{"id":22381,"date":"2015-06-06T00:28:42","date_gmt":"2015-06-06T00:28:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22381"},"modified":"2015-06-06T00:32:11","modified_gmt":"2015-06-06T00:32:11","slug":"acabou-o-conforto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/acabou-o-conforto\/","title":{"rendered":"\u201cAcabou o conforto\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/aguarepresa.jpg\" alt=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/aguarepresa.jpg\" width=\"638\" height=\"359\" \/>Uma represa que estava submersa volta \u00e0 paisagem e vira plataforma para nossa mensagem. Foto: \u00a9Z\u00e9 Gabriel\/Greenpeace<\/p>\n<p>Apresentamos aqui o capitulo final da expedi\u00e7\u00e3o Sem Floresta N\u00e3o Tem \u00c1gua. Para acompanhar o v\u00eddeo, publicamos uma entrevista exclusiva com Ant\u00f4nio Donato Nobre, um dos principais pesquisadores do Brasil sobre os servi\u00e7os ambientais prestados pela Amaz\u00f4nia, como a regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e a produ\u00e7\u00e3o de chuvas<\/p>\n<p>Por Bernardo C\u00e2mara, do Greenpeace Brasil \u2013<\/p>\n<p>O planeta Terra est\u00e1 seriamente embriagado. Mas em vez de cacha\u00e7a, o porre \u00e9 de desmatamento, fogo, polui\u00e7\u00e3o. Se as florestas fazem o papel de f\u00edgado, filtrando os gases que jogamos vorazmente na atmosfera, temos m\u00e1s not\u00edcias: este \u00f3rg\u00e3o vital est\u00e1 perto da cirrose. Um alco\u00f3latra ainda tem jeito, pode fazer um transplante de f\u00edgado. \u201cN\u00f3s n\u00e3o temos como transplantar a Terra\u201d, alerta o pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Ant\u00f4nio Nobre.<\/p>\n<p>Nobre viveu mais de 20 anos na Amaz\u00f4nia e \u00e9 uma das principais vozes sobre o papel daquela floresta nas chuvas que irrigam boa parte da Am\u00e9rica do Sul. Com linguagem simples e cheia de analogias, o cientista diz que o ser humano est\u00e1 perturbando o sistema terrestre de uma maneira equivalente ao impacto de meteoros: \u201cEstamos arrebentando o planeta inteiro\u201d. E avisa: zerar o desmatamento j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 preciso replantar as \u00e1reas devastadas. Isso se quisermos continuar existindo economicamente. Ou melhor, se quisermos continuar existindo, ponto.<\/p>\n<p>Leia abaixo os melhores trechos da entrevista que nossa reportagem realizou com Nobre em seu escrit\u00f3rio em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), onde fica o INPE, e assista aqui o terceiro e derradeiro epis\u00f3dio da Expedi\u00e7\u00e3o Sem Floresta N\u00e3o Tem \u00c1gua, realizada h\u00e1 poucas semanas por alguns dos mais exauridos \u2013 e desmatados \u2013 mananciais da regi\u00e3o Sudeste.<\/p>\n<p>Saiba mais sobre a expedi\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.greenpeace.org\/brasil\/pt\/Noticias\/Mad-Max-e-aqui\/\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6q51e7M3JOg\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<p>Em linhas gerais, como as florestas favorecem a vida na Terra?<\/p>\n<p>V\u00eanus e Marte, nossos vizinhos, s\u00e3o ambientes extremamente in\u00f3spitos. N\u00e3o t\u00eam vida. Um mundo como a Terra \u00e9 uma improbabilidade estat\u00edstica. \u00c9 um mundo absurdamente confort\u00e1vel. A floresta faz o trabalho de regula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, do ciclo hidrol\u00f3gico, da qualidade do ar, do funcionamento da intera\u00e7\u00e3o do sol com a atmosfera, da concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera. Se voc\u00ea est\u00e1 numa regi\u00e3o desmatada, a superf\u00edcie \u00e9 super quente. Se voc\u00ea entra numa floresta, parece que entrou numa sala com ar condicionado. N\u00e3o \u00e9 por acaso.<\/p>\n<p>Tem regi\u00f5es onde esse conforto j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais sentido.<\/p>\n<p>Hoje o ser humano est\u00e1 perturbando o sistema planet\u00e1rio de uma maneira equivalente a for\u00e7as geol\u00f3gicas do passado, como o impacto de um meteoro, de vulcanismos. O principal que n\u00f3s temos feito \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas. Os ecossistemas s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os que nem o f\u00edgado, o cora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma assembleia de organismos em cada ecossistema, que funcionam como \u00f3rg\u00e3os do sistema planet\u00e1rio. A ci\u00eancia est\u00e1 descobrindo inexoravelmente que as florestas s\u00e3o fundamentais na regula\u00e7\u00e3o fina do clima na Terra. E tamb\u00e9m numa coisa chamada resili\u00eancia.<\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m compra um carro, ele j\u00e1 sai da concession\u00e1ria com seguro. A chance de sofrer um sinistro \u00e9 muito baixa. Mas as pessoas n\u00e3o aceitam o risco: compram paz de esp\u00edrito. Em rela\u00e7\u00e3o ao sistema terrestre, quem nos d\u00e1 o seguro s\u00e3o os organismos nos ecossistemas naturais.<\/p>\n<p>Quando se fala em prote\u00e7\u00e3o da floresta, est\u00e1 se falando de prote\u00e7\u00e3o da \u00e1gua?<\/p>\n<p>Totalmente. 100%.<\/p>\n<p>Mas na crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo pouco se fala de floresta.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a faltar \u00e1gua aqui e as pessoas disseram: \u201cBota uma usina de dessaliniza\u00e7\u00e3o\u201d. Isso interessa a empreiteiras, n\u00e3o \u00e0 sociedade. Continuamente, em todos os oceanos da Terra, trilh\u00f5es de quil\u00f4metros c\u00fabicos de \u00e1gua doce s\u00e3o produzidos de gra\u00e7a pelo sol. Mas essa umidade da evapora\u00e7\u00e3o fica sobre o oceano. Para ela se deslocar para o continente, precisa ter algo puxando. S\u00f3 tem uma coisa capaz de fazer isso: chama-se \u00e1rvore. As \u00e1rvores produzem uma evapora\u00e7\u00e3o no continente, que produz condensa\u00e7\u00e3o. Abaixa a press\u00e3o e puxa a umidade do oceano para dentro do continente. Isso \u00e9 chamado de bomba bi\u00f3tica de umidade.<\/p>\n<p>\u00c9 assim que a Amaz\u00f4nia atua no regime de chuvas no Brasil?<\/p>\n<p>No Brasil e na Am\u00e9rica do Sul. O sol \u00e9 gratuito. As \u00e1rvores s\u00e3o gratuitas. Juntos, eles produzem um ciclo hidrol\u00f3gico que viabiliza a exist\u00eancia humana. E a economia. O quadril\u00e1tero que vai de Cuiab\u00e1 a Buenos Aires e de S\u00e3o Paulo aos Andes produz 70% do PIB da Am\u00e9rica do Sul. Toda a economia depende da \u00e1gua doce. Hoje est\u00e3o plantando floresta inclusive nos desertos. E a gente j\u00e1 tem um sistema funcionando aqui. N\u00e3o precisa fazer usina de dessaliniza\u00e7\u00e3o, nem transposi\u00e7\u00e3o de rio da Amaz\u00f4nia at\u00e9 S\u00e3o Paulo, como algu\u00e9m sugeriu. Essa transposi\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 feita gratuitamente, via atmosfera.<\/p>\n<p>Mas para funcionar, esse sistema depende de um equil\u00edbrio natural, que parece estar abalado.<\/p>\n<p>Eventos extremos j\u00e1 ocorreram muitas vezes na hist\u00f3ria do planeta. Mas quando h\u00e1 sistemas biol\u00f3gicos em pleno funcionamento, o impacto \u00e9 extremamente atenuado. Por exemplo, a Amaz\u00f4nia sofreu uma paulada [com a seca] em 2005 e em 2010. E ela est\u00e1 l\u00e1, se recuperando. S\u00f3 que esse sistema tem capacidade de ir at\u00e9 um determinado ponto. Depois desse ponto, ele n\u00e3o aguenta. Na medicina chamam de fal\u00eancia m\u00faltipla de \u00f3rg\u00e3os: um fator desencadeia outro, que desencadeia outro e o sistema entra em colapso.<\/p>\n<p>A gente est\u00e1 a que dist\u00e2ncia desse colapso?<\/p>\n<p>A gente j\u00e1 passou do ponto de n\u00e3o-retorno. H\u00e1 25 anos a ci\u00eancia vem falando que a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa e a destrui\u00e7\u00e3o das florestas iam produzir redu\u00e7\u00e3o de chuvas, aumentar a dura\u00e7\u00e3o da seca. E isso est\u00e1 sendo constatado. Se voc\u00ea assiste o notici\u00e1rio, voc\u00ea vai ver o que a ci\u00eancia vinha falando. E a ci\u00eancia foi ignorada. O ser humano foi formado numa cultura que n\u00e3o reage se n\u00e3o tiver um desastre. Em 2009 me perguntaram quanto tempo n\u00f3s t\u00ednhamos. Eu falei: \u201cDe cinco a seis anos\u201d. Quando me perguntam agora, digo: \u201cNenhum. Acabou o tempo\u201d.<\/p>\n<p>O que fazer, ent\u00e3o?<\/p>\n<p>Nunca tivemos uma situa\u00e7\u00e3o da gravidade do momento atual. Ela requer um esfor\u00e7o de guerra da humanidade. A maior parte dos meus colegas da ci\u00eancia do clima n\u00e3o acredita mais que tem volta. O clima da Terra \u00e9 um gigantesco transatl\u00e2ntico se deslocando. Quando o capit\u00e3o decide mudar de curso, tem que pensar com anteced\u00eancia, porque tem toda a in\u00e9rcia daquela massa. Demora quil\u00f4metros para ele conseguir mudar o curso do neg\u00f3cio. Se tem um iceberg ali na frente, n\u00e3o d\u00e1 tempo: vai chocar com o iceberg.<\/p>\n<p>No Brasil o que seria esse esfor\u00e7o de guerra?<\/p>\n<p>Seria o desmatamento zero para anteontem. \u00c9 inconceb\u00edvel que voc\u00ea d\u00ea mais tempo para zerar o desmatamento. Segundo ponto: tem que acabar com fogo, fuma\u00e7a e fuligem. Isso destr\u00f3i o mecanismo de chuvas da atmosfera. Durante a esta\u00e7\u00e3o \u00famida, a fuma\u00e7a e a fuligem produzem nuvens destrutivas: t\u00eam gelo dentro, t\u00eam rel\u00e2mpago, t\u00eam tornados. Na \u00e9poca seca, elas produzem nuvens que n\u00e3o chovem. Com a fuma\u00e7a e a fuligem arrebentando o sistema de chuvas, seca total. A\u00ed o fogo entra na floresta e detona.<\/p>\n<p>Acabar com o desmatamento n\u00e3o \u00e9 radical?<\/p>\n<p>Imagina uma pessoa em estado terminal na UTI. Faltam dois dias para morrer e ela quer fumar. N\u00e3o d\u00e1 para negociar: a junta m\u00e9dica pro\u00edbe. Se voc\u00ea tem alguma chance de sair da UTI, voc\u00ea n\u00e3o pode pensar em chegar perto do cigarro. Por isso acabar com o desmatamento e com o fogo, porque destroem o que ainda funciona. E tem uma terceira coisa: s\u00f3 isso n\u00e3o \u00e9 mais suficiente. Precisa replantar o que foi destru\u00eddo.<\/p>\n<p>A gente tem algo a nosso favor?<\/p>\n<p>A natureza tem um mecanismo sofisticado de cicatriza\u00e7\u00e3o, igual ao da pele. As sementes s\u00e3o pequenos pacotinhos de tecnologia da vida, com milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o. Para construir uma usina de dessaliniza\u00e7\u00e3o, voc\u00ea precisa fazer cada m\u00e1quina, cada pe\u00e7a, cada motor. Na natureza, voc\u00ea joga uma sementinha no solo e sai uma estrutura fant\u00e1stica que tem efeito sobre a dessaliniza\u00e7\u00e3o dos oceanos, sobre a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce no continente etc..<\/p>\n<p>Qual o papel das florestas nas margens dos rios?<\/p>\n<p>Os organismos no ecossistema s\u00e3o t\u00e3o evolu\u00eddos que, ao cuidar de seu interesse de sobreviv\u00eancia, geram benef\u00edcios locais, regionais e globais. No n\u00edvel global, \u00e9 como um ar condicionado: a fotoss\u00edntese tira o g\u00e1s carb\u00f4nico da atmosfera e libera o oxig\u00eanio. Quando todas as plantas fazem isso, abaixa a concentra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s, diminui o efeito estufa e esfria o planeta. A respira\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o processo reverso, pega o oxig\u00eanio e libera o g\u00e1s carb\u00f4nico: come\u00e7a a acumular g\u00e1s na atmosfera e esquenta o planeta. Um termostato do ar condicionado funciona de forma oscilante tamb\u00e9m. Se a sala esquenta, o ar esfria. Chega at\u00e9 um ponto e desliga. A\u00ed esquenta de novo e assim vai. \u00c9 assim que as florestas regulam o clima da Terra.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o efeito global.<\/p>\n<p>Sim. A\u00ed tem o efeito regional. Com a floresta amaz\u00f4nica, a gente tem regularizado o ciclo hidrol\u00f3gico, tem regularidade no ciclo das chuvas, tem redu\u00e7\u00e3o dos impactos de eventos extremos na atmosfera \u2013 como a viol\u00eancia dos ventos \u2013 etc.. A gente tamb\u00e9m tinha esses servi\u00e7os da Mata Atl\u00e2ntica, at\u00e9 ela ser destru\u00edda. Os rios voadores [correntes de ar que carregam a umidade gerada na floresta, fazendo chover em outras regi\u00f5es do continente] s\u00e3o um exemplo forte dos efeitos regionais.<\/p>\n<p>E os efeitos locais?<\/p>\n<p>As \u00e1rvores atuam na regulariza\u00e7\u00e3o do ciclo hidrol\u00f3gico em termos de bacia hidrogr\u00e1fica de primeira ordem \u2013 que s\u00e3o aqueles arroios dos igarap\u00e9s, os riachinhos onde saem as fontes de \u00e1gua, os mananciais. No ch\u00e3o da floresta, tem uma camada onde ficam os detritos, as folhas que caem, o coc\u00f4 do macaco. Se estiver chovendo, voc\u00ea fizer um furo no meio do coc\u00f4, botar um tubo e furar 10 cent\u00edmetros no solo, a \u00e1gua passa pelo coc\u00f4, pelas folhas e, se for analisar, \u00e9 \u00e1gua pur\u00edssima. Pode beber. Um punhado de folhas no ch\u00e3o da floresta tem mais organismos do que a popula\u00e7\u00e3o da China. A \u00e1gua passa pelo coc\u00f4, que tem coliformes fecais, e entra num complexo sistema de tratamento. \u00c9 essa \u00e1gua que vai para os rios. O efeito local de uma vegeta\u00e7\u00e3o na cabeceira de um rio \u00e9 muito valiosa. E estou falando s\u00f3 de um aspecto. Tratar \u00e1gua vindo de uma bacia desmatada custa at\u00e9 100 vezes mais do que tratar \u00e1gua saindo de uma floresta \u00edntegra.<\/p>\n<p>Mas grande parte das margens desses rios j\u00e1 tem ocupa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Em Nova York est\u00e3o pagando para quem est\u00e1 nas \u00e1reas de cabeceira para manter a floresta. Na cidade de Extrema, em Minas Gerais, tamb\u00e9m. Estamos pagando por servi\u00e7os ambientais da floresta. \u00c9 um investimento, n\u00e3o \u00e9 custo. Imagina a Billings, em S\u00e3o Paulo, uma represa que quase n\u00e3o d\u00e1 para usar para consumo humano, de t\u00e3o caro que \u00e9 limpar o coc\u00f4 que tem l\u00e1. Se tivesse isso fornecido pela floresta, teria outra qualidade de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Mas para ter \u00e1gua de qualidade, precisa ter \u00e1gua. E em S\u00e3o Paulo est\u00e1 faltando. Claro, com esse desmatamento. Se voc\u00ea tira a floresta, acaba a chuva. Essa sabedoria ancestral \u00e9 cientificamente v\u00e1lida. Foi demonstrada, publicada, passou por testes. As previs\u00f5es feitas com base nesse conhecimento da ci\u00eancia sobre o papel das florestas nos n\u00edveis global, regional e local est\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<p>Estes estudos s\u00e3o recentes?<\/p>\n<p>Desde os anos 1990 se fez previs\u00f5es de que o desmatamento ia diminuir chuvas, aumentar a esta\u00e7\u00e3o seca.<\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica de S\u00e3o Paulo pode se tornar comum?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o temor. Uma vez que voc\u00ea precisa de um recurso que chega de uma regi\u00e3o que depende da cobertura vegetal que tem l\u00e1 e voc\u00ea est\u00e1 destruindo essa cobertura vegetal, o que se pode esperar? Est\u00e3o exigindo dos cientistas 100% de certeza do que vai acontecer. Assiste o notici\u00e1rio: j\u00e1 est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p>E muita gente continua ignorando\u2026<\/p>\n<p>Nosso comportamento atual \u00e9 como o de um alco\u00f3latra: a cada porre que a pessoa toma, o f\u00edgado se regenera, mas fica uma cicatriz. Quando o \u00f3rg\u00e3o est\u00e1 tomado por cicatrizes, a\u00ed \u00e9 cruz de madeira no cemit\u00e9rio. Ou transplante de f\u00edgado. Estamos fazendo exatamente isso com o sistema clim\u00e1tico. E n\u00e3o temos como transplantar a Terra. O CO2 n\u00e3o acumulava tanto na atmosfera porque o oceano estava tirando, as florestas estavam tirando. A\u00ed a gente mete a motosserra, aniquila os \u00f3rg\u00e3os de regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica e continua a colocar t\u00f3xicos nos ares, nos mares, nos rios, na terra.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia tem feito um discurso bastante enf\u00e1tico sobre esses riscos.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos um desafio que jamais enfrentamos. \u00c9 dif\u00edcil para o c\u00e9rebro captar isso. No entanto, \u00e9 a realidade. Se voc\u00ea n\u00e3o quer acreditar, voc\u00ea vai ver na not\u00edcia ou vai abrir sua porta e vai ter enchente, seca ou ventos, como aconteceu agora em Santa Catarina. Acabou o conforto. A gente est\u00e1 vivendo num ambiente extremo.<\/p>\n<p>A sociedade pode fazer algo?<\/p>\n<p>Ela tem que sair da posi\u00e7\u00e3o passiva. No dia em que a sociedade passar a ser ativa, essa fra\u00e7\u00e3o min\u00fascula de pessoas que desmatam vai ter que ser limitada. Ela e toda essa cultura da escravid\u00e3o, da pata de boi, de ocupar, de desmatar. Temos que nos unir em um esfor\u00e7o de guerra contra o desmatamento, que \u00e9 uma viol\u00eancia contra a sociedade.<\/p>\n<p>Voc\u00ea diz que a Amaz\u00f4nia tem sido o backup da Mata Atl\u00e2ntica. Como assim?<\/p>\n<p>A Europa acabou com as florestas que tinha. N\u00e3o teve os efeitos dessa destrui\u00e7\u00e3o num primeiro momento porque ainda tinha as florestas da Europa central e da R\u00fassia como backup. Quando a gente fala que a Amaz\u00f4nia protegeu o sudeste de extremos, a gente tem essa c\u00f3pia do que aconteceu l\u00e1. A Amaz\u00f4nia nos garante. Mas a gente j\u00e1 v\u00ea sinais de fal\u00eancia, pois ela est\u00e1 sendo destru\u00edda implacavelmente. Na Ilha de P\u00e1scoa, desmataram at\u00e9 a \u00faltima \u00e1rvore. A\u00ed n\u00e3o tinha mais madeira para fazer barco para pescar. A\u00ed acabou. Hoje n\u00e3o \u00e9 mais a Ilha de P\u00e1scoa. \u00c9 a ilha chamada Terra. Estamos arrebentando o planeta inteiro. E n\u00e3o tem barco para a gente sair daqui nem outro planeta para a gente ir.<\/p>\n<p>Fonte: Greenpeace Brasil\/ Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma represa que estava submersa volta \u00e0 paisagem e vira plataforma para nossa mensagem. Foto:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma represa que estava submersa volta \u00e0 paisagem e vira plataforma para nossa mensagem. 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