{"id":21524,"date":"2015-05-23T00:00:54","date_gmt":"2015-05-23T00:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21524"},"modified":"2015-05-22T14:19:31","modified_gmt":"2015-05-22T14:19:31","slug":"feijao-transgenico-liberado-ha-dois-anos-esta-em-banho-maria-entrevista-especial-com-jose-maria-guzman-ferraz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/feijao-transgenico-liberado-ha-dois-anos-esta-em-banho-maria-entrevista-especial-com-jose-maria-guzman-ferraz\/","title":{"rendered":"Feij\u00e3o transg\u00eanico liberado h\u00e1 dois anos est\u00e1 em \u201cbanho-maria\u201d. Entrevista especial com Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u201cO caso do feij\u00e3o \u00e9 emblem\u00e1tico para ressaltar a irresponsabilidade de libera\u00e7\u00f5es comerciais sem o devido cuidado e sem observa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas do princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o, colocando em risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e o meio ambiente\u201d, afirma o agr\u00f4nomo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<img src=\"http:\/\/i57.tinypic.com\/2yjpo2r.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: terradedireitos.org.br<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/500477-feijao-transgenico-a-porteira-esta-aberta-entrevista-especial-com-jose-maria-gusman-ferraz\" target=\"_blank\"><strong>feij\u00e3o transg\u00eanico Embrapa 5.1<\/strong><\/a>, liberado no Brasil pela <strong>Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a \u2013 CTNBio<\/strong> em 2011, est\u00e1 em \u201c\u2018banho-maria\u2019, pois apareceram v\u00e1rios problemas, os quais j\u00e1 tinham sido apontados pelos avaliadores mais cr\u00edticos, que s\u00e3o chamados de \u2018pessoas retr\u00f3gradas que impedem o progresso da ci\u00eancia\u2019, quando na fase destas libera\u00e7\u00f5es\u201d, informa <strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz<\/strong>, em entrevista \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong> por e-mail.<\/p>\n<p>De acordo com o agr\u00f4nomo, embora tenha sido liberado, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538708-o-feijao-transgenico-a-decisao-e-as-licoes-por-nagib-nassar\" target=\"_blank\">feij\u00e3o transg\u00eanico<\/a> n\u00e3o foi plantado comercialmente, \u201cporque na fase de multiplica\u00e7\u00e3o de sementes ele apresentou problemas que levaram \u00e0 <strong>paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d. <strong>Ferraz<\/strong> lembra que, \u00e0 \u00e9poca da libera\u00e7\u00e3o, os pareceres contr\u00e1rios \u201crecomendavam maiores estudos e apontavam todas estas possibilidades, agora relatadas, mas que foram desconsideradas, e na vota\u00e7\u00e3o venceu a imprud\u00eancia e o descaso com a sa\u00fade p\u00fablica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz<\/strong> comenta ainda que o \u201cexemplo mais famoso\u201d de culturas transg\u00eanicas aprovadas e depois retiradas do mercado \u00e9 o do \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530837-do-laboratorio-para-a-feira-aqui-esta-o-tomate-preto-nao-ogm\" target=\"_blank\"><strong>tomate Flavr\/Savr<\/strong><\/a>, geneticamente modificado para desacelerar seu processo de amadurecimento e, assim, impedi-lo de amolecimento, que revelou ser altamente inst\u00e1vel na planta e foi retirado do mercado\u201d. Segundo ele, \u201ca forma apressada como s\u00e3o conduzidos os ensaios e for\u00e7adas as libera\u00e7\u00f5es comerciais antes de estarem muito bem fundamentadas cientificamente <strong>colocam em risco<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 a popula\u00e7\u00e3o, mas a pr\u00f3pria credibilidade na tecnologia\u201d.<\/p>\n<p>Futuramente, a <strong>Embrapa<\/strong> pretende comercializar uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/532221-apos-feijao-embrapa-prepara-alface-transgenica\" target=\"_blank\">variedade transg\u00eanica de alface<\/a> com a justificativa de que o produto aumentar\u00e1 a quantidade de nutrientes para suprir a car\u00eancia nutricional de \u00e1cido f\u00f3lico na alimenta\u00e7\u00e3o. A proposta, avalia o agr\u00f4nomo, \u201c\u00e9 interessante, mas imagine se tivermos que produzir um transg\u00eanico para cada necessidade de nutriente\u201d. Ele lembra que \u201cexistem diversos alimentos, como o espinafre e os br\u00f3colis, que j\u00e1 est\u00e3o na natureza e possuem os nutrientes necess\u00e1rios para suprir o acido f\u00f3lico, al\u00e9m de algumas plantas, consideradas \u2018plantas invasoras\u2019, conhecidas como <strong>plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais \u2013 PANC<\/strong>, que crescem espontaneamente no meio de outras lavouras e s\u00e3o ricas em \u00e1cido f\u00f3lico\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=5313&amp;secao=434\" target=\"_blank\"><strong>Jos\u00e9 Maria Gusman Ferraz<\/strong><\/a> \u00e9 mestre em Agronomia pela Universidade de S\u00e3o Paulo \u2013 USP e doutor em Ecologia pela Universidade Estadual de Campinas \u2013 Unicamp. Cursou p\u00f3s-doutorado em Agroecologia pela Universidade de C\u00f3rdoba \u2013 UCO, Espanha. Atualmente \u00e9 professor do curso de mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural da UFSCar e professor convidado da Universidade Estadual de Campinas.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista. <\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i62.tinypic.com\/1427udf.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<div><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/div>\n<div><em>Foto: mercadoetico.com.br<\/em><\/div>\n<div><strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/div>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line \u2013 Em que consistem as plantas transg\u00eanicas? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> Quase 100% das <a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=5268&amp;secao=432\" target=\"_blank\"><strong>plantas transg\u00eanicas liberadas<\/strong><\/a> no mundo todo foram geneticamente modificadas para sintetizar uma prote\u00edna com propriedades inseticidas e\/ou respons\u00e1vel pela toler\u00e2ncia da planta a determinado herbicida; \u00e9 inserido na planta, atrav\u00e9s da tecnologia de engenharia gen\u00e9tica, o DNA (acido desoxirribonucleico) de organismos doadores, que v\u00e3o se incorporar na planta e passam a produzir as caracter\u00edsticas desejadas, por exemplo, a <strong>toler\u00e2ncia ao herbicida<\/strong>.<\/p>\n<p>No caso do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/519661-a-ctnbio-e-o-pe-de-feijao\" target=\"_blank\"><strong>feij\u00e3o Embrapa 5.1<\/strong><\/a>, a planta foi geneticamente modificada para sintetizar uma mol\u00e9cula de RNA (dsRNA) (\u00e1cido ribonucleico), respons\u00e1vel, nesse caso, por fen\u00f4menos de silenciamento de genes. Essa mol\u00e9cula de material gen\u00e9tico ser\u00e1 em seguida quebrada e transformada em pequenos RNAs (siRNA), pela maquinaria molecular da c\u00e9lula da planta, que ir\u00e1 interferir com genes do v\u00edrus, impedindo sua multiplica\u00e7\u00e3o. A proposta \u00e9 de que eles v\u00e3o agir, portanto, no silenciamento dos genes dos v\u00edrus que infectam a planta, n\u00e3o permitindo que se multipliquem.<\/p>\n<p>Mas estas <strong>mol\u00e9culas de RNA (siRNA)<\/strong> podem ser absorvidas por outros organismos, inclusive o homem, via intrad\u00e9rmica, oral ou por inala\u00e7\u00e3o, e podem circular no organismo e interferir na express\u00e3o dos genes. Recentemente, uma pesquisa identificou mol\u00e9culas destes RNAs (miRNA) de plantas na corrente sangu\u00ednea de mam\u00edferos que comeram plantas com estes RNAs, e foi observada altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o de gene no f\u00edgado de ratos. Provavelmente este foi o fator que causou altera\u00e7\u00e3o no f\u00edgado de ratos, na avalia\u00e7\u00e3o do <strong>feij\u00e3o transg\u00eanico da Embrapa,<\/strong> e que n\u00e3o foi considerado em sua libera\u00e7\u00e3o, <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/501329-para-ongs-faltam-estudos-sobre-a-seguranca-do-feijao\" target=\"_blank\">embora tenha sido alertado<\/a> pelo avaliador quanto \u00e0 exig\u00eancia de mais estudos. Portanto apresentam riscos que devem ser avaliados com muito cuidado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a atual situa\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o transg\u00eanico da Embrapa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> O feij\u00e3o transg\u00eanico est\u00e1 em \u201cbanho-maria\u201d, pois apareceram v\u00e1rios problemas, os quais <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/500710-embrapa-aguarda-aprovacao-de-feijao-transgenico-criticado-por-ambientalistas\" target=\"_blank\">j\u00e1 tinham sido apontados pelos avaliadores mais cr\u00edticos<\/a>, que s\u00e3o chamados de \u201cpessoas retr\u00f3gradas que impedem o progresso da ci\u00eancia\u201d, quando na fase destas libera\u00e7\u00f5es. A forma como t\u00eam sido feitos e liberados estes transg\u00eanicos se caracteriza como uma tecnoci\u00eancia que n\u00e3o respeita os m\u00ednimos preceitos do princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o, numa clara f\u00e9 sem cr\u00edticas a esta tecnologia.<\/p>\n<p>O exemplo mais famoso desses <strong>eventos retirados do mercado<\/strong> diz respeito ao tomate Flavr\/Savr, geneticamente modificado para desacelerar seu processo de amadurecimento e, assim, impedi-lo de amolecimento, que revelou ser altamente inst\u00e1vel na planta e foi retirado do mercado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quando e por quais raz\u00f5es a Embrapa passou a recomendar a paralisa\u00e7\u00e3o do plantio de feij\u00e3o transg\u00eanico (feij\u00e3o 5.1), menos de tr\u00eas anos depois da aprova\u00e7\u00e3o da comercializa\u00e7\u00e3o desse tipo de feij\u00e3o? A que atribui essa mudan\u00e7a de postura em rela\u00e7\u00e3o ao feij\u00e3o transg\u00eanico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> A <strong>Embrapa<\/strong> alega, para a n\u00e3o libera\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o transg\u00eanico, um fato que gerou inclusive uma nota t\u00e9cnica da empresa alertando que outra doen\u00e7a do feijoeiro seria mascarada pelo feij\u00e3o transg\u00eanico, que \u00e9 a infec\u00e7\u00e3o pelo <strong>v\u00edrus Carlavirus<\/strong>, tamb\u00e9m transmitido pela mosca-branca. Portanto, volta-se \u00e0 necessidade de controlar o transmissor de ambos, que \u00e9 a mosca-branca. Este \u201cmascaramento\u201d pode ser, na verdade, uma consequ\u00eancia do pr\u00f3prio processo de transgenia que aumentaria a efic\u00e1cia deste outro v\u00edrus. A Embrapa volta a recomendar o controle da mosca-branca com <strong>controle qu\u00edmico e manejo da cultura<\/strong>, como era feito anteriormente.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m desse fato, acreditamos que a<strong> alta instabilidade do feij\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-arquivadas\/34524-o-transgenico-e-obsoleto-a-modernidade-reside-em-outro-lugar-atesta-carlo-petrini\" target=\"_blank\">transg\u00eanico<\/a><\/strong> seja um outro grande problema, ou seja, ele pode perder a caracter\u00edstica de resistir ao v\u00edrus do mosaico dourado &#8211; VMDF ap\u00f3s algumas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Outro fato alertado na avalia\u00e7\u00e3o antes da libera\u00e7\u00e3o comercial \u00e9 que v\u00e1rios trabalhos internacionais apontam para a possibilidade muito forte de<strong> efeitos t\u00f3xicos e genot\u00f3xicos<\/strong> em c\u00e9lulas de mam\u00edferos alimentados com plantas que foram produzidas por esta tecnologia. Esses efeitos resultaram em sintomas n\u00e3o explicados, no caso do feij\u00e3o da Embrapa, em aumento do peso do f\u00edgado e diminui\u00e7\u00e3o do peso dos rins nos ratos testados. Todos esses fatores podem ter pesado para a n\u00e3o libera\u00e7\u00e3o comercial do feij\u00e3o.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<h2><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/>\u00a0\u00a0&#8220;Este \u201cmascaramento\u201d pode ser uma consequ\u00eancia do pr\u00f3prio processo de transgenia que aumentaria a efic\u00e1cia deste outro v\u00edrus&#8221;<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O feij\u00e3o transg\u00eanico n\u00e3o chegou a ser comercializado? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> O feij\u00e3o n\u00e3o foi plantado comercialmente, porque na fase de multiplica\u00e7\u00e3o de sementes ele apresentou problemas que levaram \u00e0 paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que regi\u00f5es do Brasil o feij\u00e3o transg\u00eanico foi cultivado a fim de serem realizados os testes?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> Na fase de testes, <strong>antes da aprova\u00e7\u00e3o comercial<\/strong>, ele foi plantado em v\u00e1rias regi\u00f5es, apresentando resultados diferentes, justamente em fun\u00e7\u00e3o da instabilidade do modelo de transgenia usado na sua constru\u00e7\u00e3o e em fun\u00e7\u00e3o dos diferentes ambientes. Fatos que foram alertados no processo de avalia\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O feij\u00e3o e o feij\u00e3o transg\u00eanico foram infectados pelo v\u00edrus do mosaico dourado? Em que consiste esse v\u00edrus e como se d\u00e1 a contamina\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> O <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/500960-feijao-transgenico-tem-venda-liberada\" target=\"_blank\"><strong>v\u00edrus do mosaico dourado<\/strong><\/a> \u00e9 uma doen\u00e7a causada pelo v\u00edrus de mesmo nome, que acomete o feijoeiro e v\u00e1rias outras culturas, causando amarelecimento e morte das folhas das plantas pela multiplica\u00e7\u00e3o acelerada do v\u00edrus no tecido vegetal, resultando na perda consider\u00e1vel da produtividade. O v\u00edrus da doen\u00e7a do feijoeiro \u00e9 transmitido pelo inseto Bemisia tabaci, conhecido como mosca-branca, portanto deve-se controlar a mosca para evitar a transmiss\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O controle da mosca e, consequentemente, da doen\u00e7a torna-se dif\u00edcil quando a <strong>cultura do feij\u00e3o<\/strong> \u00e9 produzida em enormes monocultivos de feij\u00e3o e plantios sucessivos, ou com outras culturas que tamb\u00e9m s\u00e3o atacadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Com a sugest\u00e3o de que o feij\u00e3o transg\u00eanico n\u00e3o seja comercializado, h\u00e1 como distinguir entre o plantio de feij\u00e3o e o de feij\u00e3o transg\u00eanico? Mesmo com o alerta da Embrapa, o feij\u00e3o transg\u00eanico poder\u00e1 ser plantado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> A apar\u00eancia do feij\u00e3o transg\u00eanico e do convencional \u00e9 a mesma. Caso seja comercializado um dia, n\u00e3o tem como distinguir visualmente, a n\u00e3o ser atrav\u00e9s de testes bioqu\u00edmicos.<\/p>\n<p>E como o feij\u00e3o \u00e9 vendido a granel em muitas localidades, seria imposs\u00edvel detectar, mesmo o empacotado, a n\u00e3o ser que seja revogada a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542184-camara-aprova-projeto-que-dispensa-simbolo-da-transgenia-em-rotulos-de-produtos\" target=\"_blank\">lei de n\u00e3o necessidade de rotulagem<\/a>, que tramita agora no Congresso. E as consequ\u00eancias sobre a sa\u00fade n\u00e3o poderiam ser estabelecidas, pois n\u00e3o seria poss\u00edvel rastrear e estabelecer a rela\u00e7\u00e3o causa-efeito. Este, inclusive, \u00e9 um dos motivos de esta legisla\u00e7\u00e3o estar sendo implementada.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; \u00c1 \u00e9poca da libera\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o transg\u00eanico, a CTNBio divulgou um parecer afirmando que \u201co feij\u00e3o Embrapa 5.1 \u00e9 substancialmente equivalente ao feij\u00e3o convencional, sendo seu consumo seguro para a sa\u00fade humana e animal. No tocante ao meio ambiente, concluiu a CTNBio que o cultivo do feij\u00e3o Embrapa 5.1 n\u00e3o \u00e9 potencialmente causador de significativa degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, guardando com a biota rela\u00e7\u00e3o id\u00eantica \u00e0 do feij\u00e3o convencional (Parecer T\u00e9cnico n\u00ba 3024\/2011)\u201d. Era poss\u00edvel vislumbrar poss\u00edveis impactos e complica\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a esse feij\u00e3o na ocasi\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o da sua comercializa\u00e7\u00e3o, em 2011?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz \u2013<\/strong> Sim. Os <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/502130-feijao-transgenico-provoca-divergencia-entre-consea-e-ctnbio-\" target=\"_blank\"><strong>pareceres contr\u00e1rios \u00e0 libera\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a>, que recomendavam maiores estudos, apontavam todas estas possibilidades, agora relatadas, mas que foram desconsideradas, e na vota\u00e7\u00e3o venceu a imprud\u00eancia e o descaso com a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Outro ponto defendido pelos t\u00e9cnicos da Embrapa na ocasi\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o transg\u00eanico foi o de que ele poderia ser consumido pela popula\u00e7\u00e3o sem danos ao organismo. H\u00e1 novas informa\u00e7\u00f5es e estudos sobre poss\u00edveis danos \u00e0 sa\u00fade dos consumidores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> Meu parecer colocava em destaque que o <strong>feij\u00e3o da Embrapa<\/strong> tinha levado ao aumento do peso do f\u00edgado e \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do peso dos rins nos ratos testados, pelos dados apresentados pela pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que novos estudos est\u00e3o sendo feitos com o feij\u00e3o transg\u00eanico? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> O passo seguinte seria introduzir o <strong>gene de resist\u00eancia a herbicida<\/strong> no feij\u00e3o, mas como a tecnologia apresenta problemas, isto est\u00e1 seguramente em avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<h2><\/h2>\n<h2><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" alt=\"\" width=\"47\" \/><\/h2>\n<h2>&#8220;Acreditamos que outro grande problema seja o fato da alta instabilidade do feij\u00e3o transg\u00eanico, ou seja, ele pode perder a caracter\u00edstica de resistir ao v\u00edrus do mosaico dourado&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; H\u00e1 not\u00edcias de que futuramente a Embrapa quer comercializar alface transg\u00eanico. O senhor tem informa\u00e7\u00f5es sobre esse assunto? Quais s\u00e3o os argumentos para se produzir alface geneticamente modificada? Tem informa\u00e7\u00f5es sobre os estudos nessa \u00e1rea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> A <strong>Embrapa<\/strong> est\u00e1 com estudos aprovados pela <strong>CTNBio<\/strong> de uma <strong>variedade transg\u00eanica de alface<\/strong>, que segundo a empresa tem previs\u00e3o de chegar ao mercado em 2021, com proposta de biofortifica\u00e7\u00e3o, ou seja, aumento de determinados nutrientes.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 de <strong>suprir a car\u00eancia nutriciona<\/strong>l de \u00e1cido f\u00f3lico na alimenta\u00e7\u00e3o. A vitamina tem a fun\u00e7\u00e3o de, entre outras coisas, evitar doen\u00e7as relacionadas \u00e0 malforma\u00e7\u00e3o do tubo neural no per\u00edodo da gesta\u00e7\u00e3o, evitando problemas como malforma\u00e7\u00f5es cerebrais, espinha b\u00edfida, que resulta da forma\u00e7\u00e3o incompleta da medula espinhal, e l\u00e1bio leporino, em que a crian\u00e7a nasce com uma abertura no l\u00e1bio.<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 interessante, mas imagine se tivermos que produzir um transg\u00eanico para cada necessidade de nutriente. Existem diversos alimentos, como o espinafre e os br\u00f3colis, que j\u00e1 est\u00e3o na natureza e possuem os nutrientes necess\u00e1rios para suprir o acido f\u00f3lico, al\u00e9m de algumas plantas, consideradas \u201cplantas invasoras\u201d, conhecidas como <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/523156-a-riqueza-alimentar-das-plantas-alimenticias-nao-convencionais\" target=\"_blank\"><strong>plantas aliment\u00edcias n\u00e3o convencionais \u2013 PANC<\/strong><\/a>, que crescem espontaneamente no meio de outras lavouras e s\u00e3o ricas em \u00e1cido f\u00f3lico e em outros nutrientes, que est\u00e3o adaptadas \u00e0s diferentes regi\u00f5es, n\u00e3o precisam de cuidados espec\u00edficos durante o plantio, n\u00e3o criam depend\u00eancia tecnol\u00f3gica e n\u00e3o envolvem riscos desconhecidos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo? <\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Maria Guzman Ferraz &#8211;<\/strong> O caso do feij\u00e3o \u00e9 emblem\u00e1tico para ressaltar a <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/noticias-anteriores\/28121-a-ciencia-segundo-a-ctnbio\" target=\"_blank\"><strong>irresponsabilidade de libera\u00e7\u00f5es comerciais<\/strong><\/a> sem o devido cuidado e sem observa\u00e7\u00f5es m\u00ednimas do<strong> princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o<\/strong>, colocando em risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e o meio ambiente.<\/p>\n<p>A forma apressada como s\u00e3o conduzidos os ensaios e for\u00e7adas as libera\u00e7\u00f5es comerciais antes de estarem muito bem fundamentadas cientificamente <strong>colocam em risco<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 a popula\u00e7\u00e3o, mas a pr\u00f3pria credibilidade na tecnologia. Em muitos casos, essa pressa n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, pois se est\u00e1 agindo no efeito e n\u00e3o na causa do desequil\u00edbrio que leva a estes surtos de pragas e doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Neste caso espec\u00edfico, o risco decorrente desta tecnologia que gerou o <strong>feij\u00e3o Embrapa 5.1<\/strong> n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio. O que causa esta alta incid\u00eancia da doen\u00e7a \u00e9 o \u201cmodelo de produ\u00e7\u00e3o dominante, pois o inseto vetor, neste caso a mosca-branca, \u00e9 que est\u00e1 fora de controle, seja pelo monocultivo em grande escala, com redu\u00e7\u00e3o exacerbada da biodiversidade, seja pelo cultivo sequencial de v\u00e1rias culturas tamb\u00e9m em monocultivo, que abrigam o inseto vetor, aliado ao fato da resist\u00eancia da mosca, aos inseticidas utilizados no seu controle\u201d.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria <strong>Embrapa<\/strong> tem trabalhos que est\u00e3o inclusive divulgados em Boletim T\u00e9cnico relatando o dia de campo da Embrapa, divulgado em 17\/01\/2011, onde em um <strong>cultivo org\u00e2nico<\/strong> sem o uso de agrot\u00f3xicos, a incid\u00eancia da virose foi impercept\u00edvel e com uma produtividade de 2,4 t\/ha; este plantio, no mesmo local, se repete a oito anos consecutivos. Portanto o manejo adequado \u00e9 poss\u00edvel e \u00e9 vi\u00e1vel segundo pesquisas da pr\u00f3pria Embrapa, sem necessidades de expor a <strong>risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>As coisas podem ser resolvidas com<strong> medidas simples<\/strong> e sem causar depend\u00eancia de tecnologias caras e com alto grau de risco.<\/p>\n<p><em>Por Patr\u00edcia Fachin<\/em><\/p>\n<p>Fonte: <strong>IHU On-Line<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO caso do feij\u00e3o \u00e9 emblem\u00e1tico para ressaltar a irresponsabilidade de libera\u00e7\u00f5es comerciais sem o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"\u201cO caso do feij\u00e3o \u00e9 emblem\u00e1tico para ressaltar a irresponsabilidade de libera\u00e7\u00f5es comerciais sem o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21524"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21524"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21524\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21524"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21524"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21524"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}