{"id":2151,"date":"2014-06-29T19:45:15","date_gmt":"2014-06-29T19:45:15","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=2151"},"modified":"2014-06-29T19:45:15","modified_gmt":"2014-06-29T19:45:15","slug":"meio-ambiente-falta-conexao-entre-o-obvio-e-o-ululante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/meio-ambiente-falta-conexao-entre-o-obvio-e-o-ululante\/","title":{"rendered":"Meio Ambiente: falta conex\u00e3o entre o \u00f3bvio e o ululante"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/natureza_contato_250.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-89468\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/natureza_contato_250.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"166\" \/><\/a>Por Reinaldo Canto*<\/p>\n<p>O pol\u00eamico dramaturgo Nelson Rodrigues foi quem cunhou a express\u00e3o que emoldura o in\u00edcio desse artigo. No discurso rodriguiano, \u00f3bvio e ululante fazem refer\u00eancia \u00e0s verdades escancaradas. Aquelas do tipo que n\u00e3o deixam espa\u00e7o para d\u00favidas. Do mesmo modo, Mino Carta, diretor e editor desta CartaCapital, costuma sempre mencionar o conhecimento \u201cat\u00e9 do mundo mineral\u201d para as quest\u00f5es j\u00e1 amplamente reveladas.<\/p>\n<p>Todos os anos, neste come\u00e7o de junho, s\u00e3o realizadas in\u00fameras a\u00e7\u00f5es e eventos para comemorar o dia do meio ambiente (5\/6) ou a semana do meio ambiente. Governos de todas as esferas correm para inaugurar pra\u00e7as, divulgar algum programa ambiental e colocar estudantes de escolas p\u00fablicas para plantar algumas \u00e1rvores. Empresas apresentam n\u00fameros vinculados \u00e0 redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de gases de efeito estufa e impactos ambientais de suas atividades, informam sobre a economia cada vez maior no uso da \u00e1gua e da energia e colocam os filhos de seus colaboradores para\u2026 plantar algumas \u00e1rvores. As pessoas e seus familiares e amigos tamb\u00e9m aproveitam para celebrar a data participando de atividades p\u00fablicas, visitar algum parque e\u2026plantar algumas \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Sei que usei de ironia para comentar essas atitudes, mas n\u00e3o as considero negativas, muito pelo contr\u00e1rio. Elas devem ser divulgadas e incentivadas. O que questiono, e pe\u00e7o ao leitor para fazer o mesmo, \u00e9 se em muitos desses casos tais a\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuem um car\u00e1ter apenas pontual.<\/p>\n<p>Mais do que digna de comemora\u00e7\u00e3o, a data deveria servir, exatamente, para uma profunda reflex\u00e3o acompanhada de importantes e \u00f3bvias perguntas que, infelizmente, n\u00e3o recebem da mesma maneira respostas ululantes. Da\u00ed em citar que, a obviedade gritante dos problemas ambientais n\u00e3o recebe o seu correspondente e ululante caminho de solu\u00e7\u00f5es permanentes.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o vejamos: em muitas regi\u00f5es do pa\u00eds o problema da falta de \u00e1gua preocupa a todos, causando inclusive a paralisa\u00e7\u00e3o de processos produtivos de ind\u00fastrias; o uso excessivo de agrot\u00f3xicos contamina pessoas e o solo, o que amea\u00e7a a nossa produ\u00e7\u00e3o de alimentos no longo prazo; a gest\u00e3o de lixo nas cidades \u00e9 cada vez mais cara e o seu descarte seja em aterros sanit\u00e1rios ou pior em lix\u00f5es apresenta um cen\u00e1rio de colapso; as nossas florestas est\u00e3o sendo destru\u00ed das, muitas vezes para transformar \u00e1rvores em carv\u00e3o ou para pastos com meia d\u00fazia de cabe\u00e7as de gado, em \u00e1reas antes ocupadas por nascentes de rios e uma rica biodiversidade, o que compromete o nosso futuro.<\/p>\n<p>Essas e outras obviedades ambientais s\u00e3o de \u201cconhecimento do mundo mineral\u201d, mas mais uma vez, no quesito ululante permanecem no vazio da letargia e da procrastina\u00e7\u00e3o. Mesmo com tantas evid\u00eancias parece faltar algo para que se entenda de uma vez por todas a necessidade de mudar um sem n\u00famero de atitudes, em todos os n\u00edveis, que deixadas ao bel prazer, fatalmente v\u00e3o trazer ainda maiores dissabores e problemas mais cr\u00f4nicos com crescente dificuldade de solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao menos se come\u00e7armos a quebrar alguns paradigmas como a percep\u00e7\u00e3o de que os recursos naturais s\u00e3o infinitos e a natureza descart\u00e1vel, j\u00e1 ser\u00e1 um progresso consider\u00e1vel. Parece que tudo aquilo que gentilmente nos \u00e9 entregue pelos chamados servi\u00e7os ambientais, tais como, as propiciadas pelas florestas e \u00e1reas verdes por meio da regula\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica, conserva\u00e7\u00e3o e purifica\u00e7\u00e3o das fontes de \u00e1gua, dos regimes de chuva, da qualidade do ar e dos fundamentais insumos para nossa sobreviv\u00eancia (frutas, madeira, insumos medicinais e ess\u00eancias, por exemplo), n\u00e3o recebe o devido valor.<\/p>\n<p>Na mesma linha de racioc\u00ednio, com o surgimento das cidades, o meio natural muitas vezes foi e ainda \u00e9 visto como atraso. Claro que existe uma raz\u00e3o para isso. Uma rua sem asfalto, um matagal perto de casa e a prolifera\u00e7\u00e3o de insetos na maioria dos casos pode estar associados a uma condi\u00e7\u00e3o social desfavor\u00e1vel. Por outro lado, usar a bicicleta ao inv\u00e9s de um carro, resistir aos apelos de consumo dos \u00faltimos lan\u00e7amentos tecnol\u00f3gicos ou mesmo reutilizar produtos e embalagens ainda \u00e9 visto como sinal de pobreza ou de uma quest\u00e3o puramente de p\u00e3odurismo. Se at\u00e9 mesmo andar a p\u00e9, uma das mais b\u00e1sicas atividades f\u00edsicas \u00e9, \u00e0s vezes, visto como coisa de pobre, o que esperar do futuro?<\/p>\n<p>Se nesses dias de comemora\u00e7\u00e3o voc\u00ea havia decidido plantar uma \u00e1rvore, n\u00e3o deixe a p\u00e1 de lado por causa dessas inconclusivas linhas. Uma \u00e1rvore \u00e9 sim relevante e, certamente, trar\u00e1 seus benef\u00edcios. Mas t\u00e3o importante quanto, \u00e9 exercitar nosso poder de refletir mais profundamente sobre o significado do meio ambiente. Quem sabe um olhar mais terno, generoso e c\u00famplice para as coisas da natureza seja capaz de colocar o \u00f3bvio e o ululante lado a lado em prol de um mundo mais justo, equilibrado e sustent\u00e1vel para todos n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"font-weight: bold;\">*Reinaldo Canto \u00e9 jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e p\u00f3s-graduado em Intelig\u00eancia Empresarial e Gest\u00e3o do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televis\u00e3o e r\u00e1dio do Pa\u00eds. Foi diretor de comunica\u00e7\u00e3o do Greenpeace Brasil, coordenador de comunica\u00e7\u00e3o do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente \u00e9 colaborador e parceiro da Envolverde, professor em Gest\u00e3o Ambiental na FAPPES e palestrante e consultor na \u00e1rea ambiental.<\/p>\n<p style=\"font-weight: bold;\">Fonte: Mercado \u00c9tico<\/p>\n<p id=\"comentarios_materia\" style=\"border: 1px solid #cccccc; color: #666666; padding: 6px; text-transform: uppercase; width: 515px; margin: 20px 0 0 0;\">Coment\u00e1rios<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Reinaldo Canto* O pol\u00eamico dramaturgo Nelson Rodrigues foi quem cunhou a express\u00e3o que emoldura<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Reinaldo Canto* O pol\u00eamico dramaturgo Nelson Rodrigues foi quem cunhou a express\u00e3o que emoldura","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2151"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2151"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2151\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2151"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2151"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2151"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}