{"id":21979,"date":"2020-09-26T00:00:43","date_gmt":"2020-09-26T03:00:43","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21979"},"modified":"2020-09-26T17:40:49","modified_gmt":"2020-09-26T20:40:49","slug":"vida-mansa-em-baia-da-traicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/vida-mansa-em-baia-da-traicao\/","title":{"rendered":"Vida mansa em Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/media-cdn.tripadvisor.com\/media\/photo-s\/05\/42\/8d\/c9\/pousada-alto-astral.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"450\" \/><br \/>\nNo extremo Norte da nossa costa, de onde j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avistar a curva que anuncia o Rio Grande do Norte, uma praia vem ganhando a fama de ser o destino de quem busca sossego em meio a belas paisagens naturais.<\/p>\n<p>Estamos falando de Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3rica e simp\u00e1tica praia que encanta pela tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena e principalmente pela variedade de atra\u00e7\u00f5es que oferece. Ali \u00e9 poss\u00edvel banhar-se em piscinas naturais, navegar at\u00e9 um antigo farol em alto mar, visitar ru\u00ednas de igrejas centen\u00e1rias, apreciar os doces nativos produzidos com frutas tropicais ou assistir a uma bela apresenta\u00e7\u00e3o de Tor\u00e9, dan\u00e7a sagrada para os \u00edndios Potiguares.\u00a0 Na Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o, o tempo corre mais devagar, no ritmo do vento, leve e maneiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/brejo.com\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/baia_da_traicao.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p>H\u00e1 quem diga que a Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais bela das praias paraibanas. O que pode parecer exagero, na verdade tem justificativa quando passamos alguns dias nesse belo recanto do Litoral Norte. A Ba\u00eda \u00e9 mesmo de fascinar. Na aldeia do Forte, por exemplo, existem canh\u00f5es da \u00e9poca colonial, apontados para o alto mar.<\/p>\n<p>S\u00f3 essa imagem j\u00e1 \u00e9 suficiente para fazer a mente mais criativa imaginar o tempo em que o lugar era disputado por portugueses e holandeses. Dali, do alto da fal\u00e9sia, a vis\u00e3o que se apresenta \u00e9 no m\u00ednimo inspiradora. O forte foi instalado ali por determina\u00e7\u00e3o real, numa decis\u00e3o estrat\u00e9gica para defender a Ba\u00eda.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.ferias.tur.br\/imgs\/4868\/baiadatraicao\/g_matriz-de-sao-miguel-arcanjo-na-baia-da-traicao-fotovicente-a.-queiroz.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p>Visando o tr\u00e1fico do pau-brasil, os franceses fundaram ali uma feitoria. Constru\u00edram um fortim mas ele acabou sendo destru\u00eddo. O forte da Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o era guarnecido por soldados vindos da fortaleza de Cabedelo. Nenhum vest\u00edgio desta fortifica\u00e7\u00e3o permaneceu, a n\u00e3o ser os canh\u00f5es corro\u00eddos pelo tempo.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do lugar est\u00e1 contada em muitos pontos da praia. A parte mais importante, no entanto, ainda vive na tradi\u00e7\u00e3o dos \u00edndios que habitam boa parte das terras da regi\u00e3o. No munic\u00edpio de Baia da Trai\u00e7\u00e3o est\u00e1 localizada a maioria das aldeias ind\u00edgenas, que integram a Terra Ind\u00edgena Potiguara. Hoje, os descendentes do bravo povo que defendeu como poucos a nossa costa da conquista estrangeira vivem da pesca e do artesanato. A Terra Ind\u00edgena Potiguara \u00e9 constitu\u00edda de mais de cinco mil \u00edndios, espalhados em dezenas de aldeias.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 l\u00e1 embaixo, na beira da praia, que a Ba\u00eda mostra toda sua beleza. A configura\u00e7\u00e3o de meia-lua, onde se destacam praias sinuosas, fal\u00e9sias multicoloridas, dunas e uma linha de arrecifes, formando um conjunto harmonioso de rara beleza paisag\u00edstica, faz da Ba\u00eda um lugar que encanta aos olhos e ao cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/media-cdn.tripadvisor.com\/media\/photo-s\/01\/1e\/50\/eb\/rio-gozo-baia-da-traicao.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"426\" \/><\/p>\n<p>Da foz do Rio Camaratuba at\u00e9 a foz do Rio Mamanguape, s\u00e3o 40 quil\u00f4metros de belas praias, muitas delas desertas, que convidam para um encontro com a natureza preservada. Uma das mais belas \u00e9 a praia da Trincheira, onde, em 1625, suas dunas serviram de trincheiras \u00e0s for\u00e7as portuguesas na luta contra os holandeses. Mais na frente, a praia de Coqueirinho \u00e9 um cap\u00edtulo a parte numa viagem pelo Litoral Norte. Vizinha a foz do Rio Mamanguape, a praia \u00e9 o que poder\u00edamos chamar de para\u00edso perdido, um lugar onde o sil\u00eancio s\u00f3 \u00e9 quebrado pelo vento e pelas ondas que quebram nos corais.<\/p>\n<p>Muitos aproveitam a visita para conhecer de perto as praias que cercam a Ba\u00eda e parecem proteger com seus rios e bancos de corais. No outro extremo, j\u00e1 pr\u00f3ximo da fronteira com o Rio Grande do Norte, a Barra de Camaratuba \u00e9 o destino preferido de surfistas. Esse \u00e9 sem d\u00favida o mais belo e preservado recanto do Litoral Norte paraibano, um lugar para sentar e apreciar o que a natureza desenhou com calma e maestria. O cen\u00e1rio ali, a prop\u00f3sito, muda a cada dia, de acordo com o movimento da mar\u00e9. Imperd\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Os Potiguaras<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00e9poca da conquista da Para\u00edba, os Potiguaras, pertencentes \u00e0 grande fam\u00edlia Tupi-Guarani, eram senhores de grandes extens\u00f5es de terra, que de Pernambuco se defendiam at\u00e9 o Maranh\u00e3o, constituindo-se na maior e na mais poderosa de todas as tribos existentes no Nordeste, com uma popula\u00e7\u00e3o avaliada em cem mil pessoas.<\/p>\n<p>Eram portadores de elementos culturais e de caracter\u00edsticas f\u00edsicas semelhantes aos demais abor\u00edgines que habitavam o litoral brasileiro, destacando-se pela sua bravura e belicosidade. N\u00e3o eram trai\u00e7oeiros, enfrentavam o inimigo corpo a corpo, e tinham o h\u00e1bito de esmagar a cabe\u00e7a daqueles que matavam, s\u00f3 os devorando por vingan\u00e7a, atrav\u00e9s de rituais, respeitadas algumas formalidades exigidas para o caso.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/fuleiragem.typepad.com\/photos\/uncategorized\/2008\/04\/19\/indios_potiguaras_camaratuba.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"579\" \/><\/p>\n<p><strong>Belas paisagens<\/strong><\/p>\n<p>No alto de uma outra fal\u00e9sia, um monumento chama a aten\u00e7\u00e3o dos visitantes e parece resistir ao tempo. S\u00e3o ru\u00ednas, mas ainda resguardam detalhes importantes de uma grande igreja erguida ali estrategicamente s\u00e9culos atr\u00e1s. Constru\u00edda no s\u00e9culo XVI pelos Jesu\u00edtas, as ru\u00ednas da Igreja de S\u00e3o Miguel talvez seja a mais bela constru\u00e7\u00e3o que sobrou do per\u00edodo colonial na regi\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/e\/ea\/Ba%C3%ADa_da_Trai%C3%A7%C3%A3o_-_Para%C3%ADba_-_Brasil.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"425\" \/><\/p>\n<p>Suas paredes ainda hoje impressionam, assim como o seu desenho e a riqueza de detalhes das portas e janelas. Ainda esperando um projeto de restaura\u00e7\u00e3o que traga de volta a opul\u00eancia de s\u00e9culos atr\u00e1s, a igreja est\u00e1 inserida no cen\u00e1rio como uma pe\u00e7a importante na vis\u00e3o da praia e da entrada da aldeia. Visitar a Ba\u00eda \u00e9, a prop\u00f3sito, uma verdadeira aula de hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Entre a enseada e o aldeamento ind\u00edgena, mais tarde denominado S\u00e3o Miguel, existia uma grande lagoa que era um verdadeiro mar de \u00e1gua doce, circundada por densa vegeta\u00e7\u00e3o, em que predominava um imenso cajual. Esta lagoa se comunicava com o oceano nas proximidades do local, posteriormente denominado Forte e era conhecida pelo nome de Acajutibir\u00f3, que se estendia at\u00e9 \u00e0 praia.Para Teodoro Sampaio, um dos mais conceituados tupin\u00f3logos do Brasil, a palavra Acajutibir\u00f3 pode significar s\u00edtio de caju de sabor agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/feriasnordeste.com.br\/fotos\/paraiba\/baia-da-traicao\/hoteis-baia-da-traicao-paraiba-11.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"373\" \/><\/p>\n<p>Para Francisco Leon Clerot, que foi um dos mais eficientes professores do Lyceu Paraibano e da Universidade Federal da Para\u00edba, tamb\u00e9m versado em tupinologia, Acajutibir\u00f3 pode ser traduzida como abund\u00e2ncia de cajus. A Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o era tamb\u00e9m chamada pelos Potiguaras de Tibira Caiutuba. Como se pode verificar, todas as tradu\u00e7\u00f5es do voc\u00e1bulo Acajutibir\u00f3 giram em torno do caju, considerado de grande import\u00e2ncia pelos Potiguaras e demais abor\u00edgines do litoral nordestino.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/media-cdn.tripadvisor.com\/media\/photo-s\/01\/f9\/22\/f4\/vue-da-la-pousada.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p>Do ponto de vista hist\u00f3rico, o top\u00f4nimo imposto \u00e0 lend\u00e1ria Acajutibir\u00f3, \u00e9 muito controvertido, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua origem. Gabriel Soares afirma que no per\u00edodo de 1503 a 1505, os amer\u00edndios mataram alguns n\u00e1ufragos castelhanos e portugueses, raz\u00e3o pela qual o nome trai\u00e7\u00e3o ainda permanece. O Pe. Rafael Galanti escreve que os ind\u00edgenas mataram na Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o dois frades franciscanos, em 1505. Outros historiadores explicam de forma diferente.<\/p>\n<p>Entre todas as vers\u00f5es que circulam a respeito do assunto, a mais vi\u00e1vel, apesar de n\u00e3o aceita pela maioria dos historiadores brasileiros, \u00e9 que o nome trai\u00e7\u00e3o esteja vinculado \u00e0 primeira expedi\u00e7\u00e3o explorada de 1501, da qual participou o famoso Am\u00e9rico Vesp\u00facio, quando tr\u00eas marinheiros portugueses foram mortos e devorados pelos nativos antes recebidos amigavelmente, no primeiro porto onde a flotilha ancorou, no dia 17 de agosto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No extremo Norte da nossa costa, de onde j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avistar a curva que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No extremo Norte da nossa costa, de onde j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avistar a curva que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21979"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21979"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21979\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}