{"id":21276,"date":"2015-05-18T13:00:09","date_gmt":"2015-05-18T13:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21276"},"modified":"2015-05-17T23:05:40","modified_gmt":"2015-05-17T23:05:40","slug":"por-que-as-sociedades-estao-perdendo-a-fe-nas-tecnologias-verdes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-as-sociedades-estao-perdendo-a-fe-nas-tecnologias-verdes\/","title":{"rendered":"Por que as sociedades est\u00e3o perdendo a f\u00e9 nas tecnologias verdes?"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-21277\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Poucos temas t\u00eam dominado o debate p\u00fablico e a agenda pol\u00edtica nos \u00faltimos anos como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o aquecimento global. Tanto nos meios de comunica\u00e7\u00e3o como entre as prioridades e preocupa\u00e7\u00f5es do p\u00fablico, o tema ganhou um espa\u00e7o que antes n\u00e3o tinha. Filmes-cat\u00e1strofe como <em>O Dia Depois de Amanh\u00e3<\/em> ou document\u00e1rios premiados como <em>Uma Verdade Inconveniente<\/em> contribu\u00edram para que o grande p\u00fablico sa\u00edsse da indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Muito al\u00e9m da fic\u00e7\u00e3o, o tom dram\u00e1tico, urgente e pessimista une segmentos de todo tipo. \u201cEste \u00e9 um livro sobre pesadelos, cat\u00e1strofes\u201d adverte o soci\u00f3logo Anthony Giddens em seu recente livro, <em>A Pol\u00edtica da Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cO aquecimento global deve ser visto como uma amea\u00e7a econ\u00f4mica e \u00e0 nossa seguran\u00e7a\u201d, denunciou, em seu momento, o ex-secret\u00e1rio-geral da ONU, Kofi Annan. \u201cAs mudan\u00e7as clim\u00e1ticas constituem um dos maiores desafios do nosso tempo\u201d, apontava a carta aberta do Instituto Ethos, no Brasil, quatro anos atr\u00e1s.<strong><em>[1]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Por sua vez, o l\u00edder social e ambientalista Lester Brown alerta que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas significam menos comida e mais fome, sendo que o seu livro <em>Plano B<\/em> apresenta como subt\u00edtulo \u201cmobiliza\u00e7\u00e3o para salvar a civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Embora muitas dessas vozes venham do Primeiro Mundo, o eco chegou com for\u00e7a at\u00e9 os pa\u00edses emergentes como o Brasil: o tema multiplicou por sete seu espa\u00e7o na m\u00eddia,<strong><em>[2]<\/em><\/strong> ao mesmo tempo em que o n\u00famero de eventos clim\u00e1ticos extremos ao redor do planeta cresceu de modo proporcional \u00e0 sua intensidade.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-32423 alignright\" title=\"Texto1\" src=\"http:\/\/www.ideiasustentavel.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Texto1.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"277\" \/>Registros privados, iniciados em 2004, indicavam a ocorr\u00eancia de 640 eventos catastr\u00f3ficos, que deixaram como saldo 11.600 v\u00edtimas fatais e quase 108 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em perdas; em 2012 os eventos somaram 905, com 8.900 v\u00edtimas fatais e 150 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em preju\u00edzos.<strong><em>[3]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>E se no ano de 2000 o desvio da m\u00e9dia de temperatura do s\u00e9culo 20 se limitou a 0,40 graus Celsius, em 2012 chegava a 0,67.<strong><em>[4]<\/em><\/strong> Tanto as cat\u00e1strofes como as mudan\u00e7as abruptas na temperatura colocam o tema no radar e na realidade das sociedades (e n\u00e3o s\u00f3 das suas elites cient\u00edficas ou ambientalistas), e facilitam a sua visibilidade, assim como as atitudes e opini\u00f5es sobre o assunto.<\/p>\n<p>Como resultado, o assunto instalou-se nas nossas sociedades. Na Europa, a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o considera os perigos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas um problema mais s\u00e9rio se comparado \u00e0 crise financeira, ficando atr\u00e1s apenas da pobreza.<strong><em>[5]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>No mesmo sentido, uma ampla maioria de norte-americanos expressa ter sido afetada pessoalmente por eventos clim\u00e1ticos extremos nos \u00faltimos 12 meses, associando essas ocorr\u00eancias diretamente ao aquecimento global.<strong><em>[6]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A escala global, uma pesquisa feita em 18 pa\u00edses de todos os continentes, indica que 50% da popula\u00e7\u00e3o mundial consideram as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas um problema muito s\u00e9rio, enquanto outro 31% consideram-no um razoavelmente s\u00e9rio.<strong><em>[7]<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A recente atualiza\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio do IPCC sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas dever\u00e1 reanimar a aten\u00e7\u00e3o mundial sobre o tema nos pr\u00f3ximos meses, com um alerta refor\u00e7ado, uma vez que a comunidade cient\u00edfica internacional aponta com um grau de precis\u00e3o nunca enunciado antes que, com 95% de certeza, a atividade humana \u00e9 a causadora das brutais oscila\u00e7\u00f5es do clima e suas consequ\u00eancias sociais, econ\u00f4micas e ambientais.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio confirma que, fruto da expans\u00e3o agr\u00edcola, industrial, urbana e demogr\u00e1fica, ser\u00e1 ultrapassado o aumento de dois graus, para al\u00e9m do qual os efeitos ambientais ser\u00e3o previsivelmente imprevis\u00edveis. Ele tamb\u00e9m ratifica as predi\u00e7\u00f5es de eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar e de maior grau de concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa em 800 mil anos.<strong><em>[8]<\/em><\/strong> E corrobora que, junto com v\u00e1rios outros pa\u00edses emergentes, o Brasil ser\u00e1 um dos mais afetados.<\/p>\n<p><strong>Apostar em novas tecnologias ou novos estilos de vida?<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-32426\" title=\"Texto2\" src=\"http:\/\/www.ideiasustentavel.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Texto2.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"168\" \/>Diante das comprova\u00e7\u00f5es, o foco passa a estar agora nas solu\u00e7\u00f5es: dar prefer\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as nos estilos de vida ou \u00e0s mudan\u00e7as trazidas pela tecnologia? Na medida em que as diferentes partes envolvidas encaram as alternativas v\u00e1lidas de a\u00e7\u00e3o condicionadas pelos seus valores e interesses, o equil\u00edbrio entre ambos os caminhos se v\u00ea naturalmente afetado.<\/p>\n<p>Por exemplo, as empresas, alguns setores da comunidade cient\u00edfica e os governos (como minist\u00e9rios de economia, planejamento, educa\u00e7\u00e3o e tecnologia) trabalham com a premissa naturalizada de que o risco ou desafio clim\u00e1tico e ambiental n\u00e3o s\u00f3 representa uma situa\u00e7\u00e3o de press\u00e3o como tamb\u00e9m um cen\u00e1rio de oportunidades.<\/p>\n<p>E boa parte delas est\u00e1 vinculada \u00e0 gera\u00e7\u00e3o e \u00e0 oferta, por exemplo, de inova\u00e7\u00f5es em procedimentos e solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas (tais como geradores de energia limpa, equipamentos que aumentem a efici\u00eancia energ\u00e9tica e a racionaliza\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua, m\u00e9todos verdes de constru\u00e7\u00e3o civil, reengenharia biomim\u00e9tica e desenhos inteligentes de produtos e embalagens, amplia\u00e7\u00e3o dos processos de reciclagem e outras), o que inclinaria a balan\u00e7a em favor da prefer\u00eancia por sa\u00eddas por meio da tecnologia \u2013 a promessa da \u201ceconomia verde\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, ONGs e entidades da sociedade civil, outros setores dos governos (como minist\u00e9rios da sa\u00fade e meio ambiente), assim como in\u00fameros membros da comunidade acad\u00eamica, questionam a efic\u00e1cia das respostas tecnol\u00f3gicas e interpretam que o principal objetivo efetivo no longo prazo passa por modificar substancialmente as condutas pessoais e a aspira\u00e7\u00e3o em manter n\u00edveis de consumo insustent\u00e1veis, induzindo a uma prioriza\u00e7\u00e3o pela mudan\u00e7a nos estilos de vida.\u00a0 Para muitos deles, as respostas tecnol\u00f3gicas s\u00e3o uma quimera que termina escondendo ou aninhando problemas e riscos ainda maiores posteriormente.<\/p>\n<p>A tens\u00e3o entre essas op\u00e7\u00f5es espec\u00edficas tamb\u00e9m \u00e9 nutrida por debates relativos a qu\u00e3o genu\u00edna \u00e9 a predisposi\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos a apropriar-se ou n\u00e3o do problema, pois essa escolha implica um alinhamento com estrat\u00e9gias que envolvem o indiv\u00edduo de maneira central.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-32428 alignright\" title=\"Texto3\" src=\"http:\/\/www.ideiasustentavel.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Texto3.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"276\" \/>A quest\u00e3o sobre at\u00e9 que ponto as respostas \u00e0 crise ambiental devem vir de mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos e valores pessoais ou de mudan\u00e7as externas impulsionadas por inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas se constitui, assim, em um indicador-chave da intensidade dos compromissos pessoais com o tema, do grau de autorresponsabiliza\u00e7\u00e3o vigente e da percep\u00e7\u00e3o de empoderamento individual existente.<\/p>\n<p>Essa tens\u00e3o tamb\u00e9m reflete parte das contradi\u00e7\u00f5es naturais da modernidade. Nesse sentido, a f\u00e9 na sa\u00edda tecnol\u00f3gica \u00e9 uma deriva\u00e7\u00e3o natural da cren\u00e7a moderna que consagra o dom\u00ednio racional das atividades e processos.<\/p>\n<p><strong>Quanto mais ricos, mais c\u00e9ticos sobre a tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>Curiosamente, \u00e9 entre as na\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas industrial e tecnologicamente, pioneiras na moderniza\u00e7\u00e3o e racionaliza\u00e7\u00e3o de processos, que se concentra a maior resist\u00eancia a apoiar essa op\u00e7\u00e3o pela salva\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica. Se elas conseguiram converter pioneirismo tecnol\u00f3gico em bem-estar econ\u00f4mico e social, n\u00e3o deveriam apostar com maior afinco numa solu\u00e7\u00e3o apoiada na tecnologia?\u00a0 Como demonstraram Kim, Choi e Wang,<strong><em>[9]<\/em><\/strong> o grau de aflu\u00eancia econ\u00f4mica \u00e9 determinante na maneira como os pa\u00edses lidam com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>A riqueza reflete uma maior viv\u00eancia com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico e com os perigos dele decorrentes. As inova\u00e7\u00f5es que permitiram acelerar o crescimento econ\u00f4mico, acumular bens e garantir bem-estar tamb\u00e9m geraram impactos sociais e ambientais cada vez menos ignorados como \u201cexternalidades\u201d e cada vez mais vis\u00edveis como riscos ou problemas. Resultado: existe uma rela\u00e7\u00e3o negativa entre a riqueza da na\u00e7\u00e3o e o apoio \u00e0 tecnologia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-32420\" title=\"Gr\u00e1fico1\" src=\"http:\/\/www.ideiasustentavel.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Gr%C3%A1fico1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"356\" \/><\/p>\n<p>Quando o foco recai sobre as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, sabemos que a falta de recursos est\u00e1 diretamente relacionada com a vulnerabilidade. Embora a pobreza n\u00e3o seja sin\u00f4nimo de vulnerabilidade, ela expressa, sim, a capacidade de lidar com o problema. Na medida em que indiv\u00edduos dos pa\u00edses emergentes exibem uma percep\u00e7\u00e3o de risco mais acentuada da situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 natural estarem mais propensos a depositar suas expectativas sobre a tecnologia (negando ou desconhecendo os efeitos colaterais da industrializa\u00e7\u00e3o), uma vez que possuem poucos recursos para se mobilizar de outras formas.<\/p>\n<p><strong>A complexa influ\u00eancia da sustentabilidade corporativa<\/strong><\/p>\n<p>Para aqueles que rejeitam o reducionismo econ\u00f4mico como forma de ler o funcionamento do mundo, uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o alternativa tem a ver com a maturidade institucional das sociedades. De forma geral, pa\u00edses que possuem institui\u00e7\u00f5es sociais mais desenvolvidas (por exemplo, aqueles que se apoiam na autorregula\u00e7\u00e3o, permitem a livre circula\u00e7\u00e3o de ideias e propostas, estimulam a sustentabilidade corporativa, comunicam livremente os impactos positivos e negativos da atua\u00e7\u00e3o corporativa sobre a sociedade e meio ambiente) tendem a apresentar maior capacidade de inova\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o diante de desafios coletivos como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o ambiente prop\u00edcio para o progresso das ideias, a valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento e a moderniza\u00e7\u00e3o apoiada na tecnologia. Ao mesmo tempo, sociedades abertas com democracias s\u00f3lidas e empresas trilhando o caminho da sustentabilidade de forma mais consistente encontram limita\u00e7\u00f5es para socializar os custos de absorver medidas que afetem os interesses das suas clientelas, como eleitores e consumidores.<\/p>\n<p>Nesse sentido, as condi\u00e7\u00f5es institucionais tenderiam a favorecer respostas que descansem menos na internaliza\u00e7\u00e3o de custos maiores entre seus p\u00fablicos de relacionamento (tais como a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos e estilos de vida) e mais nos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, que n\u00e3o exigem medidas antip\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Se tomarmos o grau de sustentabilidade corporativa como indicador de progresso institucional e considerarmos o n\u00famero de empresas publicando relat\u00f3rios socioambientais no padr\u00e3o GRI como refer\u00eancia, descobriremos que existe uma rela\u00e7\u00e3o bastante complexa entre maturidade institucional e favorecimento da op\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>O desenvolvimento institucional beneficia a f\u00e9 na tecnologia, por\u00e9m, ap\u00f3s certo umbral de maturidade, essa rela\u00e7\u00e3o se inverte, revelando cr\u00edticas \u00e0 solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica nas sociedades mais avan\u00e7adas em termos de engajamento corporativo com a sustentabilidade. S\u00e3o exemplos dessa rela\u00e7\u00e3o os Estados Unidos e a Espanha, pa\u00edses com as mais elevadas taxas de publica\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios de sustentabilidade no formato GRI e popula\u00e7\u00e3o crescentemente c\u00e9tica quanto \u00e0s solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas para o problema das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-32421\" title=\"Gr\u00e1fico2\" src=\"http:\/\/www.ideiasustentavel.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/Gr%C3%A1fico2.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"417\" \/><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>O desenvolvimento industrial e o alt\u00edssimo engajamento socioambiental do mundo empresarial comp\u00f5em, hoje, o ambiente no qual se nutre a maior resist\u00eancia a express\u00f5es da economia verde como modelo de resposta \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Isso representa um sinal de alerta, uma vez que, paradoxalmente, \u00e9 nas na\u00e7\u00f5es com essas duas caracter\u00edsticas que surge a grande maioria de inova\u00e7\u00f5es. Alguns podem se sentir tentados a interpretar tais resultados como pura contradi\u00e7\u00e3o, hipocrisia ou inconst\u00e2ncia dos cidad\u00e3os de pa\u00edses onde isso ocorre.<\/p>\n<p>Outros podem lembrar que s\u00e3o essas sociedades as que mais favorecem a escolariza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, um senso de responsabiliza\u00e7\u00e3o individual e a lideran\u00e7a empresarial em sustentabilidade, situa\u00e7\u00e3o ideal para se autorrefletir sobre os efeitos coletivos das decis\u00f5es cotidianas de compra, uso e descarte de cada cidad\u00e3o (assim como da influ\u00eancia corporativa nessas escolhas). Resultado: uma maior \u00eanfase nos estilos de vida. Talvez a leitura mais pragm\u00e1tica seja a de entender que essa conflu\u00eancia \u2013 de maior desenvolvimento e menor f\u00e9 na tecnologia \u2013 sugere no m\u00ednimo a necessidade de planejar e posicionar as solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas como mecanismo facilitador de mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos pessoais.<\/p>\n<p><strong><em>[1]<\/em><\/strong> <em>Carta Aberta ao Brasil sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas assinada por 22 empresas durante o Semin\u00e1rio \u201cBrasil e as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas: Oportunidades para uma Economia de Baixo Carbono\u201d, em 25 de agosto de 2009. O documento \u00e9 uma iniciativa do Instituto Ethos, Vale e F\u00f3rum Amaz\u00f4nia Sustent\u00e1vel. O evento foi organizado pelo Valor Econ\u00f4mico e Globonews, com apoio do Instituto Ethos.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>[2]<\/em><\/strong> <em>Por exemplo, segundo arquivos do principal jornal do Brasil,Folha de S\u00e3o Paulo, a m\u00e9dia de noticias sobre esse assunto saltou de 129 entre os anos 2000-2001 para 919 entre 2009-2010, com um crescimento bastante linear durante os anos intermedi\u00e1rios.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>[3]<\/em><\/strong> <em>Munich Re, NatCat service, 2013.\u00a0 Os dados de v\u00edtimas fatais e perdas consideram somente os resultantes de eventos climatol\u00f3gicos, hidrol\u00f3gicos e meteorol\u00f3gicos, e excluem os vinculados a fen\u00f4menos geol\u00f3gicos naturais como os vulcanol\u00f3gicos, terremotos e tsunamis.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>[4]<\/em><\/strong> <em>NOAA, National climatic data center, US Dept of Commerce, 2013. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ncdc.noaa.gov\/cag\/time-series\/global\">http:\/\/www.ncdc.noaa.gov\/cag\/time-series\/global<\/a>, acessado em 28\/10\/2013.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>[5]<\/strong> Pesquisa Eurobarometer, realizada pela TNS Opinion &amp; Social. Dados coletados em junho de 2011 com 27.000 pessoas com mais de 15 anos em 27 pa\u00edses. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/ec.europa.eu\/public_opinion\/archives\/ebs\/ebs_372_en.pdf\">http:\/\/ec.europa.eu\/public_opinion\/archives\/ebs\/ebs_372_en.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 1 ago. 2012.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>[6] <\/strong>Pesquisa \u201cExtreme Weather, Climate &amp; Preparedness in the American Mind\u201d, realizada pela Yale Project on Climate Change Communication e pela George Mason University Center for Climate Change Communication. Dados coletados em mar\u00e7o de 2012 com 1.008 norte-americanos com 18 anos ou mais. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/environment.yale.edu\/climate\/files\/Six-Americas-March-2012.pdf\">http:\/\/environment.yale.edu\/climate\/files\/Six-Americas-March-2012.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 1 ago. 2012.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>[7]<\/em><\/strong> <em>Pesquisa Radar Omnibus realizada pela GlobeScan. Dados coletados entre julho e setembro de 2012 com 10.000 pessoas de 18 anos ou mais em 18 pa\u00edses.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>[8]<\/em><\/strong> <em>Grupo de trabalho I do IPCC, Intergovernamental Panel on Climate Change.\u00a0 \u201cClimate Change 2013: The physical Science basis. Final Draft Underlying Scientific-Technical Assessment\u201d, Setembro de 2013. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.climatechange2013.org\/images\/uploads\/WGIAR5_WGI-12Doc2b_FinalDraft_All.pdf\">http:\/\/www.climatechange2013.org\/images\/uploads\/WGIAR5_WGI-12Doc2b_FinalDraft_All.pdf<\/a>. Acessado em 28\/10\/2013.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>[9] <\/strong>KIM, S.; CHOI, S.; WANG, J. 2013. <a href=\"http:\/\/ajou.ac.kr\/%7Eseoyong\/paper\/Individual%20perception%20vs.%20structural%20context-with%20Changok%20Choi.pdf\">Individual perception vs. structural context: searching for multilevel determinants of science-technology acceptance across 34 countries<\/a>.\u00a0Science and Public Policy.<\/em><\/p>\n<p><strong>Fabi\u00e1n Echegaray \u00e9 Ph.D em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pela Universidade de Connecticut (EUA) e diretor-geral da Market Analysis, instituto de pesquisas especializado em sustentabilidade e responsabilidade social.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Poucos temas t\u00eam dominado o debate p\u00fablico e a agenda pol\u00edtica nos \u00faltimos anos como<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21277,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/fabian.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Poucos temas t\u00eam dominado o debate p\u00fablico e a agenda pol\u00edtica nos \u00faltimos anos como","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21276"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21276\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}