{"id":22509,"date":"2015-06-08T17:00:42","date_gmt":"2015-06-08T17:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22509"},"modified":"2015-06-08T12:03:52","modified_gmt":"2015-06-08T12:03:52","slug":"animais-extintos-fazem-falta-na-dispersao-de-sementes-no-pantanal-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/animais-extintos-fazem-falta-na-dispersao-de-sementes-no-pantanal-brasileiro\/","title":{"rendered":"Animais extintos fazem falta na dispers\u00e3o de sementes no Pantanal brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22510\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes e cavalos selvagens povoavam a paisagem na Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 cerca de 10 mil anos atr\u00e1s. A extin\u00e7\u00e3o desses mam\u00edferos que podiam pesar toneladas, conhecidos como a megafauna do Pleistoceno, pode ter provocado impactos consider\u00e1veis na vegeta\u00e7\u00e3o do Pantanal brasileiro, de acordo com artigo publicado em agosto de 2014 na revista Oecologia. A flora que dependia deles como dispersores de sementes, embora n\u00e3o tenha sumido (h\u00e1 outros dispersores, como o homem), pode ter se tornado menos abundante que no passado, ocupando \u00e1reas mais restritas. &#8220;Nossa proposta foi abrir espa\u00e7o para uma abordagem ecol\u00f3gica, capaz de observar rela\u00e7\u00f5es espec\u00edficas estabelecidas entre os bichos e as plantas, para entender o que aconteceu quando os gigantes sa\u00edram de cena&#8221;, explica Mathias Pires, do Departamento de Ecologia do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade de S\u00e3o Paulo (IB-USP).<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o foi o trabalho da brasileira Camila Donatti, feito durante o doutorado na universidade norte-americana Stanford, em parceria com o grupo do ec\u00f3logo Mauro Galetti, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro, e publicado em 2011 na revista Ecology Letters.<\/p>\n<p>Ela considerou animais do Pantanal \u2013 de peixes a mam\u00edferos \u2013 e caracterizou a dispers\u00e3o de sementes realizada por eles. &#8220;A abordagem de Camila permite simplificar as intera\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies em um dado local. Usando essa abordagem, onde representamos esp\u00e9cies por pontos e suas intera\u00e7\u00f5es por linhas, \u00e9 poss\u00edvel extrair informa\u00e7\u00f5es sobre como os organismos est\u00e3o interligados&#8221;, explica Pires. &#8220;Ou seja, sabe-se que um animal A consome os frutos e dispersa as sementes das plantas 1, 2 e 3, mas a esp\u00e9cie B s\u00f3 consegue dispersar a planta 1, e ainda um C espalha apenas 2 e 3.&#8221;<\/p>\n<p>No doutorado, orientado por Paulo Guimar\u00e3es, Pires encarou o desafio de investigar como essa mesma rede de intera\u00e7\u00f5es seria no passado. Baseado em informa\u00e7\u00f5es dos f\u00f3sseis que ocorriam na regi\u00e3o, inseriu junto aos animais atuais do Pantanal cinco esp\u00e9cies da megafauna que habitaram o bioma em tempos remotos. Entre essas esp\u00e9cies estavam pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes e um parente das lhamas atuais. O pesquisador lembra que esses bich\u00f5es s\u00e3o descritos na literatura cient\u00edfica como bons dispersores de plantas, gra\u00e7as a pelo menos dois aspectos singulares: por serem muito grandes e inclu\u00edrem frutos diversos na dieta, eles acabam ingerindo sementes grandes que animais menores n\u00e3o conseguem dispersar. Al\u00e9m disso, eles conseguiriam percorrer longas dist\u00e2ncias e, como digeriam devagar, acabavam fazendo com que a germina\u00e7\u00e3o acontecesse em locais distantes da planta-m\u00e3e.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s plantas, Pires relacionou 10 esp\u00e9cies, sobretudo aquelas cujas sementes at\u00e9 hoje s\u00e3o espalhadas por mam\u00edferos, como pequis, jatob\u00e1s e algumas palmeiras. Com as devidas substitui\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es, ele recorreu ent\u00e3o \u00e0s simula\u00e7\u00f5es, modelos matem\u00e1ticos, computadores e estat\u00edsticas. &#8220;A ideia era observar a rede atual e apurar como poderia ter sido no passado.&#8221;<\/p>\n<p>Ontem e hoje<br \/>\nPires destaca outra conclus\u00e3o do estudo: nas redes que reconstruiu, os pap\u00e9is desempenhados por animais da megafauna na dispers\u00e3o de sementes eram bem definidos e marcados, ou seja, os grandes bichos espalhavam as sementes maiores e os animais menores, as pequenas sementes. Hoje, em sintonia com o que sugere o estudo liderado por Camila, essa divis\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o existe. &#8220;Sem os mastodontes e as pregui\u00e7as-gigantes, os frutos maiores perderam seus dispersores principais. Antas, quatis e bugios, por exemplo, teriam um papel secund\u00e1rio na dissemina\u00e7\u00e3o de sementes do Pleistoceno, mas hoje s\u00e3o agentes fundamentais para que as sementes grandes sejam espalhadas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O retorno ao passado indica que a aus\u00eancia da megafauna pode ter provocado impactos consider\u00e1veis na vegeta\u00e7\u00e3o do Pantanal, como j\u00e1 mostrou um trabalho coordenado por Galetti. O artigo, publicado na Science em 2013, sugere que em regi\u00f5es da Mata Atl\u00e2ntica, onde aves de maior porte foram extintas h\u00e1 mais de 50 anos, popula\u00e7\u00f5es de palmeiras produzem somente frutos pequenos; em contrapartida, em regi\u00f5es mais preservadas e com aves maiores, os frutos continuam com tamanhos variados. &#8220;O mesmo pode ter ocorrido ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o dos grandes mam\u00edferos do passado. Al\u00e9m disso, plantas que perdem seus dispersores acabam confinadas a regi\u00f5es menores e a perda de dispersores dificulta o fluxo g\u00eanico entre popula\u00e7\u00f5es. No longo prazo, isso pode reduzir a diversidade gen\u00e9tica das popula\u00e7\u00f5es e diminuir sua resist\u00eancia a pragas, por exemplo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Para ele, essa constata\u00e7\u00e3o sugere que \u00e9 preciso avaliar, com responsabilidade, a introdu\u00e7\u00e3o no Pantanal de outros mam\u00edferos que fa\u00e7am as vezes de dispersores, como cavalos e porcos. &#8220;Talvez algumas dessas esp\u00e9cies possam at\u00e9 mesmo ajudar a reparar as perdas&#8221;, analisa. Pires faz mais um alerta: seu trabalho permite refletir tamb\u00e9m sobre a atual crise de biodiversidade. Segundo ele, \u00e9 preciso entender as intera\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas para buscar amenizar as consequ\u00eancias da eventual perda de esp\u00e9cies de grande porte.<\/p>\n<p>Disposto a acrescentar outras informa\u00e7\u00f5es a esse cen\u00e1rio, o bi\u00f3logo pretende agora estudar comparativamente outros biomas, para observar os efeitos da extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies em cada um deles. &#8220;Ser\u00e1 que a aus\u00eancia da anta na Mata Atl\u00e2ntica tem os mesmos efeitos que a falta desse animal no Cerrado?&#8221;, questiona. Ele deseja ainda comparar, do ponto de vista quantitativo, a efici\u00eancia de algumas esp\u00e9cies de animais na tarefa de dispers\u00e3o de sementes, olhando novamente para o passado. &#8220;Desenvolvemos modelos matem\u00e1ticos para observar qu\u00e3o importante deveria ser uma pregui\u00e7a-gigante nesse trabalho de levar sementes a grandes dist\u00e2ncias, quando comparada com a anta ou um porco-do-mato de hoje, por exemplo&#8221;, finaliza o pesquisador.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes e cavalos selvagens povoavam a paisagem na Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 cerca de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22510,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/animal_extinto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Pregui\u00e7as-gigantes, mastodontes e cavalos selvagens povoavam a paisagem na Am\u00e9rica do Sul at\u00e9 cerca de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22509"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}