{"id":22039,"date":"2015-05-31T14:00:52","date_gmt":"2015-05-31T14:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=22039"},"modified":"2015-05-30T23:49:19","modified_gmt":"2015-05-30T23:49:19","slug":"nova-zelandia-foi-o-ultimo-lugar-do-mundo-a-ser-descoberto-pelo-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nova-zelandia-foi-o-ultimo-lugar-do-mundo-a-ser-descoberto-pelo-homem\/","title":{"rendered":"Nova Zel\u00e2ndia foi o \u00faltimo lugar do mundo a ser descoberto pelo homem"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/nova_zelandia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-22040\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/nova_zelandia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/nova_zelandia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/nova_zelandia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma natureza \u00fanica! O isolamento favoreceu o arquip\u00e9lago da Nova Zel\u00e2ndia. Longe de tudo, longe de todos, durante mil\u00eanios as ilhas estiveram protegidas.<\/p>\n<p>A Nova Zel\u00e2ndia \u00e9 conhecida no mundo inteiro pelo vento que n\u00e3o para nunca e tamb\u00e9m pela cria\u00e7\u00e3o de ovelhas &#8211; s\u00e3o mais de 30 milh\u00f5es, quase dez vezes a quantidade de habitantes do pa\u00eds. Em uma fazenda, como em muitas outras, elas vivem em um para\u00edso \u00e0 beira-mar. Durante muito tempo, a cria\u00e7\u00e3o de ovelhas foi a principal atividade econ\u00f4mica do pa\u00eds &#8211; heran\u00e7a dos primeiros colonizadores que vieram da Inglaterra, para onde a carne era exportada. A vida selvagem fr\u00e1gil sofreu com a ocupa\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Antes dos ingleses, os primeiros habitantes daquelas terras foram povos que migraram de ilhas da Polin\u00e9sia h\u00e1 mais de 800 anos para o arquip\u00e9lago da Nova Zel\u00e2ndia. Os Maoris, como hoje s\u00e3o conhecidos, foram atr\u00e1s terras para a agricultura. E as focas eram o principal alvo das ca\u00e7adas. Hoje a vida est\u00e1 renascendo na Nova Zel\u00e2ndia. Os animais eram ca\u00e7ados ao longo de s\u00e9culos e s\u00e9culos, at\u00e9 chegar ao ponto de n\u00e3o ter mais nenhuma foca l\u00e1. O ber\u00e7\u00e1rio estava vazio, at\u00e9 que a ca\u00e7a foi proibida e a natureza reagiu.<\/p>\n<p>O lugar conhecido como piscina sagrada n\u00e3o poderia ter nome melhor. L\u00e1 os beb\u00eas focas aprendem a pescar os primeiros peixinhos. Os povos nativos usavam a carne, a pele e os ossos destes animais para fazer roupas e utens\u00edlios. Desde 1946 a ca\u00e7a est\u00e1 proibida. Enquanto os filhotes brincam na piscina, as mam\u00e3es ficam ao redor tomando conta dos bichinhos.<\/p>\n<p><strong>Projeto ambiental protege animais vulner\u00e1veis da Nova Zel\u00e2ndia<\/strong><\/p>\n<p>Mas como ajudar animais ainda mais vulner\u00e1veis? \u00c9 o que a Nova Zel\u00e2ndia est\u00e1 tentando fazer. O pa\u00eds tem hoje um dos maiores \u00edndices de desenvolvimento humano do mundo. Na maior cidade, Auckland, 1,5 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n<p>A Nova Zel\u00e2ndia foi o \u00faltimo lugar do mundo a ser descoberto pelos seres humanos. Quando eles chegaram l\u00e1, n\u00e3o havia mam\u00edferos: macacos, on\u00e7as, nem ratos. Praticamente n\u00e3o havia predadores. Por outro lado, eram in\u00fameras as esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros: era o para\u00edso das aves. As aves reinavam. E muitas delas, na sua longa evolu\u00e7\u00e3o, deixaram de voar. Nem precisavam: n\u00e3o havia perigos!<\/p>\n<p>A poucos quil\u00f4metros de Auckland, a equipe do Globo Rep\u00f3rter conheceu um projeto ambiental ambicioso, que est\u00e1 recuperando um peda\u00e7o do pa\u00eds. O objetivo \u00e9 reconstituir o meio ambiente, como ele era antes da chegada dos seres humanos.<\/p>\n<p>Tiritiri Matangi. Uma ilha na entrada da ba\u00eda de Auckland. O anfitri\u00e3o, John Stewart, nos leva em um dos dois \u00fanicos ve\u00edculos da ilha. Ele coordena os trabalhos em Tiritiri. Ele conta que foram levadas para l\u00e1 12 esp\u00e9cies de animais amea\u00e7ados. E os nomes s\u00e3o pra l\u00e1 de engra\u00e7ados: um deles \u00e9 Pukeko, que hoje se espalhou pela ilha. Outro \u00e9 o Takahe. L\u00e1 s\u00f3 existem quatro casais. As aves t\u00eam transmissores que ajudam os pesquisadores a acompanhar cada passo que elas d\u00e3o.<\/p>\n<p>O pessoal l\u00e1 consegue monitorar cada um deles, saber onde eles est\u00e3o, onde est\u00e3o fazendo os ninhos, quando eles trocam de par para fazer o acasalamento, e tamb\u00e9m quando eles morrem, o que \u00e9 uma pena, por que s\u00f3 existem 270 animais destes em toda a natureza. T\u00e3o raros, botam ovos uma vez por ano, e apenas dois.<\/p>\n<p>H\u00e1 300 anos, nos barcos que levaram os europeus para l\u00e1, vieram ratos, a principal amea\u00e7a aos ovos e filhotes destas aves terrestres. Hoje, depois de tr\u00eas d\u00e9cadas de trabalho, a ilha de Tiritiri Matangi \u00e9 um lugar seguro para elas.<\/p>\n<p>Havia uma \u00e9poca em que a ilha era utilizada para a cria\u00e7\u00e3o de animais. Chegou um ponto em que praticamente j\u00e1 n\u00e3o havia mais vegeta\u00e7\u00e3o. A ilha tamb\u00e9m era usada para sinalizar para os navios que se aproximavam de Auckland. Em uma casa de apoio do faroleiro, um r\u00e1dio antigo, instrumentos de meteorologia, bandeiras de sinaliza\u00e7\u00e3o. No restante da ilha, no lugar dos campos desmatados, uma imensa floresta. John conta que foi um longo caminho at\u00e9 que a terra fosse novamente coberta pela vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cGado e ovelhas foram criados aqui pelos europeus durante cem anos. Toda a vida nativa desapareceu. Mas em 1970, o governo decidiu transformar a ilha em uma reserva natural. O arrendamento da terra expirou e o fazendeiro teve que sair, levando tudo\u201d, afirma John Stewart, presidente da associa\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios Tiritiri Matangi.<\/p>\n<p>Mas a recupera\u00e7\u00e3o teria ainda uma nova batalha. A elimina\u00e7\u00e3o dos ratos que impediam a reintrodu\u00e7\u00e3o das aves amea\u00e7adas.<\/p>\n<p>\u201cCom um helic\u00f3ptero foi jogado veneno em toda a ilha, e os ratos foram dizimados. Volunt\u00e1rios conseguiram permiss\u00e3o para criar um viveiro de plantas nativas. Em um per\u00edodo de dez anos, de 84 a 94 foram plantadas 280 mil \u00e1rvores\u201d, conta John.<\/p>\n<p>Uma volunt\u00e1ria daquela \u00e9poca ainda est\u00e1 por l\u00e1. Diana de 90 anos, anota no calend\u00e1rio os dias que vir\u00e1 trabalhar nos pr\u00f3ximos meses: todas as quintas-feiras.<\/p>\n<p>\u201cEu estou como guia h\u00e1 nove anos. Antes disso eu morava mais longe e a gente costumava vir acampar e plantar \u00e1rvores. Quando eu me mudei para Auckland decidi vir e me tornar uma volunt\u00e1ria\u201d, diz Diana Dombroski.<\/p>\n<p>O tesouro de Diana \u00e9 Tiritiri Matangi. Passaria ainda mais tempo l\u00e1 se pudesse. Como n\u00e3o pode morar, vai sempre para trabalhar.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um sentimento maravilhoso estar numa ilha onde a natureza \u00e9 como ela deveria ser\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Todos os dias, centenas de visitantes chegam a Tiritiri para aprender sobre hist\u00f3ria, voluntariado, preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Victoria e Rachel v\u00eam tamb\u00e9m, mas para pesquisar um pequeno p\u00e1ssaro chamado Hihi.<br \/>\n\u201c\u00c9 importante que a gente mantenha um olho neles, para saber como est\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o, para termos certeza que podemos lev\u00e1-los e aumentar a quantidade de p\u00e1ssaros em outros lugares\u201d, diz a bi\u00f3loga Rachel Shepherd.<\/p>\n<p>J\u00e1 Victoria Frank diz que est\u00e1 muito honrada de estar l\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cEu vim do Reino Unido para fazer o meu trabalho de campo. \u00c9 um lugar muito especial para trabalhar\u201d, afirma a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>Assim, a Nova Zel\u00e2ndia tenta proteger o seu maior s\u00edmbolo. O Kiwi, uma das esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas pelo desmatamento e pelos animais invasores. O nome foi emprestado de uma fruta: kiwi. Uma fruta que veio da China, mas que \u00e9 um s\u00edmbolo na Nova Zel\u00e2ndia. As pessoas que nascem no pa\u00eds s\u00e3o chamadas de kiwis.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma natureza \u00fanica! O isolamento favoreceu o arquip\u00e9lago da Nova Zel\u00e2ndia. 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