{"id":21898,"date":"2015-05-30T00:00:37","date_gmt":"2015-05-30T00:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21898"},"modified":"2015-05-28T22:23:52","modified_gmt":"2015-05-28T22:23:52","slug":"salvando-o-cafe-da-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/salvando-o-cafe-da-extincao\/","title":{"rendered":"Salvando o caf\u00e9 da extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"materia-assinatura-letra\">\n<div class=\"materia-assinatura\">\n<p class=\"vcard author\"><strong class=\"fn\">Julian Siddle e Vibeke Venema*<\/strong> <span class=\"adr\"> <span class=\"locality\">Do servi\u00e7o mundial da BBC<\/span><\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"materia-letra\" class=\"materia-conteudo entry-content\">\n<div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Caf\u00e9 \u00e9 a segunda bebida mais consumida por brasileiros, atr\u00e1s apenas da \u00e1gua (Foto: Thinkstock\/BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/2R5_UJ0ckAvfP43_vdfsd2bdZBY=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/05\/27\/cafe.jpg\" alt=\"Caf\u00e9 \u00e9 a segunda bebida mais consumida por brasileiros, atr\u00e1s apenas da \u00e1gua (Foto: Thinkstock\/BBC)\" width=\"639\" height=\"412\" \/><strong>Caf\u00e9 \u00e9 a segunda bebida mais consumida por brasileiros, atr\u00e1s apenas da \u00e1gua (Foto: Thinkstock\/BBC)<\/strong><\/div>\n<p>Dois bilh\u00f5es de x\u00edcaras de caf\u00e9 s\u00e3o bebidas em todo o mundo todos os dias, e 25 milh\u00f5es de fam\u00edlias dependem do seu cultivo para viver. Nos \u00faltimos 15 anos, o consumo cresceu 43%, mas pesquisadores v\u00eam alertando que a variedade mais popular de caf\u00e9, a ar\u00e1bica, est\u00e1 amea\u00e7ada.<\/p>\n<p>Apesar de haver 124 esp\u00e9cies de caf\u00e9 conhecidas, a maioria dos cultivos \u00e9 restrita a apenas duas delas &#8211; ar\u00e1bica e robusta.<\/p>\n<p>A robusta representa cerca de 30% da produ\u00e7\u00e3o do mundo &#8211; e, segundo a Embrapa, uma igual propor\u00e7\u00e3o no Brasil, sendo o maior pa\u00eds produtor, respondendo por 33% do mercado global &#8211; e \u00e9 usada principalmente para a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 instant\u00e2neo. Como diz seu nome, trata-se de uma planta forte, mas que, para muitas pessoas, n\u00e3o se compara ao sabor mais complexo e suave dos gr\u00e3os da ar\u00e1bica.<\/p>\n<p>\u00c9 esta segunda esp\u00e9cie que movimenta a ind\u00fastria de caf\u00e9 e responde pela maior parte da produ\u00e7\u00e3o global &#8211; e brasileira -, mas \u00e9 uma planta mais fr\u00e1gil, particularmente sens\u00edvel a mudan\u00e7as de temperatura e no regime de chuvas. E esta caracter\u00edstica diante da perspectiva dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Em 2012, uma pesquisa do Royal Botanic Gardens, Kew, no Reino Unido, revelou um cen\u00e1rio nada animador para o caf\u00e9 selvagem da Eti\u00f3pia, de onde vem a ar\u00e1bica, por meio de modelos gerados por computador, que previram como as mudan\u00e7as no meio ambiente afetariam esta esp\u00e9cie neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Segundo a previs\u00e3o do instituto de pesquisa brit\u00e2nico, a quantidade de locais onde a ar\u00e1bica selvagem poderia ser cultivada seria reduzida em 85% at\u00e9 2080, podendo chegar a 99,7% se as piores perspectivas forem confirmadas.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o fizermos nada agora ou ao longo dos pr\u00f3ximos 20 anos, no fim deste s\u00e9culo, a ar\u00e1bica selvagem da Eti\u00f3pia pode ser extinta&#8221;, diz Aaron Davis, chefe de pesquisa em caf\u00e9 do Kew.<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Caf\u00e9 pronto para a colheita; cultivo de variedade mais popular est\u00e1 amea\u00e7ado por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Ue1AXbnEHXptaJyJAIDAsGkFSmk=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/05\/27\/cafe1.jpg\" alt=\"Caf\u00e9 pronto para a colheita; cultivo de variedade mais popular est\u00e1 amea\u00e7ado por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" width=\"639\" height=\"399\" \/><strong>Caf\u00e9 pronto para a colheita; cultivo de variedade mais popular est\u00e1 amea\u00e7ado por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas (Foto: RBG KEW\/BBC)<\/strong><\/div>\n<p>Este relat\u00f3rio foi not\u00edcia em todo o mundo, e fez a ind\u00fastria agir. Desde ent\u00e3o, uma equipe do Kew e seus parceiros na Eti\u00f3pia visitaram \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds africano para comparar suas previs\u00f5es com o que estava acontecendo de fato no cultivo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante ver o que est\u00e1 ocorrendo na pr\u00e1tica, observar a influ\u00eancia atual da mudan\u00e7a clim\u00e1tica no caf\u00e9 e falar com agricultores. Eles podem dizer o que aconteceu, \u00e0s vezes fazendo uma retrospectiva de d\u00e9cadas&#8221;, afirma Davis.<\/p>\n<div class=\"olho componente_materia expandido\">\n<div>Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e falta de variedade gen\u00e9tica s\u00e3o desafios para cultivo de caf\u00e9<\/div>\n<\/div>\n<p>Sua equipe agora est\u00e1 trabalhando com o governo da Eti\u00f3pia para encontrar formas de proteger a ind\u00fastria de caf\u00e9. Levar os cultivos para \u00e1reas mais elevadas &#8211; onde o clima \u00e9 mais ameno &#8211; pode ser parte da solu\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, outras \u00e1reas hoje consideradas inadequadas para a produ\u00e7\u00e3o de caf\u00e9 podem vir a ser boas para isso. &#8220;H\u00e1 amea\u00e7as em certos locais e oportunidades em outras&#8221;, diz Davis.<\/p>\n<p>Pouco era sabido sobre a ar\u00e1bica selvagem at\u00e9 recentemente. Foi s\u00f3 no final do s\u00e9culo 19, por exemplo, que cientistas confirmaram que a planta era da Eti\u00f3pica e n\u00e3o \u00e1rabe, como o nome sugere. O eti\u00f3pio Tadesse Woldermariam Gole, um especialista em caf\u00e9 selvagem, s\u00f3 completou seu mapeamento da ar\u00e1bica selvagem h\u00e1 alguns anos. Agora, sabe-se que esta esp\u00e9cie s\u00f3 cresce naturalmente no sul da Eti\u00f3pia, e no planalto Boma no sul do Sud\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Implica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Levado para col\u00f4nias, caf\u00e9 \u00e9 produzido em climas tropicais  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/BV2Lwl9e6g-cj4ITCD1-3a0rfEE=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/05\/27\/cafe2.jpg\" alt=\"Levado para col\u00f4nias, caf\u00e9 \u00e9 produzido em climas tropicais  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" width=\"639\" height=\"408\" \/><strong>Levado para col\u00f4nias, caf\u00e9 \u00e9 produzido em climas tropicais (Foto: RBG KEW\/BBC)<\/strong><\/div>\n<p>A pesquisa do Kew tem muitas implica\u00e7\u00f5es, n\u00e3o apenas para os pequenos produtores da Eti\u00f3pia, mas tamb\u00e9m para o resto do mundo. Se algo \u00e9 uma amea\u00e7a para sua vers\u00e3o selvagem e nativa da ar\u00e1bica africana, afetar\u00e1 ainda mais suas variedades comerciais. O meio ambiente \u00e9 um fator-chave em seu cultivo, mas h\u00e1 outra raz\u00e3o para isso: a gen\u00e9tica.<\/p>\n<p>&#8220;Esp\u00e9cies selvagens tem uma diversidade gen\u00e9tica muito maior &#8211; qualquer coisa que ocorra com elas \u00e9 amplificado nas variedades comerciais, nas quais a diversidade gen\u00e9tica \u00e9 bem menor&#8221;, diz Justin Moat, de an\u00e1lises espaciais do Kew.<\/p>\n<p>Acredita-se que o caf\u00e9 comercial, cultivado em planta\u00e7\u00f5es, tenha n\u00e3o mais que 10% da variedade gen\u00e9tica da ar\u00e1bica selvagem.<\/p>\n<p>Parte da raz\u00e3o para isso \u00e9 hist\u00f3rica. Muitos cultivos nacionais foram criados a partir de plantas \u00fanicas, enviadas para v\u00e1rias col\u00f4nias. Foi assim com o Suriname, onde o cultivo de caf\u00e9 come\u00e7ou em 1718 a partir de uma planta do jardim bot\u00e2nico de Amsterd\u00e3, na Holanda, de onde saiu tamb\u00e9m uma planta para a Martinica em 1720.<\/p>\n<p>No Brasil, o cultivo come\u00e7ou em 1727, sendo introduzido no Par\u00e1 a partir da Guiana Francesa. &#8220;De l\u00e1, migrou para o Maranh\u00e3o, depois chegou \u00e0 Bahia, desceu para o Rio e subiu o Vale do Para\u00edba at\u00e9 o interior de S\u00e3o Paulo&#8221;, explica Gabriel Bartolo, chefe-geral da Embrapa Caf\u00e9.<\/p>\n<p><strong>Poucas variedades<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\" Agricultores separam os frutos; este processo cont\u00ednuo ocorre de dia ou de noite  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/nu_G_kUlzkXrBly8YzrLe0hbk4g=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/05\/27\/cafe6.jpg\" alt=\" Agricultores separam os frutos; este processo cont\u00ednuo ocorre de dia ou de noite  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" width=\"639\" height=\"394\" \/><strong> Agricultores separam os frutos; este processo cont\u00ednuo ocorre de dia ou de noite (Foto: RBG KEW\/BBC)<\/strong><\/div>\n<p>Desde ent\u00e3o, pouqu\u00edssimas novas variedades foram desenvolvidas. &#8220;Ao contr\u00e1rio de outras esp\u00e9cies de cultivo, o caf\u00e9 teve pouca pesquisa por tr\u00e1s dele&#8221;, diz Timothy Schilling, diretor-executivo do World Coffee Research Institute (WCR).<\/p>\n<p>Schilling diz que o caf\u00e9 \u00e9 um &#8220;cultivo \u00f3rf\u00e3o&#8221;, referindo-se ao fato de que ele foi levado para pa\u00edses tropicais que n\u00e3o tinham recursos para investir em pesquisa. Hoje, o caf\u00e9 tem apenas 40 desenvolvedores de esp\u00e9cies, em compara\u00e7\u00e3o com os milhares existentes para milho, arroz ou trigo.<\/p>\n<p>&#8220;Pa\u00edses mais ricos o compram, torram e bebem, mas n\u00e3o pagam pela parte agron\u00f4mica. S\u00f3 agora a ind\u00fastria est\u00e1 acordando e percebendo que \u00e9 necess\u00e1rio fazer isso tamb\u00e9m&#8221;, diz Schilling. &#8220;Mas h\u00e1 uma grande lacuna em nosso conhecimento. Por exemplo, n\u00e3o sab\u00edamos que sua base gen\u00e9tica era t\u00e3o pequena.&#8221;<\/p>\n<p>E o qu\u00e3o pequena ela de fato \u00e9 s\u00f3 ficou totalmente claro no in\u00edcio deste ano. Em 2013, o WCR pensou ter encontrado uma mina de ouro de variedade gen\u00e9tica de caf\u00e9 &#8211; 870 cepas de ar\u00e1bica selvagem crescendo no Centro para Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o de Agricultura Tropical da Costa Rica.<\/p>\n<p>As plantas haviam sido coletadas na Eti\u00f3pia na d\u00e9cada de 1960 pela ONU e distribu\u00eddas para mais de uma dezena de pa\u00edses num esfor\u00e7o para aumentar a diversidade gen\u00e9tica. A cole\u00e7\u00e3o costa-riquenha havia sido uma das poucas sobreviventes da iniciativa.<\/p>\n<p>&#8220;Pegamos cada uma destas cepas e sequenciamos seu DNA para verificar sua diversidade&#8221;, afirma Schilling. &#8220;Quando chegaram os resultados, no in\u00edcio deste ano, havia muito pouca diversidade. Foi um grande choque. Sab\u00edamos que seria pequena, mas n\u00e3o t\u00e3o pequena assim. Como resultado, n\u00e3o temos a diversidade necess\u00e1ria no caf\u00e9 ar\u00e1bica para os pr\u00f3ximos 200 anos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Consequ\u00eancias desastrosas<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Aaron Davis, do instituto de pesquisa Kew: ele busca impedir a extin\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 ar\u00e1bica  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/MNOJbdAreYpyYODGN0B4kwpWXFU=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/05\/27\/cafe3.jpg\" alt=\"Aaron Davis, do instituto de pesquisa Kew: ele busca impedir a extin\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 ar\u00e1bica  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" width=\"639\" height=\"403\" \/><strong>Aaron Davis, do instituto de pesquisa Kew: ele busca impedir a extin\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 ar\u00e1bica (Foto: RBG KEW\/BBC)<\/strong><\/div>\n<p>Esta falta de diversidade pode ter consequ\u00eancias desastrosas, como tornar o cultivo mais suscet\u00edvel a doen\u00e7as. E o caf\u00e9 tem um grande inimigo: uma praga conhecida como ferrugem. Sem encontrar resist\u00eancia nas plantas, este fungo acabou com as planta\u00e7\u00f5es do Sri Lanka no fim do s\u00e9culo 17, e houve uma crise na Am\u00e9rica Central em 2013.<\/p>\n<p>Por isso, Schilling e outros pesquisadores, inclusive no Brasil, assumiram uma miss\u00e3o ambiciosa: recriar a ar\u00e1bica, por meio de cruzamentos de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>A origem da ar\u00e1bica \u00e9 extraordin\u00e1ria. Trata-se de um h\u00edbrido entre dois tipos de caf\u00e9, C eugenioides e C canephora (a esp\u00e9cie robusta).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma hist\u00f3ria de amor, na verdade&#8221;, diz Schilling. &#8220;A ar\u00e1bica teve dois pais, que se encontraram h\u00e1 cerca de 10 a 15 mil anos. Foi um evento \u00fanico, um caso de uma noite, por assim dizer. Ent\u00e3o, desde o in\u00edcio, a base gen\u00e9tica da ar\u00e1bica n\u00e3o era muito grande.&#8221;<\/p>\n<p>Agora, Schilling pretende recriar a ar\u00e1bica e melhor\u00e1-la. &#8220;O que podemos fazer \u00e9 pegar um grupo muito diverso de C eugenioides e de C canephora e cruz\u00e1-las, para recriar a C arabica, mas melhorada, mais diversa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Cruzamentos no Brasil e no exterior<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Cultivo de caf\u00e9 na Eti\u00f3pia, onde surgiu a popular esp\u00e9cie ar\u00e1bica  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/97KAu4CxciWwqsIBiCwN50nXiw0=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2015\/05\/27\/cafe4.jpg\" alt=\"Cultivo de caf\u00e9 na Eti\u00f3pia, onde surgiu a popular esp\u00e9cie ar\u00e1bica  (Foto: RBG KEW\/BBC)\" width=\"639\" height=\"401\" \/><strong>Cultivo de caf\u00e9 na Eti\u00f3pia, onde surgiu a popular esp\u00e9cie ar\u00e1bica (Foto: RBG KEW\/BBC)<\/strong><\/div>\n<p>Schilling destaca que n\u00e3o se trata de engenharia gen\u00e9tica, mas de cruzamentos \u00e0 moda antiga, usando t\u00e9cnicas modernas &#8211; e que isso pode levar d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>No curto prazo, o WCR decidiu dar in\u00edcio tamb\u00e9m a outro programa de cruzamentos. &#8220;Precisamos pegar o que h\u00e1 de melhor na robusta e combinar com a ar\u00e1bica&#8221;, diz ele. &#8220;A robusta \u00e9 resistente e muito produtiva, mas tem um gosto muito ruim.&#8221;<\/p>\n<p>Uma iniciativa semelhante vem sendo realizada no Brasil pelo Cons\u00f3rcio Pesquisa Caf\u00e9, organiza\u00e7\u00e3o criada em 1997 que re\u00fane mais 1 mil cientistas de cem entidades, entre institutos de pesquisa, universidades e empresas.<\/p>\n<p>&#8220;Desde 2004, quando foi decodificado o genoma do caf\u00e9, foram identificados mais de 30 mil genes que conferem diversas resist\u00eancias e toler\u00e2ncias a pragas&#8221;, afirma Ant\u00f4nio Guerra, gerente de pesquisa da Embrapa Caf\u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;A partir da\u00ed, trouxemos materiais da Eti\u00f3pia e Camar\u00f5es para levar a campo e realizar cruzamentos com o objetivo de gerar plantas mais resistentes e adapt\u00e1veis a climas mais quentes, capazes de suportar temperaturas maiores do que a faixa de 28\u00baC a 30\u00baC recomendada para o cultivo da ar\u00e1bica.&#8221;<\/p>\n<p>Guerra concorda que a variedade da ar\u00e1bica \u00e9 muito pequena, mas tamb\u00e9m aposta em programas de cruzamento com outras esp\u00e9cies para conferir novas carater\u00edsticas a esta esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>&#8220;Existe uma grande preocupa\u00e7\u00e3o que o caf\u00e9 n\u00e3o poder\u00e1 mais ser produzido em determinada regi\u00e3o com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com o aumento da temperatura m\u00e9dia em um ou dois graus e com chuvas ou secas mais intensas&#8221;, afirma o especialista da Embrapa, que destaca tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de novas t\u00e9cnicas de manejo dos cultivos e o uso da irriga\u00e7\u00e3o, hoje presente em apenas 10% da \u00e1rea de caf\u00e9 cultivada, mas por 25% da produ\u00e7\u00e3o, para se prevenir contra condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o sabemos se s\u00e3o de fato mudan\u00e7as ou se \u00e9 apenas um ciclo natural do clima, mas a fun\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia \u00e9 antever este perigo e desenvolver plantas adequadas \u00e0s futuras condi\u00e7\u00f5es, buscando mais produtividade e qualidade, al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do custo de produ\u00e7\u00e3o, para garantir o suprimento a este mercado.&#8221;<\/p>\n<p>Por sua vez, Davis, do WCR, diz que algumas esp\u00e9cies de caf\u00e9 t\u00eam potencial para solucionar o problema, seja cultivando-as ou por meio de programas de cruzamento: &#8220;Mas isso n\u00e3o ocorrer\u00e1 da noite para o dia&#8221;.<\/p>\n<p>* Colaborou Rafael Barifouse, da BBC Brasilem S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>Fonte: Globo Natureza<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Julian Siddle e Vibeke Venema* Do servi\u00e7o mundial da BBC Caf\u00e9 \u00e9 a segunda bebida<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Julian Siddle e Vibeke Venema* Do servi\u00e7o mundial da BBC Caf\u00e9 \u00e9 a segunda bebida","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21898"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21898"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21898\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}