{"id":20919,"date":"2015-05-12T13:00:07","date_gmt":"2015-05-12T13:00:07","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20919"},"modified":"2015-05-11T23:28:02","modified_gmt":"2015-05-11T23:28:02","slug":"panorama-de-uma-amazonia-em-transe-com-o-agronegocio-fincado-no-coracao-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/panorama-de-uma-amazonia-em-transe-com-o-agronegocio-fincado-no-coracao-verde\/","title":{"rendered":"Panorama de uma Amaz\u00f4nia em transe com o agroneg\u00f3cio fincado no cora\u00e7\u00e3o verde"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20920\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Andrew Blackwell, no Outras Palavras \u2013<\/em><\/p>\n<p>A viagem ao Brasil teria como motivo a carne bovina: a pecu\u00e1ria tem sido um dos principais motores do desmatamento na Amaz\u00f4nia. Achar\u00edamos algum fazendeiro amistoso que nos daria informa\u00e7\u00f5es privilegiadas sobre como a floresta virgem estava se transformando em hamb\u00fargueres. Mas logo tomamos conhecimento da soja. Os agricultores estavam nivelando grandes extens\u00f5es de floresta para produzir ra\u00e7\u00e3o para animais e vender para a Europa.<\/p>\n<p>Abandonamos o mote da pecu\u00e1ria e escolhemos Santar\u00e9m como destino, cidade com um porto controverso, constru\u00eddo pela multinacional Cargill para exportar soja da Amaz\u00f4nia. Em Santar\u00e9m, ver\u00edamos tudo: a selva imaculada, a floresta sendo devastada, os campos de soja e o porto, cruel punhal do agroneg\u00f3cio fincado no cora\u00e7\u00e3o verde pulsante do mundo. Pelo menos, essa era a minha expectativa.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como uma puni\u00e7\u00e3o, Adam apareceu em meu escrit\u00f3rio usando uma viseira verde e sacudindo um monte de pap\u00e9is: o governo brasileiro acabava de anunciar um recorde de baixas taxas de desmatamento em 2010, as menores taxas de desmatamento j\u00e1 registradas. Filhos da m\u00e3e! Desde quando? Eu sempre achei que o desmatamento era como a morte ou os impostos. Ouvia sobre a destrui\u00e7\u00e3o inexor\u00e1vel das florestas tropicais desde crian\u00e7a. E agora vinham me dizer que n\u00e3o era assim? Mas n\u00e3o importava, j\u00e1 t\u00ednhamos nossas passagens.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Cidade alegre e agrad\u00e1vel, com 250 mil habitantes, Santar\u00e9m ocupa um canto amplo da margem onde o Amazonas encontra o seu poderoso afluente Tapaj\u00f3s. Sa\u00edmos do hotel em busca de Gil, nosso guia e tradutor. Embora ele tivesse sido muito bem recomendado, eu estava um pouco apreensivo. Nos \u00faltimos dias, ele tinha me enviado emails err\u00e1ticos que culminaram numa encomenda abrupta de eletr\u00f4nicos. \u201cVoc\u00ea pode me trazer um iPod Touch 4G de 32GB?\u201d, ele escreveu. \u201cMinha namorada est\u00e1 gr\u00e1vida e, se voc\u00ea me trouxer dois, batizo nosso filho com o seu nome\u201d.<\/p>\n<p>Como descrever Gil Serique? Um filho da floresta, nascido na selva \u00e0s margens do Tapaj\u00f3s, numa vila sem eletricidade ou \u00e1gua corrente, acess\u00edvel apenas por barco. \u201cO para\u00edso!\u201d, ele dizia. Agora era um guia poliglota, tradutor e cicerone para jornalistas visitantes e, acima de tudo, um t\u00edpico vagabundo de praia da Amaz\u00f4nia, praticando wind-surf sempre que podia, lan\u00e7ando-se ao rio ap\u00f3s simplesmente atravessar a rua de casa.<\/p>\n<p>Gil assediava passantes com folhetos para promover seus servi\u00e7os de guia, travava amizades com operadores de cruzeiros que passavam por Santar\u00e9m, atualizava obsessivamente seu blog e seu status no Facebook (eram 3.103 amigos na \u00faltima contagem). Sua casa era um ponto de encontro para qualquer um que se interessasse \u200b\u200bna floresta, na destrui\u00e7\u00e3o da floresta, ou em surf, bebidas e conversa.<\/p>\n<p>Nossa conversa finalmente tocou no desmatamento e na soja. A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma fronteira sob influ\u00eancia sucessiva de novas corridas. Nos \u00faltimos cem anos ela presenciou os ciclos da borracha e da madeira e a corrida do ouro. Agora, eram a soja e a bauxita. E a explora\u00e7\u00e3o se dava de muitas formas. Na opini\u00e3o de Gil, no entanto, ela tinha um outro lado. \u201cConsegui um trabalho muito mais interessante depois do in\u00edcio da devasta\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia\u201d, ele disse. \u201cNormalmente, estaria guiando amantes da natureza, mas como o interesse pela preserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia aumenta, trabalho cada vez mais com pessoas como voc\u00eas, que querem ver os problemas da natureza.\u201d<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/BR163.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-193498\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/BR163.jpg\" alt=\"BR163\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a>A\u00a0BR-163 come\u00e7a em Cuiab\u00e1, no extremo sul do Mato Grosso, e segue para o norte por mais de mil quil\u00f4metros, mergulhando diretamente na Amaz\u00f4nia. Constru\u00edda no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1970, ainda est\u00e1 praticamente sem pavimenta\u00e7\u00e3o nos trechos da selva e, durante a esta\u00e7\u00e3o das chuvas, torna-se um rio de lama. Caminh\u00f5es atolam em suas lend\u00e1rias trilhas e buracos, e chegam a avan\u00e7ar menos de 100 quil\u00f4metros por dia. A BR-163 \u00e9 sem d\u00favida uma das mais deplor\u00e1veis estradas do mundo. No entanto, ela tem a peculiaridade de ser uma das duas \u00fanicas estradas que atravessam a Amaz\u00f4nia de norte a sul e, como tal, \u00e9 foco n\u00e3o apenas do com\u00e9rcio mas tamb\u00e9m de muita ansiedade ambiental. Como Gil tinha mencionado, estradas trazem desmatamento. Voc\u00ea s\u00f3 derruba as florestas que pode alcan\u00e7ar, e s\u00f3 transforma selvas em fazendas se tem uma forma de escoar a carne ou a soja.<\/p>\n<p>Uma vez que h\u00e1 uma estrada \u2013 mesmo sendo uma porcaria de estrada como essa \u2013 a civiliza\u00e7\u00e3o se forma ao longo dela, empurrando as bordas da floresta. Imagens de sat\u00e9lite mostram que, at\u00e9 o ponto em que atinge o Rio Tapaj\u00f3s, a BR-163 est\u00e1 produzindo terra devastada em cortes densos e perpendiculares, cada um com uma d\u00fazia de quil\u00f4metros de comprimento, como os dentes de um ancinho gigante.<\/p>\n<p>A estrada termina, finalmente, em Santar\u00e9m, no extremo oeste do cais. E \u00e9 exatamente aqui, e n\u00e3o a uma centena de metros do local onde a BR-163 fica sem continua\u00e7\u00e3o, que a Cargill Incorporated de Minnetonka, Minnesota, construiu o seu terminal de exporta\u00e7\u00e3o de soja.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o do porto de Santar\u00e9m come\u00e7ou em 1999 e foi conclu\u00edda em 2003, apesar da Cargill n\u00e3o ter feito o estudo de impacto ambiental solicitado, fato que resultou em sucessivas declara\u00e7\u00f5es de ilegalidade do terminal por parte dos tribunais brasileiros. No entanto, ele come\u00e7ou a funcionar.<\/p>\n<p>Para a Cargill, a maior empresa privada dos Estados Unidos, a constru\u00e7\u00e3o do terminal foi um movimento estrat\u00e9gico que permitiu que a soja chegasse ao mercado de forma mais r\u00e1pida e barata do que antes. A soja do Mato Grosso podia embarcar para o norte pelo rio ou ir de caminh\u00e3o pela BR-163. No terminal de Santar\u00e9m, a soja podia ser descarregada e armazenada antes de embarcar diretamente para a Europa atrav\u00e9s do rio Amazonas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Cargill.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-193499\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Cargill.jpg\" alt=\"Cargill\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a>Foi um incentivo, tamb\u00e9m, para os agricultores do Mato Grosso. Por que mandar apenas a colheita para o terminal da Cargill se era poss\u00edvel mandar a fazenda inteira? A terra era barata em torno de Santar\u00e9m, e uma fazenda de soja constru\u00edda pr\u00f3xima ao terminal da Cargill economizaria tanto na terra como nos custos de transporte. Os fazendeiros rumaram em peso para o norte. Em 2004, um ano ap\u00f3s a abertura do terminal, o cultivo da soja na \u00e1rea saltou para 35 mil hectares (um aumento de mais de 2.000% em cinco anos).<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Nosso motorista, um homem animado e corpulento cujo apelido era Manga, acelerou impulsivamente rumo ao sul. L\u00e1 encontrar\u00edamos pessoas que passavam os dias derrubando \u00e1rvores na floresta tropical. Mas era tudo perfeitamente legal, parte de um projeto sustent\u00e1vel de explora\u00e7\u00e3o madeireira. Nada para ficar alarmado, infelizmente.<\/p>\n<p>Chegamos ao local por volta das 7 da manh\u00e3. Os madeireiros estavam reunidos em uma sala no edif\u00edcio principal. Homens e mulheres de capacete e roupa de trabalho organizaram-se em c\u00edrculo e fizeram pronunciamentos. Houve risos e aplausos. Eles deram as m\u00e3os e fizeram uma ora\u00e7\u00e3o. Depois fomos todos para fora e entramos na traseira de um caminh\u00e3o grande que sacolejou por uma estrada de terra esburacada na dire\u00e7\u00e3o do rio Tapaj\u00f3s, no cora\u00e7\u00e3o da floresta. Est\u00e1vamos visitando o projeto AMB\u00c9.<\/p>\n<p>A atividade madeireira em uma floresta protegida \u00e9 provavelmente abomin\u00e1vel para a maioria das pessoas, pelo menos para os que n\u00e3o s\u00e3o madeireiros. Afinal, o que protegido significa de fato? Aqui no Tapaj\u00f3s, entretanto, um grupo de pessoas que vivem \u00e0 margem da floresta teve a concess\u00e3o para a explora\u00e7\u00e3o \u201csustent\u00e1vel\u201d. A ideia \u00e9 que isso possa oferecer alternativas \u00e0 agricultura de coivara e ao desmatamento ilegal, proporcionar desenvolvimento econ\u00f4mico e melhorar o padr\u00e3o de vida da comunidade sem degradar severamente a floresta. \u00c9 fundamental que as pessoas que ganham dinheiro com a floresta sejam de l\u00e1. Uma vez que est\u00e3o vivendo dela, tornam-se os principais interessados na sua preserva\u00e7\u00e3o: a comunidade s\u00f3 pode ser sustentada pela floresta se a floresta continuar a existir.<\/p>\n<p>O ar mudou quando entramos na floresta, tornando-se de repente rico e terroso, o calor do dia amenizado pela umidade e pela sombra. O caminh\u00e3o nos deixou e foi embora, e acompanhamos uma equipe de levantamento na sua ronda matutina. Cascatas de ru\u00eddo de insetos, um ru\u00eddo quase eletr\u00f4nico, e o som das chamadas e respostas: a paisagem sonora faz a selva.<\/p>\n<p>Eu imaginava que uma explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da madeira envolveria uma dezena de pessoas boazinhas \u200b\u200be uma motosserra. Em vez disso, encontrei, junto com as pessoas boazinhas, maquinaria pesada e um neg\u00f3cio de verdade. Poderia ter tirado fotos que pareceriam o pesadelo de qualquer preservacionista \u2013 caos de toras e lama.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Durante o caf\u00e9 da manh\u00e3, enquanto planej\u00e1vamos o nosso dia, um norte-americano forte e de meia-idade aproximou-se da nossa mesa e come\u00e7ou a conversar com Gil sobre wind-surf. Ent\u00e3o ele se virou para mim com um cart\u00e3o de visita na m\u00e3o: era Rick, um homem de Michigan que \u00e9 dono de sua pr\u00f3pria floresta. Ele disse que havia uma s\u00e9rie de equ\u00edvocos por a\u00ed sobre a Amaz\u00f4nia e a atividade madeireira e achou, evidentemente, que a minha presen\u00e7a em Santar\u00e9m era uma oportunidade \u00fanica para contar a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Gado1-485x364.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-193500\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Gado1-485x364.jpg\" alt=\"Gado1-485x364\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/a>\u201cNos Estados Unidos, costumavam mostrar na televis\u00e3o terrenos baldios queimados e, nesse cen\u00e1rio, um caminh\u00e3o de madeireira\u201d, disse ele. \u201cA suposi\u00e7\u00e3o era de que os madeireiros devastavam a terra e esvaziavam o lugar, mas n\u00e3o \u00e9 bem assim.\u201d Segundo Rick, de todas as \u00e1rvores que crescem na floresta tropical, apenas 5 ou 6 esp\u00e9cies s\u00e3o comercialmente vi\u00e1veis. O desmatamento na Amaz\u00f4nia sempre foi extremamente seletivo. \u201cSe n\u00e3o houvesse a cria\u00e7\u00e3o de gado e o cultivo de soja, uma pessoa comum n\u00e3o seria capaz de sentir a falta de uma \u00fanica \u00e1rvore. N\u00e3o h\u00e1 mercado para 94% da floresta.\u201d Rick sabia, por\u00e9m, que era mais complicado do que isso. \u201cA pior coisa que os madeireiros fazem \u00e9 abrir estradas\u201d, admitiu. Isso cria o acesso para a agricultura comercial. Mais tarde, falamos com um de seus colegas sobre isso e ele reafirmou: \u201cOs madeireiros n\u00e3o destroem a floresta, mas abrem as portas\u201d.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Desanimado com o fracasso do Brasil em protagonizar o seu papel na hist\u00f3ria do horror ambiental, pedi socorro \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica. Adam tinha descoberto um padre ativista que prometeu nos dizer coisas inflamat\u00f3rias e pessimistas sobre a situa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Procuramos pelo padre Edilberto Sena n\u00e3o na sua igreja, mas na sua esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio, o que testemunha a sua proximidade com a teologia da liberta\u00e7\u00e3o. Ele nos disse que o desmatamento era apenas uma parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>\u201cPerguntamos ao governo: \u2018por que insistem nos grandes projetos de hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia?\u2019 Eles planejam construir 38 hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia!\u201d Sena trouxe o mesmo esp\u00edrito desafiador para a luta contra o cultivo de soja. A organiza\u00e7\u00e3o fundada por ele, Frente de Defesa da Amaz\u00f4nia, tinha uma parceria com o Greenpeace para protestar contra o terminal da Cargill. Mas a colabora\u00e7\u00e3o n\u00e3o durou muito. \u201cO Greenpeace tem dinheiro. Mas isso n\u00e3o ajuda muito quando voc\u00ea n\u00e3o tem um ponto de vista hol\u00edstico. Eles defendem a floresta e os animais mas esquecem-se de que o ambiente inclui as pessoas que vivem aqui. Essa \u00e9 a diferen\u00e7a: n\u00f3s defendemos o nosso povo.\u201d<\/p>\n<p>Sem levar em conta as pessoas \u2013 no ativismo e nos parques nacionais \u2013 algo essencial fica faltando. E Sena n\u00e3o se referia apenas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Inclu\u00eda tamb\u00e9m os pequenos produtores rurais que haviam sido deslocados por causa da soja e as mais de 20 milh\u00f5es de pessoas espalhadas pela bacia amaz\u00f4nica, seja no campo ou em grandes cidades como Manaus. \u201cAntes de 2000, n\u00e3o conhec\u00edamos a soja\u201d, disse. Mas em 2001 os fazendeiros da soja come\u00e7aram a aparecer. \u201cChegavam com dinheiro e compravam a terra\u201d, disse enfaticamente. \u201cN\u00e3o vieram para viver aqui. Vieram s\u00f3 para cultivar.\u201d<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Descemos a BR-163 no carro de Manga para nos encontrarmos com Nestor, um pequeno agricultor que tinha sobrevivido \u00e0 febre da soja, mantendo a sua fazenda. Nestor nos vendeu cervejas e nos levou para um passeio nos seus campos de mandioca. \u201cAntes tinha muita gente que vivia aqui e possu\u00eda pequenas propriedades\u201d, disse. Mas nos primeiros 5 anos da d\u00e9cada de 2000, os compradores do sul fervilhavam e disputavam terra. A maioria vendeu. \u201cVenderam a terra. Os tratores vieram e acabaram com tudo.\u201d Paca, uma pequena cidade pr\u00f3xima, havia sido completamente apagada do mapa para dar lugar \u00e0 soja. At\u00e9 mesmo o terreno da igreja pentecostal do lugarejo tinha sido vendida. \u201cDerrubaram a igreja para plantar soja\u201d, disse o filho de Nestor, rindo. \u201cVoc\u00ea nem imagina que antes tinha uma igreja l\u00e1.\u201d Nestor culpou os pol\u00edticos locais, que, segundo ele, trouxeram a Cargill: \u201cO governo convidou essas pessoas para trazerem o progresso. E talvez tenham trazido mesmo, mas junto trouxeram muita coisa ruim\u2026\u201d<\/p>\n<p>O frenesi tinha mudado o ambiente local, de forma sutil mas \u00f3bvia. Encontramos diversos agricultores que se queixaram sobre os produtos qu\u00edmicos que as fazendas de soja vizinhas usavam no cultivo e sobre como a monocultura da soja tinha aumentado as pragas nas pequenas propriedades pr\u00f3ximas. \u201cH\u00e1 muita doen\u00e7a nesses campos\u201d, alegaram sobre os campos de soja. \u201cPlanto arroz e n\u00e3o colho nada. Se planto feij\u00e3o, os insetos comem tudo. N\u00e3o conseguimos colher nada.\u201d Um homem me disse que os produtores de soja s\u00f3 conseguiam prosperar por causa dos fertilizantes. Disse tamb\u00e9m que as largas aberturas de terrenos no territ\u00f3rio modificaram os ventos e a temperatura, e que a simples aus\u00eancia de sombreamento piorava a vida ao redor. Quando antes andavam grandes dist\u00e2ncias em um dia de trabalho, agora a grande extens\u00e3o das fazendas de soja significava menor prote\u00e7\u00e3o do sol escaldante e, logo, menores dist\u00e2ncias caminhadas.<\/p>\n<p>Aqueles que tinham vendido as terras e se mudado para Santar\u00e9m se arrependeram e queriam voltar. Outro pequeno agricultor que encontramos na estrada confirmou a informa\u00e7\u00e3o: \u201cMuitos pensavam que, uma vez na cidade, o dinheiro nunca se acabaria\u201d, disse ele. \u201cMudaram-se para a cidade, compraram casa, TV, geladeira. Mas n\u00e3o investiram na educa\u00e7\u00e3o e acabaram sem emprego. Quando o dinheiro acaba e eles n\u00e3o t\u00eam trabalho, lamentam ter vendido a terra.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o paramos de ouvir coment\u00e1rios sobre fam\u00edlias que se arrependeram de ter vendido suas propriedades \u2013 vindos de Nestor, de outros fazendeiros e do padre Sena. Aqui, a preocupa\u00e7\u00e3o acerca dos efeitos da soja na floresta era menos manifesta do que os seus efeitos na sociedade, sobretudo no empobrecimento das pessoas que haviam vendido as suas fazendas.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Outra coisa interessante sobre Nestor era que seu terreno estava em chamas. Grande parte da nossa conversa se deu no meio de um campo ardente, olhando para fantasmag\u00f3ricas pilhas de cinzas em forma de \u00e1rvore. O fogo foi na verdade o motivo pelo qual hav\u00edamos parado para falar com Nestor. Afinal, eu estava ali para ver o desmatamento, e se um campo de \u00e1rvores queimadas n\u00e3o era desmatamento, n\u00e3o sabia mais o que desmatamento era. E de fato eu n\u00e3o sabia. Na Amaz\u00f4nia, o desmatamento \u00e9 um assunto desanimadoramente confuso.<\/p>\n<p>No caso do Nestor, por exemplo, voc\u00ea poderia pensar que um toco carbonizado \u00e9 um toco carbonizado, mas n\u00e3o \u00e9 assim. Nestor estava apenas alternando a colheita. A coivara tem um aspecto assustador, mas \u00e9 parte da rotina anual de um agricultor. O peda\u00e7o de terra que Nestor estava queimando j\u00e1 havia sido cultivado v\u00e1rias vezes. Ele iria plantar mandioca e, em seguida, deixar que o campo se cobrisse de \u00e1rvores para descansar.<\/p>\n<p>Mas o foco da quest\u00e3o est\u00e1 no que impulsiona os novos desmatamentos, o que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples quanto apontar para quem est\u00e1 segurando uma motosserra. H\u00e1 quem corte \u00e1rvores com incentivos do governo para \u00e1reas \u201csubdesenvolvidas\u201d. Um agricultor de soja pode ter chegado no norte porque a terra era muito cara em seu estado de origem, ou porque a Cargill se estabeleceu no Par\u00e1. Uma s\u00e9rie de coisas pode incentivar o desmatamento, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia. Um agricultor de soja usando terras anteriormente cultivadas poderia argumentar que n\u00e3o est\u00e1 destruindo a Amaz\u00f4nia, mas e se o antigo pequeno agricultor que vendeu a ele a sua terra vai em busca de terra nova em outro lugar? A quem deve ser atribu\u00edda a destrui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Soja-485x323.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-193501\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/Soja-485x323.jpg\" alt=\"Soja-485x323\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/a>Fomos encontrar os fazendeiros de soja. \u201cDescobri que a terra era barata no Par\u00e1\u201d, disse Luiz. \u201cEnt\u00e3o, compramos e viemos cultivar a terra. \u00c9 por isso que estamos aqui.\u201d Luiz era um homem baixo de sessenta e poucos anos, com olhos lacrimejantes e andar titubeante. Ele era um fazendeiro de soja, com 300 hectares sob o arado, pr\u00f3ximo \u00e0 terra de Nestor. Tive a impress\u00e3o de que estava b\u00eabado. \u201cVoc\u00ea teria se mudado para c\u00e1 sem o porto da Cargill?\u201d Adam lhe perguntou. Luiz franziu a testa e balan\u00e7ou a cabe\u00e7a enquanto Gil traduzia. \u201cO que eu faria aqui?\u201d Ele tinha vindo pela mesma raz\u00e3o que os outros fazendeiros de soja. Ele sabia que, enquanto o pre\u00e7o da soja era o mesmo no Par\u00e1 ou em Mato Grosso, o custo do transporte aqui era muito menor. \u201cS\u00f3 estamos aqui por causa da Cargill\u201d, ele disse.<\/p>\n<p>\u201cOs ambientalistas.\u201d Ele cuspiu a palavra. Ambientalistas. \u201cEles vieram com essas leis proibindo desmatar mais do que 20% da \u00e1rea.\u201d Ele tinha sido for\u00e7ado a arrendar terras adicionais, a fim de ter um cultivo grande o suficiente. Isso n\u00e3o fazia sentido para ele. A terra era rica e plana e deveria ser cultivada. E a floresta que havia na sua propriedade nem era mata virgem, ele disse. N\u00e3o havia madeira de lei remanescente, macacos ou frutas. Para ele, a lei deveria pressupor que a floresta a ser preservada fosse uma floresta de verdade.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>A Cargill autorizou a nossa visita. Foi uma semana de telefonemas e emails para S\u00e3o Paulo e Minnesota para convenc\u00ea-los de que \u00e9ramos inofensivos. T\u00ednhamos finalmente acesso ao terminal da maior empresa privada dos Estados Unidos na Amaz\u00f4nia, respons\u00e1vel pela bolha da soja de Santar\u00e9m, marco zero da devasta\u00e7\u00e3o da floresta amaz\u00f4nica. Em termos de destrui\u00e7\u00e3o de habitats e mudan\u00e7a clim\u00e1tica, aquele era o templo da perdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ou n\u00e3o. Adam diz que eu n\u00e3o posso falar assim porque n\u00e3o \u00e9 verdade. A soja, ele diz, nunca foi a causa principal do desmatamento na Amaz\u00f4nia. Nunca foi respons\u00e1vel por mais do que um d\u00e9cimo da sua destrui\u00e7\u00e3o. Um m\u00edsero d\u00e9cimo! O frenesi da soja no Par\u00e1 dominou a m\u00eddia e os ambientalistas mas, quando olhamos para a Amaz\u00f4nia como um todo, a soja n\u00e3o se iguala ao desmatamento causado pela pecu\u00e1ria. Na verdade, mesmo a coivara praticada por agricultores como Nestor conta mais para o desmatamento do que a soja. O que significa que talvez eu devesse ter apresentado Nestor como um vil\u00e3o (apesar dele ter sido amig\u00e1vel e nos vendido cerveja barata) e devesse ter sido simp\u00e1tico ao Luiz, apesar dele ter cambaleado e gritado como um b\u00eabado idiota.<\/p>\n<p>Por que, ent\u00e3o, tanto au\u00ea em torno da soja? A resposta, quem sabe, \u00e9 que a soja entrou em cena com uma velocidade assustadora \u2013 e que, com a Cargill, os ambientalistas encontraram um alvo concreto. Em 2006, o Greenpeace divulgou o relat\u00f3rio Eating up the Amazon [\u201cComendo a Amaz\u00f4nia\u201d], chamando a aten\u00e7\u00e3o para a Cargill. O relat\u00f3rio rastreou o cultivo da soja em terras desmatadas e seu caminho, atrav\u00e9s do porto da Cargill, para a Europa, onde ela termina como ra\u00e7\u00e3o para frango e boi vendidos nos McDonald\u2019s. Isso estabeleceu o problema de uma maneira poderosa. Afinal, um ativista que pode gritar \u201cJ\u2019accuse!\u201d a um McNugget \u00e9 um ativista que conseguiu focar bem o caso. Al\u00e9m disso, a conex\u00e3o com o McNugget abria dois pontos fracos estrat\u00e9gicos para o Greenpeace atacar: o terminal de Santar\u00e9m e a diretoria do McDonald\u2019s.<\/p>\n<p>Em poucas semanas, a press\u00e3o tinha atingido toda a cadeia de abastecimento. A Cargill sentou-se \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00e3o, juntamente com todos os outros compradores importantes de soja brasileira. Sob os termos do acordo, conhecido como a morat\u00f3ria da soja, a Cargill n\u00e3o compraria soja de qualquer fazenda onde uma \u00fanica \u00e1rvore tivesse sido cortada a partir do in\u00edcio da morat\u00f3ria. O estranho da morat\u00f3ria da soja \u00e9 que ela parece ter de fato funcionado. O desmatamento ocasionado pela soja na \u00e1rea de Santar\u00e9m parou. Sei disso porque Adam me mostrou um gr\u00e1fico, com base em dados do governo brasileiro.<\/p>\n<p>Isso j\u00e1 era demais.<\/p>\n<p>De qualquer modo, tivemos nossa chance. Adam, Gil e eu aparecemos no terminal da Cargill e fomos levados at\u00e9 uma sala de recep\u00e7\u00e3o climatizada onde aguardamos o gerente do terminal. Em uma vitrine em um canto da sala, uma ta\u00e7a de vidro com gr\u00e3os de soja estava ao lado de garrafas de \u00f3leos de cozinha, potes de maionese e outros produtos aliment\u00edcios derivados de produtos da Cargill.<\/p>\n<p>Por raz\u00f5es de seguran\u00e7a e precau\u00e7\u00e3o, n\u00e3o seria permitida a nossa entrada na usina. Nem ver\u00edamos um \u00fanico gr\u00e3o de soja, al\u00e9m daqueles na vitrine da sala de recep\u00e7\u00e3o. Em vez disso, o gerente nos conduziu em um passeio em torno do centro de armazenagem, mostrando a baia dos caminh\u00f5es \u2013 ali, tamb\u00e9m, a seguran\u00e7a era uma prioridade \u2013 e outras \u00e1reas completamente entediantes, sem nada de soja.<\/p>\n<p>Em um trecho de concreto molhado entre a \u00e1gua e o centro de armazenamento, o gerente do terminal parou e virou-se para n\u00f3s. \u201cAqui n\u00f3s temos uma floresta para a preserva\u00e7\u00e3o de \u00e1rvores nativas\u201d, disse. Olhamos em volta. Do que ele estava falando? \u00c0 nossa esquerda havia um pequeno tri\u00e2ngulo de grama com uma d\u00fazia de \u00e1rvores esmirradas. S\u00f3 umas duas ou tr\u00eas podiam realmente ser chamadas de \u00e1rvores. O resto era pouco mais do que uns ramos semi-nus saindo do ch\u00e3o. Essa era a floresta deles? \u201cTivemos algumas dificuldades no cultivo das \u00e1rvores\u201d, ele disse. \u201cMas cuidamos muito bem delas.\u201d<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>A Cargill, o Greenpeace e a Nature Conservancy concordaram que a morat\u00f3ria da soja foi um sucesso. Mas ela havia deixado alguns neg\u00f3cios inacabados. Por um lado, havia a quest\u00e3o da legalidade duvidosa do terminal da Cargill. E os pequenos agricultores? Isso, mais do que qualquer outra coisa, explica o abismo entre uma ONG internacional como o Greenpeace e um ativista local como o padre Sena. Na opini\u00e3o dele, o Greenpeace e a Nature Conservancy tinham assegurado um acordo fraco. A redu\u00e7\u00e3o do desmatamento, segundo ele, era devida \u00e0 desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global, n\u00e3o \u00e0 morat\u00f3ria. E mesmo que a morat\u00f3ria tivesse conseguido parar com que os produtores de soja cortassem a floresta, o que dizer dos pequenos agricultores que eles haviam deslocado? Eles eram muito mais dif\u00edceis de rastrear. Enquanto isso, nada estava sendo feito para atenuar os danos j\u00e1 existentes e o terminal da Cargill continuava l\u00e1.<\/p>\n<p>Quando Adam, depois, rastreou Andre Muggiati, um ativista do Greenpeace da Amaz\u00f4nia, ele quase admitiu isso. \u201cN\u00f3s sempre soubemos que em algum momento ter\u00edamos que sentar \u00e0 mesa com a Cargill para chegar a um acordo. Se voc\u00ea pedir o imposs\u00edvel, nunca chega a uma solu\u00e7\u00e3o.\u201d O ativismo n\u00e3o poderia fazer muito mais que isso. \u201cO capitalismo e a livre iniciativa s\u00e3o legais no Brasil\u201d, disse ele. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode chegar para a Cargill e dizer: \u2018V\u00e1 embora!\u2019. Voc\u00ea n\u00e3o pode chegar para os fazendeiros de soja e dizer: \u2018Devolvam a terra aos camponeses.\u2019\u201d<\/p>\n<p>Quem poderia discordar de Muggiati? Mas, por mais sensatas que fossem as suas palavras, elas poderiam ter sa\u00eddo da boca da pr\u00f3pria Cargill, o que sugere paralelos desconfort\u00e1veis entre um gigante do agroneg\u00f3cio e as ONGs ambientalistas que se opunham a ele. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o encontrar alguma ironia em um cara do Greenpeace invocando o realismo e o Estado de Direito, enquanto uma boa dose do ativismo p\u00fablico da organiza\u00e7\u00e3o depende justamente do idealismo e do desrespeito estrat\u00e9gico da lei.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Andrew Blackwell, no Outras Palavras \u2013 A viagem ao Brasil teria como motivo a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20920,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/desmatamento_amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Andrew Blackwell, no Outras Palavras \u2013 A viagem ao Brasil teria como motivo a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20919"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20919\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}