{"id":21191,"date":"2015-05-16T14:26:06","date_gmt":"2015-05-16T14:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=21191"},"modified":"2015-05-16T14:26:06","modified_gmt":"2015-05-16T14:26:06","slug":"predador-da-antartica-foca-leopardo-pode-ser-encontrada-na-patagonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/predador-da-antartica-foca-leopardo-pode-ser-encontrada-na-patagonia\/","title":{"rendered":"Predador da Ant\u00e1rtica, foca-leopardo pode ser encontrada na Patag\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/foca_leopardo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-21193\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/foca_leopardo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/foca_leopardo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/foca_leopardo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma paisagem com vista infinita. L\u00e1 eles s\u00e3o maioria. De longe parecem pinguins, por causa da plumagem preta e branca. Mas s\u00e3o os cormor\u00f5es imperiais. Formam uma esp\u00e9cie de plateia no porto da pequena cidade chilena de Punta Arenas, um dos pontos de partida para se chegar ao local mais distante do continente. Mas chegar ao para\u00edso selvagem nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Perto do porto, a carca\u00e7a enferrujada de um navio serve como um aviso aos navegantes. \u00c9 um retrato implac\u00e1vel dos fortes ventos e do mar agitado da rota patag\u00f4nica.<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca, o cais est\u00e1 repleto de barcos de pesca, todos parados. Estamos no per\u00edodo do defeso, fase de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, quando a pesca \u00e9 proibida. S\u00f3 assim a equipe do Globo Rep\u00f3rter consegue alugar um barco e encontrar uma das tripula\u00e7\u00f5es mais experientes para nos levar em uma viagem inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>Partimos ao anoitecer do porto de Punta Arenas do Chile, com muito frio e chovendo para uma viagem de 15 dias por esse mundo desconhecido da Patag\u00f4nia. Primeiro o nosso barco \u2013 o pesqueiro Dona Pilar &#8211; vai nos levar pelas \u00e1guas tranquilas do Estreito de Magalh\u00e3es, at\u00e9 chegar no Mar Revolto, o encontro dos oceanos Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico. Nosso barquinho vai contornar Cabo Horn, ponto extremo da Am\u00e9rica do Sul. Vamos ao fim do mundo.<\/p>\n<p>Logo na partida ganhamos a companhia de um grupo animado. S\u00e3o os golfinhos austrais, uma esp\u00e9cie que s\u00f3 existe nessa regi\u00e3o do Chile e na Argentina. Moram nas ba\u00edas, ao redor das ilhas do Estreito de Magalh\u00e3es. Nadam em pequenos grupos. Seguimos pelo Estreito de Magalh\u00e3es, que j\u00e1 foi a principal rota de navios, antes da cria\u00e7\u00e3o do Canal do Panam\u00e1. Hoje o maior tr\u00e2nsito \u00e9 formado pelos animais da regi\u00e3o. As baleias-jubartes cruzam o mar de \u00e1guas cinzentas.<\/p>\n<p><strong>Mariana Nery, bi\u00f3loga: <\/strong>Algumas inclusive est\u00e3o chegando da \u00e9poca da reprodu\u00e7\u00e3o com os filhotes pela primeira vez para se alimentar aqui.<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> \u00c9 verdade que uma baleia fica at\u00e9 seis meses sem se alimentar?<br \/>\n<strong>Mariana Nery: <\/strong>\u00c9 verdade.<\/p>\n<p>E nessa regi\u00e3o encontram um banquete. \u201cElas comem crio, elas comem sardinha, peixes pequenos, e essas \u00e1guas aqui s\u00e3o muito ricas durante o ver\u00e3o\u201d, afirma a bi\u00f3loga. As f\u00eameas s\u00e3o maiores que os machos e podem chegar a 16 metros. Acompanhar as baleias \u00e9 motivo de comemora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEla foi bem ca\u00e7ada nessa regi\u00e3o, quase dizimada, mas ela vem se recuperando. Todos anos s\u00e3o vistos mais, s\u00e3o vistas cada vez mais baleias\u201d, conta Mariana Nery.<\/p>\n<p>A fartura de peixes atrai os le\u00f5es marinhos. E os p\u00e1ssaros logo aparecem. S\u00e3o tr\u00eas esp\u00e9cies: a skua, o petrel-gigante e o albatroz-de-sobrancelha-negra. Eles roubam o peixe do le\u00e3o marinho e chegam a brigar.<\/p>\n<p>Quase 22h e ainda est\u00e1 claro. O dia na Patag\u00f4nia no per\u00edodo de ver\u00e3o chega a 18 horas. \u00c9 o contr\u00e1rio do que acontece no inverno, que amanhece \u00e0s 9h e escurece as 15h. E no final do longo dia o sol se despede mudando as cores de um cen\u00e1rio que \u00e9 t\u00e3o surpreendente.<\/p>\n<p><strong>Pinguins garantem seguran\u00e7a dos filhotes em ref\u00fagio para procria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma algazarra quebra o sil\u00eancio da manh\u00e3 patag\u00f4nica. Estamos perto de uma ilha dormit\u00f3rio das gaivotas. L\u00e1 elas aproveitam para fazer ninhos e se reproduzir. Essa ilha no Estreito de Magalh\u00e3es \u00e9 um ref\u00fagio dos pinguins, um local de reprodu\u00e7\u00e3o. \u00c9 fase de procria\u00e7\u00e3o e os pinguins querem garantir a seguran\u00e7a dos filhotes. S\u00e3o centenas de ninhos, embaixo das ra\u00edzes, camuflados no meio da vegeta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter: <\/strong>Quando o pai e m\u00e3e saem para pescar e n\u00e3o voltam o que acontecem?<br \/>\n<strong>Juan Pablo Torres-Flores, bi\u00f3logo: <\/strong>O outro pai vai ter que se alimentar e vai abandonar o ninho. A\u00ed t\u00eam muitas aves, que s\u00e3o as skuas chilenas, e ela vai aproveitar e vai comer o filhote. Tamb\u00e9m acontece com o ovo, se eles se descuidam dos ovos, as skuas tamb\u00e9m v\u00e3o.<br \/>\n<strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> V\u00eam e predam os ovos?<br \/>\n<strong>Juan Pablo Torres-Flores: <\/strong>E comem os ovos.<\/p>\n<p>A hora do lanche \u00e9 uma festa. Centenas de pinguins v\u00e3o para perto do mar garantir o prato do dia. Muitos dos pinguins que est\u00e3o na praia s\u00e3o filhotes acompanhando os pais nos primeiros mergulhos. E logo eles aprendem a pescar. Se alimentam basicamente de sardinhas.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter:<\/strong> Como os pais reconhecem os filhos quando voltam?<br \/>\n<strong>Mariana Nery: <\/strong>Eles reconhecem pelo canto, pelas vocaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os filhotes quando crescem entram em uma esp\u00e9cie de adolesc\u00eancia e trocam a plumagem. As aves que n\u00e3o nasceram para voar, s\u00e3o excelentes nadadoras. Nadar bem \u00e9 uma necessidade de sobreviv\u00eancia no mar.<\/p>\n<p><strong>Globo Rep\u00f3rter: <\/strong>Eles t\u00eam muitos predadores?<br \/>\n<strong>Juan Pablo Torres-Flores: <\/strong>Eles t\u00eam predadores, mas principalmente a foca leopardo, as orcas tamb\u00e9m conseguem se alimentar de pinguins.<\/p>\n<p><strong>Montanhas geladas da Cordilheira de Darwin s\u00e3o ponto final da Cordilheira dos Andes<\/strong><\/p>\n<p>Estamos chegando a um dos pontos mais bonitos da nossa viagem: a Cordilheira de Darwin, aonde se concentra o maior n\u00famero de montanhas geladas e ao mesmo tempo \u00e9 l\u00e1 que termina a Cordilheira dos Andes.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito para avistar um perigoso predador de l\u00e1. A foca-leopardo, que \u00e9 considerada a mais bonita das focas e tamb\u00e9m a mais temida. Ela chega at\u00e9 a 3,6 metros de comprimento. E aproveita nos icebergs, uma pedra de gelo para dormir, n\u00e3o sente nenhum frio. O aspecto tranquilo n\u00e3o reflete a agressividade desse animal. Um ataque \u00e9 assustador e muitas vezes fatal.<\/p>\n<p>\u201cA foca-leopardo \u00e9 como um tigre dos mares\u201d, afirma Juan Pablo Torres-Flores, bi\u00f3logo.<\/p>\n<p>As focas dessa esp\u00e9cie s\u00e3o solit\u00e1rias ou ficam em fam\u00edlia, sempre pequenos grupos. Migram da Ant\u00e1rtica at\u00e9 a Patag\u00f4nia, onde descansam e se alimentam.<\/p>\n<p>A equipe do Globo Rep\u00f3rter tamb\u00e9m vai ao encontro dos gigantes da Patag\u00f4nia, em uma col\u00f4nia de elefantes marinhos, uma das \u00faltimas do continente sul americano, porque depois eles s\u00f3 podem ser vistos na Ant\u00e1rtica. Estes animais chegam a mais de quatro metros de comprimento e pesam at\u00e9 tr\u00eas toneladas. O filhote de elefante marinho j\u00e1 nasce com mais de 50 quilos. E crescem r\u00e1pido. Na fase da amamenta\u00e7\u00e3o chegam a 150 quilos. Com tr\u00eas meses j\u00e1 est\u00e3o prontos para ca\u00e7ar alimento.<\/p>\n<p>O nome elefante marinho vem do nariz alongado, uma esp\u00e9cie de tromba. Na terra s\u00e3o desengon\u00e7ados, mas no mar podem mergulhar at\u00e9 dois mil metros de profundidade. E s\u00e3o muito grandes. As f\u00eameas atingem quase quatro metros. Os machos ultrapassam os seis metros.<\/p>\n<p>Por debaixo do couro, os elefantes marinhos carregam uma espessa e cobi\u00e7ada camada de gordura de quase dez cent\u00edmetros.<\/p>\n<p>\u201cO elefante marinho foi muito ca\u00e7ado por causa da gordura. Agora \u00e9 proibido a ca\u00e7a de qualquer mam\u00edfero marinho no Chile e na Argentina\u201d, conta Juan Pablo.<\/p>\n<p>Com a proibi\u00e7\u00e3o da ca\u00e7a, eles podem aproveitar sossegados esse para\u00edso. O espet\u00e1culo visual dessa vastid\u00e3o gelada nunca \u00e9 igual. Os pared\u00f5es de at\u00e9 50 metros de altura formam cen\u00e1rios impactantes, mas a a\u00e7\u00e3o dos ventos e do tempo \u00e9 implac\u00e1vel. Em um dos locais de encontro das grandes geleiras com Estreito de Magalh\u00e3es as paredes imensas de gelo v\u00e3o ruir a qualquer momento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma paisagem com vista infinita. L\u00e1 eles s\u00e3o maioria. 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