{"id":22842,"date":"2015-06-14T14:00:41","date_gmt":"2015-06-14T14:00:41","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22842"},"modified":"2015-06-14T00:13:51","modified_gmt":"2015-06-14T00:13:51","slug":"lares-brasileiros-ja-tem-mais-animais-que-criancas-segundo-dados-do-ibge","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/lares-brasileiros-ja-tem-mais-animais-que-criancas-segundo-dados-do-ibge\/","title":{"rendered":"Lares brasileiros j\u00e1 t\u00eam mais animais que crian\u00e7as, segundo dados do IBGE"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22856\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nas fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o se esvaziando os ber\u00e7os das crian\u00e7as enquanto cresce a presen\u00e7a de animais de estima\u00e7\u00e3o. Como nos pa\u00edses mais desenvolvidos do planeta, por exemplo nos Estados Unidos e no Jap\u00e3o, tamb\u00e9m no <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/brasil\/a\/\" target=\"_blank\">Brasil<\/a> o n\u00famero de animais que convivem com as fam\u00edlias supera a de crian\u00e7as at\u00e9 os doze anos.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) coletados em 2013, mas processadas e publicadas dias atr\u00e1s. De cada cem fam\u00edlias, 44 criam, por exemplo, cachorros e s\u00f3 36 t\u00eam crian\u00e7as at\u00e9 doze anos de idade.<\/p>\n<p>Contando os gatos e outros animais o n\u00famero sobe para cem milh\u00f5es. Segundo o IBGE, as fam\u00edlias brasileiras cuidam de 52 milh\u00f5es de c\u00e3es contra 45 milh\u00f5es de crian\u00e7as. E a tend\u00eancia indica que haver\u00e1 cada vez mais espa\u00e7o nas casas para os animais e menos para os filhos pequenos.<\/p>\n<p>A not\u00edcia ganhou pouca import\u00e2ncia nos meios de comunica\u00e7\u00e3o e, no entanto, serve para uma s\u00e9rie de perguntas que merece uma an\u00e1lise antropol\u00f3gica, psicol\u00f3gica e at\u00e9 pol\u00edtica.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que tamb\u00e9m nos Estados Unidos o n\u00famero de animais de estima\u00e7\u00e3o (48 milh\u00f5es) supera, por exemplo, o de crian\u00e7as (38 milh\u00f5es). Trata-se, no entanto, do pa\u00eds mais desenvolvido economicamente do mundo, enquanto que o Brasil ainda est\u00e1 entre o primeiro e o terceiro mundo, atacado por uma crise que o est\u00e1 empobrecendo. Como se explica que as fam\u00edlias alimentem mais animais que filhos?<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de natalidade aliada ao aumento da presen\u00e7a de animais que fazem parte da fam\u00edlia costuma acontecer nos pa\u00edses mais ricos, onde as mulheres possuem trabalhos bem remunerados e preferem ter um n\u00famero menor de filhos para desfrutar de maior liberdade. E tamb\u00e9m porque temem destruir sua beleza f\u00edsica com a multiplica\u00e7\u00e3o da maternidade.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, nos pa\u00edses menos desenvolvidos, com menos recursos econ\u00f4micos, onde as mulheres pouco profissionalizadas se sentem menos sujeitas por um trabalho de responsabilidade, os \u00edndices de maternidade continuam sendo altos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os pa\u00edses mais ricos est\u00e3o menos influenciados por <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/05\/opinion\/1433515076_907128.html\" target=\"_blank\">motivos religiosos conservadores<\/a>. S\u00e3o mais laicos. E foram sempre as religi\u00f5es que pregaram, e continuam defendendo, que a sexualidade deve exercer somente a fun\u00e7\u00e3o da procria\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ser fonte de prazer<\/p>\n<p>Na Espanha catolic\u00edssima da ditadura militar franquista, os sacerdotes, desde os p\u00falpitos das igrejas, exortavam as fam\u00edlias a terem todos os filhos \u201cque Deus enviasse\u201d, e afirmavam que cada novo filho \u201ctrazia um p\u00e3o debaixo do bra\u00e7o\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, com uma sociedade majoritariamente conservadora, fortemente influenciada ainda, sobretudo em suas esferas mais pobres e incultas, por pregadores religiosos que continuam vendo o sexo como pecado fora da \u00f3rbita da procria\u00e7\u00e3o e com uma forte ajuda estatal aos rec\u00e9m-nascidos, choca que os animais j\u00e1 tenham superado as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os dados do IBGE confirmam o mercado em torno dos novos filhos de quatro patas que move, a cada ano, no Brasil a cifra de 16 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>Esse crescimento do interesse das fam\u00edlias brasileiras pelos animais, a quem se devota muitas vezes um carinho igual aos dirigido \u00e0s crian\u00e7as, explica tamb\u00e9m o interesse cada vez maior dos pol\u00edticos por aprovar leis a favor de seus direitos, como os cemit\u00e9rios personalizados, as cl\u00ednicas veterin\u00e1rias gratuitas para as fam\u00edlias menos abastadas, ou uma maior liberdade de movimentos nas cidades para que esses animais possam circular nos meios p\u00fablicos de transporte.<\/p>\n<p>Ou tamb\u00e9m uma maior permissividade para que os animais possam visitar seus donos nos hospitais.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 que a sociedade brasileira, mesmo que continue sendo vista como conservadora e ainda distante da modernidade dos pa\u00edses mais desenvolvidos economicamente, come\u00e7a a estar na vanguarda de certas descobertas recentes da ci\u00eancia que est\u00e1 revelando que os animais se parecem aos humanos mais do que imagin\u00e1vamos e que at\u00e9 parecem indispens\u00e1veis para o equil\u00edbrio familiar?<\/p>\n<p>No Brasil, os psic\u00f3logos sublinham, por exemplo, a import\u00e2ncia emocional da conviv\u00eancia com animais. E isso n\u00e3o apenas no campo terap\u00eautico, como por exemplo, com os que sofrem de algum tipo de autismo, mas com todos.<\/p>\n<p>\u00c9 aconselhado cada vez mais que as fam\u00edlias de filhos \u00fanicos supram a falta de um irm\u00e3o ou irm\u00e3 com um animal de estima\u00e7\u00e3o que pode se tornar o melhor amigo e confidente.<\/p>\n<p>Aumenta tamb\u00e9m, no Brasil, o n\u00famero de <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/divorcio\/a\/\" target=\"_blank\">pessoas separadas em seus casamentos<\/a> e que vivem sozinhas, assim como o de idosos com o aumento do \u00edndice de vida. Tamb\u00e9m para elas est\u00e1 sendo descoberta a import\u00e2ncia de conviver com algum tipo de companhia animal.<\/p>\n<p>Uma das \u00faltimas descobertas cient\u00edficas, publicadas na prestigiosa revista Science, \u00e9 que os <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/04\/16\/ciencia\/1429205353_786790.html\" target=\"_blank\">cachorros amam seus donos com o mesmo amor do beb\u00ea por sua m\u00e3e<\/a>. Tamb\u00e9m afirma-se que conviver com um animal de estima\u00e7\u00e3o, olhar sua mascote nos olhos, brincar com ela ou acarici\u00e1-la, produz forte dose de oxitocina, chamada de \u201cmol\u00e9cula do amor\u201d.<\/p>\n<p>Era conhecido que a oxitocina inibe a am\u00eddala, a \u00e1rea cerebral encarregada de oferecer respostas ao medo e \u00e0 agress\u00e3o. Essa subst\u00e2ncia, muito presente nos momentos em que nos apaixonamos, tamb\u00e9m serve para reduzir o medo social.<\/p>\n<p>Se nos humanos a carga de oxitocina costuma diminuir com o desgaste das rela\u00e7\u00f5es amorosas, n\u00e3o acontece o mesmo com os animais, que sempre s\u00e3o beb\u00eas e consideram seu dono, homem ou mulher, como sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Por isso, considera-se que o amor que um animal sente por n\u00f3s \u00e9 inabal\u00e1vel e de absoluta fidelidade. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o eternamente apaixonados por n\u00f3s. Exatamente como um beb\u00ea por sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, podem ser muitas as respostas \u00e0 not\u00edcia de que as fam\u00edlias brasileiras criam, alimentam e amam um n\u00famero maior de animais do que de filhos. Algumas dessas respostas poderiam ser question\u00e1veis ou de dif\u00edcil interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acho, no entanto, que \u00e9 positivo que os lares brasileiros, e mais nesses momentos nos quais essa sociedade sofre de medos e desencantos com seus governantes que deveriam oferecer seguran\u00e7a e confian\u00e7a, estejam povoados com os queridos bichos de estima\u00e7\u00e3o em vez de armas e muros eletrificados.<\/p>\n<p>Dessas armas e desses muros nunca vai nascer essa \u201cmol\u00e9cula do amor\u201d que vive no cora\u00e7\u00e3o desses seres que nos ensinam a dif\u00edcil virtude da fidelidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exatamente essa fidelidade, uma flor cada vez mais ex\u00f3tica, que n\u00f3s, os humanos, estamos sempre procurando, confessemos ou n\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o se esvaziando os ber\u00e7os das crian\u00e7as enquanto cresce a presen\u00e7a de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22856,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animais_ibge.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Nas fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o se esvaziando os ber\u00e7os das crian\u00e7as enquanto cresce a presen\u00e7a de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22842\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22856"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}