{"id":20831,"date":"2015-05-10T14:05:28","date_gmt":"2015-05-10T14:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20831"},"modified":"2015-05-10T14:06:21","modified_gmt":"2015-05-10T14:06:21","slug":"o-que-e-afinal-a-antimateria-que-uns-consideram-como-o-inverso-da-materia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-que-e-afinal-a-antimateria-que-uns-consideram-como-o-inverso-da-materia\/","title":{"rendered":"O que \u00e9, afinal, a antimat\u00e9ria, que uns consideram como o inverso da mat\u00e9ria?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"imagem\" title=\"Richard Juilliart\/AFP\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2015\/04\/06\/10fev2015---o-lhc-o-maior-colisor-de-particulas-voltou-a-funcionar-apos-uma-manutencao-de-dois-anos-no-cern-european-organisation-for-nuclear-research-em-meyrin-proximo-a-genebra-na-suica-na-1428353147359_615x300.jpg\" alt=\"O Grande Colisor de H\u00e1drons, um acelerador de part\u00edculas gigante\" width=\"640\" height=\"320\" \/><\/p>\n<p><em>O Grande Colisor de H\u00e1drons, um acelerador de part\u00edculas gigante (Richard Juilliart\/AFP)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para muita gente, &#8220;antimat\u00e9ria&#8221; \u00e9 apenas um termo tirado dos filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. De fato, o inverso da mat\u00e9ria, formado por antipart\u00edculas, n\u00e3o existe naturalmente no nosso planeta. Mas o que parece teoria foi transformado em realidade h\u00e1 bastante tempo, e hoje \u00e9 poss\u00edvel encontrar aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas da antimat\u00e9ria nos grandes centros m\u00e9dicos, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;A antimat\u00e9ria tem sido produzida e estudada em detalhes por muitas d\u00e9cadas&#8221;, conta o f\u00edsico Eduardo Pont\u00f3n, pesquisador do Instituto Sul-Americano de Pesquisa Fundamental, do International Centre for Theoretical Physics (ICTP), em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade Estadual Paulista (Unesp).<\/p>\n<p>A primeira antipart\u00edcula descoberta foi o antiel\u00e9tron (tamb\u00e9m chamado de p\u00f3sitron), em 1932, por Carl Anderson, ao estudar raios c\u00f3smicos. Mas sua exist\u00eancia j\u00e1 havia sido prevista um ano antes, pelo brit\u00e2nico Paulo A. M. Dirac, que levou o Nobel de F\u00edsica em 1933.<\/p>\n<p>\u00c9 not\u00e1vel que algu\u00e9m tenha conclu\u00eddo que uma part\u00edcula nunca antes vista deveria existir, apenas baseando-se em argumentos te\u00f3ricos. &#8220;A antimat\u00e9ria \u00e9 uma consequ\u00eancia da uni\u00e3o de ideias de duas grandes revolu\u00e7\u00f5es da f\u00edsica do in\u00edcio do s\u00e9culo 20: a teoria da relatividade e a mec\u00e2nica qu\u00e2ntica&#8221;, conclui Pont\u00f3n.<\/p>\n<p>Para explicar melhor o termo, ele utiliza o pr\u00f3prio exemplo do el\u00e9tron, uma part\u00edcula elementar extremamente leve. &#8220;Existe uma outra part\u00edcula praticamente igual a ela: o p\u00f3sitron. Ambas t\u00eam a mesma massa, por exemplo; a \u00fanica diferen\u00e7a \u00e9 que a segunda tem uma carga el\u00e9trica oposta, o que a torna distinta da primeira.&#8221;<\/p>\n<p>Mais tarde, em 1955, cientistas criaram um antipr\u00f3ton com ajuda de um acelerador de part\u00edculas. E a lista n\u00e3o ficou restrita ao inverso de pr\u00f3tons, n\u00eautrons e el\u00e9trons. &#8220;Hoje conhecemos centenas de part\u00edculas, e cada uma delas possui uma antipart\u00edcula correspondente&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Um fato curioso \u00e9 que, como as part\u00edculas e antipart\u00edculas compartilham as mesmas propriedades (apesar de terem cargas opostas), as leis da f\u00edsica funcionam de forma sim\u00e9trica quando uma \u00e9 substitu\u00edda pela outra. &#8220;Em outras palavras, se voc\u00ea pudesse trocar todas as part\u00edculas que o formam e comp\u00f5em o mundo ao seu redor por antipart\u00edculas, tudo pareceria absolutamente normal&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n<p>Por causa dessas mesmas leis, quando uma part\u00edcula e sua antipart\u00edcula correspondente se encontram, elas se aniquilam, produzindo f\u00f3tons (luz, embora n\u00e3o necessariamente vis\u00edvel). Esse fen\u00f4meno descreve uma das principais aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas da antimat\u00e9ria: o exame de PET scan, que ajuda a detectar tumores.<\/p>\n<p>&#8220;Os p\u00f3sitrons emitidos pela subst\u00e2ncia usada no PET scan e os el\u00e9trons em seu corpo se anulam, produzindo, assim, o que \u00e9 chamado de radia\u00e7\u00e3o gama (f\u00f3tons de alta energia)&#8221;, descreve o pesquisador. O exame gera imagens em 3D, mostrando onde as c\u00e9lulas s\u00e3o particularmente ativas.<\/p>\n<p>No futuro, \u00e9 poss\u00edvel que existam in\u00fameras outras aplica\u00e7\u00f5es para a antimat\u00e9ria, j\u00e1 que ela constitui uma fonte de energia em potencial. O dif\u00edcil, por enquanto, \u00e9 produzir antipart\u00edculas em grandes quantidades.<\/p>\n<p><strong>Universo primitivo<\/strong><\/p>\n<p>Praticamente tudo no Universo \u00e9 feito de part\u00edculas, e n\u00e3o antipart\u00edculas. Mas nem sempre foi assim: no in\u00edcio, havia muita mat\u00e9ria, assim como muita antimat\u00e9ria. A propor\u00e7\u00e3o era quase a mesma, mas a propor\u00e7\u00e3o da primeira era levemente maior.<\/p>\n<p>Quase todas as part\u00edculas e antipart\u00edculas se aniquilaram, e a mat\u00e9ria prevaleceu. Por qu\u00ea? &#8220;Esta \u00e9 uma das v\u00e1rias quest\u00f5es que permanecem em aberto na f\u00edsica, um mist\u00e9rio cuja resposta n\u00f3s gostar\u00edamos muito de saber&#8221;, avalia Pont\u00f3n.<\/p>\n<p>Uma das hip\u00f3teses \u00e9 que exista alguma lei da f\u00edsica capaz de distinguir mat\u00e9ria de antimat\u00e9ria. Se os cientistas conseguirem descobrir qual (ou quais), talvez seja poss\u00edvel entender a origem da mat\u00e9ria que resultou na forma\u00e7\u00e3o de gal\u00e1xias, estrelas, planetas e seres vivos.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que experimentos como os que v\u00eam sendo realizados no Cern (Centro Europeu de F\u00edsica de Part\u00edculas), com o Grande Colisor de H\u00e1drons, um acelerador de part\u00edculas gigante, s\u00e3o importantes: eles poder\u00e3o explicar, por exemplo, por que somos assim como somos, e n\u00e3o o inverso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grande Colisor de H\u00e1drons, um acelerador de part\u00edculas gigante (Richard Juilliart\/AFP) &nbsp; Para muita<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20833,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/colisor_hadrons.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Grande Colisor de H\u00e1drons, um acelerador de part\u00edculas gigante (Richard Juilliart\/AFP) &nbsp; Para muita","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20831"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20833"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}