{"id":23248,"date":"2015-06-21T17:00:49","date_gmt":"2015-06-21T17:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23248"},"modified":"2015-06-21T00:39:04","modified_gmt":"2015-06-21T00:39:04","slug":"energia-brasileira-estaciona-no-seculo-xx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/energia-brasileira-estaciona-no-seculo-xx\/","title":{"rendered":"Energia brasileira estaciona no S\u00e9culo XX, apesar de dispor da matriz el\u00e9trica mais limpa do mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ricardo_abramovay.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23250\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ricardo_abramovay-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ricardo_abramovay-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/ricardo_abramovay.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Energia \u00e9 o setor que mais atrai inova\u00e7\u00f5es no mundo contempor\u00e2neo. O primeiro semestre de 2015 ficar\u00e1 na hist\u00f3ria como aquele em que teve in\u00edcio a massifica\u00e7\u00e3o das baterias de uso dom\u00e9stico e comercial, que permitem atenuar radicalmente a intermit\u00eancia na oferta de energia solar, conforme foi anunciado recentemente pelo empres\u00e1rio e inovador Elon Musk, criador da Tesla e da SolarCity.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o que dominou os sistemas el\u00e9tricos desde Thomas Edison e que sempre associou efici\u00eancia a centraliza\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo questionado e a express\u00e3o <em>grid defection <\/em>(abandono da rede) j\u00e1 se banalizou na literatura internacional. Os pre\u00e7os dos pain\u00e9is solares caem de forma vertiginosa, sua pot\u00eancia se amplia e novos modelos de financiamento permitem que centenas de milhares de domic\u00edlios em v\u00e1rios pa\u00edses produzam de forma descentralizada sua pr\u00f3pria energia.<\/p>\n<p>A energia e\u00f3lica tamb\u00e9m conhece um avan\u00e7o global extraordin\u00e1rio. Durante a \u00faltima d\u00e9cada do S\u00e9culo XX foram registradas nos Estados Unidos 200 patentes por ano em energias renov\u00e1veis. E em 2009 j\u00e1 tinha chegado a mais de mil, a cada ano. Em energias f\u00f3sseis o aumento foi de 100 para 300 por ano, no mesmo per\u00edodo, a cada ano. Desde 2004, o n\u00famero de patentes em energia e\u00f3lica aumenta 19% ao ano. O crescimento anual de patentes em energia solar \u00e9 de 13% anuais. Estas cifras j\u00e1 superam as registradas para as \u00e1reas de semicondutores e de tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e da informa\u00e7\u00e3o<a href=\"http:\/\/ricardoabramovay.com\/energia-brasileira-estaciona-no-seculo-xx\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p><em>O aprendizado tecnol\u00f3gico foi e ainda \u00e9 passivo, com ind\u00fastrias estrangeiras que s\u00f3 tropicalizam produtos.<\/em><\/p>\n<p>Apesar de dispor da matriz el\u00e9trica mais limpa do mundo (quando cotejada \u00e0 de pa\u00edses com dimens\u00e3o populacional e econ\u00f4mica compar\u00e1vel \u00e0 sua, bem entendido) o Brasil n\u00e3o est\u00e1 minimamente preparado para surfar nesta onda. Nem ele, nem qualquer outro pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina. Mas parte significativa do chamado mundo em desenvolvimento acompanha e torna-se protagonista da revolu\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica que est\u00e1 transformando a vida social do S\u00e9culo XXI. \u00c9 o que ocorre com a China, com a Cor\u00e9ia do Sul e com Taiwan, conforme mostra a tese de doutorado de Rafael Dubeux, rec\u00e9m defendida no Instituto de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UNB, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Eduardo Viola.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 uma dimens\u00e3o setorial em que cada pa\u00eds adota, em energia, o rumo mais adequado a suas voca\u00e7\u00f5es. O mais importante \u00e9 o lugar que o conhecimento, a ci\u00eancia, a tecnologia e a inova\u00e7\u00e3o desempenham em cada uma destas sociedades.<\/p>\n<p>Exatamente por serem pa\u00edses de industrializa\u00e7\u00e3o tardia, tanto os asi\u00e1ticos como o Brasil s\u00f3 puderam transformar suas economias com base na atra\u00e7\u00e3o de capitais externos. Nos casos asi\u00e1ticos, por\u00e9m, esta rela\u00e7\u00e3o deu lugar a um sistema de aprendizado ativo, marcado pela qualifica\u00e7\u00e3o crescente da m\u00e3o-de-obra, pela pr\u00e1tica constante da engenharia reversa na incorpora\u00e7\u00e3o de tecnologia (enquanto esta pr\u00e1tica n\u00e3o foi coibida por acordos internacionais, claro) e por alian\u00e7as que permitiram o surgimento de grandes empresas e conglomerados nacionais privados nas \u00e1reas mais importantes da economia. A imita\u00e7\u00e3o converteu-se em inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No nosso caso, o aprendizado tecnol\u00f3gico foi e ainda \u00e9 fundamentalmente passivo, com ind\u00fastrias estrangeiras que apenas tropicalizam seus produtos, montam-nos aqui, mas n\u00e3o suscitam um ambiente em que o setor privado lidera a pesquisa, integra-a com a universidade e \u00e9 norteado pela inova\u00e7\u00e3o. Os f\u00e9rteis v\u00ednculos entre o ITA e a Embraer, entre a UFRJ e a Petrobras e alguns poucos mais s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es que confirmam a regra e n\u00e3o um padr\u00e3o socialmente significativo<\/p>\n<p>Claro que na base desta dist\u00e2ncia est\u00e1 o conhecido abismo entre o n\u00edvel educacional dos tr\u00eas pa\u00edses asi\u00e1ticos e o do Brasil. Para a inova\u00e7\u00e3o, mais importante que a m\u00e9dia geral obtida por cada um no ranking do PISA \u00e9 o desempenho dos estudantes que se diferenciavam por obterem notas muito elevadas em matem\u00e1tica. Entre alunos brasileiros, em 2012, eles eram apenas 0,8%. Na m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, 12,6% destacavam-se excepcionalmente. Na Cor\u00e9ia do Sul, 30,9%. Em Taiwan, 37,2% e em Shangai (o exame n\u00e3o \u00e9 feito em toda a China), resultados extraordin\u00e1rios em matem\u00e1ticas eram atingidos por 55,4% dos que se expuseram ao PISA.<\/p>\n<p>O padr\u00e3o de aprendizado passivo e a m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o dos estudantes se exprimem no atraso brasileiro em mat\u00e9ria de inova\u00e7\u00e3o. Mesmo quando se toma um segmento distante da fronteira da inova\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, as hidrel\u00e9tricas, o know-how brasileiro est\u00e1 na constru\u00e7\u00e3o das barragens. As turbinas para grandes barragens, segmento tecnologicamente mais avan\u00e7ado da obra, s\u00e3o feitas por empresas estrangeiras. O ineg\u00e1vel avan\u00e7o recente na instala\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos esconde a mesma distor\u00e7\u00e3o. As habilidades das empresas brasileiras concentram-se nas partes menos valiosas: nas torres e nas p\u00e1s. Mas das sete empresas significativas em tecnologias de aerogeradores (onde se concentram 60% do valor das instala\u00e7\u00f5es), apenas uma \u00e9 brasileira e tem capacidade produtiva bem menor que suas principais concorrentes.<\/p>\n<p>Em energia solar, empresas brasileiras fazem as partes inicial e final do processo (a minera\u00e7\u00e3o do sil\u00edcio e parte da purifica\u00e7\u00e3o, montagem e instala\u00e7\u00e3o dos pain\u00e9is), mas est\u00e3o ausentes das etapas intermedi\u00e1rias e de maior intensidade tecnol\u00f3gica. A exce\u00e7\u00e3o est\u00e1 na energia a partir da biomassa em cuja parte agr\u00edcola o Brasil disputa a fronteira da inova\u00e7\u00e3o, apesar dos problemas recentes com o avan\u00e7o da pesquisa, derivados da op\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos anos pelo uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis e de seus efeitos sobre a expans\u00e3o das usinas de cana-de-a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Este quadro desolador relaciona-se certamente \u00e0 t\u00e3o conhecida maldi\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, cujo efeito \u00e9 a tend\u00eancia permanente \u00e0 sobrevaloriza\u00e7\u00e3o cambial e a dificuldade de obter uma inser\u00e7\u00e3o de qualidade nas cadeias globais de valor. \u00c9 neste contexto que o trabalho de Rafael Dubeux mostra um dos mais importantes riscos ligados ao pr\u00e9-sal: contrariamente \u00e0 Noruega, que fez da abund\u00e2ncia de petr\u00f3leo um trunfo, criando e preservando um fundo do qual s\u00f3 se usam os rendimentos, no Brasil \u00e9 o conjunto dos recursos petrol\u00edferos que deve entrar na vida social, a partir de crit\u00e9rios de distribui\u00e7\u00e3o que dificilmente v\u00e3o reduzir nossa dist\u00e2ncia da fascinante fronteira tecnol\u00f3gica da energia global do S\u00e9culo XXI.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Energia \u00e9 o setor que mais atrai inova\u00e7\u00f5es no mundo contempor\u00e2neo. 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