{"id":23297,"date":"2015-06-22T15:15:51","date_gmt":"2015-06-22T15:15:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23297"},"modified":"2015-06-22T15:18:00","modified_gmt":"2015-06-22T15:18:00","slug":"congelar-celulas-pode-mudar-resultado-em-estudos-sobre-lupus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/congelar-celulas-pode-mudar-resultado-em-estudos-sobre-lupus\/","title":{"rendered":"Congelar c\u00e9lulas pode mudar resultado em estudos sobre l\u00fapus"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23298\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Congelar amostras de c\u00e9lulas do sangue de volunt\u00e1rios para an\u00e1lises futuras \u00e9 uma pr\u00e1tica comum na pesquisa cl\u00ednica, mas pode enviesar os resultados nos estudos com portadores de l\u00fapus, segundo experimento feito na <a href=\"http:\/\/www.exame.com.br\/topicos\/universidades\"><strong>Universidade<\/strong><\/a> Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p>Ao comparar amostras sangu\u00edneas frescas e congeladas de pacientes acometidos por essa doen\u00e7a autoimune, os pesquisadores observaram diferen\u00e7as nas taxas de prolifera\u00e7\u00e3o de algumas das c\u00e9lulas do sistema imunol\u00f3gico: os linf\u00f3citos TCD4.<\/p>\n<p>\u201cDados da literatura cient\u00edfica sugerem que os linf\u00f3citos de portadores de l\u00fapus s\u00e3o mais fr\u00e1geis e apresentam maior tend\u00eancia \u00e0 apoptose [morte celular programada]. Nossa hip\u00f3tese \u00e9 que as c\u00e9lulas mais fracas morreram durante o processo de criopreserva\u00e7\u00e3o e isso criou um vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o positiva. Apenas as mais fortes estavam se proliferando ap\u00f3s o descongelamento e, por esse motivo, a taxa foi superior \u00e0 das amostras frescas\u201d, disse Luis Eduardo Coelho Andrade, chefe do Laborat\u00f3rio de Imuno-Reumatologia da Unifesp.<\/p>\n<p>Com apoio da FAPESP, Andrade coordena um projeto cujo objetivo \u00e9 entender o funcionamento dos linf\u00f3citos TCD4 \u2013 particularmente os subtipos Th1, Th2, Th17 e T reguladores (Treg) \u2013 em pacientes com l\u00fapus.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a n\u00e3o tem causa conhecida e \u00e9 caracterizada pelo ataque do sistema imunol\u00f3gico a tecidos saud\u00e1veis do corpo. Os alvos mais comuns s\u00e3o pele, articula\u00e7\u00f5es, rins e c\u00e9rebro, mas outros \u00f3rg\u00e3os tamb\u00e9m podem ser acometidos.<\/p>\n<p>\u201cExistem protocolos para congelar e descongelar as amostras sangu\u00edneas bem lentamente, de forma a n\u00e3o danific\u00e1-las. Mas, por maior que seja o cuidado, a c\u00e9lula \u00e9 cheia de \u00e1gua e formam-se cristais de gelo dentro dela. Algumas fun\u00e7\u00f5es podem ser alteradas e quer\u00edamos ver o efeito da criopreserva\u00e7\u00e3o sobre as c\u00e9lulas Th1, Th2, Th17 e Treg\u201d, contou Andrade.<\/p>\n<p>Amostras de sangue foram retiradas de 20 portadores de l\u00fapus e 18 volunt\u00e1rios sadios pareados por <a href=\"http:\/\/www.exame.com.br\/topicos\/sexo\"><strong>sexo<\/strong><\/a> e idade. Parte das amostras de cada grupo foi congelada e as demais imediatamente usadas em ensaios de prolifera\u00e7\u00e3o celular e observa\u00e7\u00e3o de apoptose.<\/p>\n<p>\u201cA criopreserva\u00e7\u00e3o fez aumentar a taxa de apoptose tanto nos linf\u00f3citos de volunt\u00e1rios sadios quanto nos de pacientes com l\u00fapus. Mas o aumento da apoptose foi muito mais evidente nas c\u00e9lulas dos l\u00fapicos\u201d, afirmou Andrade.<\/p>\n<p>Curiosamente, o congelamento fez aumentar a taxa de prolifera\u00e7\u00e3o nos linf\u00f3citos Th2, Th17 e Treg dos portadores de l\u00fapus. J\u00e1 as taxas de prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas Th1 congeladas estavam iguais \u00e0s das amostras frescas.<\/p>\n<p>Nas culturas com c\u00e9lulas de volunt\u00e1rios sadios, a taxa de prolifera\u00e7\u00e3o aumentou com o congelamento apenas no caso dos linf\u00f3citos Th1.<\/p>\n<p>\u201cAcreditamos que as c\u00e9lulas T sabidamente mais fr\u00e1geis no paciente com l\u00fapus tenham morrido durante o congelamento e restaram apenas as mais fortes nas amostras ao serem descongeladas. J\u00e1 nas amostras frescas havia tanto as c\u00e9lulas mais vi\u00e1veis quanto as degeneradas, que n\u00e3o conseguem se proliferar\u201d, disse Andrade.<\/p>\n<p>Os resultados \u2013 que dever\u00e3o ser publicados em breve na revista Cryobiology \u2013 indicam que a criopreserva\u00e7\u00e3o tem um impacto significativo nos resultados e afeta diferentemente as c\u00e9lulas de pessoas com e sem l\u00fapus.<\/p>\n<p>\u201cIsso explica parte da controv\u00e9rsia existente na literatura relacionada a estudos funcionais com c\u00e9lulas de portadores de l\u00fapus. Sabemos que parte dos trabalhos foi feita com amostras de sangue frescas e, os demais, com amostras congeladas\u201d, avaliou o pesquisador.<\/p>\n<p>Para ele, nas pesquisas sobre l\u00fapus, n\u00e3o seria recomendado usar amostras criopreservadas. \u201cPode at\u00e9 ser que em um determinado experimento esse vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o positiva seja desejado, mas \u00e9 preciso ter consci\u00eancia desse fator na hora de desenhar o estudo\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Diferen\u00e7as no soro<\/strong><\/p>\n<p>Em outro bra\u00e7o do projeto da Unifesp, foram realizados experimentos para testar uma teoria, proposta em estudos anteriores, de que o soro sangu\u00edneo de portadores de l\u00fapus conteria fatores que estimulam a apoptose de linf\u00f3citos.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de linf\u00f3citos circulantes frequentemente est\u00e1 abaixo do normal no paciente com l\u00fapus. E, quando isolamos essas c\u00e9lulas e come\u00e7amos a trabalhar com elas em laborat\u00f3rio, \u00e9 poss\u00edvel observar que j\u00e1 est\u00e3o se degenerando e s\u00e3o sens\u00edveis a qualquer procedimento. Fomos tentar entender por que isso ocorre\u201d, contou Andrade.<\/p>\n<p>Os pesquisadores recolheram soro de 23 portadores da doen\u00e7a autoimune e de um n\u00famero equivalente de volunt\u00e1rios sadios pareados por sexo e idade.<\/p>\n<p>\u201cFizemos um pool de soro l\u00fapico e um pool de soro sadio. Pegamos ent\u00e3o os linf\u00f3citos de cada indiv\u00edduo e colocamos em cultura contendo cada um dos soros para acompanhar as taxas de apoptose\u201d, contou Andrade.<\/p>\n<p>Ao incubar linf\u00f3citos TCD4 indiferenciados com o soro de pacientes sadios, a taxa de apoptose ficou em torno de 1,8%. O n\u00famero subiu para 5,5% quando as c\u00e9lulas foram incubadas com o soro dos pacientes com l\u00fapus. O aumento em torno de tr\u00eas vezes foi observado tanto nos linf\u00f3citos de pacientes com l\u00fapus quanto nos de volunt\u00e1rios sadios.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao olhar os linf\u00f3citos j\u00e1 diferenciados em c\u00e9lulas Th1, Th2, Th17 e Treg, o aumento da taxa de apoptose induzido pelo soro l\u00fapico n\u00e3o foi observado.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados sugerem que existe algum fator no soro sangu\u00edneo do paciente l\u00fapico que induz a apoptose dos linf\u00f3citos, mas n\u00e3o afeta as c\u00e9lulas diferenciadas. Nosso pr\u00f3ximo passo \u00e9 identificar quais mol\u00e9culas existentes no soro s\u00e3o respons\u00e1veis por esse efeito\u201d, contou Andrade.<\/p>\n<p><strong>Desequil\u00edbrio<\/strong><\/p>\n<p>Em um terceiro bra\u00e7o do projeto, o grupo coordenado por Andrade avaliou a distribui\u00e7\u00e3o dos diferentes tipos de linf\u00f3citos em amostras de sangue e de urina de portadores de nefrite l\u00fapica, uma das manifesta\u00e7\u00f5es mais graves da doen\u00e7a, que pode levar \u00e0 insufici\u00eancia renal e \u00f3bito.<\/p>\n<p>Com aux\u00edlio de um cit\u00f4metro de fluxo \u2013 equipamento que permite diferenciar por imunofluoresc\u00eancia cada tipo de c\u00e9lula presente em uma solu\u00e7\u00e3o \u2013 o grupo avaliou como estava a propor\u00e7\u00e3o entre c\u00e9lulas efetoras (Th1, Th2 e Th17), que estimulam a inflama\u00e7\u00e3o, e c\u00e9lulas reguladoras (Treg), cuja a\u00e7\u00e3o \u00e9 imunossupressora.<\/p>\n<p>Os resultados foram divulgados em artigos no Brazilian Journal of Medical and Biological Research e no Scandinavian Journal of Rheumatology.<\/p>\n<p>\u201cAo analisar o sangue, observamos que a frequ\u00eancia de c\u00e9lulas Treg no l\u00fapus (1,4%) \u00e9 semelhante aos \u00edndices normais (1,1%). No entanto, a taxa de c\u00e9lulas T efetoras \u00e9 maior no l\u00fapus (10,8%) em compara\u00e7\u00e3o aos \u00edndices normais (6,1%). Portanto, a rela\u00e7\u00e3o c\u00e9lulas efetoras e c\u00e9lulas reguladoras est\u00e1 desbalanceada no l\u00fapus, o que provavelmente favorece a resposta autoimune observada nessa doen\u00e7a\u201d, explicou Andrade.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das diferen\u00e7as quantitativas, o experimento revelou que os linf\u00f3citos efetores dos pacientes com l\u00fapus tamb\u00e9m expressavam maior quantidade de mol\u00e9culas funcionais, ou seja, estavam mais ativos que os linf\u00f3citos efetores de volunt\u00e1rios sadios.<\/p>\n<p>Os pesquisadores observaram nos portadores de nefrite l\u00fapica \u2013 mas n\u00e3o em pacientes com outros tipos de nefropatia \u2013 uma correla\u00e7\u00e3o inversa: quanto maior era o n\u00edvel de c\u00e9lulas Th1 na urina, menor era o n\u00edvel no sangue.<\/p>\n<p>Houve tamb\u00e9m forte tend\u00eancia a n\u00edveis reduzidos de c\u00e9lulas Treg na urina dos pacientes com nefrite l\u00fapica. Para Andrade, esse dado pode servir de biomarcador para medir a inflama\u00e7\u00e3o no tecido renal.<\/p>\n<p>\u201cO processo inflamat\u00f3rio n\u00e3o est\u00e1 acontecendo no sangue e sim no tecido renal e a urina teoricamente expressa o que est\u00e1 se passando no rim. Portanto, se tenho um infiltrado grande de c\u00e9lula Th1 no tecido renal, o esperado \u00e9 haver uma quantidade maior na urina do que no sangue perif\u00e9rico. J\u00e1 quando o processo inflamat\u00f3rio est\u00e1 menos intenso no tecido, a propor\u00e7\u00e3o de Th1 no sangue ser\u00e1 maior\u201d, explicou.<\/p>\n<p>No momento, o grupo est\u00e1 padronizando testes de imunocitoqu\u00edmica (t\u00e9cnica que usa anticorpos para identificar c\u00e9lulas) com tecido coletado por meio de bi\u00f3psia renal para observar a frequ\u00eancia de cada um dos subtipos de linf\u00f3citos.<\/p>\n<p>\u201cEsperamos que os resultados reflitam o que foi observado na urina e ent\u00e3o teremos certeza desse racioc\u00ednio\u201d, disse Andrade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Congelar amostras de c\u00e9lulas do sangue de volunt\u00e1rios para an\u00e1lises futuras \u00e9 uma pr\u00e1tica comum<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23298,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/lupus.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Congelar amostras de c\u00e9lulas do sangue de volunt\u00e1rios para an\u00e1lises futuras \u00e9 uma pr\u00e1tica comum","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23297"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23297\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23298"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}