{"id":22460,"date":"2015-06-07T13:21:47","date_gmt":"2015-06-07T13:21:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22460"},"modified":"2015-06-07T13:21:47","modified_gmt":"2015-06-07T13:21:47","slug":"maracatu-rural-envolve-milhares-de-pessoas-nos-campos-de-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maracatu-rural-envolve-milhares-de-pessoas-nos-campos-de-pernambuco\/","title":{"rendered":"Maracatu rural envolve milhares de pessoas nos campos de Pernambuco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22461\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O maracatu rural foi criado h\u00e1 mais de cem anos por agricultores e cortadores de cana de Pernambuco. A manifesta\u00e7\u00e3o cultural envolve milhares de pessoas. O Globo Rural mostrou essa joia da cultura brasileira.<\/p>\n<p>A Zona da Mata de Pernambuco, antes coberta por florestas, hoje \u00e9 dominada por um mar de cana. Na chamada Mata Norte ficam munic\u00edpios como Carpina, Alian\u00e7a, Goiana e Nazar\u00e9 da Mata. Relativamente pequena, a \u00e1rea abriga quase todos os conjuntos de maracatu rural de Pernambuco e do Brasil. S\u00e3o 130 grupos ativos, que somam mais de 13 mil integrantes.<\/p>\n<p>Nazar\u00e9 da Mata \u00e9 conhecida como a capital do maracatu porque \u00e9 o munic\u00edpio que concentra o maior n\u00famero de grupos. Ao todo, s\u00e3o 22 conjuntos, ou 22 maracatus, como dizem. Andando pela cidade, a cada rua \u00e9 poss\u00edvel identificar uma sede.<\/p>\n<p>Le\u00e3o Africano, Estrela da Tarde, \u00c1guia Dourada&#8230; Mas por que esses grupos surgiram nesse peda\u00e7o do Brasil? Especialista no assunto, o historiador Severino Vicente, da Universidade Federal de Pernambuco, explica que o maracatu rural surgiu na regi\u00e3o no final do s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEssa regi\u00e3o da Zona da Mata tinha cana, mas n\u00e3o tinha s\u00f3 cana. Os engenhos para se movimentarem precisavam de m\u00e3o de obra. Ent\u00e3o, normalmente o senhor de engenho dava ao trabalhador um pequeno s\u00edtio. Ele produzia, criava suas galinhas. E esses sitiantes e esses homens livres que trabalham na cana que d\u00e3o origem ao maracatu\u201d, explica o historiador.<\/p>\n<p>Z\u00e9 de Carlos j\u00e1 trabalhou muito na agricultura e hoje \u00e9 o presidente do maracatu rural mais antigo, que permanece em atividade: o Cambinda Brasileira. O grupo foi fundado em 1918. Ele explica que nas primeiras d\u00e9cadas de vida, o Cambinda era um grupo simpl\u00f3rio, pequeno. Mas, com o passar do tempo, a brincadeira foi despertando a paix\u00e3o dos seus integrantes, que faziam de tudo para comprar instrumentos e fantasias. \u201cO pessoal gastava, pagava, criava para investir no maracatu.\u201d<\/p>\n<p>Com essa dedica\u00e7\u00e3o, aos poucos, os grupos da regi\u00e3o foram deixando o improviso de lado e alguns tipos de fantasia se tornaram mais populares. Surgiam assim os personagens t\u00edpicos do maracatu rural. \u00c9 o que se pode ver no centro de Nazar\u00e9 da Mata. No passado, um matadouro de gado. Hoje, o Museu do Maracatu.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre penso o maracatu como uma grande hist\u00f3ria do Brasil. Ent\u00e3o cada personagens desses est\u00e1 na hist\u00f3ria do Brasil e na mem\u00f3ria do povo. O arreiam\u00e1, que \u00e9 o \u00edndio do maracatu, ele lembra o \u00edndio primeiro. Ele tem as penas dos p\u00e1ssaros pra mostra a sua liga\u00e7\u00e3o com a natureza\u201d, fala o historiador.<\/p>\n<p>O maracatu rural tamb\u00e9m conta com rei, rainha e princesas: uma corte, que retrata a influ\u00eancia europeia. J\u00e1 a dama de passo, que caminha na frente, leva uma boneca negra: a calunga, uma protetora, ligada ao candombl\u00e9, uma religi\u00e3o de origem africana.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a evolu\u00e7\u00e3o dos foli\u00f5es seria herdeira do movimento de uma prociss\u00e3o cat\u00f3lica. \u201cO Brasil n\u00e3o \u00e9 uma coisa justaposta, de um lado a \u00c1frica, de outro lado a Am\u00e9rica, de outro a Europa. \u00c9 essa mistura\u201d, completa Severino Vicente.<\/p>\n<p>De todos os personagens do maracatu rural, o mais conhecido e o mais imponente \u00e9 o caboclo de lan\u00e7a. \u201c\u00c9 o guerreiro protetor do seu povo que est\u00e1 saindo num desfile ou numa guerra. Isso \u00e9 a lembran\u00e7a do \u00edndio guerreiro que lutou para n\u00e3o perder a sua terra. Esses \u00edndios viraram caboclos. E carrega uma lan\u00e7a para dizer que est\u00e1 disposto a defender a sua hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>A maior parte dos integrantes dos maracatus rurais ainda vive ou trabalha na ro\u00e7a. \u00c9 o caso dos irm\u00e3os Jo\u00e3o e Jos\u00e9 da Silva. Eles fazem di\u00e1ria como cortadores de cana em usinas da regi\u00e3o e mant\u00e9m este pequeno canavial, no s\u00edtio da fam\u00edlia. Jo\u00e3o toca no Cambinda Brasileira e Jos\u00e9 \u00e9 caboclo de lan\u00e7a do grupo. O amor pelo maracatu foi transmitido pelo pai. Jos\u00e9 conta que costuma ensaiar alguns passos no meio da cana. Segundo ele, pra n\u00e3o enferrujar.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o do cortador de cana em caboclo de lan\u00e7a depende das m\u00e3os e do talento de pessoas como a costureira L\u00facia da Silva, a Lucinha do maracatu. Al\u00e9m de Lucinha, v\u00e1rias outras pessoas trabalham na oficina do Cambinda Brasileira. Muitos s\u00e3o volunt\u00e1rios.<\/p>\n<p>Muitos dos grupos da regi\u00e3o tamb\u00e9m contam com verbas de projetos p\u00fablicos de financiamento de cultura.<\/p>\n<p>A semana do carnaval \u00e9 a mais importante do ano pra todo maracatu. Os grupos participam de uma grande celebra\u00e7\u00e3o em Nazar\u00e9 da Mata e depois seguem pra um desfile, que ocorre nas ruas do Recife. O modelo \u00e9 de um campeonato, com notas e jurados, como ocorre entre as escolas de samba do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O maracatu rural tamb\u00e9m \u00e9 chamado de maracatu de baque solto. O nome marca a diferen\u00e7a pra outro estilo de maracatu, t\u00edpico de Recife e Olinda: o maracatu na\u00e7\u00e3o, ou de baque virado \u2013 que \u00e9 mais antigo. As fantasias s\u00e3o diferentes e n\u00e3o existe o caboclo de lan\u00e7a. A m\u00fasica \u00e9 mais lenta, tem mais balan\u00e7o e os tambores s\u00e3o outros.<\/p>\n<p>Outro personagem t\u00edpico do maracatu rural \u00e9 a catita, que \u00e9 sempre interpretada por um homem fantasiado de mulher.<\/p>\n<p>Ao longo do ano, os maracatus do campo tamb\u00e9m fazem apresenta\u00e7\u00f5es em festivais de cultura. E, de tempos em tempos, os grupos se re\u00fanem pra ensaiar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O maracatu rural foi criado h\u00e1 mais de cem anos por agricultores e cortadores de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":22461,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/maracatu.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O maracatu rural foi criado h\u00e1 mais de cem anos por agricultores e cortadores de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22460"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=22460"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/22460\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/22461"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=22460"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=22460"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=22460"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}