{"id":22769,"date":"2015-06-13T14:13:07","date_gmt":"2015-06-13T14:13:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22769"},"modified":"2015-06-13T14:13:07","modified_gmt":"2015-06-13T14:13:07","slug":"entrevista-especial-com-joaquim-dolz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-joaquim-dolz\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Joaquim Dolz"},"content":{"rendered":"<div class=\"headline\">\n<div class=\"headline_info\">\n<h2 class=\"contentheading\">Multilinguismo e diversidade cultural: as identidades em di\u00e1logo<\/h2>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"texto-aumenta\">\n<div class=\"article_text\">\n<p><strong>\u201cEm todas as sociedades, existe um multilinguismo end\u00f3geno apesar da recusa de certas l\u00ednguas presentes\u201d, afirma o pesquisador.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i57.tinypic.com\/2lm3tzq.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>www.escrevologoexisto.com<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O multilinguismo sempre foi uma realidade da sociedade. Em diversas localidades do mundo as popula\u00e7\u00f5es convivem em um mesmo espa\u00e7o com diversas l\u00ednguas. Mesmo havendo um idioma oficial, tamb\u00e9m comp\u00f5em o atlas lingu\u00edstico de um determinado local as l\u00ednguas tradicionais, faladas, por exemplo, por comunidades ind\u00edgenas, no caso do Brasil e de outros pa\u00edses que contam com esses povos na sua forma\u00e7\u00e3o sociocultural, e as l\u00ednguas estrangeiras, introduzidas nos territ\u00f3rios a partir das migra\u00e7\u00f5es. Em entrevista concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line, Joaquim Dolz afirma que existe um multilinguismo caracter\u00edstico de cada pa\u00eds.Para o pesquisador, a globaliza\u00e7\u00e3o acentuou a necessidade da promo\u00e7\u00e3o do ensino pluril\u00edngue. O desafio \u00e9 organizar esse tipo de perspectiva de ensino e preparar os professores para lecionar de acordo com essa l\u00f3gica. \u201cA aprendizagem de uma l\u00edngua estrangeira permite uma rela\u00e7\u00e3o com uma nova cultura. Conv\u00e9m, ent\u00e3o, associar o ensino da l\u00edngua e da cultura\u201d, aponta Dolz, indicando esse como um dos caminhos para a concretiza\u00e7\u00e3o desta concep\u00e7\u00e3o did\u00e1tico-pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>Ao longo da entrevista, o professor ainda ressalta que o ensino pluril\u00edngue ou bil\u00edngue tamb\u00e9m pode enfrentar obst\u00e1culos e resist\u00eancias ligadas a fatores identit\u00e1rios e pol\u00edticos. \u201cExiste um di\u00e1logo f\u00e9rtil entre as l\u00ednguas. Esse di\u00e1logo \u00e9 frequentemente desigual e produz embates e mal-entendidos na comunica\u00e7\u00e3o. No n\u00edvel econ\u00f4mico e acad\u00eamico, nem todas as l\u00ednguas recebem a mesma considera\u00e7\u00e3o\u201d, explica. O principal problema dessas assimetrias para o ensino de idiomas \u00e9 que \u201co estatuto e o valor social atribu\u00eddos \u00e0s l\u00ednguas t\u00eam um papel fundamental para que elas sejam aprendidas\u201d, frisa.<\/p>\n<p>O pesquisador tamb\u00e9m destacou o papel das Tecnologias de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o &#8211; TICs no ensino de l\u00ednguas. Para Dolz, as TICs podem ser instrumentos importantes para facilitar os processos de ensino-aprendizagem em sala de aula, pois propiciam novos meios de acesso aos conte\u00fados e diferentes formas de intera\u00e7\u00e3o. No entanto, essas t\u00e9cnicas n\u00e3o devem ser superestimadas, pois \u201co aluno continua a ter necessidade do professor e das intera\u00e7\u00f5es com os outros para aprender, com ou sem novas tecnologias\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Joaquim Dolz \u00e9 professor e pesquisador em Did\u00e1tica do Franc\u00eas como L\u00edngua Materna da Faculdade de Psicologia e Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o \u2013 FAPSE, da Universidade de Genebra &#8211; UNIGE, Su\u00ed\u00e7a, e membro do Grupo Romando de An\u00e1lise do Franc\u00eas Ensinado &#8211; GRAFE.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i62.tinypic.com\/2z56s7r.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto:\u00a0www.euskonews.com<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; A perspectiva do plurilinguismo pode ser considerada um caminho para a abordagem de discuss\u00f5es de ordem sociocultural no ensino de l\u00ednguas? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> A sua pergunta \u00e9 complexa. Antes de falar a respeito do plurilinguismo e do seu ensino, gostaria de fazer algumas considera\u00e7\u00f5es sobre multilinguismo, que caracteriza nossas sociedades.<\/p>\n<p>Existe um multilinguismo pr\u00f3prio a cada pa\u00eds. No Brasil, por exemplo, h\u00e1 uma grande diversidade de l\u00ednguas amer\u00edndias que antecedem a chegada da l\u00edngua portuguesa (como a l\u00edngua tupi e a guarani, presentes no Sul e no Sudeste, mas tamb\u00e9m h\u00e1 a l\u00edngua tikuna, a tukano, a macuxi, a yanomani, a guajajara, a terena, a pankaruru, a kayap\u00f3, a kaingang, a xavante, a xerente, a nambikwara, a munduruku, a mura, a sater\u00e9-maw\u00e9, etc.).<\/p>\n<p>Estima-se que, na Am\u00e9rica do Sul, sobrevivam 375 l\u00ednguas amer\u00edndias. Mas elas perdem espa\u00e7o diante da l\u00edngua espanhola e da l\u00edngua portuguesa. Uma parte dessas l\u00ednguas encontra-se em perigo de extin\u00e7\u00e3o por causa do dom\u00ednio, desde o per\u00edodo colonial, da l\u00edngua portuguesa, a \u00fanica l\u00edngua oficial do Brasil. Ent\u00e3o, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura &#8211; Unesco recomenda a prote\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio lingu\u00edstico e o ensino das l\u00ednguas primeiras.<\/p>\n<p>O multilinguismo no Brasil manifesta-se, igualmente, pela presen\u00e7a de popula\u00e7\u00f5es migrantes europeias que mantiveram sua l\u00edngua de origem. Pude perceber, em minhas viagens ao Brasil, grupos da popula\u00e7\u00e3o que mantiveram, desde o s\u00e9culo XX, a l\u00edngua alem\u00e3, italiana, espanhola ou japonesa. Al\u00e9m disso, a l\u00edngua espanhola, a inglesa e a francesa est\u00e3o tamb\u00e9m presentes por diversas raz\u00f5es (vizinhan\u00e7a, aprendizagem na escola, etc.). Em todas as sociedades, existe um multilinguismo end\u00f3geno apesar da recusa de certas l\u00ednguas presentes. \u00c9 o caso, nos pa\u00edses europeus, com as l\u00ednguas ditas regionais e com as l\u00ednguas da migra\u00e7\u00e3o. Na Su\u00ed\u00e7a, por exemplo, a presen\u00e7a da l\u00edngua portuguesa d\u00e1-se pelo n\u00famero importante de portugueses e brasileiros, mas ela n\u00e3o \u00e9 ensinada na escola.<\/p>\n<p>Em um mundo globalizado, o multilinguismo \u00e9 um fato que ultrapassa fronteiras pol\u00edticas dos pa\u00edses. Hoje, os cidad\u00e3os necessitam falar muitas l\u00ednguas. \u00c9 evidente que a l\u00edngua espanhola \u00e9 particularmente importante para o Brasil, por causa de sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, e que a l\u00edngua inglesa, a francesa, a chinesa ou a alem\u00e3 abrem as portas para viajar e estabelecer rela\u00e7\u00f5es no n\u00edvel internacional. O ensino pluril\u00edngue tornou-se ent\u00e3o uma necessidade para todos. O problema \u00e9 como organiz\u00e1-lo e como formar os professores. O termo plurilinguismo, como o termo bilinguismo, o reservo-o para as pessoas.<\/p>\n<p>A escola merece ser um espa\u00e7o aberto \u00e0s diferentes l\u00ednguas e culturas, avan\u00e7ando no ensino n\u00e3o apenas por raz\u00f5es econ\u00f4micas, mas, sobretudo, para acolher a diversidade constitutiva da sociedade e para desenvolver uma abertura com o outro realmente. A aprendizagem de uma l\u00edngua estrangeira permite uma rela\u00e7\u00e3o com uma nova cultura. Conv\u00e9m, ent\u00e3o, associar o ensino da l\u00edngua e da cultura. Quando eu comecei a aprender a l\u00edngua portuguesa, necessitei conhecer as formas de vida do Brasil e de Portugal como, por exemplo, os rituais de cortesia para estabelecer um melhor contato com as pessoas. Aprendendo a l\u00edngua portuguesa, compreendi as letras das m\u00fasicas de Caetano Veloso e de Am\u00e1lia Rodrigues, mas tamb\u00e9m aprendi o valor da m\u00fasica popular em cada pa\u00eds. Pude ler Jorge Amado e Jos\u00e9 Saramago diretamente em l\u00edngua portuguesa. Da mesma forma, se voc\u00ea aprendesse a l\u00edngua chinesa, seria conveniente faz\u00ea-lo aprendendo simultaneamente a hist\u00f3ria da China e as formas de vida desta imensa na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Agora eu posso retornar \u00e0 sua pergunta. Eu direi que a l\u00edngua e a cultura formam o esp\u00edrito da pessoa e que a descentraliza\u00e7\u00e3o para a aprendizagem de uma l\u00edngua e de uma nova cultura nos ajuda a melhor compreender o funcionamento da nossa l\u00edngua de origem, por compara\u00e7\u00e3o e por contraste. Nossa pr\u00f3pria cultura se enriquece no di\u00e1logo com o que aprendemos das outras culturas. Mas, aten\u00e7\u00e3o, pois tudo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. O ensino bil\u00edngue ou pluril\u00edngue nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Ele pode nos proporcionar uma grande riqueza, mas tamb\u00e9m pode ser fonte de obst\u00e1culos e de resist\u00eancias. \u00c0s vezes, no caso das popula\u00e7\u00f5es migrantes, observamos tamb\u00e9m fen\u00f4menos particulares, resist\u00eancias para aprender a l\u00edngua do pa\u00eds de acolhida, por medo de perder ou de trair a l\u00edngua de origem. Ou, pelo contr\u00e1rio, crian\u00e7as de fam\u00edlias portuguesas ou brasileiras, em Genebra, que abandonam a l\u00edngua de origem ou que a escondem. O estatuto e o valor social atribu\u00eddos \u00e0s l\u00ednguas t\u00eam um papel fundamental para que elas sejam aprendidas.<\/p>\n<p>Gostaria, igualmente, de acrescentar que o Interacionismo Sociodiscursivo considera as trocas discursivas como fundamentais no desenvolvimento da pessoa. Essas trocas n\u00e3o se produzem exclusivamente em uma l\u00edngua natural. Existe um di\u00e1logo f\u00e9rtil entre as l\u00ednguas. Esse di\u00e1logo \u00e9 frequentemente desigual e produz embates e mal-entendidos na comunica\u00e7\u00e3o. No n\u00edvel econ\u00f4mico e acad\u00eamico, nem todas as l\u00ednguas recebem a mesma considera\u00e7\u00e3o. O ingl\u00eas, por exemplo, tem um reconhecimento que nenhuma outra l\u00edngua possui. Mas isto n\u00e3o significa que a l\u00edngua portuguesa n\u00e3o produz discursos cient\u00edficos ou econ\u00f4micos. Existe, nesses discursos, um dialogismo e uma polifonia que est\u00e1 al\u00e9m de uma \u00fanica l\u00edngua.<\/p>\n<p>Tomemos esta entrevista como exemplo. Ela \u00e9 uma forma de di\u00e1logo. Mas voc\u00eas me fazem as perguntas em l\u00edngua portuguesa, eu respondo em franc\u00eas e minhas colegas Eul\u00e1lia Leurquin e Carla Messias traduzem minhas respostas para o portugu\u00eas. O interesse n\u00e3o \u00e9 unicamente estudar a passagem de uma l\u00edngua a outra. O interesse \u00e9 tamb\u00e9m estudar como se desenvolvem as trocas em v\u00e1rias l\u00ednguas e como n\u00f3s a utilizamos para saber as informa\u00e7\u00f5es. Sinceramente, eu penso que os interacionistas deveriam levar mais a s\u00e9rio esses fen\u00f4menos. A Sociodid\u00e1tica das l\u00ednguas estuda-os, levando em considera\u00e7\u00e3o os fatores contextuais do uso das l\u00ednguas, o estatuto e as representa\u00e7\u00f5es sobre l\u00ednguas estudadas, os contatos entre as l\u00ednguas e as situa\u00e7\u00f5es de ensino e de aprendizagem. N\u00f3s aprendemos novas l\u00ednguas, considerando aquelas que conhecemos e questionando-as, tanto na dimens\u00e3o interna quanto externa. O di\u00e1logo e a altern\u00e2ncia entre l\u00ednguas na aprendizagem fazem parte de um fen\u00f4meno que mereceria ser profundamente estudado pelos interacionistas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que formas o professor de l\u00ednguas pode trabalhar a perspectiva do plurilinguismo em sala de aula? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> Em primeiro lugar, o professor deve dispor dos conhecimentos suficientes sobre a l\u00edngua ensinada. Mas, sobretudo, ele deve ser capaz de adaptar o uso da l\u00edngua ao n\u00edvel dos aprendizes. Em segundo lugar, o professor deve ser capaz de criar situa\u00e7\u00f5es e projetos de comunica\u00e7\u00e3o motivadores e portadores para o ensino. Em terceiro lugar, os professores t\u00eam necessidade de dispor de ferramentas adequadas para este ensino. Considero muito importante a presen\u00e7a de corpus de textos orais e escritos adequados para este ensino e as sequ\u00eancias did\u00e1ticas que v\u00e3o al\u00e9m do exerc\u00edcio com base em atos de fala. Enfim, a aprendizagem de outras mat\u00e9rias n\u00e3o lingu\u00edsticas, ensinadas em diferentes l\u00ednguas, permite uma imers\u00e3o na l\u00edngua ensinada, que \u00e9, \u00e0s vezes, ferramenta de ensino (comunicamo-nos nesta l\u00edngua) e objeto de aprendizagem.<\/p>\n<p>A perspectiva do plurilinguismo sup\u00f5e, al\u00e9m disso, uma coopera\u00e7\u00e3o entre os professores para a coordena\u00e7\u00e3o entre os diferentes ensinos e as diferentes l\u00ednguas ensinadas. O ensino integrado de l\u00ednguas consiste em planificar juntos as diferentes l\u00ednguas ensinadas. O ensino de uma mat\u00e9ria escolar em uma l\u00edngua diferente da l\u00edngua portuguesa sup\u00f5e uma coordena\u00e7\u00e3o particular entre o professor de l\u00edngua e o professor desta mat\u00e9ria escolar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que habilidades e compet\u00eancias profissionais s\u00e3o fundamentais na constitui\u00e7\u00e3o de um professor de l\u00ednguas no contexto contempor\u00e2neo, de crescentes exig\u00eancias educacionais por forma\u00e7\u00e3o docente? Como preparar os professores para enfrentar tais desafios? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> Do meu ponto de vista, um professor de l\u00edngua deve certamente dominar a l\u00edngua que ele ensina. Mas, ele deve, sobretudo, ser capaz de ensin\u00e1-la. Isso sup\u00f5e saber escolher e adaptar os saberes linguageiros \u00e0s necessidades dos aprendizes, saber avaliar as capacidades dos alunos, saber planificar as atividades de aprendizagem, saber elaborar dispositivos e sequ\u00eancias de ensino, saber dialogar e regular as aprendizagens dos alunos, o que Carla Messias (2013) , em sua tese, denomina de &#8220;agir did\u00e1tico&#8221;. \u00c9 evidente que existem outras compet\u00eancias transversais como saber gerir um grupo de alunos, colaborar com os outros professores, etc. No meu caso, dou uma import\u00e2ncia maior \u00e0 gest\u00e3o do ato de ensinar a l\u00edngua e a evolu\u00e7\u00e3o das capacidades de compreens\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o oral e escrita dos aprendizes.<\/p>\n<p>Para a forma\u00e7\u00e3o, parece-me fundamental organizar uma forma\u00e7\u00e3o em altern\u00e2ncia com a sala de aula, com um acompanhamento realizado de maneira coordenada por professores experientes e por formadores universit\u00e1rios. A verdadeira profissionaliza\u00e7\u00e3o deve combinar o trabalho acad\u00eamico com uma pr\u00e1tica acompanhada por formadores.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Qual a import\u00e2ncia da inclus\u00e3o de quest\u00f5es de identidade e de contexto social do estudante no processo de ensino-aprendizagem em sala de aula? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> A escola, como espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o, \u00e9 um lugar de constru\u00e7\u00e3o da identidade. As l\u00ednguas contribuem de maneira particular para a constru\u00e7\u00e3o de uma identidade plural. Somos, de uma maneira ou de outra, as l\u00ednguas que falamos. Toda l\u00edngua \u00e9 uma ferramenta de pensamento que nos ajuda a tecer e a religar as diferentes facetas de nossa identidade. Ela \u00e9 plural na medida em que nos permite participar de diferentes redes sociais e desenvolver intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O repert\u00f3rio lingu\u00edstico em v\u00e1rias l\u00ednguas multiplica as possibilidades de interagir eficazmente e, simbolicamente, marca as diversas identidades sociais. No meu caso, minha l\u00edngua primeira ou materna \u00e9 o catal\u00e3o. \u00c9 um signo identit\u00e1rio importante com tens\u00f5es sociais evidentes com as outras l\u00ednguas aprendidas. Eu sou autodidata em catal\u00e3o, enquanto toda minha escolariza\u00e7\u00e3o foi feita em espanhol e, mais tarde, em franc\u00eas. Cada l\u00edngua aprendida (espanhola, francesa, portuguesa, italiana, inglesa) me enriqueceu. Mas a rela\u00e7\u00e3o afetiva e os usos concretos em oral e escrita s\u00e3o muito diferentes.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O uso dos g\u00eaneros de texto no ensino de l\u00ednguas pode contribuir com esse objetivo de considerar os contextos espec\u00edficos em que est\u00e3o inseridos os estudantes? De que forma? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> A abordagem por g\u00eaneros textuais parece-me muito f\u00e9rtil para o ensino das l\u00ednguas. Numa perspectiva comunicativa, o g\u00eanero permite uma representa\u00e7\u00e3o das conven\u00e7\u00f5es que regem uma fam\u00edlia de textos para uma dada comunidade cultural. Do ponto de vista pragm\u00e1tico, a comunica\u00e7\u00e3o se realiza por g\u00eaneros textuais. As condi\u00e7\u00f5es e a din\u00e2mica dos atos de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o orientadas por conven\u00e7\u00f5es sociais definidas. Enfim, numa perspectiva sociocultural, os g\u00eaneros s\u00e3o considerados como ferramentas semi\u00f3ticas, cristalizando significa\u00e7\u00f5es associadas \u00e0s pr\u00e1ticas sociais e das quais sua apropria\u00e7\u00e3o permite a interioriza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias culturais sedimentadas historicamente. Os g\u00eaneros s\u00e3o, ent\u00e3o, ferramentas semi\u00f3ticas que tornam poss\u00edvel a aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como o desenvolvimento de novos dispositivos e m\u00e9todos did\u00e1ticos podem contribuir para a forma\u00e7\u00e3o de um estudante pluril\u00edngue?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> A ferramenta sequ\u00eancia did\u00e1tica me parece ser uma contribui\u00e7\u00e3o importante para o ensino das l\u00ednguas. Os princ\u00edpios aplicam-se ao ensino da l\u00edngua francesa e da portuguesa enquanto l\u00edngua primeira, assim como ao ensino da l\u00edngua espanhola e da inglesa como l\u00edngua estrangeira. Come\u00e7ar por observar as capacidades iniciais dos alunos, identificar os obst\u00e1culos e trabalhar passo a passo para transformar estas capacidades. Eu penso que um bom professor n\u00e3o pode dispensar uma metodologia para o ensino da l\u00edngua. Mas a tecnologia, por exemplo, a das sequ\u00eancias did\u00e1ticas, \u00e9 muito mais que um conjunto de t\u00e9cnicas. As t\u00e9cnicas devem se adaptar aos aprendizes. Nem tudo \u00e9 t\u00e9cnica. E, diante do imprevisto, inventamos online procedimentos para regular as aprendizagens.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como o senhor avalia o papel das Tecnologias de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o nesse processo de constru\u00e7\u00e3o de novas ferramentas de ensino?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Joaquim Dolz &#8211;<\/strong> As novas tecnologias podem facilitar o trabalho do ensino e as aprendizagens dos alunos. Nada como a constitui\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o de um corpus de textos em \u00e1udio e v\u00eddeo para, mais rapidamente, conseguir obter recursos na sala de aula. As plataformas de comunica\u00e7\u00e3o pela internet permitem novas formas de intera\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia. As autoaprendizagens se veem tamb\u00e9m facilitadas. Hoje, \u00e9 dif\u00edcil ignorar estas tecnologias e as possibilidades que elas nos oferecem. Elas fornecem novas ferramentas e novas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Mas o ato de ensinar n\u00e3o se reduz a uma tecnologia. O aluno continua a ter necessidade do professor e das intera\u00e7\u00f5es com os outros para aprender, com ou sem novas tecnologias.<\/p>\n<p>A engenharia da forma\u00e7\u00e3o e a engenharia did\u00e1tica disp\u00f5em hoje de ferramentas formid\u00e1veis para a forma\u00e7\u00e3o dos professores e para o ensino. Estamos, talvez, um pouco atrasados no uso desses suportes. Hoje, n\u00f3s podemos elaborar manuais e sequ\u00eancias did\u00e1ticas com meios que eram inimagin\u00e1veis h\u00e1 apenas dez anos. Certamente, na sala de aula de l\u00edngua, as atividades de produ\u00e7\u00e3o oral e escrita s\u00f3 podem se enriquecer com o uso de quadros interativos, computadores ligados \u00e0 internet, etc. A oralidade e a escrita multimodais podem facilmente ser solicitadas pelo professor. Novos g\u00eaneros orais e escritos est\u00e3o implicados nessas novas tecnologias. Contudo, apesar do progresso que representam, n\u00e3o podemos nos enganar. As novas tecnologias s\u00e3o apenas caixas de ferramentas para facilitar o trabalho do professor e do aluno. Elas n\u00e3o podem resolver sozinhas o desafio educativo do Brasil.<\/p>\n<p><em>Por Leslie Chaves<\/em> | <em>Tradu\u00e7\u00e3o Eul\u00e1lia Leurquin e Carla Messias<\/em><\/p>\n<p>Fonte: IHU On-Line<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Multilinguismo e diversidade cultural: as identidades em di\u00e1logo \u201cEm todas as sociedades, existe um multilinguismo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Multilinguismo e diversidade cultural: as identidades em di\u00e1logo \u201cEm todas as sociedades, existe um multilinguismo","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22769"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22769\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}