{"id":23535,"date":"2015-06-27T00:00:14","date_gmt":"2015-06-27T00:00:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23535"},"modified":"2015-06-26T17:19:18","modified_gmt":"2015-06-26T17:19:18","slug":"era-da-humanidade-ou-da-ignorancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/era-da-humanidade-ou-da-ignorancia\/","title":{"rendered":"Era da humanidade ou da ignor\u00e2ncia?"},"content":{"rendered":"<p><img class=\"featuredimage alignleft\" title=\"Era da humanidade ou da ignor\u00e2ncia?\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/shutterstock_humanidade-300x180.jpg\" alt=\"Era da humanidade ou da ignor\u00e2ncia?\" \/>Por Roberto Klabin e Leandra Gon\u00e7alves*<\/p>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos 200 anos, as atividades humanas t\u00eam transformado todo o Planeta rapidamente e se tornado, gradualmente, no principal condutor da mudan\u00e7a ambiental global. Os impactos dessas a\u00e7\u00f5es sobre a biosfera da Terra s\u00e3o t\u00e3o grandes que alguns cientistas argumentam que o Holoceno, iniciado com o fim da \u00faltima Era Glacial, h\u00e1 mais de 11 mil anos, e que se estende at\u00e9 hoje, chegou ao fim, dando lugar a uma nova era geol\u00f3gica: o Antropoceno.<\/p>\n<p>O conceito de Antropoceno foi proposto uma d\u00e9cada atr\u00e1s pelo bi\u00f3logo americano Eugene Stoermer e o qu\u00edmico holand\u00eas Paul Crutzen, pr\u00eamio Nobel em 1995. Eles sugeriram que se alterasse a linha do tempo com que os cientistas medem os per\u00edodos geol\u00f3gicos, de modo a refletir as transforma\u00e7\u00f5es no Planeta causadas pelas atividades humanas. Segundo eles, as marcas da a\u00e7\u00e3o humana s\u00e3o t\u00e3o agressivas e intensas que continuar\u00e3o vis\u00edveis por mil\u00eanios, gravadas nas camadas geol\u00f3gicas da Terra.<\/p>\n<p>Dessa forma, por meio dos nossos rastros devastadores no Planeta, no futuro, paleont\u00f3logos ou mesmo uma futura civiliza\u00e7\u00e3o \u2013 caso a nossa seja dizimada \u2013 provavelmente saber\u00e3o identificar a altera\u00e7\u00e3o brusca na composi\u00e7\u00e3o da atmosfera e as demais mudan\u00e7as ambientais que provocamos por meio dos f\u00f3sseis de incont\u00e1veis esp\u00e9cies extintas, rejeitos radioativos, toneladas de pl\u00e1stico e outros registros, pelos quais n\u00e3o ter\u00edamos motivo real para nos orgulharmos de nossa passagem pela Terra.<\/p>\n<p>A escolha do in\u00edcio dessa nova era, chamada por alguns de Era da Humanidade, ainda permanece bastante arbitr\u00e1ria. Os registros de CO2 atmosf\u00e9rico, CH4 e N2O mostram uma clara acelera\u00e7\u00e3o em tend\u00eancias, desde o final do s\u00e9culo 18. Por essa raz\u00e3o, o arranque do Antropoceno foi atribu\u00eddo a esse tempo, imediatamente a seguir da inven\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina a vapor, em 1784.<\/p>\n<p>Como resultado do aumento da queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, das atividades agr\u00edcolas, desmatamento e pecu\u00e1ria intensiva, especialmente explora\u00e7\u00e3o de gado, v\u00e1rios gases climaticamente importantes com efeito de estufa aumentaram na atmosfera ao longo dos \u00faltimos dois s\u00e9culos: CO2 em mais de 30% e CH4 em mais de 100%, contribuindo substancialmente para o aumento observado da temperatura m\u00e9dia global durante o s\u00e9culo passado, em cerca de 0,6\u00ba C.<\/p>\n<p>De posse dessas informa\u00e7\u00f5es, um grupo de pesquisadores vem discutindo uma nova abordagem para a sustentabilidade global, em que s\u00e3o definidos limites nos quais espera-se que a humanidade possa sobreviver com \u201cseguran\u00e7a\u201d. Nessa linha de pensamento, transgredir uma ou mais das nove fronteiras planet\u00e1rias \u2013 sistemas de suporte \u00e0 vida no Planeta e essenciais para a sobreviv\u00eancia humana \u2013 poder\u00e1 ser prejudicial ou mesmo catastr\u00f3fico, devido ao risco de limiares, ou pontos de virada, que acionar\u00e3o uma mudan\u00e7a ambiental abrupta na Terra.<\/p>\n<p>O trabalho de Rockstrom e seus colegas, publicados na revista Ecology and Society, em 2009, foi revisitado nesse ano de 2015, quando estabeleceu-se dois limites principais: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e de integridade da biosfera \u2013 cada um com um grande potencial para conduzir o Planeta a um novo estado e que, portanto, n\u00e3o deveriam ser transgredidos.<\/p>\n<p>Mesmo com todos esses alertas emitidos pela comunidade cient\u00edfica, parece faltar senso de urg\u00eancia a todos, principalmente \u00e0s lideran\u00e7as tomadoras de decis\u00f5es. Essa aus\u00eancia de a\u00e7\u00e3o pode ser atribu\u00edda a falhas de comunica\u00e7\u00e3o entre a ci\u00eancia e a sociedade, ou simplesmente a pura falta de vontade pol\u00edtica de nossos governantes. Qualquer uma dessas alternativas precisa ser urgentemente corrigida.<\/p>\n<p>No in\u00edcio deste ano, o pesquisador Douglas McCauley, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia, proferiu numa palestra no Aqu\u00e1rio de Monterey (EUA), \u00e0 convite da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica. A apresenta\u00e7\u00e3o foi sobre seu recente artigo \u201cMarine defaunation: Animal loss in the global ocean\u201d, publicado na revista Science, qual conclui que a biodiversidade marinha j\u00e1 foi seriamente danificada pelo impacto das atividades humanas. No entanto, ele ressaltou que a fauna marinha, em geral, est\u00e1 em melhores condi\u00e7\u00f5es do que a fauna terrestre.<\/p>\n<p>Apesar de toda informa\u00e7\u00e3o e dados cient\u00edficos sobre a degrada\u00e7\u00e3o do ambiente marinho, interessava ao pesquisador passar uma mensagem de esperan\u00e7a e oportunidades, entre elas a constru\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o do espa\u00e7o mar\u00edtimo por meio de ferramentas inovadoras, como o planejamento espacial marinho. Entretanto, a mensagem foi percebida pela audi\u00eancia, pesquisadores e membros de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais como um tanto quanto negligente, na medida que n\u00e3o transmitia o senso de urg\u00eancia necess\u00e1rio para incentivar a\u00e7\u00f5es emergenciais com rela\u00e7\u00e3o a recuperar o que ainda nos resta nos nossos oceanos.<\/p>\n<p>O Planeta Terra enfrenta s\u00e9rias mudan\u00e7as justamente por neglig\u00eancia da sociedade e dos tomadores de decis\u00e3o. No Brasil, estamos testemunhando a pior seca que a regi\u00e3o Sudeste j\u00e1 registrou, aumento no desmatamento, altas taxas de perda de biodiversidade em variados biomas, agravamento de desastres clim\u00e1ticos e outras crises ambientais. O fato de existir oportunidade para reverter esse cen\u00e1rio, embora possa transmitir esperan\u00e7a, n\u00e3o deve, nem por um segundo, gerar comodismo.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e de qualidade deve ser utilizada para mover e estimular a\u00e7\u00f5es voltadas a promo\u00e7\u00e3o de um desenvolvimento mais sustent\u00e1vel, no qual conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento possam caminhar de m\u00e3os dadas. Caso contr\u00e1rio, a chamada Era da Humanidade pode vir a ser reconhecida pelas gera\u00e7\u00f5es futuras como a Era da Ignor\u00e2ncia, uma \u00e9poca em que o conhecimento e a informa\u00e7\u00e3o existentes n\u00e3o foram utilizados, e necessariamente transformados, em iniciativas inovadoras em prol de um futuro sustent\u00e1vel para essa e para as futuras gera\u00e7\u00f5es. <em>(SOS Mata Atl\u00e2ntica\/ #Envolverde)<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Roberto Klabin<\/strong> \u00e9 vice-presidente da Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica para a \u00e1rea de Mar; Leandra Gon\u00e7alves \u00e9 bi\u00f3loga e consultora da organiza\u00e7\u00e3o. A SOS Mata Atl\u00e2ntica \u00e9 uma ONG brasileira que desenvolve projetos e campanhas em defesa das Florestas, do Mar e da qualidade de vida nas Cidades.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: SOS Mata Atl\u00e2ntica<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Roberto Klabin e Leandra Gon\u00e7alves* Ao longo dos \u00faltimos 200 anos, as atividades humanas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Roberto Klabin e Leandra Gon\u00e7alves* Ao longo dos \u00faltimos 200 anos, as atividades humanas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23535"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23535\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}