{"id":23336,"date":"2015-06-23T13:00:54","date_gmt":"2015-06-23T13:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23336"},"modified":"2015-06-23T14:20:05","modified_gmt":"2015-06-23T14:20:05","slug":"jabuti-da-ciencia-especie-e-foco-de-estudo-no-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/jabuti-da-ciencia-especie-e-foco-de-estudo-no-amazonas\/","title":{"rendered":"Jabuti da ci\u00eancia: esp\u00e9cie de quel\u00f4nio \u00e9 foco de estudo no Amazonas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23337\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Com a contribui\u00e7\u00e3o de moradores de comunidades ribeirinhas do Amazonas, a equipe do Instituto Mamirau\u00e1 desenvolveu uma metodologia eficaz para a captura do <strong>jabuti-amarelo<\/strong>, como \u00e9 nomeado\u00a0 na regi\u00e3o, tamb\u00e9m conhecido como jabuti-tinga (<em>Chelonoidis denticulata<\/em>), uma das \u00fanicas esp\u00e9cies terrestres entre os quel\u00f4nios brasileiros. Esse \u00e9 um dos resultados apontados pelo projeto de pesquisa desenvolvido pelo Instituto Mamirau\u00e1 nas Reservas Aman\u00e3 e Mamirau\u00e1, no Amazonas.<\/p>\n<p>\u201cAtualmente temos pouco conhecimento cient\u00edfico sobre essa esp\u00e9cie. Muitas pesquisas n\u00e3o conseguiram \u00eaxito, principalmente pela dificuldade de captura do animal. N\u00e3o temos a maior parte das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para qualquer tomada de decis\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. O que se sabe sobre jabutis \u00e9 principalmente de estudos realizados em cativeiros de outras regi\u00f5es e n\u00e3o regi\u00f5es amaz\u00f4nicas, informa\u00e7\u00f5es que podem n\u00e3o ser efetivas para os animais em vida livre daqui\u201d, afirma Tha\u00eds Morcatty, pesquisadora do Instituto Mamirau\u00e1.<\/p>\n<p>A pesquisa possui v\u00e1rias vertentes: o estudo da ecologia e biologia do animal, das quest\u00f5es reprodutivas, da rela\u00e7\u00e3o de uso e da rela\u00e7\u00e3o cultural das comunidades locais com a esp\u00e9cie, e de quest\u00f5es da sa\u00fade do animal, com a investiga\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis zoonoses. Al\u00e9m desses pontos, no estudo tamb\u00e9m foram testadas e comparadas metodologias de detec\u00e7\u00e3o e captura do animal, parte do trabalho que contribuir\u00e1 para pesquisadores da esp\u00e9cie em outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>A pesquisadora destaca que a grande explora\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie para consumo e com\u00e9rcio, assim como o h\u00e1bito de cria\u00e7\u00e3o como animal de estima\u00e7\u00e3o s\u00e3o importantes fatores para sua classifica\u00e7\u00e3o como vulner\u00e1vel pela <em>International Union for Conservation of Nature<\/em> (IUCN), e tamb\u00e9m para sua presen\u00e7a na lista do acordo internacional Cites (Conven\u00e7\u00e3o sobre o Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas da Fauna e Flora Selvagens).<\/p>\n<p>O projeto teve in\u00edcio em 2013 e surgiu a partir da demanda pelo estudo da esp\u00e9cie, observada anos antes, por ser muito apreciada para o consumo na Amaz\u00f4nia. Um monitoramento realizado pelo Instituto Mamirau\u00e1 durante 12 anos em dez comunidades tradicionais das Reservas Mamirau\u00e1 e Aman\u00e3 estimou que a esp\u00e9cie est\u00e1 entre as oito mais ca\u00e7adas da regi\u00e3o. O estudo ressalta a import\u00e2ncia de se buscar alternativas que aliam a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e a considera\u00e7\u00e3o aos h\u00e1bitos e necessidades dos habitantes locais.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/Equipe-do-Projeto-jabuti-amarelo-InstitutoMamiraua-AmandaLelis.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Ap\u00f3s a coleta de dados, os animais capturados s\u00e3o devolvidos ao mesmo local\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Entre as informa\u00e7\u00f5es estudadas na biologia e ecologia do animal est\u00e3o as \u00e1reas de utiliza\u00e7\u00e3o dos <strong>jabutis nas reservas<\/strong>, analisando a interfer\u00eancia da \u00e9poca do ano e do fluxo dos rios na utiliza\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas pelos animais, principais fontes alimentares, entre outras. No estudo da sua reprodu\u00e7\u00e3o, busca-se identificar uma estimativa de n\u00famero de ovos por f\u00eameas, faixa et\u00e1ria em que atingem maturidade para reprodu\u00e7\u00e3o, poss\u00edveis \u00e1reas de nidifica\u00e7\u00e3o e \u00e9pocas que ocorre a postura dos ovos, informa\u00e7\u00f5es ainda desconhecidas para essa esp\u00e9cie em vida livre.<\/p>\n<p>Com as comunidades tradicionais, o trabalho visa entender quais as motiva\u00e7\u00f5es para a ca\u00e7a, locais onde ocorre, fatores que a influenciam e tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o cultural dos comunit\u00e1rios com a esp\u00e9cie, que ocupa o imagin\u00e1rio popular com hist\u00f3rias e tamb\u00e9m com a tradi\u00e7\u00e3o do uso medicinal, por exemplo.<\/p>\n<p>Rizomar Freitas dos Reis \u00e9 morador da comunidade Boa Esperan\u00e7a, localizada na Reserva Aman\u00e3, desde crian\u00e7a. Acostumado a andar na regi\u00e3o, ele participa como assistente de campo e contribui para a pesquisa fornecendo informa\u00e7\u00f5es importantes sobre o animal e os ambientes em que \u00e9 comumente encontrado. \u201cO Jabuti \u00e9 um bicho que voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea como outros bichos, ele n\u00e3o faz zuada, n\u00e3o corre, n\u00e3o tem nenhum tipo de assovio, se esconde, \u00e9 dif\u00edcil de achar. \u00c9 dif\u00edcil de ver, mas tem muito por aqui\u201d, afirma.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, a dificuldade de encontro com os animais e falhas em tentativas de capturas impossibilitaram a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas com a esp\u00e9cie em muitas regi\u00f5es. Para o desenvolvimento da pesquisa, s\u00e3o utilizadas duas metodologias: a busca ativa, percorrendo terrenos de baixa e alta altimetria em ambientes de terra firme e v\u00e1rzea. E armadilhas de queda com iscas de peixe nas mesmas \u00e1reas. Os dois m\u00e9todos foram avaliados e comparados quanto aos custos, \u00e0 efetividade de detec\u00e7\u00e3o e \u00e0 taxa de captura. Tamb\u00e9m foram comparadas as diferentes \u00e1reas nas quais as metodologias foram aplicadas.<\/p>\n<p>A armadilha foi considerada como o m\u00e9todo mais vantajoso, por ter proporcionado menor gasto e melhor taxa de capturas, possibilitando a coleta de dados em mais \u00e1reas num per\u00edodo menor de amostragem. A iniciativa poder\u00e1 contribuir para outros pesquisadores da esp\u00e9cie e, por ser um modelo padr\u00e3o, pode ser aplicada em diferentes regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a captura, por qualquer um dos m\u00e9todos, os animais s\u00e3o pesados, medidos e marcados.\u00a0 A marca\u00e7\u00e3o permite acompanhar o desenvolvimento do jabuti e o seu deslocamento, no caso de uma recaptura posterior. Para o estudo da sa\u00fade do animal, s\u00e3o coletadas amostras de sangue, fezes e escama do casco, al\u00e9m da coleta de ectoparasitas, para an\u00e1lises em laborat\u00f3rio. Ainda n\u00e3o foram estabelecidos par\u00e2metros da an\u00e1lise de sangue que indiquem a sa\u00fade dessa esp\u00e9cie, por exemplo, valores de refer\u00eancia para gl\u00f3bulos brancos ou vermelhos. Com a captura de um n\u00famero expressivo de animais, pretende-se definir esses par\u00e2metros, que tamb\u00e9m poder\u00e3o se caracterizar como uma metodologia padr\u00e3o para outras pesquisas com a esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A pesquisadora enfatiza que \u201cquanto mais o ambiente possui a presen\u00e7a e o uso do homem, doen\u00e7as podem se instalar nesses locais. Avaliar a sa\u00fade do animal \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de saber como est\u00e1 a sa\u00fade ambiental, de ter esse diagn\u00f3stico\u201d. As amostras de escamas, por exemplo, podem indicar a contamina\u00e7\u00e3o ambiental por metais pesados, comum em regi\u00f5es com atividades de minera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Rizomar, assim como outros comunit\u00e1rios, acredita que os dados levantados pelo trabalho poder\u00e3o contribuir para a conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie e o aumento de sua popula\u00e7\u00e3o. \u201cA gente come\u00e7a a trabalhar e v\u00ea o desenvolvimento do trabalho. \u00c9 um bicho que \u00e9 bacana, eu trabalho com gosto. A gente, que est\u00e1 envolvido, acha bom ter esse retorno. \u00c9 importante preservar pra aumentar mais, pra preservar mais o jabuti\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>Dados parciais da pesquisa ser\u00e3o apresentados no <a href=\"http:\/\/www.mamiraua.org.br\/pt-br\/eventos\/12o-simposio-sobre-conservacao-e-manejo-participativo-na-amazonia\/\" target=\"_blank\">Simp\u00f3sio sobre Conserva\u00e7\u00e3o e Manejo Participativo na Amaz\u00f4nia (Simcon)<\/a>, realizado entre os dias um e tr\u00eas de julho na sede do Instituto Mamirau\u00e1, em Tef\u00e9 (AM). \u00a0O evento poder\u00e1 ser acompanhado ao vivo, pelo endere\u00e7o: <a href=\"http:\/\/www.mamiraua.org.br\/web\" target=\"_blank\">www.mamiraua.org.br\/web<\/a>.<\/p>\n<p>O Simp\u00f3sio tem por objetivo promover a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e o debate sobre a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o manejo de recursos naturais, a gest\u00e3o de \u00e1reas protegidas e os modos de vida das popula\u00e7\u00f5es locais. \u00c9 um evento que promove a intera\u00e7\u00e3o acad\u00eamica interdisciplinar, gerando di\u00e1logo entre pesquisadores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a contribui\u00e7\u00e3o de moradores de comunidades ribeirinhas do Amazonas, a equipe do Instituto Mamirau\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23337,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/jabuti_amarelo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com a contribui\u00e7\u00e3o de moradores de comunidades ribeirinhas do Amazonas, a equipe do Instituto Mamirau\u00e1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23336"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23336"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23336\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23337"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}