{"id":22831,"date":"2015-06-13T23:36:16","date_gmt":"2015-06-13T23:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22831"},"modified":"2015-06-13T23:36:16","modified_gmt":"2015-06-13T23:36:16","slug":"agua-e-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agua-e-clima\/","title":{"rendered":"\u00c1gua e clima"},"content":{"rendered":"<div id=\"container\">\n<div id=\"conteudo\">\n<div id=\"coluna_centro\">\n<div class=\"noticia_view\">\n<div class=\"texto\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\" alignleft\" title=\"Jos\u00e9 Goldemberg\" src=\"http:\/\/www.ecodesenvolvimento.org\/colunistas\/jose-goldemberg\/foto\" alt=\"Jos\u00e9 Goldemberg\" width=\"200\" height=\"200\" \/><span class=\"data\"><span class=\"titulo_verde\">Jos\u00e9 Goldemberg*<\/span><\/span><\/p>\n<p>Todos sabemos que o clima varia constantemente e \u00e9 dif\u00edcil de prever: ora chove muito, ora chove pouco, ora faz calor, ora faz frio. Nunca h\u00e1 dois dias exatamente iguais, mas os cientistas aprenderam que essa variabilidade ocorre em torno de valores m\u00e9dios.<\/p>\n<p>Por exemplo, a m\u00e9dia anual da precipita\u00e7\u00e3o de chuva de 1961 a 1990 em S\u00e3o Paulo foi de 1.441 mil\u00edmetros e bastaria para cobrir toda a \u00e1rea da capital com uma camada de \u00e1gua de 1 metro e 44 cent\u00edmetros. A precipita\u00e7\u00e3o m\u00ednima foi no m\u00eas de agosto, 39,6 mil\u00edmetros, e a precipita\u00e7\u00e3o m\u00e1xima, no m\u00eas de janeiro, 237,4 mil\u00edmetros. O mesmo se d\u00e1 com a temperatura: nos meses mais quentes as temperaturas raramente s\u00e3o superiores a 23 graus cent\u00edgrados e nos meses mais frios a temperatura m\u00e1xima poucas vezes ultrapassa os 15 graus.<\/p>\n<p>Sucede que existem eventos clim\u00e1ticos, quer de temperatura, quer de chuva, que s\u00e3o extremos e raramente acontecem. Por exemplo, em 17 de outubro de 2014 a temperatura atingiu 37,8 graus cent\u00edgrados, a maior desde 1961. Em 24 de julho de 2013 a temperatura n\u00e3o ultrapassou 8,7 graus, na tarde mais fria desde 1962.<\/p>\n<p>As varia\u00e7\u00f5es extremas no regime de chuvas podem amea\u00e7ar o suprimento de \u00e1gua pot\u00e1vel a grandes centros urbanos como S\u00e3o Paulo, mas h\u00e1 outras consequ\u00eancias, como a varia\u00e7\u00e3o de precipita\u00e7\u00e3o nas grandes bacias hidrogr\u00e1ficas, que pode comprometer a produ\u00e7\u00e3o de energia das usinas hidrel\u00e9tricas. Essa situa\u00e7\u00e3o se agrava ainda mais na medida em que usinas s\u00e3o constru\u00eddas sem reservat\u00f3rios (&#8220;a fio d&#8217;\u00e1gua&#8221;), sendo totalmente dependentes do fluxo de \u00e1gua. Al\u00e9m disso, mesmo que chova muito, a precipita\u00e7\u00e3o pode ser nos lugares errados, como \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo com o reservat\u00f3rio da Cantareira, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div class=\"olho\">Espera-se que a proposta brasileira para a confer\u00eancia de Paris seja mais realista do que a que foi apresentada em 2009 e que o Pa\u00eds reconquiste o papel de lideran\u00e7a que desempenhou na Confer\u00eancia do Clima do Rio em 1992<\/div>\n<p>As causas desses eventos extremos s\u00e3o complexas, mas o principal suspeito \u00e9 o aquecimento global. Com a atmosfera mais quente, ela se torna mais turbulenta, sendo necess\u00e1rio descarregar essas turbul\u00eancias em algum lugar: s\u00e3o secas, furac\u00f5es e inunda\u00e7\u00f5es sem precedentes, que afetam grandes popula\u00e7\u00f5es e causam preju\u00edzos materiais de centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares. \u00c9 um fato bem documentado que esses eventos clim\u00e1ticos se est\u00e3o tornando cada vez mais frequentes.<\/p>\n<p>\u00c9 por essa raz\u00e3o que j\u00e1 em 1992 foi adotada no Rio de Janeiro a Conven\u00e7\u00e3o do Clima, cujo prop\u00f3sito \u00e9 estabilizar a concentra\u00e7\u00e3o de gases respons\u00e1veis por este aquecimento, o principal dos quais se origina na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis. Essa concentra\u00e7\u00e3o j\u00e1 aumentou muito desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, no s\u00e9culo 19, e continua aumentando.<\/p>\n<p>Em 1977, por meio do Protocolo de Kyoto, tentou-se impor aos pa\u00edses limites para suas emiss\u00f5es. Essa pol\u00edtica n\u00e3o funcionou muito bem porque s\u00f3 os pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia aceitaram as limita\u00e7\u00f5es. Os demais, incluindo os Estados Unidos, a China e os pa\u00edses em desenvolvimento, mantiveram-se fora dele, j\u00e1 que essas limita\u00e7\u00f5es foram vistas como uma amea\u00e7a ao seu crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Hoje a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra: as consequ\u00eancias do aquecimento global, do qual os eventos clim\u00e1ticos extremos s\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o mais dram\u00e1tica, convenceram a maioria dos pa\u00edses a adotar medidas s\u00e9rias a respeito. E os pa\u00edses signat\u00e1rios da Conven\u00e7\u00e3o do Clima v\u00e3o se reunir em Paris no fim deste ano de 2015 para adotar um substituto doProtocolo de Kyoto (ou instrumento legal equivalente).<\/p>\n<p>Em prepara\u00e7\u00e3o para essa confer\u00eancia houve uma reuni\u00e3o em Lima, no Peru, em dezembro de 2014, na qual foram aprovadas as linhas gerais do que ser\u00e1 o novo acordo. O procedimento impositivo do Protocolo de Kyoto, que fixava (de &#8220;cima para baixo&#8221;) cotas de redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es, foi abandonado. O que foi adotado \u00e9 que todos os pa\u00edses ter\u00e3o de apresentar at\u00e9 abril compromissos quantitativos de redu\u00e7\u00f5es de gases de efeito estufa de maneira clara e transparente, acompanhados de informa\u00e7\u00f5es detalhadas das a\u00e7\u00f5es que cada pa\u00eds vai desenvolver para que essas redu\u00e7\u00f5es sejam atingidas.<\/p>\n<p>O governo brasileiro, como os demais governos, est\u00e1 preparando os compromissos que vai submeter \u00e0 confer\u00eancia de Paris. Isso j\u00e1 foi feito anteriormente, em 2009, quando compromissos volunt\u00e1rios foram apresentados pelo Brasil na Confer\u00eancia das Partes da conven\u00e7\u00e3o em Copenhague, da qual participou o pr\u00f3prio presidente Lula. O compromisso foi reduzir de 36,1% a 38,9% as emiss\u00f5es que deveriam ocorrer em 2020. Essas metas foram baseadas num crescimento r\u00e1pido superestimado da economia, que n\u00e3o se concretizou.<\/p>\n<p>Este tipo de &#8220;contabilidade criativa&#8221;, que tamb\u00e9m foi adotado por alguns outros pa\u00edses, n\u00e3o \u00e9 o que se espera agora para a confer\u00eancia de Paris. O que se espera s\u00e3o propostas concretas sobre o que fazer. A mais \u00f3bvia \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do desmatamento da Amaz\u00f4nia, que em boa parte j\u00e1 foi feita.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o problema \u00e9 evitar que cres\u00e7am em demasia as emiss\u00f5es do setor de energia e da ind\u00fastria. O governo federal, acuado pela crise de eletricidade, adotou como solu\u00e7\u00e3o a gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica em usinas t\u00e9rmicas, que s\u00e3o emissoras de gases de efeito estufa, para cobrir o &#8220;d\u00e9ficit&#8221;, em lugar de estimular as energias renov\u00e1veis. Esse problema precisa ser resolvido.<\/p>\n<p>Da mesma forma, na ind\u00fastria a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a produtividade, modernizando os processos produtivos, o que, ali\u00e1s, \u00e9 indispens\u00e1vel por outros motivos al\u00e9m do aquecimento global.<\/p>\n<p>Espera-se que a proposta brasileira para a confer\u00eancia de Paris seja mais realista do que a que foi apresentada em 2009 e que o Pa\u00eds reconquiste o papel de lideran\u00e7a que desempenhou na Confer\u00eancia do Clima do Rio em 1992.<\/p>\n<p>*<span class=\"data\"><span class=\"titulo_verde\">Jos\u00e9 Goldemberg<\/span><\/span> \u00e9 professor da Universidade de S\u00e3o Paulo e membro da Academia Brasileira de Ci\u00eancias. Em 2008, recebeu o Pr\u00eamio Planeta Azul, considerado o Nobel do Meio Ambiente.<\/p>\n<p><em>Fonte: EcoD<br \/>\n<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Goldemberg* Todos sabemos que o clima varia constantemente e \u00e9 dif\u00edcil de prever: ora<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Jos\u00e9 Goldemberg* Todos sabemos que o clima varia constantemente e \u00e9 dif\u00edcil de prever: ora","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22831"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22831\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}