{"id":23675,"date":"2015-06-29T10:24:30","date_gmt":"2015-06-29T10:24:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23675"},"modified":"2015-06-29T10:24:30","modified_gmt":"2015-06-29T10:24:30","slug":"negocio-da-carpa-envolve-50-mil-agricultores-e-movimenta-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/negocio-da-carpa-envolve-50-mil-agricultores-e-movimenta-milhoes\/","title":{"rendered":"Neg\u00f3cio da carpa envolve 50 mil agricultores e movimenta milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23676\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A produ\u00e7\u00e3o de carpas virou uma alternativa de renda para pequenos agricultores do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/rio-grande-do-sul\">Rio Grande do Sul<\/a>. De acordo com a Emater, a cria\u00e7\u00e3o de carpas aumenta cerca de 8% ao ano no estado. A f\u00f3rmula \u00e9 simples: usar a \u00e1gua dispon\u00edvel nas propriedades e aproveitar o que sobra da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Quando se fala em carpas, a primeira imagem que vem \u00e0 cabe\u00e7a de muita gente \u00e9 de peixes coloridos de ornamenta\u00e7\u00e3o, que embelezam jardins e outros ambientes. Mas existem esp\u00e9cies de carpas com utilidades diferentes.<\/p>\n<p>S\u00e3o as carpas produzidas para o consumo. O curioso \u00e9 que o cultivo de peixes que vamos conhecer vem crescendo justamente em um estado que tem tradi\u00e7\u00e3o por produzir a carne bovina.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o central do Rio Grande do Sul, munic\u00edpios como Estrela, Arroio do Meio, Montenegro, Roca Sales e Cruzeiro do Sul s\u00e3o rodeados de vales, cortados pelo rio Taquari. Neste cen\u00e1rio vivem agricultores como a fam\u00edlia M\u00f6hler.<\/p>\n<p>A ro\u00e7a e a cria\u00e7\u00e3o de ovelhas n\u00e3o s\u00e3o mais a principal atividade no s\u00edtio de 20 hectares. H\u00e1 15 anos, \u00canio M\u00f6hler resolveu diversificar e apostou na produ\u00e7\u00e3o de carpas, especialmente de alevinos, os filhotes de peixes para comercializa\u00e7\u00e3o. Hoje ele tem 47 tanques.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos com um, dois a\u00e7udes. A gente gostava tanto que resolveu abrir um laborat\u00f3rio e come\u00e7ar com a produ\u00e7\u00e3o. A procura foi aumentando, 20% em tr\u00eas anos\u201d, diz M\u00f6hler, agricultor e produtor de alevinos.<\/p>\n<p>As carpas cultivadas no estado s\u00e3o de origem chinesa e foram desenvolvidas na Hungria. Chegaram ao Brasil no in\u00edcio dos anos 80. A fase de reprodu\u00e7\u00e3o natural delas ocorre quando a temperatura da \u00e1gua est\u00e1 mais alta, entre 24 e 26 graus. Como no Rio Grande do Sul as esta\u00e7\u00f5es s\u00e3o bem definidas, a desova ocorre uma vez ao ano, a partir da primavera. Isso ajuda no manejo e no controle da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>S\u00f3 de alevinos, a fam\u00edlia M\u00f6hler chega a produzir dois milh\u00f5es de peixes por ano. Eles recebem entre R$ 0,20 e R$ 3 pela unidade, dependendo do tamanho que os peixinhos s\u00e3o vendidos.<\/p>\n<p>\u201cA gente vende conforme o produtor quiser. O pequeno de quatro cent\u00edmetros, de oito a dez&#8230; O de 20 a 25 cent\u00edmetros \u00e9 o mais procurado. Em 12, 13 meses \u00e9 um peixe pronto\u201d, explica M\u00f6hler.<\/p>\n<p>M\u00e1rcia M\u00f6hler, esposa de \u00canio, \u00e9 a respons\u00e1vel pela ra\u00e7\u00e3o dos alevinos e tamb\u00e9m faz o trabalho mais pesado. \u201cAjudo a puxar a rede de 30, 40 metros, mas tamb\u00e9m de atender bem os clientes\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para Diego, o filho do casal, \u00e9 uma oportunidade de futuro. J\u00e1 para av\u00f3 dele, m\u00e3e de seu \u00canio, a dona Irmghartt, de 76 anos, \u00e9 uma terapia. \u201cEu trabalho na ro\u00e7a desde o sete anos. Mas n\u00e3o conhecia de alevinos. Passava mais doente no hospital do que em casa. Depois que ele come\u00e7ou com os alevinos eu me curei sem rem\u00e9dios. Mudou tudo para melhor\u201d, conta.<\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul produz hoje em torno de 17 mil toneladas de carpas por ano, em uma \u00e1rea de 20 mil hectares. Expandir esses n\u00fameros \u00e9 a proposta de um projeto da Emater. O coordenador, o agr\u00f4nomo Henrique Bartels, explica que a ideia \u00e9 gerar renda, com o melhor aproveitamento da \u00e1gua dispon\u00edvel nas propriedades.<\/p>\n<p>\u201cApenas 55% da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 comercializada, ent\u00e3o tem espa\u00e7o pra comercializa\u00e7\u00e3o de peixes, al\u00e9m disso, o produtor pode utilizar para alimenta\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria fam\u00edlia\u201d, declara Bartels.<\/p>\n<p>O agr\u00f4nomo Jo\u00e3o Sampaio \u00e9 um dos respons\u00e1veis por orientar os agricultores. De acordo com a Emater, 97% da piscicultura ga\u00facha est\u00e1 dentro de propriedades familiares, que utilizam o sistema semi-intensivo de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cBaseia-se na produ\u00e7\u00e3o de alimento natural na \u00e1gua, estimulado pelo produtor, e ao mesmo tempo, complementa esse alimento natural com subprodutos da propriedade\u201d, explica Jo\u00e3o Sampaio, agr\u00f4nomo da Emater.<\/p>\n<p>O aproveitamento do que sobra da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola \u00e9 uma das principais vantagens para o agricultor. \u201cComo eles s\u00e3o on\u00edvoros, podem comer de tudo, farelo de a\u00e7\u00facar, sobras de frutas, de verduras, gr\u00e3os, cereais, tub\u00e9rculos, todos os alimentos que s\u00e3o naturalmente produzidos na propriedade rural familiar\u201d, diz.<\/p>\n<p>No sistema semi-intensivo a ra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fundamental. Ra\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para peixes podem ser usadas, se o produtor quiser um crescimento mais r\u00e1pido da carpa.<\/p>\n<p>O mesmo pasto que alimenta o gado \u00e9 suficiente pra engordar a carpa capim, por exemplo, a esp\u00e9cie de carpa mais cultivada no Rio Grande do Sul. Al\u00e9m da capim, outras tr\u00eas deram certo no sul do pa\u00eds. Cada uma se desenvolve numa faixa diferente do viveiro. Mais acima, quase na superf\u00edcie, fica a carpa capim. No meio do tanque, a carpa prateada e a cabe\u00e7a grande. E no fundo do viveiro a carpa h\u00fangara.<\/p>\n<p>Os viveiros para a cria\u00e7\u00e3o de carpas n\u00e3o devem ser ter uma profundidade muito grande. Os raios solares s\u00e3o importantes pra estimular a produ\u00e7\u00e3o natural de alimentos.<\/p>\n<p>Os tanques s\u00e3o os chamados viveiros de solo, sem revestimento. O recomendado \u00e9 que tenham at\u00e9 1,20 metro de profundidade. Um disco ajuda o produtor medir a transpar\u00eancia da \u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cEle trabalha com a percep\u00e7\u00e3o do nosso olho. Voc\u00ea afunda ele na \u00e1gua e quando ele desaparece, voc\u00ea tem a medida da transpar\u00eancia. N\u00f3s buscamos que a \u00e1gua tenha uma transpar\u00eancia em torno de 60 cent\u00edmetros. Isso significa que n\u00f3s temos produ\u00e7\u00e3o de microorganismos, que v\u00e3o servir tanto para alimentar os nossos peixes, como para possibilitar uma boa qualidade da \u00e1gua\u201d, explica Sampaio.<\/p>\n<p>Para quem n\u00e3o tem o disco, Beto Schwarzbold, que tem 18 anos de experi\u00eancia, d\u00e1 uma dica. \u201cColoque o bra\u00e7o na \u00e1gua at\u00e9 o cotovelo. Se voc\u00ea enxergar sua m\u00e3o, \u00e9 sinal de que a \u00e1gua tem uma boa transpar\u00eancia\u201d, ensina.<\/p>\n<p>Beto e o pai, Walmor Schwarzbold, plantam soja, milho e criam gado de leite, mas a produ\u00e7\u00e3o de carpas \u00e9 respons\u00e1vel por 50% da renda da fam\u00edlia. Eles trabalham com engorda e reprodu\u00e7\u00e3o de carpas em 65 viveiros. \u201c\u00c9 um investimento relativamente alto porque tem que construir os tanques e a\u00e7udes, mas t\u00e1 compensando\u201d, comenta. Walmor transformou a estrutura que guardava o fumo da antiga planta\u00e7\u00e3o de tabaco, no local que abriga os tanques dos alevinos.<\/p>\n<p>Em outro s\u00edtio, \u00e9 dia de passar a rede no viveiro de carpas do seu Oscar Padoan. Para vender a produ\u00e7\u00e3o, Oscar achou uma maneira bem simples, ele faz uma feira do peixe na propriedade. Os vizinhos e outros moradores da regi\u00e3o aproveitam pra levar pra casa o peixe rec\u00e9m tirado do a\u00e7ude.\u00a0 A feira, realizada h\u00e1 sete anos, complementa a renda do agricultor. Feita no esquema de \u201cvenda direta\u201d, n\u00e3o d\u00e1 gasto para o agricultor. \u201cN\u00e3o precisa de combust\u00edvel para levar. O cara vem e vai embora com o peixe vivo. \u00c0s vezes falta peixe\u201d, conta. A carpa tirada na hora sai por R$ 8 o quilo.<\/p>\n<p>O aumento na procura pela carpa na regi\u00e3o fez Sigmar Sheer investir em uma agroind\u00fastria. Sessenta por cento da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 dele. O restante \u00e9 de 50 agricultores parceiros, que recebem alevinos para fazer a engorda. Peixes entre dois e cinco quilos est\u00e3o prontos para o abate.<\/p>\n<p>Logo que saem do viveiro, as carpas precisam ainda ficar um dia em tanques com \u00e1gua limpa para fazer a depura\u00e7\u00e3o. \u201cEle vem estressado e quente. Essa \u00e1gua exatamente \u00e9 pra fazer a limpeza do peixe, pra esfriar o peixe, sen\u00e3o ele n\u00e3o larga a sangria\u201d, explica Sigmar Sheer, agricultor e produtor de carpas.<\/p>\n<p>A retirada correta do sangue \u00e9 importante para a qualidade da carne, como explica a filha de \u00canio, Ariana Scheer, que coordena a agroind\u00fastria. \u201cEla acaba ficando com um gosto um pouco mais forte e n\u00e3o t\u00e3o suave como consumidor prefere\u201d, diz Ariana Scheer.<\/p>\n<p>Os cortes s\u00e3o os mais variados. Por dia, os funcion\u00e1rios chegam a abater mil quilos de peixe. \u201cMesmo a carpa h\u00fangara sendo a carpa com maior teor de gordura, \u00e9 uma carne muito suave, agrad\u00e1vel, bastante apreciada\u201d, comenta Sampaio, agr\u00f4nomo da Emater.<\/p>\n<p>Hoje, as carpas movimentam mais de R$ 60 milh\u00f5es ao ano no Rio Grande do Sul, sem tirar espa\u00e7o da soja, do milho, do capim. E ainda melhoram a renda e a alimenta\u00e7\u00e3o de 50 mil pequenos produtores ga\u00fachos, que al\u00e9m da carne de boi ou da ovelha, j\u00e1 podem saborear um bom churrasco de peixe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o de carpas virou uma alternativa de renda para pequenos agricultores do Rio Grande<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23676,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carpa.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A produ\u00e7\u00e3o de carpas virou uma alternativa de renda para pequenos agricultores do Rio Grande","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23675"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23675"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23675\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23676"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23675"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23675"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23675"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}