{"id":2115,"date":"2014-06-29T19:00:57","date_gmt":"2014-06-29T19:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=2115"},"modified":"2014-06-29T13:14:58","modified_gmt":"2014-06-29T13:14:58","slug":"milhares-de-pessoas-estao-tirando-o-gluten-da-alimentacao-para-emagrecer-e-ter-mais-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/milhares-de-pessoas-estao-tirando-o-gluten-da-alimentacao-para-emagrecer-e-ter-mais-saude\/","title":{"rendered":"Milhares de pessoas est\u00e3o tirando o gl\u00faten da alimenta\u00e7\u00e3o para emagrecer e ter mais sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>Por Cilene Pereira, Mariana Brugger e M\u00f4nica Tarantino*<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Basta um teste r\u00e1pido para identificar a nova febre mundial no que diz respeito a regimes de emagrecimento. Uma conversa no trabalho, com os amigos, na academia e com certeza voc\u00ea ouvir\u00e1 que algu\u00e9m est\u00e1 fazendo, fez ou pretende fazer a dieta do gl\u00faten. Retirar o nutriente do card\u00e1pio tornou-se a solu\u00e7\u00e3o mais propagada do momento para perder peso e ter mais sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A recomenda\u00e7\u00e3o contagiou o Brasil, os Estados Unidos, a Europa. Os n\u00fameros de um mercado em franca expans\u00e3o confirmam a crescente popularidade desse movimento. Nos Estados Unidos, por exemplo, a previs\u00e3o \u00e9 de que o consumo de produtos sem gl\u00faten salte de US$ 2,6 bilh\u00f5es, em 2010, para US$ 5 bilh\u00f5es em 2015.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 estimativas exatas, mas proliferam pelo Pa\u00eds restaurantes com op\u00e7\u00f5es gl\u00faten-free no menu, e mercados, como o Santa Luzia, em S\u00e3o Paulo, reservam prateleiras para os artigos sem a subst\u00e2ncia. A reboque dessa onda est\u00e1 a exclus\u00e3o da lactose, o a\u00e7\u00facar do leite (leia mais sobre o assunto \u00e0 p\u00e1g.70).<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385314773554973.jpg\" alt=\"GLUTEN-01-IE.jpg\" \/><br \/>\n<strong>&#8220;Como tenho prazer em comer, sofri com a retirada do gl\u00faten.\u00a0Mas me fez<br \/>\nmuito bem. Perdi 17 quilos e regularizei meus n\u00edveis de colesterol&#8221;<br \/>\nRubens Ara\u00fajo, empres\u00e1rio, de S\u00e3o Paulo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O gl\u00faten \u00e9 uma prote\u00edna existente no interior dos gr\u00e3os. Nas plantas, cumpre a fun\u00e7\u00e3o de guardar nitrog\u00eanio e carbono para a germina\u00e7\u00e3o das sementes. N\u00e3o tem calorias ou fun\u00e7\u00e3o importante no organismo. Sua vantagem \u00e9 ter se tornado imprescind\u00edvel na panifica\u00e7\u00e3o. Por suas caracter\u00edsticas, acrescenta viscosidade e elasticidade \u00e0s massas e p\u00e3es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Deixar de consumi-lo significa riscar do prato sua principal fonte, o trigo, e outros cereais em que tamb\u00e9m est\u00e1 presente em menor quantidade, como a cevada, o centeio, o malte e a aveia. Em substitui\u00e7\u00e3o, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 usar outras fontes de carboidratos, como a farinha de mandioca, arroz e tub\u00e9rculos como o inhame.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385380794100804.jpg\" alt=\"01.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>EFEITOS COLATERAIS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os defensores da exclus\u00e3o argumentam, em primeiro lugar, que a troca elimina eventuais desconfortos abdominais provocados pela subst\u00e2ncia. \u201cO gl\u00faten \u00e9 uma prote\u00edna grande e de dif\u00edcil digest\u00e3o. Ele altera a bioqu\u00edmica do intestino, pode levar \u00e0 diarreia e constipa\u00e7\u00e3o e prejudica a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes\u201d, diz a farmac\u00eautica e nutricionista funcional Lucyanna Kalluf, do Natunutry N\u00facleo de Nutri\u00e7\u00e3o e Cl\u00ednica Personalizada, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A endocrinologista J\u00falia Gouvea, de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m recomenda a retirada do gl\u00faten da alimenta\u00e7\u00e3o. \u201cPesquisas provam que o n\u00edvel de inflama\u00e7\u00e3o do organismo \u2013 maior nos obesos e se eleva por rea\u00e7\u00e3o ao gl\u00faten e \u00e0 lactose \u2013 aumenta a predisposi\u00e7\u00e3o \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o de problemas cardiovasculares e de doen\u00e7as autoimunes, entre elas a diabetes tipo 1\u201d, diz. Tirar o nutriente, para ambas as especialistas, equivale a remover um fardo do metabolismo, que passa a trabalhar mais rapidamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385352781667412.jpg\" alt=\"GLUTEN-02-IE.jpg\" \/><br \/>\n<strong>ESCOLHAS<br \/>\nRenata (acima) \u00e9 cel\u00edaca e n\u00e3o pode consumir a prote\u00edna.<br \/>\nSeu namorado, Gustavo, procura ingerir alimentos sem a<br \/>\nsubst\u00e2ncia,\u00a0mas sem radicalismo. A m\u00e9dica J\u00falia (abaixo)<br \/>\nafirma\u00a0que\u00a0gl\u00faten e lactose causam inflama\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385360134240820.jpg\" alt=\"GLUTEN-03-IE.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os relatos de quem aderiu \u00e0 vida sem gl\u00faten corroboram essas afirma\u00e7\u00f5es. O empres\u00e1rio de moda Rubens Ara\u00fajo, por exemplo, come\u00e7ou uma dieta sem gl\u00faten e sem lactose ap\u00f3s um check-up revelar colesterol elevado e alto risco de diabetes. \u201cEstranhei a retirada do gl\u00faten porque adoro comer. Mas a mudan\u00e7a regularizou meus \u00edndices de risco\u201d, diz. Ele emagreceu mais de 17 quilos em seis meses. \u201cOs exames de Ara\u00fajo revelaram intoler\u00e2ncia ao gl\u00faten e \u00e0 lactose. Retirar esses alimentos restaurou o equil\u00edbrio no intestino e melhorou seu metabolismo\u201d, diz a nutricionista Lucyanna.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A ci\u00eancia concorda que o gl\u00faten n\u00e3o \u00e9 uma subst\u00e2ncia completamente inofensiva. Ele n\u00e3o pode ser consumido de forma alguma por portadores de doen\u00e7a cel\u00edaca. Nesses indiv\u00edduos, a ingest\u00e3o do composto ocasiona uma rea\u00e7\u00e3o autoimune que com o tempo produz danos na mucosa do intestino delgado, causa m\u00e1 absor\u00e7\u00e3o de nutrientes e pode levar a uma grande variedade de sintomas, como diarreia, distens\u00e3o abdominal e perda de peso.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Um dos argumentos que embalam a onda gl\u00faten-free \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 indiv\u00edduos que n\u00e3o teriam a doen\u00e7a cel\u00edaca ou alergia ao trigo (neste caso, o corpo produz anticorpos espec\u00edficos contra o gl\u00faten), mas uma sensibilidade \u00e0 prote\u00edna. \u201cSensibilidade ao gl\u00faten \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o mais recentemente identificada que imita muitos dos sintomas de doen\u00e7a cel\u00edaca, mas \u00e9 menos grave e n\u00e3o causa dano intestinal. Temos muito a aprender sobre ela\u201d, disse \u00e0 ISTO\u00c9 o cientista Alessio Fasano, do Centro de Pesquisa Cel\u00edaca e Tratamento do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos. \u201cMeus estudos revelaram uma n\u00edtida diferen\u00e7a entre o mecanismo molecular da doen\u00e7a cel\u00edaca e o da sensibilidade ao gl\u00faten. Agora, trabalho para achar uma subst\u00e2ncia que sirva de marcador para diagnosticar a sensibilidade ao gl\u00faten\u201d, afirmou. Fasano e a escritora cient\u00edfica Susie Flaherty acabam de lan\u00e7ar o livro \u201cGluten Freedom\u201d, ainda sem tradu\u00e7\u00e3o. Para ele, quem tem sensibilidade \u00e0 prote\u00edna de fato se beneficia com a sua retirada.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385372914451530.jpg\" alt=\"GLUTEN-04-IE.jpg\" \/><br \/>\n<strong>VARIEDADE<br \/>\nPatr\u00edcia n\u00e3o entrou na onda. Fez reeduca\u00e7\u00e3o<br \/>\nalimentar e emagreceu comendo de tudo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>SERVE PARA QUEM?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Aqui, por\u00e9m, come\u00e7am os problemas apontados pelos cr\u00edticos dessa estrat\u00e9gia. \u201cAs \u00fanicas pessoas para quem a retirada do gl\u00faten \u00e9 recomendada s\u00e3o os cel\u00edacos\u201d, afirma a endocrinologista Cintia Cercato, do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. \u201cE eles somam apenas 1% da popula\u00e7\u00e3o\u201d, complementa.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">H\u00e1 tamb\u00e9m uma grande controv\u00e9rsia no meio cient\u00edfico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tal sensibilidade ao gl\u00faten. Recentemente, Peter Gibson, da Monash University, o mesmo pesquisador que em 2011 publicou artigo sobre o assunto, surpreendeu seus pares com a divulga\u00e7\u00e3o do resultado de outras duas pesquisas, dessa vez feitas com mais rigor, mostrando que a sensibilidade existe, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum, e que, na verdade, o respons\u00e1vel pelos sintomas de desconforto n\u00e3o seria o gl\u00faten, mas um tipo espec\u00edfico de carboidrato conhecido como FODMAPs. \u201cPessoas sem doen\u00e7a cel\u00edaca, mas com desconforto abdominal, podem se beneficiar com a redu\u00e7\u00e3o do consumo de alimentos com trigo, mas isso est\u00e1 sendo atribu\u00eddo incorretamente ao gl\u00faten\u201d, afirmou o cientista \u00e0 ISTO\u00c9. \u201cNossos estudos n\u00e3o identificaram qualquer evid\u00eancia de que a prote\u00edna seja a respons\u00e1vel pelos sintomas. As 37 pessoas estudadas melhoraram quando foi diminu\u00edda a quantidade de FODMAPs. Isso n\u00e3o significa que todos os indiv\u00edduos que pensam ser sens\u00edveis ao gl\u00faten n\u00e3o o sejam, mas isso \u00e9 muito incomum, para dizer o m\u00ednimo\u201d, disse \u00e0 ISTO\u00c9. O cientista Alessio Fasano contesta. \u201cA intoler\u00e2ncia alimentar, geralmente envolvendo o a\u00e7\u00facar dos alimentos e os FODMAPS, \u00e9 muito diferente de sensibilidade ao gl\u00faten. \u00c9 como comparar ma\u00e7\u00e3s e laranjas\u201d, diz. \u201cNo entanto, pode ser que eles agravem o quadro cl\u00ednico da sensibilidade ao gl\u00faten\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385387366467000.jpg\" alt=\"03.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Outra pondera\u00e7\u00e3o contra a dieta \u00e9 que ela priva o organismo de uma boa parte de carboidratos, fonte importante de energia. Sem ela, o corpo pode acabar recorrendo \u00e0s fontes da gordura e da prote\u00edna para obter o combust\u00edvel de que necessita. \u201cQuebrar a prote\u00edna da gordura, por exemplo, para transform\u00e1-la em energia tem um custo alto para o organismo\u201d, afirma o pediatra Mauro Fisberg, de S\u00e3o Paulo, tamb\u00e9m especialista em nutri\u00e7\u00e3o. H\u00e1 um gasto metab\u00f3lico desnecess\u00e1rio aplicado para essa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>CONTA DE CALORIAS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Os cr\u00edticos tamb\u00e9m argumentam que o emagrecimento resultante da dieta adv\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o do consumo de alimentos cal\u00f3ricos nos quais h\u00e1 a presen\u00e7a do gl\u00faten, como os p\u00e3es e as pizzas. \u201cMuitas vezes essas s\u00e3o as fontes de vulnerabilidade para que a pessoa engorde\u201d, diz a nutricionista Beatriz Rique, da Cl\u00ednica Ivo Pitanguy, do Rio de Janeiro. A especialista lembra a hist\u00f3ria de uma paciente que entrou na onda gl\u00faten-free e acabou engordando porque passou a comer tanto quanto antes, mas dessa vez produtos sem o ingrediente. \u201cE o p\u00e3o sem gl\u00faten tem calorias semelhantes aos integrais e franc\u00eas\u201d, complementa o m\u00e9dico p\u00f3s-graduado em nutrologia Jo\u00e3o Curvo, do Rio de Janeiro. \u201cA tapioca, muito usada para substituir o p\u00e3o, n\u00e3o emagrece\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A administradora de empresas carioca Patr\u00edcia Dias, 32 anos, preferiu seguir essa linha de pensamento a aderir \u00e0 moda sem gl\u00faten da qual muitas de suas amigas viraram seguidoras. \u201cPerguntei \u00e0 minha nutricionista se valia a pena tir\u00e1-lo\u201d, lembra. \u201cEla me disse que se n\u00e3o tivesse doen\u00e7a cel\u00edaca ou intoler\u00e2ncia n\u00e3o era o caso de fazer isso.\u201d Com uma dieta personalizada, ela emagreceu. \u201cE comendo de tudo\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385652373275000.jpg\" alt=\"GLUTEN-05-IE.jpg\" \/><br \/>\n<strong>CR\u00cdTICA<br \/>\nO especialista Fisberg diz que a retirada do gl\u00faten e da lactose da alimenta\u00e7\u00e3o<br \/>\nsem necessidade pode causar preju\u00edzos ao organismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Diante de tanta controv\u00e9rsia, h\u00e1 quem prefira ficar no meio-termo. O publicit\u00e1rio Gustavo Negrini, de S\u00e3o Paulo, que trabalha com marketing na \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o, decidiu evitar o gl\u00faten h\u00e1 cerca de cinco anos, quando come\u00e7ou a ler a respeito para organizar um evento no setor, a feira Gluten Free, que ocorrer\u00e1 em agosto. \u201cN\u00e3o tenho problema algum com o gl\u00faten, mas sinto a digest\u00e3o mais leve e fico mais disposto quando escolho alimentos sem o nutriente\u201d, afirma. Hoje, Negrini diz que s\u00f3 n\u00e3o resiste \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de estar diante de um p\u00e3o caseiro assado na hora, como ocorreu no final de semana, em uma pousada em S\u00e3o Carlos do Pinhal (SP). Sua namorada, a chef Renata Macena, colabora para mant\u00ea-lo afastado do nutriente. Cel\u00edaca, ela cria p\u00e3es e doces sem gl\u00faten. \u201cD\u00e1 para viver muito bem. \u00c9 s\u00f3 aprender a escolher.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #333399;\">A onda sem lactose<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333399;\">Na esteira da moda gl\u00faten-free surgiu tamb\u00e9m a dieta sem lactose, o a\u00e7\u00facar do leite. Portanto, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 n\u00e3o consumir leite, ou, se beber, ingerir os produtos que n\u00e3o contenham a subst\u00e2ncia. E milhares de pessoas no mundo est\u00e3o fazendo isso. O racioc\u00ednio \u00e9 parecido com o aplicado para justificar a retirada do gl\u00faten da alimenta\u00e7\u00e3o. A lactose tamb\u00e9m provocaria intoler\u00e2ncia em muita gente, sendo respons\u00e1vel por sintomas desconfort\u00e1veis, como diarreia, incha\u00e7o e dor abdominal.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333399;\">H\u00e1 de fato uma condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade caracterizada pela intoler\u00e2ncia \u00e0 lactose. O composto \u00e9 metabolizado no organismo pela enzima lactase. O problema \u00e9 que com o passar dos anos sua produ\u00e7\u00e3o diminui, o que, consequentemente, reduz a quebra da lactose. Esse processo pode resultar no surgimento dos sintomas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 algumas circunst\u00e2ncias transit\u00f3rias, como intoxica\u00e7\u00f5es alimentares, e a presen\u00e7a de enfermidades como a doen\u00e7a de Crohn que tamb\u00e9m prejudicam a fabrica\u00e7\u00e3o da enzima, facilitando o ac\u00famulo de lactose no organismo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333399;\">A primeira cr\u00edtica a esse modismo \u00e9 que a intoler\u00e2ncia ao composto estaria sendo superdiagnosticada, embora existam testes que forne\u00e7am uma resposta concreta. E, por conta disso, muita gente estaria desnecessariamente prescindindo de um alimento essencial para a sa\u00fade. \u201cO leite tem alto valor nutricional\u201d, explica o pediatra Mauro Fisberg. Sua prote\u00edna participa de processos do crescimento, da s\u00edntese de outras prote\u00ednas e horm\u00f4nios e tamb\u00e9m alguns relacionados \u00e0 imunidade. \u201cAl\u00e9m disso, \u00e9 a melhor fonte de c\u00e1lcio, ajudando no fortalecimento \u00f3sseo\u201d, diz a endocrinologista Cintia Cercato. Na opini\u00e3o dos especialistas contr\u00e1rios \u00e0 exclus\u00e3o da lactose, a suplementa\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio feita por meio de comprimidos n\u00e3o apresenta os mesmos benef\u00edcios proporcionados pela ingest\u00e3o do mineral por meio da alimenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333399;\">Eles ponderam ainda que, tamb\u00e9m a exemplo do gl\u00faten, as op\u00e7\u00f5es sem lactose costumam ser mais caras, o que pode afastar o indiv\u00edduo do consumo. No entanto, \u00e9 importante ressaltar que os derivados l\u00e1cteos possuem os mesmos benef\u00edcios do leite, mas com menor teor de lactose (o a\u00e7\u00facar acaba sendo quebrado durante o processo de fabrica\u00e7\u00e3o). Por isso, podem servir de boa alternativa para quem n\u00e3o consome o leite em sua forma natural.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img title=\"Credito: \" src=\"http:\/\/content-portal.istoe.com.br\/istoeimagens\/imagens\/mi_385395370995695.jpg\" alt=\"04.jpg\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: smaller;\"><strong>Foto: Kelsen Fernandes\/Ag\u00eancia Isto\u00e9, Airam asil, Calebe Sim\u00f5es \u2013 Ag\u00eancia Isto\u00e9, Bruno Poppe; Gabriel Chirastelli<br \/>\n*\u00a0Cilene Pereira (cilene@istoe.com.br), Mariana Brugger (marianabrugger@istoe.com.br) e M\u00f4nica Tarantino (monica@istoe.com.br)<\/strong><\/span><\/p>\n<p><span class=\"ob_empty\"><wbr \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Cilene Pereira, Mariana Brugger e M\u00f4nica Tarantino* Basta um teste r\u00e1pido para identificar a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2117,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/gluten_batalha.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Cilene Pereira, Mariana Brugger e M\u00f4nica Tarantino* Basta um teste r\u00e1pido para identificar a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2115"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2115\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2117"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}