{"id":22804,"date":"2015-06-13T16:59:34","date_gmt":"2015-06-13T16:59:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22804"},"modified":"2015-06-13T16:59:34","modified_gmt":"2015-06-13T16:59:34","slug":"pesquisa-avalia-impactos-dos-extremos-climaticos-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-avalia-impactos-dos-extremos-climaticos-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Pesquisa avalia impactos dos extremos clim\u00e1ticos na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22805\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Seca e cheia s\u00e3o fen\u00f4menos naturais na Amaz\u00f4nia, aos quais as comunidades ribeirinhas encontram-se bem adaptadas. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, esses eventos t\u00eam se tornado mais extremos, deixando moradores de locais remotos cada vez mais sujeitos \u00e0 escassez de \u00e1gua, alimentos e sem acesso a transporte, servi\u00e7os de sa\u00fade ou de ensino.<\/p>\n<p>As conclus\u00f5es s\u00e3o de um estudo conduzido por Patricia Pinho, professora visitante do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP) e associada da rede INCLINE de pesquisas interdisciplinares em mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Os dados foram apresentados durante a <b><a href=\"http:\/\/www.fapesp.br\/week2015\/ucdavis\" target=\"_blank\">FAPESP Week UC Davis in Brazil<\/a><\/b> \u2013 evento que reuniu em maio 26 cientistas da Universidade da Calif\u00f3rnia (UC) em Davis, nos Estados Unidos, e de institui\u00e7\u00f5es paulistas.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, a bacia amaz\u00f4nica experimentou um aumento na variabilidade interanual, principalmente no que se refere ao in\u00edcio e ao fim do per\u00edodo de chuvas. Tentamos mapear at\u00e9 que ponto as comunidades locais percebem esses eventos como extremos, quais s\u00e3o as respostas adaptativas que apresentam e os limites de adapta\u00e7\u00e3o\u201d, contou Pinho \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>O estudo teve como foco o munic\u00edpio de Silves (AM), situado a 400 quil\u00f4metros de Manaus, e a Floresta Nacional do Tapaj\u00f3s (Flona), \u00e1rea de preserva\u00e7\u00e3o localizada no estado do Par\u00e1.<\/p>\n<p>Por meio de dados observacionais e entrevistas pessoais, Pinho avaliou como os moradores dessas localidades perceberam as secas extremas registradas nos anos de 1997, 2005 e 2010, bem como as enchentes severas de 2006, 2009 e 2015.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, as secas de 1997 e 2010 est\u00e3o relacionadas com o fen\u00f4meno conhecido como <i>El Ni\u00f1o<\/i>, caracterizado por um aquecimento anormal das \u00e1guas superficiais no oceano Pac\u00edfico Tropical. J\u00e1 em 2005 foram registradas anomalias de temperatura nas \u00e1guas do Atl\u00e2ntico Tropical Norte.<\/p>\n<p>As enchentes foram relacionadas em estudos anteriores com o fen\u00f4meno <i>La Ni\u00f1a<\/i>, que corresponde ao resfriamento das \u00e1guas superficiais do oceano Pac\u00edfico Equatorial Central e Oriental.<\/p>\n<p>\u201cO ponto \u00e9: os dois extremos est\u00e3o se tornando mais frequentes na Amaz\u00f4nia. E as proje\u00e7\u00f5es do IPCC [<i>Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/i>], do Inpe [<i>Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais<\/i>] e de outros grupos apontam para um aumento dos extremos hidrol\u00f3gicos na regi\u00e3o\u201d, afirmou Pinho.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s analisar dados sobre o n\u00edvel do rio Amazonas registrados em Manaus entre os anos de 1900 e 2010, Pinho concluiu que o recorde m\u00ednimo vem caindo nos \u00faltimos anos, assim como tem aumentado o recorde m\u00e1ximo \u2013 indicando aumento da variabilidade interanual nesse sistema fluvial.<\/p>\n<p>\u201cA economia da bacia amaz\u00f4nica \u2013 onde moram 30 milh\u00f5es de pessoas \u2013 est\u00e1 diretamente associada \u00e0 din\u00e2mica do ciclo hidrol\u00f3gico. O fluxo dos rios determina a organiza\u00e7\u00e3o dos assentamentos humanos, a posse da terra, o sistema de produ\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o social. Qualquer altera\u00e7\u00e3o nas provis\u00f5es do ecossistema causam uma press\u00e3o imediata sobre essa popula\u00e7\u00e3o, na qual o \u00edndice de pobreza [42%] \u00e9 bem maior que a m\u00e9dia do pa\u00eds [29%]\u201d, afirmou Pinho.<\/p>\n<p>Os principais impactos da seca observados no estudo foram a alta mortalidade dos peixes (principal fonte de prote\u00edna na regi\u00e3o) e das planta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel. A interrup\u00e7\u00e3o no principal meio de transporte \u2013 o fluvial \u2013 dificultou o acesso dos moradores aos mercados locais, agravando a inseguran\u00e7a alimentar e impossibilitando o acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade e escolas.<\/p>\n<p>Curiosamente, tamb\u00e9m durante as cheias Pinho observou escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel e maior dificuldade na pesca, pois os cardumes ficam mais espalhados. Al\u00e9m disso, as enchentes destru\u00edram as casas, prejudicaram as atividades extrativistas, causaram morte de animais de cria\u00e7\u00e3o, das planta\u00e7\u00f5es, surto de doen\u00e7as como mal\u00e1ria e diarreia.<\/p>\n<p>\u201cOs ribeirinhos acompanham o ritmo de subida e descida da \u00e1gua dos rios e s\u00e3o capazes, at\u00e9 certo ponto, de saber se o per\u00edodo de seca e de cheia ser\u00e1 severo e se h\u00e1 necessidade de se mudar ou adotar outra medida de prote\u00e7\u00e3o. Mas esses eventos avaliados no estudo foram al\u00e9m de suas capacidades de adapta\u00e7\u00e3o e, como aconteceram muito perto uns dos outros, ficou ainda mais dif\u00edcil para os ribeirinhos a recupera\u00e7\u00e3o\u201d, contou Pinho.<\/p>\n<p>\u201cEmbora essas comunidades sejam resilientes a grandes varia\u00e7\u00f5es no n\u00edvel dos rios, est\u00e3o se tornando mais vulner\u00e1veis \u00e0 medida que crescem as incertezas de que os eventos se tornaram mais extremos e mais frequentes\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><b>Falta de apoio<\/b><\/p>\n<p>Outro problema apontado por Pinho \u00e9 a demora do poder p\u00fablico para oferecer qualquer tipo de suporte aos moradores das regi\u00f5es estudadas. Segundo ela, a Defesa Civil seria a respons\u00e1vel por implementar a\u00e7\u00f5es preventivas, fazer avalia\u00e7\u00e3o de risco e prestar apoio quando as emerg\u00eancias ocorrerem.<\/p>\n<p>\u201cMas observamos a falta de pessoas capacitadas e atraso nas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o h\u00e1 medidas preventivas. As autoridades municipais precisam solicitar aux\u00edlio \u00e0 esfera estadual, que repassa a peti\u00e7\u00e3o \u00e0 esfera federal e s\u00f3 ent\u00e3o o suporte \u00e9 liberado. \u00c9 preciso criar mecanismos para acelerar esse processo\u201d, disse Pinho.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta a necessidade de pol\u00edticas p\u00fablicas para melhorar a governan\u00e7a e garantir o bem-estar dessas popula\u00e7\u00f5es, bem como investimentos em estradas e meios de transporte alternativos, escolas e perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cOs brasileiros est\u00e3o acostumados a associar eventos extremos como a seca \u00e0 regi\u00e3o Nordeste, mas agora a Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m est\u00e1 sendo drasticamente impactada e observamos uma resposta governamental muito limitada.\u201d<\/p>\n<p>Pinho tamb\u00e9m aponta a necessidade de pesquisas que ajudem a aperfei\u00e7oar os modelos clim\u00e1ticos, tornando-os capazes de prever eventos extremos e permitindo a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de alerta precoce.<\/p>\n<p>\u201cA ci\u00eancia ainda est\u00e1 incipiente e h\u00e1 muita incerteza sobre qual vai ser a resposta da Amaz\u00f4nia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Temos um modelo global, que agora precisamos regionalizar, deixar numa escala mais fina e para isso precisamos aliar esses dados observacionais \u00e0s pesquisas feitas em escala local\u201d, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seca e cheia s\u00e3o fen\u00f4menos naturais na Amaz\u00f4nia, aos quais as comunidades ribeirinhas encontram-se bem<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22805,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/rio_amazonas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Seca e cheia s\u00e3o fen\u00f4menos naturais na Amaz\u00f4nia, aos quais as comunidades ribeirinhas encontram-se bem","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22804"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22804"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22804\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22805"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22804"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22804"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22804"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}