{"id":23895,"date":"2015-07-03T16:00:22","date_gmt":"2015-07-03T16:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23895"},"modified":"2015-07-02T23:44:15","modified_gmt":"2015-07-02T23:44:15","slug":"o-que-acontece-quando-uma-especie-chave-e-extinta-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-acontece-quando-uma-especie-chave-e-extinta-da-natureza\/","title":{"rendered":"O que acontece quando uma esp\u00e9cie-chave \u00e9 extinta da natureza?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23896\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Algumas das estruturas mais persistentes da hist\u00f3ria s\u00e3o os aquedutos constru\u00eddos pelos antigos romanos para levar \u00e1gua das montanhas para as \u00e1reas densamente povoadas. Muitos ainda operam hoje, mais de 2.000 anos depois de iniciarem o servi\u00e7o. O que torna os aquedutos t\u00e3o fortes \u00e9 a cascata de arcos apoiando a estrutura. Se voc\u00ea examinar um desses arcos, ver\u00e1 que ele consiste de uma s\u00e9rie de tijolos &#8211; o que os engenheiros chamam de <strong>voussoirs<\/strong> &#8211; suportados no centro por uma pedra angular (pedra de fecho ou pedra do topo). Quando a pedra de fecho est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o, o arco pode se sustentar indefinidamente. Se voc\u00ea remover essa pedra-chave, a estrutura inteira desaba.<\/p>\n<p>Em 1969, o zo\u00f3logo Robert T. Paine percebeu que certas esp\u00e9cies em um ecossistema funcionam do mesmo modo que uma pedra angular no arco romano. Ele cunhou o termo <strong>esp\u00e9cie-chave<\/strong> para descrev\u00ea-las.\u00a0 Tais esp\u00e9cies t\u00eam um papel essencial na estrutura, no funcionamento ou na produtividade de um ecossistema e, como a ponte romana, impede que o ecossistema desintegre-se. Esp\u00e9cies-chave n\u00e3o ganham essa distin\u00e7\u00e3o pela sua abund\u00e2ncia, mas pela influ\u00eancia. Elas podem ser carn\u00edvoras ou herb\u00edvoras, plantas ou animais, marinhas ou terrestres. Podem ser muito mais altas que voc\u00ea, como um elefante, ou caber na palma da sua m\u00e3o, como uma estrela-do-mar.<\/p>\n<p>Foi, na verdade, uma esp\u00e9cie particular de estrela-do-mar que levou ao desenvolvimento do conceito de esp\u00e9cie-chave de Paine. A estrela-do-mar era a <em>Pisaster ochraceous<\/em>, que vive nas comunidades rochosas na faixa cobertas pela mar\u00e9 no oeste da Am\u00e9rica do Norte e se alimenta de\u00a0 mexilh\u00f5es. Quando Paine removeu a <em>Pisaster<\/em> de uma \u00e1rea da Ba\u00eda Mukkaw, em Washington, ele observou uma dr\u00e1stica diminui\u00e7\u00e3o na diversidade de esp\u00e9cies. A popula\u00e7\u00e3o de mexilh\u00f5es, claro, explodiu, mas as outras esp\u00e9cies viram seus n\u00fameros declinarem drasticamente. Das 15 esp\u00e9cies contabilizadas no come\u00e7o do experimento, apenas oito restaram no fim. Em uma \u00e1rea de controle da qual a <em>Pisaster<\/em> n\u00e3o havia sido removida, Paine n\u00e3o observou quaisquer mudan\u00e7as na diversidade de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Paine caracterizou a Pisaster como uma esp\u00e9cie-chave. Logo depois, ecologistas e bi\u00f3logos em todo o mundo sa\u00edram \u00e0 ca\u00e7a de identificar outras esp\u00e9cies. Como Paine, para encontr\u00e1-las eles usaram experimentos de remo\u00e7\u00e3o &#8211; tirando uma \u00fanica esp\u00e9cie, registrando as mudan\u00e7as que ocorriam e devolvendo os organismos aos seus habitats quando o experimento terminava. No decorrer das d\u00e9cadas seguintes, a lista de esp\u00e9cies-chave cresceu para incluir uma ampla variedade de organismos, incluindo lontras marinhas, vespas parasitas, elefantes, tubar\u00f5es-tigre, bem como morcegos e p\u00e1ssaros que ajudam na poliniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/ciencia.hsw.uol.com.br\/dodo.htm\">p\u00e1ssaro dod\u00f4<\/a> entraria na lista tamb\u00e9m?<\/p>\n<p><strong>P\u00e1ssaro dod\u00f4 &#8211; n\u00e3o t\u00e3o burro quanto pens\u00e1vamos<\/strong><\/p>\n<p>Fora dos experimentos de remo\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es naturais est\u00e3o levando as esp\u00e9cies-chave \u00e0 beira da <a href=\"http:\/\/ciencia.hsw.uol.com.br\/extincao-animais.htm\">extin\u00e7\u00e3o<\/a> em certas partes do mundo, o que leva a mudan\u00e7as significativas em outras popula\u00e7\u00f5es interconectadas. A lontra marinha \u00e9 um exemplo perfeito. Como um predador-chave no Pac\u00edfico Norte, as lontras se alimentam de ouri\u00e7os-do-mar, que, por sua vez, se alimentam de alga. Quando as lontras marinhas\u00a0 se alimentam em sua \u00e1rea, as florestas de algas ficam densas e saud\u00e1veis. Mas nos \u00faltimos 20 anos, as baleias assassinas come\u00e7aram a incluir as lontras em suas dietas, j\u00e1 que as presas normais das baleias declinaram. Isso fez com que as popula\u00e7\u00f5es de lontras marinhas despencassem e as popula\u00e7\u00f5es de ouri\u00e7os-do-mar aumentassem rapidamente. Nessas \u00e1reas, a alga \u00e9 quase inexistente. Se a lontra marinha for extinta, outras esp\u00e9cies certamente a seguiriam, e o ecossistema mudaria para sempre.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/static.hsw.com.br\/gif\/especies-chave-extintas-2.jpg\" alt=\"O p\u00e1ssaro dod\u00f4 n\u00e3o foi extinto por sua suposta burrice; estudo sugerem que ele era uma esp\u00e9cie-chave, pois sua extin\u00e7\u00e3o provou mudan\u00e7as dr\u00e1sticas no ecossistema da iha Maur\u00edcio\" width=\"640\" height=\"478\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>Outro caso de esp\u00e9cie-chave extinta pode ter ocorrido na ilha Maur\u00edcio, no Oceano \u00cdndico. A esp\u00e9cie era o dod\u00f4, um grande p\u00e1ssaro n\u00e3o voador que prosperou at\u00e9 que os exploradores holandeses descobriram a ilha no final do s\u00e9culo 16. Ent\u00e3o a popula\u00e7\u00e3o de dod\u00f4 come\u00e7ou a cair rapidamente \u00e0 medida que os colonizadores derrubavam as florestas e traziam ratos e porcos, que atacavam os ninhos do p\u00e1ssaro para pegar os ovos. Em menos de 100 anos, o dod\u00f4 tinha sumido, deixado ao abandono nos livros de hist\u00f3ria como um animal burro incapaz de se adaptar.<\/p>\n<p>Recentemente, contudo, um pesquisador especulou que o dod\u00f4 pode ter sido uma esp\u00e9cie-chave. Sua evid\u00eancia vem de outro organismo amea\u00e7ado &#8211; a \u00e1rvore <em>Sideroxylon grandiflorum<\/em>, conhecida como tambalacoque (\u00e1rvore-dod\u00f4 ou calv\u00e1ria). A \u00faltima tambalacoque germinou pouco antes de 1700, sugerindo que o fim da \u00e1rvore est\u00e1 de algum modo relacionado \u00e0 extin\u00e7\u00e3o do dod\u00f4. O pesquisador acredita que o dod\u00f4 comia o fruto da tambalacoque e, por meio do processo digestivo, ativava a semente. Com nenhum dod\u00f4 vivo para desempenhar essa importante fun\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o da tambalacoque definhou at\u00e9 umas poucas \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Alguns cientistas disputam a conex\u00e3o tambalacoque\/dod\u00f4, mas mesmo se a extin\u00e7\u00e3o do p\u00e1ssaro n\u00e3o estiver amarrada \u00e0 da \u00e1rvores, o estudo de caso ressalta um ponto importante sobre a biologia da preserva\u00e7\u00e3o: que as conex\u00f5es entre os organismos n\u00e3o s\u00e3o sempre \u00f3bvias e que o desaparecimento de at\u00e9 uma esp\u00e9cie pode ter efeitos de longo alcance. Por essas raz\u00f5es, ecologistas continuam a focar nas esp\u00e9cies-chave como uma maneira de preservar a estrutura e o funcionamento de uma ampla gama de habitats.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algumas das estruturas mais persistentes da hist\u00f3ria s\u00e3o os aquedutos constru\u00eddos pelos antigos romanos para<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23896,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/Pont-du-Gard.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Algumas das estruturas mais persistentes da hist\u00f3ria s\u00e3o os aquedutos constru\u00eddos pelos antigos romanos para","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23895"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23895"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23895\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23896"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23895"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23895"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23895"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}