{"id":21673,"date":"2015-05-25T10:00:29","date_gmt":"2015-05-25T10:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21673"},"modified":"2015-05-24T22:46:50","modified_gmt":"2015-05-24T22:46:50","slug":"veja-como-e-feita-a-engorda-do-salmao-e-o-impacto-ambiental-da-criacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/veja-como-e-feita-a-engorda-do-salmao-e-o-impacto-ambiental-da-criacao\/","title":{"rendered":"Veja como \u00e9 feita a engorda do salm\u00e3o e o impacto ambiental da cria\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/salmao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-21675\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/salmao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/salmao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/salmao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 dez anos, o Brasil comprava do Chile dez mil toneladas de salm\u00e3o. Hoje, s\u00e3o 80 mil toneladas. \u00c9 praticamente todo o salm\u00e3o consumido no nosso pa\u00eds. O Globo Rural visitou os centros de cultivos para entender como \u00e9 feita a engorda do peixe e os reflexos da cria\u00e7\u00e3o para o meio ambiente.<\/p>\n<p>Os salm\u00f5es ficam dentro de \u2018balsas-jaulas\u2019, enormes tanques-rede flutuantes, com 25 metros por 25 metros e 20 de profundidade. Em cada um ficam 28 mil peixes, que permanecem por 17 meses, at\u00e9 alcan\u00e7arem 4,5 kg. Eles s\u00e3o monitorados 24 horas.<\/p>\n<p>Jorge \u00e9 mergulhador e entra todos os dias no tanque. Ele monitora a mortalidade, a atividade do peixe. Tamb\u00e9m checa se as redes est\u00e3o perfeitas para que os salm\u00f5es n\u00e3o escapem. Caso isso aconte\u00e7a, os criadores t\u00eam preju\u00edzo. Al\u00e9m disso, pode causar um dano para o meio ambiente, porque o salm\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie ex\u00f3tica.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria diz que n\u00e3o h\u00e1 escape, mas o bi\u00f3logo do IMar \u2013 Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Recursos de Ambientes Costeiros, em Puerto Montt, Edwin Niklitschek, discorda e explica. \u201cEstamos falando de v\u00e1rios milh\u00f5es de salm\u00f5es que escapam todo ano. Isso tem um impacto muito grande sobre os peixes nativos. Isso porque eles se alimentam deles e competem com eles.\u201d<\/p>\n<p>Rem\u00edgio Gutierrez, pescador h\u00e1 25 anos, dirige o sindicato da categoria e denuncia os efeitos da ind\u00fastria salmoneira para o meio ambiente. \u201cHavia muita vida antes deles chegarem, mas depois morreu tudo o que est\u00e1 ao redor. Isso se chama: a sombra da ind\u00fastria salmoneira. Os sedimentos, as fezes do salm\u00e3o que caem ao fundo do mar, matam toda a vida. Termina com tudo.\u201d<\/p>\n<p>O tratamento para doen\u00e7as do salm\u00e3o \u00e9 outra pol\u00eamica. \u201cO medicamento j\u00e1 vem na ra\u00e7\u00e3o. Normalmente se usa antibi\u00f3tico para combater a doen\u00e7a bacteriana\u201d, explica o t\u00e9cnico do Centro de Cultivo Francisco Alvarez.<\/p>\n<p>\u201cIsso prejudica profundamente a vida do fundo marinho, que fica limitada \u00e0s bact\u00e9rias que est\u00e3o aproveitando a mat\u00e9ria org\u00e2nica e alguns poucos sobreviventes. A mat\u00e9ria org\u00e2nica e os qu\u00edmicos que se diluem desde a sombra da balsa-jaula e chegam ao meio ambiente podem levar \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies indesej\u00e1veis, como mar\u00e9 vermelha, algas que bloqueiam o sistema respirat\u00f3rio dos animais, algas t\u00f3xicas\u201d, diz o bi\u00f3logo do IMar.<\/p>\n<p>Ao fim de cada ciclo de cultivo, o centro passa por um per\u00edodo de tr\u00eas meses de descanso obrigat\u00f3rio por lei. \u00c9 um vazio sanit\u00e1rio, criado depois de uma crise sofrida pela ind\u00fastria salmoneira, entre 2007 e 2009. O v\u00edrus da anemia infecciosa, chamado v\u00edrus ISA, que n\u00e3o atinge o ser humano, matou a metade dos peixes. Ind\u00fastria e governo tomaram uma s\u00e9rie de medidas para controlar a crise.<\/p>\n<p>\u201cNa pr\u00e1tica, se mudou desde a restri\u00e7\u00e3o \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de ovas, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de bairros de centros de cultivo, organizados, geograficamente e que, coordenadamente, t\u00eam \u00e9pocas de cultivo. Descansam tr\u00eas meses e outros bairros v\u00e3o produzir. Desta maneira se cont\u00e9m uma eventual dissemina\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus e se coordena os tratamentos no interior de um bairro\u201d, explica Felipe Manterola, representante da SalmonChile.<\/p>\n<p>No estu\u00e1rio de Reloncavi, as balsas de cultivo de salm\u00e3o est\u00e3o abandonadas. A den\u00fancia \u00e9 que est\u00e3o desse jeito h\u00e1 anos. Em Santiago, capital do pa\u00eds, o diretor do Servi\u00e7o Nacional de Pesca e Aquicultura Jos\u00e9 Miguel Burgos, confirma que o cultivo est\u00e1 mesmo fechado h\u00e1 mais de dois anos, em um processo em que o governo deve suspender a concess\u00e3o, porque n\u00e3o foram respeitados os limites exigidos.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o olhados v\u00e1rios par\u00e2metros basicamente para garantir oxig\u00eanio suficiente no fundo marinho. Quando algum limite \u00e9 superado, esse centro que superou o limite n\u00e3o pode operar at\u00e9 que recupere sua condi\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 uma regula\u00e7\u00e3o mais restrita que em muitos outros pa\u00edses\u201d, diz o diretor.<\/p>\n<p>Enquanto se discute se as regras s\u00e3o adequadas, a ind\u00fastria do salm\u00e3o continua empregando direta ou indiretamente 73 mil chilenos e produzindo alimento.<\/p>\n<p>Quando atinge 4,5 kg, o salm\u00e3o do Atl\u00e2ntico \u00e9 transportado em navios rumo ao processamento. Em Quell\u00f3n, na ilha de Chilo\u00e9, existe um centro de monitoramento. L\u00e1, os peixes s\u00e3o sugados por uma tubula\u00e7\u00e3o e caem em tanques para o processamento. Dependendo da \u00e9poca do ano, os tanques recebem de 30 mil a 100 mil peixes por dia.<\/p>\n<p>J\u00e1 sem as v\u00edsceras, o salm\u00e3o passa por uma checagem. Juan Fernandez, chefe de produ\u00e7\u00e3o, explica o que deve ser observado. \u201c\u00c9 importante revisar a cavidade ventral e avaliar se h\u00e1 presen\u00e7a de algum corte ou ferida que possa gerar o n\u00e3o aproveitamento 100% do peixe. Deve estar limpa e sem restos de v\u00edsceras. Deve ter suas nadadeiras \u00edntegras, pele de cor caracter\u00edstica de um peixe juvenil, dorso escuro, verde. Seus olhos devem estar projetados para fora, nunca para dentro, porque para fora significa que \u00e9 um peixe fresco.\u201d<\/p>\n<p><strong>Receita<\/strong><\/p>\n<p>O chefe su\u00ed\u00e7o, Frederick Emeric, explica as caracter\u00edsticas do salm\u00e3o. \u201cO salm\u00e3o \u00e9 um peixe muito bom porque tem pouca gordura e \u00e9 uma gordura saud\u00e1vel para o organismo\u201d. Ele preparou um prato chileno: ceviche, peixe cru marinado no lim\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele corta o salm\u00e3o em cubinhos e acrescenta cebola roxa, aipo, suco de lim\u00e3o, alho, azeite, sal e coentro. Depois gengibre e pimenta aji, muito usada na regi\u00e3o. Mistura tudo e est\u00e1 pronto! Veja no v\u00eddeo toda a explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dez anos, o Brasil comprava do Chile dez mil toneladas de salm\u00e3o. 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