{"id":22551,"date":"2015-06-09T14:00:12","date_gmt":"2015-06-09T14:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22551"},"modified":"2015-06-08T23:24:55","modified_gmt":"2015-06-08T23:24:55","slug":"animais-em-extincao-conheca-especies-ameacadas-por-bioma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/animais-em-extincao-conheca-especies-ameacadas-por-bioma\/","title":{"rendered":"Animais em extin\u00e7\u00e3o: conhe\u00e7a esp\u00e9cies amea\u00e7adas por bioma"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arara_azul.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22556\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arara_azul-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arara_azul-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/arara_azul.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Nada interrompe o bicho mais forte. Nem os gritos das florestas, muito menos os sil\u00eancios que ecoam de l\u00e1. O bicho ergue cidades, joga \u00e1rvores para baixo, contamina rios, ca\u00e7a, tira as penas, coordena a ilegalidade de matar e tratar tudo como neg\u00f3cio. A bolsa de valores cresce, mas os dos valores de responsabilidade socioambientais caem.<\/p>\n<p>Seja como for, no Brasil, o bicho ser humano \u00e9 o principal respons\u00e1vel pela amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o de 1173 esp\u00e9cies na Amaz\u00f4nia, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atl\u00e2ntica e Pampa, incluindo esp\u00e9cies terrestres e aqu\u00e1ticas. As quest\u00f5es s\u00e3o complexas, por vezes, porque comunidades inteiras tamb\u00e9m vivem da venda de animais e n\u00e3o foram orientadas sobre o impacto na natureza.<\/p>\n<p>O Portal EBC ouviu especialistas, entidades do governo, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais e ambientalistas para criar uma lista multim\u00eddia (em texto, foto e v\u00eddeo) com exemplos de animais \u201cCriticamente amea\u00e7ados de extin\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cEm Perigo e em \u201cSitua\u00e7\u00e3o Vulner\u00e1vel. As tr\u00eas categorias representam os maiores sinais de alerta para elimina\u00e7\u00e3o da natureza, de acordo com o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o (ICMBio).<\/p>\n<p>Entenda a amostra<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de pesquisadores, governo e ambientalistas se transforma em estudos permanentes. Em 2014, o Icmbio categorizou 1.173 esp\u00e9cies a partir de uma an\u00e1lise ampla de 12.256 animais no Brasil feita por 1.383 especialistas em todo o pa\u00eds. A partir da categoriza\u00e7\u00e3o, os profissionais descobriram que 88 animais sa\u00edram dessa lista.<\/p>\n<p>Entre esses bichos, est\u00e1 a arara-azul do Pantanal. Segundo a bi\u00f3loga Neiva Guedes, o trabalho \u00e1rduo do \u201cProjeto Arara Azul\u201d era aumentar a conscientiza\u00e7\u00e3o das comunidades que conviviam com a ave na regi\u00e3o. Eles promoveram o trabalho \u00e1rduo de manejo e a conserva\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel de araras azuis na natureza a m\u00e9dio e longo prazo. Por consequ\u00eancia, permitiram tamb\u00e9m a conserva\u00e7\u00e3o do Pantanal como um todo.<\/p>\n<p>O Projeto Arara Azul \u00e9 realizado em cinco regi\u00f5es do Pantanal Sul-Matogrossense: Nhecol\u00e2ndia, Abobral, Rio Negro, Miranda e Aquidauana, atrav\u00e9s de atividades como cadastramento de ninhos naturais, instala\u00e7\u00e3o de 260 ninhos artificiais, monitoramento e manejo de ninhos, ovos e filhotes\u201d. Na d\u00e9cada de 1980, a estimativa era de 1500 animais, hoje passam de cinco mil. Para a biol\u00f3gia, conscientizar a comunidade foi tarefa importante para que as pessoas soubessem que poderia haver outra forma de renda.<\/p>\n<p>Causas: desmatamento e tr\u00e1fico de animais<\/p>\n<p>Todos os especialistas consultados para a cria\u00e7\u00e3o da lista multim\u00eddia foram taxativos em afirmar que o desmatamento \u00e9 um dos principais respons\u00e1veis pela extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Entre os impactos da destrui\u00e7\u00e3o das florestas, est\u00e1 a mudan\u00e7a de habitat e dificuldades de alimenta\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Outro motivo que preocupa \u00e9 a o tr\u00e1fico ilegal de animais silvestres. O ambientalista Dener Giovanini, que coordena organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental para combate da venda ilegal, lembra que o tr\u00e1fico \u00e9 respons\u00e1vel ainda hoje por amea\u00e7ar in\u00fameras esp\u00e9cies contando com a inefici\u00eancia de fiscaliza\u00e7\u00f5es e falta de puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da arara-azul \u00e9 uma das poucas vit\u00f3rias a serem celebradas, j\u00e1 que outras batalhas ainda ainda est\u00e3o longe de um final feliz, como s\u00e3o do sauim-de-coleira (na Amaz\u00f4nia), do mutum-do-nordeste (da Mata Atl\u00e2ntica), da ararinha-azul (da Caatinga) ou do cardeal-amarelo (Pampa). Atualmente, essas esp\u00e9cies s\u00e3o consideradas praticamente extintas, mas possuem programas de cativeiro e podem ser reintroduzidas na natureza nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>Por outro lado, 395 novas esp\u00e9cies entraram na lista de amea\u00e7a. Isso se deve tamb\u00e9m porque a amostragem da pesquisa cresceu 830%. O desafio de sensibiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simples.\u00a0 Um espelho disso, segundo a professora Debora Salvino, da Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia, uma das principais autoridades brasileiras no estudo de anf\u00edbios, \u00e9 que se torna cada vez mais dif\u00edcil comover a sociedade mesmo para esp\u00e9cies carism\u00e1ticas. \u201cEnt\u00e3o, imagine o que \u00e9 convencer as pessoas da import\u00e2ncia de sapos e cobras. E eles s\u00e3o muito importantes para gente, inclusive para a pesquisa de medicamentos e equil\u00edbrio do meio. Diminuem os sapos, aumentam os insetos\u201d, exemplifica.<\/p>\n<p>J\u00e1 o professor da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Luis F\u00e1bio Silveira, um dos maiores estudiosos de aves do pa\u00eds, lembra que a conserva\u00e7\u00e3o da natureza n\u00e3o \u00e9 responsabilidade apenas dos pesquisadores. \u201cN\u00f3s todos moramos aqui. Devemos levar esse assunto nas escolas para as crian\u00e7as e deve fazer parte da vida dos adultos\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>O professor Clodoaldo Assis, que descobriu recentemente uma nova esp\u00e9cie de perereca dentro de um bambu no interior de Minas Gerais, defende que todos os animais, por menores que sejam, merecem especial aten\u00e7\u00e3o. \u201cCom a classifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, pode haver plano para conserva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de tudo o que pode beneficiar o ser humano, devemos lembrar que n\u00f3s n\u00e3o temos direito algum de acabar com outro animal\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo sem direitos, o bicho (\u201cmeu Deus, era um homem\u201d), descrito na pobreza pela poesia de Manuel Bandeira) \u00e9 capaz tamb\u00e9m de destruir, desmatar\u2026 Por outro lado, como se pode verificar nas ilustra\u00e7\u00f5es trazidas neste material, \u00e9 forte o suficiente para reerguer ou se preocupar ou agir ou repensar, e n\u00e3o s\u00f3 no dia mundial do meio ambiente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada interrompe o bicho mais forte. 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