{"id":21580,"date":"2015-05-23T14:00:22","date_gmt":"2015-05-23T14:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21580"},"modified":"2015-05-23T11:52:45","modified_gmt":"2015-05-23T11:52:45","slug":"anvisa-analisa-menos-de-50-dos-agrotoxicos-e-ignora-o-mais-usado-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/anvisa-analisa-menos-de-50-dos-agrotoxicos-e-ignora-o-mais-usado-no-pais\/","title":{"rendered":"Anvisa analisa menos de 50% dos agrot\u00f3xicos e ignora o mais usado no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-21581\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mais da metade dos agrot\u00f3xicos contidos em alimentos no Brasil n\u00e3o t\u00eam an\u00e1lise do mal que podem fazer \u00e0 sa\u00fade. A Anvisa (Agencia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria) \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela an\u00e1lise do uso desses agrot\u00f3xicos e possui um programa, o PARA (Programa de An\u00e1lise de Res\u00edduos de Agrot\u00f3xicos em Alimentos). Por\u00e9m, a pesquisa feita pela ag\u00eancia \u00e9 restrita e n\u00e3o contempla sequer metade dos agrot\u00f3xicos usados no pa\u00eds &#8211; entre eles o principal usado pelo agroneg\u00f3cio, o glifosato.<\/p>\n<p>Os levantamentos conclu\u00edram que 64% dos alimentos investigados pela Anvisa em 2013 tinham tra\u00e7os de agrot\u00f3xicos. Segundo a doutora em toxicologia da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio) Karen Friedrich, a contamina\u00e7\u00e3o pode ser ainda maior. &#8220;Eles coletam alguns g\u00eaneros de 18 tipos de alimentos, mas de supermercados apenas de capitais brasileiras, e analisam 230 agrot\u00f3xicos. H\u00e1 uma ressalva, porque temos mais de 500, ou seja, a\u00a0 pesquisa avalia menos da metade. E o glifosato, que \u00e9 o mais usado, n\u00e3o \u00e9 pesquisado. Ser\u00e1 que pesquisando 100% dos tipos n\u00e3o estariam todos contaminados?&#8221;, questiona.<\/p>\n<p>Segundo Karen, pesquisas mostram que cada brasileiro consome, em m\u00e9dia, 7,3 litros de agrot\u00f3xicos por ano. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 m\u00e9todo para investiga\u00e7\u00e3o do uso combinado desses agrot\u00f3xicos. &#8220;\u00c9 um n\u00famero alarmante&#8221;, conta. &#8220;Todas as estruturas de fiscaliza\u00e7\u00e3o de controle de vigil\u00e2ncia s\u00e3o falhos, n\u00e3o t\u00eam estrutura, sofrem influ\u00eancia politica e t\u00eam incentivo ao uso de agrot\u00f3xico. A bancada ruralista no Legislativo sempre os defende&#8221;, completa.<\/p>\n<p><strong>Outros produtos contaminados<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, entre 2007 a 2014, 34 mil notifica\u00e7\u00f5es de intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos foram registradas no Brasil. Segundo o Dossi\u00ea da Abrasco (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva), entre 2000 e 2012, o uso de agrot\u00f3xicos cresceu 288% no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos alimentos in natura contaminados, Karen alerta que outros produtos derivados &#8211;at\u00e9 mesmo os industrializados&#8211; tamb\u00e9m devem estar contaminados. &#8220;O resultado deve extrapolar para todos os alimentos, inclusive animal, como leite, ovo, carnes, suco de caixinha, molho de tomate, qualquer produto, que n\u00e3o sejam investigados nesse programa&#8221;, cita.<\/p>\n<p>A especialista afirma que que estudos mostram tamb\u00e9m contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que abastece muitas localidades. &#8220;Todos os munic\u00edpios t\u00eam de fazer an\u00e1lise na \u00e1gua, mas nem todos fazem -s\u00f3 20%. N\u00e3o temos um dado robusto sobre \u00e1gua pot\u00e1vel, mas temos pesquisas individuais mostrando contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de po\u00e7o, de escolas, que refor\u00e7am isso.<\/p>\n<p><strong>Problemas de sa\u00fade<\/strong><\/p>\n<p>Para a doutora, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas da necessidade urgente da redu\u00e7\u00e3o de consumo de alimentos com agrot\u00f3xicos. &#8220;Por isso que a gente refor\u00e7a: com a limita\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, os verdadeiros danos que os agrot\u00f3xicos causam n\u00e3o \u00e9 conhecido. Cientificamente, toxicologicamente falando, o uso de agrot\u00f3xicos deveria ser proibido. Esse seria o mundo ideal, se n\u00e3o totalmente, mas pelo menos at\u00e9 uma transi\u00e7\u00e3o para pr\u00e1tica de n\u00e3o uso&#8221;, alegou.<\/p>\n<p>Karen alerta que o consumo de agrot\u00f3xicos causa, entre outros problemas, altera\u00e7\u00f5es hormonais, comprometimento da tireoide, dos horm\u00f4nios sexuais e at\u00e9 c\u00e2ncer. &#8220;Os seres humanos est\u00e3o expostos a agrot\u00f3xicos em toda sua vida, quando ele come cenoura, tomate, leite ou farinha. Ou seja, a gente consome uma mistura de alimentos com agrot\u00f3xicos, e isso pode ser danoso.&#8221;<\/p>\n<p>A professora afirma que n\u00e3o h\u00e1 nenhum tipo de procedimento que limpe um alimento. &#8220;Comprovado cientificamente, n\u00e3o tem nenhum m\u00e9todo de remover o agrot\u00f3xico. Ele fica na superf\u00edcie, mas muitos outros s\u00e3o usados desde a semente, em que v\u00e3o sendo incorporados; ou aqueles que s\u00e3o aplicados sobre o alimento e v\u00e3o chegar at\u00e9 a polpa. Nunca vai remover 100%. Voc\u00ea pode at\u00e9 remover da superf\u00edcie, lavando com sab\u00e3o neutro, ou detergente e \u00e1gua, mas se deve ter a consci\u00eancia que n\u00e3o \u00e9 total a limpeza&#8221;, alega.<\/p>\n<p>A recomenda\u00e7\u00e3o seria, portanto, consumir a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. &#8220;As capitais t\u00eam feiras agroecol\u00f3gicas. O produto org\u00e2nico \u00e9 mais caro, mas eu tenho essa experi\u00eancia e sei que ele dura muito mais que um que se compra em um supermercado. Temos uma perda muito menor. Se botar na ponta do l\u00e1pis, pode-se perceber que n\u00e3o sai mais caro, fora que vamos ter uma vida muito mais saud\u00e1vel&#8221;, sugere a doutora.<\/p>\n<p>O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) divulga <a href=\"http:\/\/feirasorganicas.idec.org.br\/\">um mapa das feiras org\u00e2nicas<\/a> e aponta para mais de 400 op\u00e7\u00f5es espalhadas por todo o pa\u00eds. Veja aqui os locais:<\/p>\n<p><strong>Anvisa confirma<\/strong><\/p>\n<p>Segundo a Anvisa, as amostras de alimentos do PARA s\u00e3o encaminhadas aos laborat\u00f3rios, e a an\u00e1lise \u00e9 realizada pelo m\u00e9todo anal\u00edtico de &#8220;multirres\u00edduos&#8221; ou metodologias espec\u00edficas previamente validadas, que n\u00e3o incluem o glifosato.<\/p>\n<p>&#8220;O m\u00e9todo consiste em analisar simultaneamente diferentes ingredientes ativos de agrot\u00f3xicos em uma mesma amostra, sendo ainda capaz de detectar diversos metab\u00f3litos. O m\u00e9todo contribui para um monitoramento r\u00e1pido e eficiente, tendo em vista o aumento da produtividade do laborat\u00f3rio pela diminui\u00e7\u00e3o significativa do tempo de an\u00e1lise, implicando na redu\u00e7\u00e3o de custos. Entretanto, esse m\u00e9todo n\u00e3o se aplica a an\u00e1lise de alguns ingredientes ativos como o ditiocarbamatos, glifosato e paraquate, que demandam metodologias espec\u00edficas para an\u00e1lise. Essas metodologias s\u00e3o onerosas e necessitam recursos adicionais para serem executadas&#8221;, informou o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a lista restrita de agrot\u00f3xicos pesquisados, a ag\u00eancia informou que est\u00e1 trabalhando para ampliar o n\u00famero. O crit\u00e9rio de escolha hoje leva em conta seis itens: &#8220;os agrot\u00f3xicos mais comercializados, a toxicidade do ingrediente ativo, o hist\u00f3rico de agrot\u00f3xicos detectados em outros programas de monitoramento no Brasil e em outros pa\u00edses, a disponibilidade de padr\u00f5es anal\u00edticos de agrot\u00f3xicos necess\u00e1rios para os laborat\u00f3rios conduzirem as an\u00e1lises, se o res\u00edduo pode ser detectado no m\u00e9todo multires\u00edduo ou em metodologia espec\u00edfica e a ossibilidade de detec\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.&#8221;<\/p>\n<p>A Anvisa ainda informou que a an\u00e1lise combinada de agrot\u00f3xicos \u00e9 complexa. &#8220;Essa metodologia ainda est\u00e1 insipiente no mundo, pois envolve a compreens\u00e3o dos mecanismos de a\u00e7\u00e3o de centenas de agrot\u00f3xicos e os efeitos no ser humano advindos do sinergismo dessas mol\u00e9culas no organismo. O risco \u00e9 atualmente avaliado considerando a toxicidade e a exposi\u00e7\u00e3o a cada ingrediente ativo separadamente&#8221;, conclui o \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade dos agrot\u00f3xicos contidos em alimentos no Brasil n\u00e3o t\u00eam an\u00e1lise do mal<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21581,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agrotoxicos1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mais da metade dos agrot\u00f3xicos contidos em alimentos no Brasil n\u00e3o t\u00eam an\u00e1lise do mal","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21580"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21580\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}