{"id":23181,"date":"2015-06-20T15:43:45","date_gmt":"2015-06-20T15:43:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23181"},"modified":"2015-06-20T15:43:45","modified_gmt":"2015-06-20T15:43:45","slug":"agua-a-qualquer-custo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agua-a-qualquer-custo\/","title":{"rendered":"\u00c1gua a qualquer custo?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por S\u00e9rgio Adeodato*<\/em><\/p>\n<p><em>Rio protegido por reserva ecol\u00f3gica est\u00e1 na mira das obras para o abastecimento de S\u00e3o Paulo, sem estudo de impacto ambiental<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapaRio.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter  wp-image-196299\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/mapaRio.png\" alt=\"mapaRio\" width=\"640\" height=\"335\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio ao longo da escorregadia trilha de 13 quil\u00f4metros montanha abaixo entre o distrito de Taia\u00e7upeba, em Mogi das Cruzes (SP), e Bertioga (SP), no litoral, retrata um dilema bem diferente do enfrentado pelos colonizadores portugueses que viam no relevo da Serra do Mar um obst\u00e1culo para desbravar os sert\u00f5es. No in\u00edcio do percurso, a Mata Atl\u00e2ntica encontra-se em processo de regenera\u00e7\u00e3o natural, ap\u00f3s s\u00e9culos de impactos causados por diferentes ciclos econ\u00f4micos, e \u00e9 enriquecida por plantio de palmito-ju\u00e7ara. A palmeira nativa atrai fauna em busca de alimento e esta, por sua vez, dispersa sementes de v\u00e1rias esp\u00e9cies para o crescimento da floresta. A cobertura vegetal \u00edntegra, mantida por um grande esfor\u00e7o de conserva\u00e7\u00e3o em lugar t\u00e3o pr\u00f3ximo de cidades populosas, protegeu valiosos estoques de \u00e1gua \u2013 e \u00e9 exatamente a\u00ed que est\u00e1 a pol\u00eamica.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o recai sobre o Rio Itatinga, manancial hoje visto pela Sabesp, a companhia de abastecimento de S\u00e3o Paulo, como estrat\u00e9gico para evitar torneiras vazias na maior metr\u00f3pole brasileira. O plano emergencial de obras, arquitetado a toque de caixa, prev\u00ea captar ali 1,2 mil litros por segundo para nutrir represas que est\u00e3o polu\u00eddas e obrigam alto custo de tratamento. \u201c\u00c9 preciso transpar\u00eancia para n\u00e3o haver conflitos, porque a \u00e1gua \u00e9 da popula\u00e7\u00e3o de Bertioga\u201d, diz Paulo Groke, diretor de sustentabilidade do Instituto Ecofuturo, ligado \u00e0 ind\u00fastria de papel e celulose Suzano. Ele pergunta: \u201cDe que adianta conservar um rio em quase toda a sua extens\u00e3o, se um trecho mais abaixo sofre impactos para beneficiar outra regi\u00e3o, sem compensa\u00e7\u00e3o para quem o protege?\u201d<\/p>\n<p>O Parque das Neblinas, reserva particular de 2,8 mil hectares mantida pela institui\u00e7\u00e3o ao custo de R$ 1 milh\u00e3o por ano, abriga as nascentes e todo o percurso do Itatinga no alto da serra, antes da descida em dire\u00e7\u00e3o do mar. Nele vivem peixes amea\u00e7ados, como o lambari Coptobrycon bilineatus, que havia sido coletado por cientistas pela \u00faltima vez em 1915 e foi achado na \u00e1rea durante o levantamento da fauna para o plano de manejo. Uma das 35 esp\u00e9cies de mam\u00edferos \u00e9 o muriqui, o maior primata das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Voltada para a educa\u00e7\u00e3o ambiental, a reserva guarda antigas \u00e1rvores de eucalipto, heran\u00e7a dos tempos em que a \u00e1rea foi usada para experimentos pioneiros de silvicultura e plantios para abastecimento da ind\u00fastria de celulose. Antes disso, a Mata Atl\u00e2ntica era convertida em carv\u00e3o para as sider\u00fargicas. Mas, com o aperto das leis ambientais e a dificuldade da mecaniza\u00e7\u00e3o em relevo \u00edngreme, constatou-se que a floresta da regi\u00e3o poderia valer mais em p\u00e9 do que derrubada. At\u00e9 que hoje, diante da crise h\u00eddrica, os olhares se voltaram para a \u00e1gua l\u00e1 estocada.<\/p>\n<p>No fim do ano passado, com receio de colapso no abastecimento dos veranistas no R\u00e9veillon, a Sabesp fez uma capta\u00e7\u00e3o emergencial durante quatro dias, dentro do Parque das Neblinas, com 5 quil\u00f4metros de tubula\u00e7\u00e3o at\u00e9 o Guaruj\u00e1. Depois cogitou fazer uma barragem para desviar 2,8 mil litros por segundo, o que implicaria a inunda\u00e7\u00e3o da floresta. No final, o projeto\u00a0 previu retirar um volume menor, fora da reserva privada.<\/p>\n<p>O governo estadual tem argumentado que seguir o rito ambiental impedir\u00e1 trazer a \u00e1gua para a popula\u00e7\u00e3o. Apesar disso, o Minist\u00e9rio P\u00fablico exigiu informa\u00e7\u00f5es sobre os estudos de impacto ambiental da obra, ainda n\u00e3o apresentados. O Itatinga \u00e9 importante para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico dos manguezais, em Bertioga. Al\u00e9m disso, nele est\u00e1 localizada uma das hidrel\u00e9tricas mais antigas do Pa\u00eds, inaugurada em 1910, hoje respons\u00e1vel por 60% da energia necess\u00e1ria \u00e0s opera\u00e7\u00f5es do Porto de Santos, o maior do Brasil e da Am\u00e9rica Latina. E a menor vaz\u00e3o do rio, decorrente da capta\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, pode prejudicar o funcionamento da usina.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s o carv\u00e3o e o eucalipto, nossa salva\u00e7\u00e3o est\u00e1 no turismo\u201d, afirma Paulo Pinheiro de Souza, o Z\u00e9 Ferro, um contador de causos, ex-ca\u00e7ador e ex-funcion\u00e1rio de sider\u00fargica que hoje se dedica a cultivar cambuci, fruto nativo de mil e uma utilidades. Uma atra\u00e7\u00e3o \u00e9 a trilha que desce a Serra do Mar, beirando o Itatinga at\u00e9 uma vila hist\u00f3rica ao p\u00e9 das montanhas. No caminho h\u00e1 mirantes com vista para o oceano. E tamb\u00e9m cachoeiras. Naquela floresta protegida, escudo contra ocupa\u00e7\u00f5es urbanas irregulares, \u00e1gua n\u00e3o falta. Mas \u00e9 preciso saber us\u00e1-la.<\/p>\n<p><em>* <strong>S\u00e9rgio Adeodato<\/strong> \u00e9 jornalista<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte: P\u00e1gina 22<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por S\u00e9rgio Adeodato* Rio protegido por reserva ecol\u00f3gica est\u00e1 na mira das obras para o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por S\u00e9rgio Adeodato* Rio protegido por reserva ecol\u00f3gica est\u00e1 na mira das obras para o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23181"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23181\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}