{"id":23000,"date":"2015-06-17T16:00:42","date_gmt":"2015-06-17T16:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=23000"},"modified":"2015-06-17T00:01:55","modified_gmt":"2015-06-17T00:01:55","slug":"maria-tereza-padua-estao-acabando-com-as-unidades-de-conservacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maria-tereza-padua-estao-acabando-com-as-unidades-de-conservacao\/","title":{"rendered":"Maria Tereza P\u00e1dua: &#8220;Est\u00e3o acabando com as Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-23006\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em quase cinco d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, Maria Tereza Jorge P\u00e1dua \u00e9 parte da hist\u00f3ria do movimento ambiental no Brasil. Ela pertence a uma gera\u00e7\u00e3o que pouco falava do assunto, mas liderou a cria\u00e7\u00e3o de 9 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas protegidas no pa\u00eds. Hoje, pr\u00f3xima de completar 72 anos de idade, Maria Tereza lembra com carinho de sua jornada iniciada aos 23, quando formou-se engenheira agr\u00f4noma pela Universidade Federal de Lavras. &#8220;\u00c9ramos chamados de loucos e poetas&#8221;, diz nesta entrevista exclusiva ao Blog do Observat\u00f3rio de UCs. Por 18 anos, trabalhou no Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF) \u2013 \u00f3rg\u00e3o que precedeu o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA), que, por sua vez, foi desmembrado em 2007 para a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), \u00f3rg\u00e3o que se tornou o respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o federais. Em setembro, Maria Tereza lan\u00e7a um livro autobiogr\u00e1fico no <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/salada-verde\/29052-8-edicao-do-cbuc-quer-atrair-publico-nao-especializado\" target=\"_blank\">VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (CBUC)<\/a>, em Curitiba. Prestes a ir para o prelo, o livro rememora a carreira e a pol\u00edtica ambiental do Brasil at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 80. Ela tamb\u00e9m abrir\u00e1 o CBUC com um discurso de balan\u00e7o dos 15 anos do <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28223-o-que-e-o-snuc\" target=\"_blank\">Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC)<\/a>. &#8220;Em quase 50 anos como conservacionista, vi a mata ser destru\u00edda, o Cerrado acabar, a Caatinga quase virar deserto, vi destru\u00edrem a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Blog Observat\u00f3rio UCs: Quando o seu interesse despertou para a quest\u00e3o ambiental?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Maria Tereza:<\/strong> Tive a felicidade de me deparar com o tema da prote\u00e7\u00e3o ambiental pelos livros que meu pai me dava de presente. Ele gostava de mostrar a natureza e dormir ao relento. A gente tinha um s\u00edtio com um rio l\u00edmpido e <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/dicionario-ambiental\/28610-o-que-e-o-bioma-mata-atlantica\" target=\"_blank\">Mata Atl\u00e2ntica<\/a>. Sempre tive a convic\u00e7\u00e3o absoluta que sem a biodiversidade o homem n\u00e3o poderia se manter na Terra. Formei-me em engenharia agr\u00f4noma em 1966 e fiz p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em manejo de \u00e1reas protegidas.<\/p>\n<p><strong>Blog: Qual foi o papel do IBDF, em plena ditadura militar no Brasil, quando se defendiam as grandes obras de infraestrutura?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> O instituto foi criado em 1967 e eu entrei na primeira turma de engenheiros agr\u00f4nomos, em 68. Ocupei durante 18 anos a posi\u00e7\u00e3o de diretora de parques nacionais. Fui a \u00fanica a escolher a diretoria de pesquisa e conserva\u00e7\u00e3o da natureza. \u00c9ramos considerados loucos, poetas e esquerdistas. Pod\u00edamos contar nos dedos quem trabalhava com conserva\u00e7\u00e3o. Aquela era uma \u00e9poca de desenvolvimento a qualquer custo. Tamb\u00e9m me perguntava por que nos deixavam fazer tudo aquilo. Todo mundo sabia que \u00e9ramos de esquerda. A explica\u00e7\u00e3o mais l\u00f3gica era de que os militares respeitavam a ci\u00eancia e eram preocupados em proteger o territ\u00f3rio. Eles viam isso como seguran\u00e7a nacional.<\/p>\n<p><strong>Blog: A senhora foi respons\u00e1vel por criar grandes reservas no Brasil. Como foi esse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> O primeiro plano do sistema de UCs no Brasil foi de 1979. Todo mundo pensa que o SNUC come\u00e7ou em 2000, mas o primeiro plano lan\u00e7ado no IBDF, em 1979, j\u00e1 continha o conceito de UCs. A grande lacuna no Brasil estava na Amaz\u00f4nia. Era um v\u00e1cuo. Ent\u00e3o, escolhemos os ref\u00fagios do pleistoceno (per\u00edodo caracterizado pela presen\u00e7a de mam\u00edferos e de p\u00e1ssaros gigantes) para preservar. Ao todo, criei 9 milh\u00f5es de hectares de \u00e1reas protegidas em todo o meu tempo no IBDF. Somando o que meu marido (<a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/marc-dourojeanni\" target=\"_blank\">Marc Jean Dourojeanni<\/a>, consultor internacional em florestas tropicais e manejo de \u00e1reas protegidas) fez no Peru e eu no Brasil, atingimos o recorde mundial de cria\u00e7\u00e3o de UCs.<\/p>\n<p><strong>Blog: Como foi a cria\u00e7\u00e3o da primeira reserva marinha, no Atol das Rocas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> Havia um almirante chamado <a href=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/maria-tereza-jorge-padua\/28530-um-adeus-ao-almirante-ibsen-ferrenho-defensor-da-natureza\" target=\"_blank\">Ibsen Gusm\u00e3o<\/a>, um dos maiores conservacionistas que o Brasil teve. \u00c9ramos mais que amigos, \u00e9ramos irm\u00e3os de alma. Na \u00e9poca do regime militar, ele ajudou a fazer as primeiras unidades marinhas no Brasil. J\u00e1 havia v\u00e1rios estudos em Atol das Rocas e foi Ibsen quem fez o favor de delimitar para n\u00f3s, analfabetos em mar. A Marinha se assustou quando a gente come\u00e7ou a fazer reservas marinhas. E ele teve um papel preponderante, t\u00e9cnico e cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>Blog: Houve momento em sua vida em que pensou em abandonar a causa ou a carreira conservacionista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> Quando o presidente Jo\u00e3o Figueiredo autorizou a estrada cortando o <a href=\"http:\/\/www.wikiparques.org\/wiki\/Parque_Nacional_do_Araguaia\" target=\"_blank\">Parque Nacional do Araguaia<\/a>, na Ilha do Bananal (a maior ilha fluvial do mundo no Tocantins), a\u00ed desisti, disse chega. Sa\u00ed do IBDF porque n\u00e3o queria de jeito algum perder o parque do Araguaia. Convenceram o presidente a permitir a constru\u00e7\u00e3o de uma estrada cortando a ilha ao meio. Resolvi sair pelo fato de terem autorizado por cima de nosso parecer, que demonstrava ser um desastre ecol\u00f3gico brutal numa zona ecotonal [\u00e1rea de transi\u00e7\u00e3o de dois biomas] de Amaz\u00f4nia e Cerrado. Todo mundo queria fazer tanta coisa nos parques nacionais, estradas, hidrel\u00e9tricas, e n\u00f3s resist\u00edamos. Fiquei cansada. Mas depois voltei como secret\u00e1ria geral do IBDF, em 1985, e como presidente do IBAMA, em 1992.<\/p>\n<p><strong>Blog: O SNUC \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o eficaz para resguardar nossas \u00e1reas protegidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> Quer\u00edamos uma lei desde a d\u00e9cada de 60, quando o IBDF foi criado. O primeiro plano do sistema de UCs data de 1979, e o segundo, de 1982. O SNUC foi muito debatido no Congresso Nacional, num jogo pol\u00edtico brutal. Tenho cr\u00edticas ao SNUC, s\u00e3o categorias demais, umas se confundem com outras. Eu melhoraria muitas coisas, mas elogio tamb\u00e9m. Foi um salto gigantesco para o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Blog: Atualmente existem a\u00e7\u00f5es no Congresso Nacional que pretendem rever o SNUC. O que pensa sobre este risco?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> Achava que pod\u00edamos melhorar a lei. Em vez disso, est\u00e3o acabando com as UCs no Brasil. Cortaram 5 milh\u00f5es de hectares protegidos, est\u00e3o prestes a permitir minera\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 contra a lei e contra a Constitui\u00e7\u00e3o. N\u00e3o querem mais criar parques nacionais. \u00c9 um retrocesso. J\u00e1 perdemos com o novo C\u00f3digo Florestal. Pela composi\u00e7\u00e3o do Congresso e do Executivo, ningu\u00e9m quer lutar mais pelas UCs no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Blog: Qual \u00e9 o saldo da sua carreira, toda dedicada a participar das decis\u00f5es ou escrever sobre a agenda ambiental do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p><strong>MT:<\/strong> \u00c9 \u00e1rduo. Em quase 50 anos de vida como conservacionista, vi a mata ser destru\u00edda, o Cerrado acabar, a Caatinga quase virar deserto, vi destru\u00edrem a Amaz\u00f4nia e a Mata Atl\u00e2ntica. Ao mesmo tempo, vejo o in\u00edcio de projetos de educa\u00e7\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o. A popula\u00e7\u00e3o percebe mais a necessidade de proteger a natureza. Por\u00e9m, o setor produtivo, como agricultura e minera\u00e7\u00e3o, percebeu que as UCs poderiam ser o tesouro desses grupos de interesse e n\u00e3o da sociedade e do mundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em quase cinco d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, Maria Tereza Jorge P\u00e1dua \u00e9 parte da<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":23006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maria_tereza_padua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em quase cinco d\u00e9cadas de dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza, Maria Tereza Jorge P\u00e1dua \u00e9 parte da","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23000"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23000"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23000\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}