{"id":21573,"date":"2015-05-23T11:24:33","date_gmt":"2015-05-23T11:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21573"},"modified":"2015-05-23T11:24:33","modified_gmt":"2015-05-23T11:24:33","slug":"animais-selvagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/animais-selvagens\/","title":{"rendered":"Animais selvagens"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24529 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/animais-inverno-01.jpg\" alt=\"Animais no Inverno\" width=\"620\" height=\"400\" \/><\/p>\n<div class=\"one_third\"><\/div>\n<p>No conforto das nossas casas, bem protegidas por quatro paredes e um teto, temos v\u00e1rios meios para fazer frente ao frio, \u00e0 neve e \u00e0 escurid\u00e3o t\u00edpicas do Inverno.<\/p>\n<p>Aquecedores, lareiras, luzes brilhantes, cobertores quentes ou pantufas enormes s\u00e3o uma preciosa ajuda. Mesmo quando temos de sair de casa dispomos de roupa apropriada, luvas, gorros \u2013 n\u00e3o que evitem um nariz a pingar, mas permitem-nos sobreviver.<\/p>\n<p>Em \u00faltimo caso podemos apanhar o avi\u00e3o e viajar para um pa\u00eds mais agrad\u00e1vel (estou a pensar em voc\u00eas, Brasil).<\/p>\n<p>Contudo, os animais n\u00e3o t\u00eam ao seu dispor nenhum destes luxos do ser humano moderno. Como conseguem ent\u00e3o sobreviver \u00e0 esta\u00e7\u00e3o mais perturbadora do ano?<\/p>\n<p>\u00c9 o que vai descobrir neste artigo.<\/p>\n<div class=\"box shadow\">\n<div><\/div>\n<\/div>\n<h2>As principais estrat\u00e9gias para sobreviver<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24532 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/raposa-do-artico-01.jpg\" alt=\"Raposa-do-\u00e1rtico (Alopex lagopus)\" width=\"620\" height=\"419\" \/><\/p>\n<p>Um dos grandes obst\u00e1culos que os animais t\u00eam de enfrentar no Inverno \u00e9 a <strong>car\u00eancia de alimento<\/strong>. \u00c0 medida que as temperaturas baixam o alimento fica mais escasso essencialmente por dois motivos:<\/p>\n<ol>\n<li>As plantas, base de quase todas as cadeias alimentares, s\u00e3o substancialmente reduzidas durante o Inverno;<\/li>\n<li>Os insetos e os pequenos roedores, nos quais muitos animais baseiam a sua dieta, abrigam-se debaixo do solo para se proteger do frio, ficando assim fora do alcance dos seus predadores.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Se os animais continuassem a sua atividade normal, iriam gastar mais energia a procurar o alimento do que a que iriam recuperar ao consumir esse alimento. Para al\u00e9m disso, quanto mais baixa estiver a temperatura, mais energia os animais necessitam para manter o corpo quente. Sem essa fonte de energia (alimento) o Inverno torna-se fatal.<\/p>\n<p>Assim, a chave para a sobreviv\u00eancia dos animais durante esta esta\u00e7\u00e3o do ano est\u00e1 na conserva\u00e7\u00e3o da energia (hiberna\u00e7\u00e3o), em altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e no comportamento para suportar o frio (adapta\u00e7\u00e3o) ou na mudan\u00e7a para locais mais quentes onde podem continuar a sua atividade normal (migra\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as tr\u00eas principais estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia e que vamos abordar detalhadamente em seguida: <strong>hiberna\u00e7\u00e3o, migra\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"box shadow\">\n<div><strong>Conceitos r\u00e1pidos:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><strong>Animais de sangue quente<\/strong> ou animais endot\u00e9rmicos, s\u00e3o os animais que conseguem manter e regular a temperatura do seu corpo, o que acontece com os mam\u00edferos (incluindo o ser humano) e as aves;<\/li>\n<li><strong>Animais de sangue frio<\/strong> ou animais ectot\u00e9rmicos, n\u00e3o conseguem regular a temperatura, pelo que necessitam de fontes de calor no ambiente para se aquecer. Neste grupo incluem-se os r\u00e9pteis, os anf\u00edbios, os peixes e os invertebrados.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Hiberna\u00e7\u00e3o e torpor<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24533\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/marmotas-alpinas-01.jpg\" alt=\"Marmota-alpina (Marmota marmota)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>A <strong>hiberna\u00e7\u00e3o \u00e9 uma esp\u00e9cie sono profundo<\/strong> que pode durar todo o Inverno. Geralmente tem in\u00edcio quando os dias come\u00e7am a ficar mais frios ou mais curtos.<\/p>\n<p>Por defini\u00e7\u00e3o, s\u00f3 animais de sangue quente podem hibernar uma vez que s\u00e3o os \u00fanicos capazes de regular a sua temperatura. R\u00e9pteis, anf\u00edbios e insetos t\u00eam estados de dorm\u00eancia semelhantes, mas com caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e de que falaremos mais \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Em hiberna\u00e7\u00e3o, a temperatura do corpo do animal baixa, a respira\u00e7\u00e3o e os batimentos do cora\u00e7\u00e3o tornam-se mais lentos e assim, o animal consegue sobreviver com pouca energia \u2013 a \u00fanica fonte de energia que tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o alimento que consumiu antes de come\u00e7ar o Inverno e que se encontra armazenado no seu corpo sob a forma de gordura.<\/p>\n<p>Considera-se em hiberna\u00e7\u00e3o os animais que <em>adormecem<\/em> t\u00e3o profundamente que parecem estar em coma. \u00c9 dif\u00edcil acordar um animal em hiberna\u00e7\u00e3o. Estes animais, como as marmotas (maior hibernante de todos), esquilos ou morcegos, s\u00f3 o fazem dentro de abrigos muito seguros, pois seriam incapazes de se defender em caso de ataque.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24534\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/urso-pardo-01.jpg\" alt=\"Urso-pardo (Ursus arctos)\" width=\"620\" height=\"398\" \/><\/p>\n<p>O <strong>estado de torpor<\/strong> \u00e9 semelhante \u00e0 hiberna\u00e7\u00e3o no sentido em que o animal tamb\u00e9m o utiliza para gastar pouca energia e abrandar o seu metabolismo. \u00c9 diferente, no entanto, pela dura\u00e7\u00e3o e pela intensidade.<\/p>\n<p>Entram em estado de torpor animais como ursos, guaxinins, alguns roedores e aves. O torpor deixa-os dormentes por per\u00edodos que podem ir de algumas horas a alguns dias.<\/p>\n<p>Neste estado, os animais conseguem despertar com rapidez, respirar profundamente para renovar o oxig\u00e9nio, dar um <em>pulinho ao WC<\/em> ou mesmo dar uma dentada em algum petisco que tenham armazenado, antes de voltarem a <em>adormecer<\/em>.<\/p>\n<p>Caso a temperatura esteja amena, podem aventurar-se no exterior e at\u00e9 mesmo n\u00e3o continuar a hibernar.<\/p>\n<p>Um exemplo curioso de hiberna\u00e7\u00e3o ou torpor \u00e9 o urso. Consegue estar em dorm\u00eancia at\u00e9 seis meses consecutivos, o que encaixa na hiberna\u00e7\u00e3o, no entanto, a respira\u00e7\u00e3o e os batimentos card\u00edacos baixam apenas ligeiramente e o animal consegue acordar rapidamente, o que indica estado de torpor. Mais ainda: as f\u00eameas conseguem dar \u00e0 luz neste per\u00edodo.<\/p>\n<p>O despertar, que no caso da hiberna\u00e7\u00e3o pode durar v\u00e1rias horas, acontece na Primavera, quando as temperaturas s\u00e3o mais agrad\u00e1veis e o alimento j\u00e1 \u00e9 mais abundante.<\/p>\n<p>Em Invernos relativamente amenos, ou em condi\u00e7\u00f5es artificiais de cativeiro, a dorm\u00eancia pode n\u00e3o ser necess\u00e1ria. \u00c9 o que acontece, por exemplo, com tartarugas e outros r\u00e9pteis que tenhamos em casa, j\u00e1 que lhes fornecemos calor e alimento regularmente durante todo o ano.<\/p>\n<div class=\"box shadow\">\n<div><strong>Curiosidade:<\/strong> Os animais que vivem em climas de calor extremo ou secas prolongadas, tamb\u00e9m podem entrar numa esp\u00e9cie de hiberna\u00e7\u00e3o chamada<strong> estiva\u00e7\u00e3o<\/strong>.O exemplo cl\u00e1ssico da estiva\u00e7\u00e3o s\u00e3o os peixes pulmonados, que atrav\u00e9s da mesma conseguem viver sem \u00e1gua at\u00e9 tr\u00eas anos e assim sobreviver longos per\u00edodos de seca. Outros animais que praticam estiva\u00e7\u00e3o incluem carac\u00f3is, joaninhas, crocodilos, tartarugas e salamandras, entre outros.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Migra\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24536 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/pardela-preta-01.jpg\" alt=\"Pardela-preta (Puffinus griseus)\" width=\"620\" height=\"497\" \/><\/p>\n<p>A migra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia que permite aos animais <strong>deslocarem-se para regi\u00f5es mais quentes<\/strong> e assim <em>fugir<\/em> das temperaturas mais baixas.<\/p>\n<p>\u00c9 uma estrat\u00e9gia especialmente bem aproveitada pelas aves, devido \u00e0 sua capacidade de voar.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da migra\u00e7\u00e3o, os animais podem continuar a alimentar-se normalmente e manter-se ativos, no entanto n\u00e3o \u00e9 uma escolha de vida f\u00e1cil. A migra\u00e7\u00e3o gasta imensa energia (ao contr\u00e1rio da hiberna\u00e7\u00e3o), sobretudo nas migra\u00e7\u00f5es mais longas.<\/p>\n<p>Os andorinh\u00f5es-alpinos (<em>Tachymarptis melba<\/em>), por exemplo, <a href=\"http:\/\/info.abril.com.br\/noticias\/ciencia\/2013\/10\/passaros-voam-ate-seis-meses-sem-parar-diz-estudo.shtml\" target=\"_blank\">voam seis meses sem parar<\/a>. As baleias-cinzentas (<em>Eschrichtius robustus<\/em>) viajam noite e dia e <a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Gray_whale#Migration\" target=\"_blank\">chegam a percorrer<\/a> entre 16 a 22 mil quil\u00f3metros por ano, a um ritmo de cerca de 120 quil\u00f3metros por dia. Det\u00e9m o recorde da maior dist\u00e2ncia percorrida entre os animais mam\u00edferos, mas que <a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/news\/2006\/08\/060808-bird-migration.html\" target=\"_blank\">n\u00e3o ultrapassa<\/a> a pardela-preta (<em>Puffinus griseus<\/em>) com uns, inserir adjetivo \u00e0 escolha, 64 mil quil\u00f3metros por ano.<\/p>\n<p>Como termo comparativo, o planeta Terra tem <em>apenas<\/em> 40 mil quil\u00f3metros de circunfer\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"box shadow\">\n<div><strong>Curiosidade:<\/strong> O <em>desaparecimento<\/em> das aves durante o Inverno foi durante v\u00e1rios s\u00e9culos um mist\u00e9rio e deu origem a diversas teorias. Umas mais plaus\u00edveis, como acreditar-se que as aves se escondiam para hibernar, outras mirabolantes, como as aves transformarem-se em ratos ou voarem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Lua.Ainda que alguns autores (como Arist\u00f3teles) j\u00e1 tivessem sugerido que as aves se deslocavam por grandes dist\u00e2ncias no Inverno, foi apenas no s\u00e9culo XIX que as migra\u00e7\u00f5es foram verdadeiramente aceites. E tudo devido a um acidente:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-24538\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/cegonha-seta-01.jpg\" alt=\"Cegonha com seta\" width=\"500\" height=\"358\" \/><\/p>\n<p>No dia 21 de Maio de 1822, esta cegonha foi encontrada na Alemanha, com uma seta origin\u00e1ria da \u00c1frica central atravessada no pesco\u00e7o. Esta seta iluminou os cientistas sobre um dos acontecimentos mais importantes da vida animal: a migra\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que as cegonhas e outras aves n\u00e3o viajam 384 mil quil\u00f3metros at\u00e9 \u00e0 Lua. Mas fazem-no entre continentes, pelo mundo inteiro, e isso \u00e9 t\u00e3o verdadeiro quanto extraordin\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h3>Adapta\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24540\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/urso-polar-01.jpg\" alt=\"Urso-polar (Ursus maritimus)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o permitem aos animais ficar no mesmo local e continuar ativos, mesmo durante os dias mais frios.<\/p>\n<p>Estas estrat\u00e9gias passam por <strong>altera\u00e7\u00f5es no seu corpo<\/strong>, como o desenvolvimento de gordura e pelagem especializada em conservar calor, ou <strong>no seu comportamento<\/strong>, como armazenar alimento durante o Outono antes da escassez do Inverno.<\/p>\n<p>Cavernas, troncos de \u00e1rvores mortas, buracos e o solo por baixo da neve (tamb\u00e9m chamado subnivium), s\u00e3o os equivalentes \u00e1s nossas casas para os animais. Permitem criar um microclima mais confort\u00e1vel do que o clima exterior e uma passagem mais agrad\u00e1vel pelos dias mais frios.<\/p>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o da neve como isolante t\u00e9rmico \u00e9 mais eficaz do que \u00e0 primeira vista aparenta \u2013 est\u00e1 na base da constru\u00e7\u00e3o dos iglus pelos esquim\u00f3s, por exemplo.<\/p>\n<p>Um cuidado especial que os mam\u00edferos necessitam de ter, \u00e9 com a chuva. O p\u00ealo molhado n\u00e3o consegue conservar o calor e o animal perde uma das suas melhores prote\u00e7\u00f5es contra o frio. Quando chove, os mam\u00edferos pequenos procuram abrigar-se no subsolo ou em esconderijos que encontrem, incluindo constru\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24551 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/arminho-01.jpg\" alt=\"Arminho (Mustela erminea)\" width=\"620\" height=\"700\" \/><\/p>\n<p>Algumas das adapta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas mais conhecidas incluem:<\/p>\n<ul>\n<li>Tend\u00eancia para um corpo maior entre mam\u00edferos e aves do mesmo g\u00e9nero que habitam regi\u00f5es frias, conhecida como <strong>Regra de Bergmann<\/strong>, para facilitar a reten\u00e7\u00e3o do calor. Por exemplo, os ursos polares tendem a ser maiores que os outros ursos;<\/li>\n<li>Ap\u00eandices mais curtos (orelhas, nariz, patas\u2026) para reduzir perda de calor. As focas, as raposas-do-\u00e1rtico e os pinguins s\u00e3o um exemplo;<\/li>\n<li>Pelagem e gordura especializada para conservar o m\u00e1ximo de calor. A pelagem de Inverno, geralmente branca, tamb\u00e9m serve de camuflagem contra a neve. Estes mecanismos por vezes s\u00e3o t\u00e3o eficazes que animais como ursos polares e raposas-do-\u00e1rtico correm o risco de sobreaquecer (leu bem), sobretudo quando a temperatura est\u00e1 um pouco mais alta (dez graus negativos j\u00e1 pode ser alto). Rebolar na neve \u00e9 uma forma de arrefecer;<\/li>\n<li>Vis\u00e3o especializada na escurid\u00e3o, como acontece nas renas no norte do circulo \u00e1rtico que passam uma parte do ano sem luz natural do Sol;<\/li>\n<li>Mecanismos internos (como no sistema circulat\u00f3rio) que procuram regular a temperatura onde \u00e9 mais necess\u00e1ria, como nas extremidades. Tal como acontece connosco num dia frio, em que as m\u00e3os arrefecem primeiro que o resto do corpo, tamb\u00e9m nos animais as extremidades s\u00e3o as primeiras a sentir o frio.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24541 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/pinguins-imperadores-01.jpg\" alt=\"Pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>Os animais tamb\u00e9m adaptam o seu comportamento para fazer face aos dias gelados, como armazenar comida antes de chegar o Inverno at\u00e9 juntarem-se uns aos outros para partilhar o calor do corpo.<\/p>\n<p>Exemplo disso s\u00e3o os pinguins-imperadores. Juntam-se uns aos outros em grandes col\u00f3nias para partilhar o calor e bloquear as correntes de ar \u2013 ao mesmo tempo que protegem um ovo equilibrado entre as patas. Os pinguins nas bordas das col\u00f3nias, mais expostos ao vento, v\u00e3o alternando com os do interior para que nenhum pinguim fique exposto por muito tempo.<br \/>\n<span id=\"outros-animais\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h2>Como outros animais resistem ao frio<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24543\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/rana-arvalis-01.jpg\" alt=\"Rana arvalis\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>Algumas aves, insetos ou anf\u00edbios enfrentam esta \u00e9poca do ano de formas diferentes, constituem uma exce\u00e7\u00e3o entre os seus pares ou demonstram uma impressionante criatividade \u2013 algo que nunca se esgota na natureza.<\/p>\n<p>Vamos abordar as mais relevantes.<br \/>\n<span id=\"aves\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h3>As aves que n\u00e3o migram<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24545\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/noitibo-de-nuttall-01.jpg\" alt=\"Noitib\u00f3-de-nuttall (Phalaenoptilus nuttallii)\" width=\"620\" height=\"430\" \/><\/p>\n<p>A maioria das aves adota a migra\u00e7\u00e3o como principal estrat\u00e9gia para <em>escapar<\/em> dos climas mais frios, como vimos anteriormente. No entanto, algumas aves n\u00e3o migram: caso das corujas, gavi\u00f5es, chapins ou perdizes. Os seus corpos adaptam-se atrav\u00e9s do desenvolvimento de uma camada de penas adicional, que os mant\u00e9m quentes.<\/p>\n<p>Existe apenas uma esp\u00e9cie de ave conhecida capaz de hibernar: o noitib\u00f3-de-nuttall (<em>Phalaenoptilus nuttallii<\/em>). Esta ave esconde-se por baixo de rochas ou troncos ocos, onde permanece at\u00e9 cinco meses e chega a hibernar por per\u00edodos de 100 dias consecutivos. Quando desperta, necessita de cerca de sete horas para se recompor.<br \/>\n<span id=\"mamiferos-aquaticos\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h3>O cobertor dos mam\u00edferos aqu\u00e1ticos<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24546\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/foca-01.jpg\" alt=\"Foca-de-weddell (Leptonychotes weddellii)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>Mam\u00edferos aqu\u00e1ticos e semi-aqu\u00e1ticos, tais como baleias e focas, alimentam-se abundantemente de forma a criarem camadas de gordura adicional nos seus corpos, que os protegem do frio. Como termo de compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 o equivalente a embrulharmo-nos num cobertor, com a diferen\u00e7a de que nestes animais o cobertor est\u00e1 por dentro do corpo.<\/p>\n<p>Em alguns animais, esta estrat\u00e9gia est\u00e1 t\u00e3o bem desenvolvida que conseguem controlar o fluxo de sangue que circula nestas camadas. Quanto mais longe estiver o sangue da superf\u00edcie da pele, menos calor \u00e9 perdido.<\/p>\n<p>Estas camadas de gordura tamb\u00e9m servem de alimento nos meses seguintes, como acontece com os elefantes-marinhos.<br \/>\n<span id=\"insetos-diapausa\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h3>Insetos, diapausa e uma \u00e9pica migra\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24547 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/borboletas-monarcas-01.jpg\" alt=\"Borboleta-monarca (Danaus plexippus)\" width=\"620\" height=\"413\" \/><\/p>\n<p>Alguns insetos adotam uma esp\u00e9cie de hiberna\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia. A hiberna\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos insetos \u00e9 <a href=\"http:\/\/www.dgabc.com.br\/Noticia\/49190\/insetos-tambem-repousam\" target=\"_blank\">chamada diapausa<\/a>.<\/p>\n<p>A diapausa tem in\u00edcio quando os dias come\u00e7am a ficar mais curtos, mesmo que a temperatura ainda seja amena.<\/p>\n<p>Algumas tra\u00e7as \/ mariposas e borboletas passam o Inverno em casulo ou apenas cris\u00e1lida e quando chega a Primavera, eclodem. Existem outras esp\u00e9cies que permanecem lagartas durante esta esta\u00e7\u00e3o, cobrindo-se com terra e folhas mortas para se proteger do frio.<\/p>\n<p>Outros insetos, como as abelhas e as vespas (apenas as rainhas, machos e oper\u00e1rias morrem no final do Ver\u00e3o), procuram abrigar-se em lugares secos e protegidos das correntes de ar. Escavam no solo e protegem-se debaixo de terra e folhas mortas. Em alternativa, abrigam-se dentro de troncos ocos.<\/p>\n<p>\u00c9 famosa a \u00e9pica migra\u00e7\u00e3o da borboleta monarca no Inverno. Este fen\u00f3meno de rara beleza, que leva milh\u00f5es de borboletas desde a Am\u00e9rica do Norte at\u00e9 ao M\u00e9xico, atrai tanto cientistas como curiosos e permite estudar anualmente o estado de conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Geralmente ficam no M\u00e9xico entre Outubro e Mar\u00e7o, altura em que regressam ao local de origem.<\/p>\n<p>Algumas borboletas monarcas entram em diapausa nos dias mais frios.<br \/>\n<span id=\"repteis-anfibios-brumacao\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h3>Bruma\u00e7\u00e3o dos r\u00e9pteis e anf\u00edbios<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24548\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/ra-dos-bosques-01.jpg\" alt=\"R\u00e3-dos-bosques (Rana sylvatica)\" width=\"620\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p>O tipo de hiberna\u00e7\u00e3o praticada pelos r\u00e9pteis e pelos anf\u00edbios \u00e9 chamada bruma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes animais de sangue frio procuram abrigar-se e hibernar assim que os dias come\u00e7am a ficar mais curtos, para n\u00e3o serem apanhados desprevenidos num dia mais frio \u2013 o que poderia significar a morte.<\/p>\n<p>As temperaturas baixas s\u00e3o particularmente perigosas para estes animais, raz\u00e3o pela qual, por exemplo, n\u00e3o existe qualquer esp\u00e9cie de r\u00e9ptil ou anf\u00edbio a viver na Ant\u00e1rtida. Mesmo no \u00c1rtico, <a href=\"http:\/\/www.arcticbiodiversity.is\/the-report\/chapters\/amphibians-and-reptiles\" target=\"_blank\">existem apenas<\/a> cinco esp\u00e9cies de anf\u00edbios e uma s\u00f3 esp\u00e9cie de r\u00e9ptil, nenhum dos quais dentro do c\u00edrculo polar.<\/p>\n<p>As cobras do g\u00e9nero <em>Thamnophis<\/em>, end\u00e9micas da Am\u00e9rica do Norte, hibernam em grupos enormes que podem conter centenas ou mesmo milhares de cobras, entrela\u00e7adas umas nas outras para preservarem o calor.<\/p>\n<p>As r\u00e3s costumam abrigar-se na lama de charcos e lagos, obtendo oxig\u00e9nio atrav\u00e9s da \u00e1gua. Algumas esp\u00e9cies, como as r\u00e3s-arbor\u00edcolas, protegem-se por baixo de folhas e no subsolo das florestas.<\/p>\n<p>A r\u00e3-dos-bosques (<em>Rana sylvatica<\/em>), end\u00e9mica da Am\u00e9rica do Norte, consegue produzir uma <a href=\"http:\/\/www.cienciahoje.pt\/index.php?oid=36420&amp;op=all\" target=\"_blank\">esp\u00e9cie de anticongelante natural<\/a> atrav\u00e9s de altos n\u00edveis de a\u00e7\u00facar, ureia e um terceiro composto ainda n\u00e3o identificado, que lhes permite resistir a temperaturas de quase -30\u00ba C.<br \/>\n<span id=\"peixes-anticongelante\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h3>Os peixes que n\u00e3o congelam<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-24549\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/peixe-de-gelo-01.jpg\" alt=\"Peixe-de-gelo (fam\u00edlia Channichthyidae)\" width=\"620\" height=\"408\" \/><\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a da r\u00e3-dos-bosques, alguns peixes produzem <a href=\"http:\/\/hypescience.com\/porque-os-peixes-da-antartida-nao-congelam\/\" target=\"_blank\">uma prote\u00edna anticongelante<\/a> que impede os flu\u00eddos corporais, como o sangue, de congelar. Esta prote\u00edna \u00e9 especialmente importante nas esp\u00e9cies que nadam pelas \u00e1guas polares geladas.<\/p>\n<p>Os peixes tamb\u00e9m conseguem entrar num estado de dorm\u00eancia parecido com a hiberna\u00e7\u00e3o, onde o seu metabolismo \u00e9 reduzido, gastam menos energia e alimentam-se menos. A atividade dos peixes no Inverno chega a ser <a href=\"http:\/\/news.nationalgeographic.com\/news\/2008\/03\/080306-fish-hibernate.html\" target=\"_blank\">reduzida 20 vezes<\/a> em compara\u00e7\u00e3o com o Ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta dorm\u00eancia \u00e9 provocada pelas temperaturas baixas, mas tamb\u00e9m em casos de falta de oxig\u00e9nio na \u00e1gua (hip\u00f3xia).<\/p>\n<p>J\u00e1 os peixes que vivem em rios e lagos que est\u00e3o congelados, est\u00e3o num ambiente menos in\u00f3spito do que poder\u00e1 parecer a um observador de fora. Quando um lago ou um rio congela, na verdade apenas a superf\u00edcie fica no estado s\u00f3lido. Por baixo da mesma, peixes, crust\u00e1ceos e plantas continuam a usufruir de \u00e1gua l\u00edquida normal (ainda que bem fresquinha).<br \/>\n<span id=\"conclusao\" class=\"mda-anchor\"> <\/span><\/p>\n<h2>At\u00e9 chegar a Primavera (conclus\u00e3o)<\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-24550 size-full\" src=\"http:\/\/www.mundodosanimais.pt\/wp-media\/imagens\/lebre-americana-01.jpg\" alt=\"Lebre-americana (Lepus americanus)\" width=\"620\" height=\"412\" \/><\/p>\n<p>Mecanismos extraordin\u00e1rios, resultado de milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o e in\u00fameras gera\u00e7\u00f5es de animais, permitiram aos animais sobreviver em climas in\u00f3spitos e resistir ao frio cortante do Inverno.<\/p>\n<p>Deixamos-lhe aqui um sum\u00e1rio do artigo, de <strong>como os animais sobrevivem no Inverno<\/strong>:<\/p>\n<ul>\n<li>Um dos maiores obst\u00e1culos que os animais enfrentam no Inverno \u00e9 a car\u00eancia de alimento;<\/li>\n<li>As principais estrat\u00e9gias que os animais adotam para sobreviver a esta esta\u00e7\u00e3o do ano s\u00e3o a hiberna\u00e7\u00e3o, a migra\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>A hiberna\u00e7\u00e3o e o estado de torpor, exclusivos dos animais de sangue quente, permite aos animais permanecer num estado de dorm\u00eancia em que o metabolismo \u00e9 reduzido, gastam pouca energia e n\u00e3o necessitam de se alimentar regularmente;<\/li>\n<li>A migra\u00e7\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia que permite aos animais deslocarem-se para regi\u00f5es mais quentes, que em alguns casos podem ficar a milhares de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia;<\/li>\n<li>A adapta\u00e7\u00e3o permite aos animais enfrentarem o Inverno atrav\u00e9s de altera\u00e7\u00f5es f\u00edsicas e comportamentais, como o crescimento de p\u00ealo e gordura adicionais para isolar do frio ou o armazenamento de comida durante o Outono antes da escassez do Inverno;<\/li>\n<li>Alguns animais de sangue frio conseguem entrar numa esp\u00e9cie de hiberna\u00e7\u00e3o. Nos insetos esta dorm\u00eancia chama-se diapausa, nos r\u00e9pteis e anf\u00edbios chama-se bruma\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Os peixes conseguem habitar rios e lagos congelados uma vez que apenas a superf\u00edcie solidifica, por baixo da mesma a \u00e1gua continua l\u00edquida e habit\u00e1vel embora naturalmente fria.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No conforto das nossas casas, bem protegidas por quatro paredes e um teto, temos v\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"No conforto das nossas casas, bem protegidas por quatro paredes e um teto, temos v\u00e1rios","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21573"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21573"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21573\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21573"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21573"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21573"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}