\u00e3o nas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento.Os dados s\u00e3o da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, na sigla em ingl\u00eas) e foram levantados por cientistas de v\u00e1rios pa\u00edses, sob coordena\u00e7\u00e3o de William Ripple, da Oregon State University, nos <a href=\"http:\/\/www.exame.com.br\/topicos\/estados-unidos\"><strong>Estados Unidos<\/strong><\/a>. Entre os autores est\u00e1 o pesquisador brasileiro Mauro Galetti, do Departamento de Ecologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro.<\/p>\n<p>\u201cLugares como a savana africana est\u00e3o se tornando paisagens vazias e isso n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o \u00e9tica ou est\u00e9tica. Afeta o funcionamento dos ecossistemas naturais. Todas essas esp\u00e9cies desempenham fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas importantes e, se elas desaparecerem, ningu\u00e9m conseguir\u00e1 substitu\u00ed-las\u201d, disse Galetti em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p>Das 74 esp\u00e9cies de mam\u00edferos terrestres que comp\u00f5em o grupo dos grandes herb\u00edvoros, 71 ocorrem em pa\u00edses em desenvolvimento e somente 10 nos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>A \u00fanica representante brasileira no grupo \u00e9 a anta (Tapirus terrestres), que pode chegar a 300 kg e tamb\u00e9m est\u00e1 sob amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com o artigo, os grandes herb\u00edvoros ocupam atualmente, em m\u00e9dia, apenas 19% das suas \u00e1reas de ocorr\u00eancia hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 exemplificado pelo elefante (Loxodonta africana), pelo hipop\u00f3tamo (Hippopotamus amphibius) e pelo rinoceronte negro ocidental (Diceros bicornis), que hoje ocupam pequenas fra\u00e7\u00f5es de suas \u00e1reas hist\u00f3ricas na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, muitas dessas esp\u00e9cies em decl\u00ednio s\u00e3o pouco conhecidas cientificamente e necessitam seriamente de pesquisas ecol\u00f3gicas de base\u201d, ressaltam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no caso da anta, disse Galetti, a \u00e1rea de ocorr\u00eancia vem encolhendo nos \u00faltimos anos. Os cientistas n\u00e3o sabem ao certo qual \u00e9 o tamanho da popula\u00e7\u00e3o remanescente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cOriginalmente, a anta era encontrada em praticamente todos os biomas brasileiros, mas hoje j\u00e1 h\u00e1 v\u00e1rios lugares da Mata Atl\u00e2ntica em que ela desapareceu. As causas principais s\u00e3o a ca\u00e7a ilegal, o desmatamento, a expans\u00e3o agr\u00edcola e atropelamentos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>A ca\u00e7a, a expans\u00e3o da pecu\u00e1ria e as mudan\u00e7as no uso da terra \u2013 que incluem perda de habitat, invas\u00e3o humana (como constru\u00e7\u00e3o de estradas), planta\u00e7\u00f5es e desmatamento \u2013 s\u00e3o apontadas no artigo como as principais amea\u00e7as para os grandes herb\u00edvoros.<\/p>\n<p>A vulnerabilidade desses animais \u00e9 agravada pelo fato de se reproduzirem lentamente.<\/p>\n<p>A ca\u00e7a ilegal voltada \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de partes valiosas do corpo, como, por exemplo, presas e chifres, tem causado um decl\u00ednio dram\u00e1tico na popula\u00e7\u00e3o de elefantes e rinocerontes em partes da \u00c1frica e na \u00c1sia Meridional, revertendo d\u00e9cadas de esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o, disse o artigo.<\/p>\n<p>A perda de habitat \u00e9 uma amea\u00e7a significativa principalmente na Am\u00e9rica Latina, na \u00c1frica e no sudeste da \u00c1sia e, segundo os autores, a causa tem origem nos pa\u00edses desenvolvidos e em sua demanda por produtos agr\u00edcolas e outras commodities.<\/p>\n<p>\u201cO Sudeste da \u00c1frica tem a maior taxa de desmatamento nos tr\u00f3picos e, se o ritmo se mantiver, a regi\u00e3o poder\u00e1 perder 75% de suas florestas originais e quase metade de sua biodiversidade at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo\u201d, ressaltaram os cientistas.<\/p>\n<p>No caso da Am\u00e9rica do Sul, o processo de defauna\u00e7\u00e3o pode ter tido in\u00edcio h\u00e1 10 mil anos, coincidindo com a chegada do homem ao continente. \u201cHavia esp\u00e9cies de pregui\u00e7a gigantes, tatus do tamanho de um fusca e outras menos conhecidas, mas a regi\u00e3o j\u00e1 foi transformada em uma paisagem vazia. H\u00e1 uma controv\u00e9rsia na literatura cient\u00edfica sobre a principal causa ter sido o clima ou as a\u00e7\u00f5es humanas. Os impactos para o ecossistema est\u00e3o s\u00f3 come\u00e7ando a ser compreendidos\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Por consumirem grandes quantidades de vegeta\u00e7\u00e3o, explicou o pesquisador, esses mam\u00edferos ajudam a moldar a estrutura dos ecossistemas, prestando servi\u00e7os como ciclagem de nutrientes, dispers\u00e3o de sementes e controle de fogo.<\/p>\n<p>\u201cA quantidade de mat\u00e9ria org\u00e2nica que esses animais reciclam \u00e9 enorme. Se eles desaparecerem em biomas como o cerrado brasileiro ou a savana africana, a vegeta\u00e7\u00e3o vai crescer, secar e eventualmente vai pegar fogo\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p>No Brasil, acrescentou o pesquisador, esp\u00e9cies de plantas que possuem sementes grandes, como jatob\u00e1 (Hymenaea courbaril), buriti (Mauritia flexuosa) e palmito amargoso (Syagrus oleracea), e muitas outras plantas s\u00e3o dependentes da anta para dispers\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, as antas competem por alimento com diversos roedores, ajudando a controlar popula\u00e7\u00f5es prejudiciais \u00e0 sa\u00fade humana por transmitir doen\u00e7as como hantavirose.<\/p>\n<p>A anta tamb\u00e9m \u00e9 um dos poucos animais que servem de presa e ajudam a sustentar as popula\u00e7\u00f5es da on\u00e7a-pintada (Panthera onca), que por sua vez controlam v\u00e1rios animais que podem ser daninhos ao homem\u201d, disse Galetti.<\/p>\n<p>Os grandes herb\u00edvoros s\u00e3o a principal fonte de alimento para animais como le\u00e3o (Panthera leo), hiena (Crocuta crocuta), tigre (Panthera tigris) e tamb\u00e9m para os animais menores que se alimentam das carca\u00e7as, como coiotes (Canis latrans), raposas (Vulpes vulpes), corvos (Corvus corax e \u00e1guias (Haliaeetus spp.).<\/p>\n<p>O decl\u00ednio dos grandes herb\u00edvoros causa ainda efeitos diretos nos humanos, especialmente no que se refere \u00e0 seguran\u00e7a alimentar nas regi\u00f5es em desenvolvimento, ressaltou o artigo.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que 1 bilh\u00e3o de pessoas dependem de carne de ca\u00e7a para subsist\u00eancia e ela deve diminuir em torno de 80% nas florestas africanas nos pr\u00f3ximos 50 anos. Al\u00e9m disso, os mais carism\u00e1ticos e emblem\u00e1ticos herb\u00edvoros atraem muitos turistas para \u00e1reas protegidas. O decl\u00ednio do turismo deve afetar as balan\u00e7as comerciais e as taxas de emprego principalmente nas \u00e1reas rurais do mundo em desenvolvimento\u201d, diz o texto.<\/p>\n<p><strong>Dire\u00e7\u00f5es futuras<\/strong><\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dos autores, o esfor\u00e7o para salvar os grandes herb\u00edvoros remanescentes deve incluir a redu\u00e7\u00e3o das taxas de natalidade humanas, diminui\u00e7\u00e3o do consumo de carne de ruminantes, combate da ca\u00e7a ilegal, expans\u00e3o e maior financiamento de \u00e1reas protegidas e combate \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O artigo ressalta ainda a necessidade de pesquisas sobre as esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas no sudeste asi\u00e1tico, \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina, entre elas o B\u00fafalo-an\u00e3o-de-Mindoro (Bubalus mindorensis), cabra-das-rochosas (Capra walie), su\u00ednos da esp\u00e9cie Sus cebifrons e Sus oliveri e outras sobre as quais tamb\u00e9m h\u00e1 menos de dez artigos cient\u00edficos publicados.<\/p>\n<p>No Brasil, uma esp\u00e9cie de anta recentemente descrita e denominada Tapirus kabomanii pode estar criticamente amea\u00e7ada pela ca\u00e7a e minera\u00e7\u00e3o na sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEm particular, mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para entender como o aumento da densidade humana e da pecu\u00e1ria, a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, a perda de habitat, a ca\u00e7a e as diferentes combina\u00e7\u00f5es desses fatores afetam esses grandes herb\u00edvoros\u201d, afirmaram.<\/p>\n<p><span class=\"journalist-link\">Karina Toledo, da <a href=\"http:\/\/www.agencia.fapesp.br\/\">AG\u00caNCIA FAPESP<\/a><\/span><\/p>\n<p>Fonte: Exame<\/p>\n<\/article>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A \u00fanica representante brasileira no grupo \u00e9 a anta (Tapirus terrestres), que pode chegar a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A \u00fanica representante brasileira no grupo \u00e9 a anta (Tapirus terrestres), que pode chegar a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23939"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23939"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23939\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}