{"id":20790,"date":"2015-05-09T18:55:50","date_gmt":"2015-05-09T18:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20790"},"modified":"2015-05-09T18:55:50","modified_gmt":"2015-05-09T18:55:50","slug":"floresta-amazonica-e-a-ultima-esperanca-para-salvar-as-antas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/floresta-amazonica-e-a-ultima-esperanca-para-salvar-as-antas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Floresta amaz\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima esperan\u00e7a para salvar as antas brasileiras"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20791\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Mais da metade das esp\u00e9cies de grandes herb\u00edvoros \u2013 acima de 100 quilos \u2013 de tr\u00eas regi\u00f5es do mundo correm o risco de desaparecer. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de um estudo, publicado no come\u00e7o de maio na revista Science Advances, que analisou 74 esp\u00e9cies. Pelo menos 44 delas s\u00e3o consideradas em risco de extin\u00e7\u00e3o, como rinocerontes, zebras, gorilas e elefantes. E uma dessas esp\u00e9cies est\u00e1 nas florestas do Brasil: a anta (Tapirus terrestris), j\u00e1 classificada como vulner\u00e1vel ao desaparecimento pela Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza e dos Recursos Naturais.<\/p>\n<p>Essa esp\u00e9cie, tamb\u00e9m conhecida como anta-brasileira, \u00e9 o maior herb\u00edvoro da Am\u00e9rica do Sul e pode ser visto em regi\u00f5es da Mata Atl\u00e2ntica, Cerrado e na Amaz\u00f4nia. Apesar dessa distribui\u00e7\u00e3o, s\u00e3o nas florestas amaz\u00f4nicas que h\u00e1 mais chances de preservarmos a exist\u00eancia da esp\u00e9cie. Mauro Galetti, professor de ecologia da Universidade do Estado de S\u00e3o Paulo (Unesp) e coautor do estudo, afirma que as antas, como todos os herb\u00edvoros, precisam de um espa\u00e7o amplo para encontrar alimentos, se locomover, socializar com outros indiv\u00edduos da esp\u00e9cie e reproduzir. \u201cA Amaz\u00f4nia ainda \u00e9 uma regi\u00e3o com vastas extens\u00f5es de matas preservadas, ideais para o bem-estar das antas. Seu papel ent\u00e3o \u00e9 resguardar esse grande herb\u00edvoro\u201d, diz. A Mata Atl\u00e2ntica, bioma do qual restam apenas alguns fragmentos descont\u00ednuos de florestas, n\u00e3o \u00e9 mais um lugar seguro as esses animais, segundo o professor.<\/p>\n<p>O estudo aponta que um dos principais fatores para o decl\u00ednio das popula\u00e7\u00f5es de herb\u00edvoros \u00e9 a ca\u00e7a em larga escala para aproveitamento da carne. Na Amaz\u00f4nia, esse tamb\u00e9m \u00e9 um problema para as antas, ainda que a pr\u00e1tica seja proibida por lei. Sua carne, que \u00e9 tradicionalmente apreciada por povos ind\u00edgenas, hoje tamb\u00e9m \u00e9 alvo de desejo de moradores de cidades da regi\u00e3o. Como t\u00eam uma reprodu\u00e7\u00e3o lenta \u2013 a gesta\u00e7\u00e3o dura certa de 400 dias \u2013, a reposi\u00e7\u00e3o delas na natureza \u00e9 mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>O desaparecimento das antas geraria efeitos colaterais nos ecossistemas e na vida dos seres humanos, como o estudo aponta. Esses grandes herb\u00edvoros s\u00e3o respons\u00e1veis por servi\u00e7os ambientais cruciais para a biodiversidade. A anta \u00e9 um dos poucos animais que conseguem comer frutos de palmeiras, que s\u00e3o grandes e de casca r\u00edgida &#8211; como o buriti. Como n\u00e3o s\u00e3o digeridas, as sementes do buriti saem nas fezes da anta e conseguem brotar pelas matas, resultando em novas \u00e1rvores. As antas, portanto, s\u00e3o importantes dispersores de sementes e cultivadores \u00e1rvores.<\/p>\n<p>A cadeia alimentar e a seguran\u00e7a das esp\u00e9cies tamb\u00e9m estariam amea\u00e7adas n\u00e3o fosse a presen\u00e7a das antas pelas florestas. Elas competem com roedores por sementes e frutos e, sem antas ao redor, os roedores teriam muito mais alimentos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o e sua popula\u00e7\u00e3o cresceria sem controle. Ao mesmo tempo, as antas s\u00e3o as presas dos animais carn\u00edvoros, como a on\u00e7a. Se n\u00e3o existissem mais na natureza, essas on\u00e7as teriam menos oferta de alimento e tamb\u00e9m estariam com sua sobreviv\u00eancia em xeque.<\/p>\n<p>A anta \u00e9 a \u00faltima esp\u00e9cie representante de um grupo de mam\u00edferos que j\u00e1 foi muito comum na Am\u00e9rica do Sul: os megamam\u00edferos. Todos os outros, como a pregui\u00e7a-gigante e o tatu-gigante, foram extintos nos \u00faltimos 10 mil anos. Esses animais de grande porte que desapareceram com o avan\u00e7o da humanidade s\u00e3o chamados de megafauna. Cientistas acreditam que as causas podem ser tanto a presen\u00e7a dos seres humanos, disputando espa\u00e7o com esses animais, quanto uma mudan\u00e7a no padr\u00e3o do clima. \u201cA Am\u00e9rica do Sul era o local dos grandes mam\u00edferos, como a \u00c1frica \u00e9 hoje. Por isso, \u00e9 ainda mais importante que preservemos a \u00faltima esp\u00e9cie que temos aqui \u201d, diz Galetti.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da descoberta recente de uma nova esp\u00e9cie de anta ilustra os riscos que esses animais sofrem atualmente no Brasil. A identifica\u00e7\u00e3o da Tapirus kabomani, conhecida como anta-pretinha, foi feita em 2013. Ela \u00e9 encontrada na divisa de Rond\u00f4nia e Amazonas, em uma regi\u00e3o que hoje est\u00e1 prestes a ser explorada para minera\u00e7\u00e3o. \u201cSabemos poucas informa\u00e7\u00f5es sobre a anta-pretinha. E infelizmente, j\u00e1 descobrimos que ela corre risco de ser extinta antes mesmo de ser bem estudada\u201d, afirma Galetti.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais da metade das esp\u00e9cies de grandes herb\u00edvoros \u2013 acima de 100 quilos \u2013 de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20791,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/anta.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Mais da metade das esp\u00e9cies de grandes herb\u00edvoros \u2013 acima de 100 quilos \u2013 de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20790"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20790"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20790\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20791"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}