{"id":23470,"date":"2015-06-25T19:00:04","date_gmt":"2015-06-25T19:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23470"},"modified":"2015-06-25T01:17:55","modified_gmt":"2015-06-25T01:17:55","slug":"anvisa-analisa-menos-de-50-dos-agrotoxicos-e-ignora-o-mais-usado-no-pais-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/anvisa-analisa-menos-de-50-dos-agrotoxicos-e-ignora-o-mais-usado-no-pais-2\/","title":{"rendered":"Anvisa analisa menos de 50% dos agrot\u00f3xicos e ignora o mais usado no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23473\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mais da metade dos agrot\u00f3xicos contidos em alimentos no Brasil n\u00e3o t\u00eam an\u00e1lise do mal que podem fazer \u00e0 sa\u00fade. A Anvisa (Agencia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela an\u00e1lise do uso desses agrot\u00f3xicos e possui um programa, o PARA (Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos). Por\u00e9m, a pesquisa feita pela ag\u00eancia \u00e9 restrita e n\u00e3o contempla sequer metade dos agrot\u00f3xicos usados no pa\u00eds \u2013 entre eles o principal usado pelo agroneg\u00f3cio, o glifosato.<\/p>\n<p>Os levantamentos conclu\u00edram que 64% dos alimentos investigados pela Anvisa em 2013 tinham tra\u00e7os de agrot\u00f3xicos. Segundo a doutora em toxicologia da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio) Karen Friedrich, a contamina\u00e7\u00e3o pode ser ainda maior. \u201cEles coletam alguns g\u00eaneros de 18 tipos de alimentos, mas de supermercados apenas de capitais brasileiras, e analisam 230 agrot\u00f3xicos. H\u00e1 uma ressalva, porque temos mais de 500, ou seja, a pesquisa avalia menos da metade. E o glifosato, que \u00e9 o mais usado, n\u00e3o \u00e9 pesquisado. Ser\u00e1 que pesquisando 100% dos tipos n\u00e3o estariam todos contaminados?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>Segundo Karen, pesquisas mostram que cada brasileiro consome, em m\u00e9dia, 7,3 litros de agrot\u00f3xicos por ano. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9todo para investiga\u00e7\u00e3o do uso combinado desses agrot\u00f3xicos. \u201c\u00c9 um n\u00famero alarmante\u201d, conta. \u201cTodas as estruturas de fiscaliza\u00e7\u00e3o de controle de vigil\u00e2ncia s\u00e3o falhos, n\u00e3o t\u00eam estrutura, sofrem influ\u00eancia politica e t\u00eam incentivo ao uso de agrot\u00f3xico. A bancada ruralista no Legislativo sempre os defende\u201d, completa.<\/p>\n<p>Outros produtos contaminados<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre 2007 a 2014, 34 mil notifica\u00e7\u00f5es de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos foram registradas no Brasil. Segundo o Dossi\u00ea da Abrasco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva), entre 2000 e 2012, o uso de agrot\u00f3xicos cresceu 288% no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos alimentos in natura contaminados, Karen alerta que outros produtos derivados \u2013at\u00e9 mesmo os industrializados\u2013 tamb\u00e9m devem estar contaminados. \u201cO resultado deve extrapolar para todos os alimentos, inclusive animal, como leite, ovo, carnes, suco de caixinha, molho de tomate, qualquer produto, que n\u00e3o sejam investigados nesse programa\u201d, cita.<\/p>\n<p>A especialista afirma que que estudos mostram tamb\u00e9m contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que abastece muitas localidades. \u201cTodos os munic\u00edpios t\u00eam de fazer an\u00e1lise na \u00e1gua, mas nem todos fazem -s\u00f3 20%. N\u00e3o temos um dado robusto sobre \u00e1gua pot\u00e1vel, mas temos pesquisas individuais mostrando contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de po\u00e7o, de escolas, que refor\u00e7am isso.<\/p>\n<p>Problemas de sa\u00fade<\/p>\n<p>Para a doutora, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas da necessidade urgente da redu\u00e7\u00e3o de consumo de alimentos com agrot\u00f3xicos. \u201cPor isso que a gente refor\u00e7a: com a limita\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, os verdadeiros danos que os agrot\u00f3xicos causam n\u00e3o \u00e9 conhecido. Cientificamente, toxicologicamente falando, o uso de agrot\u00f3xicos deveria ser proibido. Esse seria o mundo ideal, se n\u00e3o totalmente, mas pelo menos at\u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o para pr\u00e1tica de n\u00e3o uso\u201d, alegou.<\/p>\n<p>Karen alerta que o consumo de agrot\u00f3xicos causa, entre outros problemas, altera\u00e7\u00f5es hormonais, comprometimento da tireoide, dos horm\u00f4nios sexuais e at\u00e9 c\u00e2ncer. \u201cOs seres humanos est\u00e3o expostos a agrot\u00f3xicos em toda sua vida, quando ele come cenoura, tomate, leite ou farinha. Ou seja, a gente consome uma mistura de alimentos com agrot\u00f3xicos, e isso pode ser danoso.\u201d<\/p>\n<p>A professora afirma que n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de procedimento que limpe um alimento. \u201cComprovado cientificamente, n\u00e3o tem nenhum m\u00e9todo de remover o agrot\u00f3xico. Ele fica na superf\u00edcie, mas muitos outros s\u00e3o usados desde a semente, em que v\u00e3o sendo incorporados; ou aqueles que s\u00e3o aplicados sobre o alimento e v\u00e3o chegar at\u00e9 a polpa. Nunca vai remover 100%. Voc\u00ea pode at\u00e9 remover da superf\u00edcie, lavando com sab\u00e3o neutro, ou detergente e \u00e1gua, mas se deve ter a consci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 total a limpeza\u201d, alega.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o seria, portanto, consumir a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. \u201cAs capitais t\u00eam feiras agroecol\u00f3gicas. O produto org\u00e2nico \u00e9 mais caro, mas eu tenho essa experi\u00eancia e sei que ele dura muito mais que um que se compra em um supermercado. Temos uma perda muito menor. Se botar na ponta do l\u00e1pis, pode-se perceber que n\u00e3o sai mais caro, fora que vamos ter uma vida muito mais saud\u00e1vel\u201d, sugere a doutora.<\/p>\n<p>O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) divulga um mapa das feiras org\u00e2nicas e aponta para mais de 400 op\u00e7\u00f5es espalhadas por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Anvisa confirma<\/p>\n<p>Segundo a Anvisa, as amostras de alimentos do PARA s\u00e3o encaminhadas aos laborat\u00f3rios, e a an\u00e1lise \u00e9 realizada pelo m\u00e9todo anal\u00edtico de \u201cmultirres\u00edduos\u201d ou metodologias espec\u00edficas previamente validadas, que n\u00e3o incluem o glifosato.<\/p>\n<p>\u201cO m\u00e9todo consiste em analisar simultaneamente diferentes ingredientes ativos de agrot\u00f3xicos em uma mesma amostra, sendo ainda capaz de detectar diversos metab\u00f3litos. O m\u00e9todo contribui para um monitoramento r\u00e1pido e eficiente, tendo em vista o aumento da produtividade do laborat\u00f3rio pela diminui\u00e7\u00e3o significativa do tempo de an\u00e1lise, implicando na redu\u00e7\u00e3o de custos. Entretanto, esse m\u00e9todo n\u00e3o se aplica a an\u00e1lise de alguns ingredientes ativos como o ditiocarbamatos, glifosato e paraquate, que demandam metodologias espec\u00edficas para an\u00e1lise. Essas metodologias s\u00e3o onerosas e necessitam recursos adicionais para serem executadas\u201d, informou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a lista restrita de agrot\u00f3xicos pesquisados, a ag\u00eancia informou que est\u00e1 trabalhando para ampliar o n\u00famero. O crit\u00e9rio de escolha hoje leva em conta seis itens: \u201cos agrot\u00f3xicos mais comercializados, a toxicidade do ingrediente ativo, o hist\u00f3rico de agrot\u00f3xicos detectados em outros programas de monitoramento no Brasil e em outros pa\u00edses, a disponibilidade de padr\u00f5es anal\u00edticos de agrot\u00f3xicos necess\u00e1rios para os laborat\u00f3rios conduzirem as an\u00e1lises, se o res\u00edduo pode ser detectado no m\u00e9todo multires\u00edduo ou em metodologia espec\u00edfica e a ossibilidade de detec\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.\u201d<\/p>\n<p>A Anvisa ainda informou que a an\u00e1lise combinada de agrot\u00f3xicos \u00e9 complexa. \u201cEssa metodologia ainda est\u00e1 insipiente no mundo, pois envolve a compreens\u00e3o dos mecanismos de a\u00e7\u00e3o de centenas de agrot\u00f3xicos e os efeitos no ser humano advindos do sinergismo dessas mol\u00e9culas no organismo. O risco \u00e9 atualmente avaliado considerando a toxicidade e a exposi\u00e7\u00e3o a cada ingrediente ativo separadamente\u201d, conclui o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Piment\u00e3o: no Para (Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos de Alimentos) de 2011 da Anvisa, mais de 90% das amostras de piment\u00e3o possu\u00edam agrot\u00f3xicos em excesso, ou produtos proibidos no Brasil<\/p>\n<p>Morango: das amostras de morango coletadas pelos t\u00e9cnicos da Anvisa, 63% continham alguma irregularidade no uso de agrot\u00f3xicos<\/p>\n<p>Pepino: outra cultura problem\u00e1tica no mais recente Para (Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos de Alimentos) foi a de pepino: 58% estavam fora dos limites estabelecidos pela Anvisa<\/p>\n<p>Alface: em 55% das alfaces analisadas pela Anvisa havia teores de res\u00edduos de agrot\u00f3xicos acima do permitido ou o uso de agrot\u00f3xicos n\u00e3o autorizados para a cultura<\/p>\n<p>Cenoura: outro produto com alto \u00edndice de desrespeito \u00e0s normas da Anvisa para o uso de agrot\u00f3xicos foi a cenoura. No caso delas, 50% estavam fora dos padr\u00f5es exigidos pela ag\u00eancia<\/p>\n<p>Abacaxi: al\u00e9m da alta porcentagem total de irregularidades (32,8%), na cultura do abacaxi chama a aten\u00e7\u00e3o o elevado \u00edndice de duplo desrespeito, ou seja, em mais de 8% das amostras foi detectado tanto o uso de subst\u00e2ncia proibidas quanto o uso em excesso de subst\u00e2ncias autorizadas<\/p>\n<p>Batata: foi o bom exemplo do mais recente Para (Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos de Alimentos) da Anvisa: 100% das amostras analisadas estavam satisfat\u00f3rias. Em 2002, o primeiro ano de monitoramento, 22,2% das batatas apresentavam irregularidades<\/p>\n<p>Lavar e tirar cascas: embora n\u00e3o eliminem totalmente os agrot\u00f3xicos dos alimentos, alguns procedimentos ajudam a reduzir a presen\u00e7a dos mesmos nos alimentos. Lavar em \u00e1gua corrente, retirar as cascas e as folhas externas, no caso das verduras, segundo recomenda\u00e7\u00e3o da Anvisa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade dos agrot\u00f3xicos contidos em alimentos no Brasil n\u00e3o t\u00eam an\u00e1lise do mal<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23473,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/agrotoxico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mais da metade dos agrot\u00f3xicos contidos em alimentos no Brasil n\u00e3o t\u00eam an\u00e1lise do mal","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23470"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23470"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23470\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23473"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}