{"id":20693,"date":"2015-05-08T23:50:22","date_gmt":"2015-05-08T23:50:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20693"},"modified":"2015-05-08T23:50:22","modified_gmt":"2015-05-08T23:50:22","slug":"maioria-dos-catadores-de-materiais-estao-expostos-a-riscos-biologicos-fisiologicos-mecanicos-e-psiquicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/maioria-dos-catadores-de-materiais-estao-expostos-a-riscos-biologicos-fisiologicos-mecanicos-e-psiquicos\/","title":{"rendered":"Maioria dos catadores de materiais est\u00e3o expostos a riscos biol\u00f3gicos, fisiol\u00f3gicos, mec\u00e2nicos e ps\u00edquicos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/catadores.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20694\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/catadores-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/catadores-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/catadores.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Eles trabalham de sol a sol a procura de papel\u00e3o, garrafa pet. Buscam um emprego menos perigoso, dentro de uma cooperativa, mas temem que a renda diminua. Querem que a import\u00e2ncia da reciclagem se sobressaia \u00e0 invisibilidade social enfrentada. Dentro deste cen\u00e1rio est\u00e3o os catadores de materiais recicl\u00e1veis, que foram alvo de um estudo realizado pela Escola de Enfermagem de Ribeir\u00e3o Preto (EERP) da USP.<\/p>\n<p>Os resultados apontam que eles sofrem com problemas osteomusculares, ansiedade, estresse e complica\u00e7\u00f5es derivadas de acidentes de trabalho. Al\u00e9m dos problemas de sa\u00fade, est\u00e3o entre os principais desafios da classe o improviso de instrumentos de trabalho e a obten\u00e7\u00e3o de melhores recursos financeiros.<\/p>\n<p>Catadores sofrem com com problemas osteomusculares, ansiedade e estresse<\/p>\n<p>Na pesquisa, realizada entre os meses de maio e dezembro de 2013, a enfermeira Tanyse Galon entrevistou um grupo de 23 catadores aut\u00f4nomos de Ribeir\u00e3o Preto, interior de S\u00e3o Paulo. \u201cCom 10 deles trabalhamos com fotografias, a fim de discutir o seu cotidiano de trabalho e condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade.\u201d<\/p>\n<p>Depois do processo, a enfermeira concluiu que, embora esse trabalho traga ganhos ambientais \u00e0 sociedade e econ\u00f4micos \u00e0 cadeia de reciclagem, os catadores est\u00e3o inseridos em um contexto de informalidade e invisibilidade social. \u201cAo mesmo tempo em que eles renovam aquilo que n\u00e3o tinha valor algum (res\u00edduos ou \u2018lixo\u2019), gerando lucro para o mercado da reciclagem, eles tamb\u00e9m desgastam a sua sa\u00fade nesse processo\u201d, afirma a enfermeira.<\/p>\n<p>A pesquisa identificou que os catadores s\u00e3o, no geral, adulto-jovens que possuem dependentes financeiros e apresentam baixo n\u00edvel educacional, conta Tanyse, ao lembrar que muitos idosos aderem a pr\u00e1tica para complementar a aposentadoria. \u201cA maioria tamb\u00e9m vive em domic\u00edlio alugado e n\u00e3o possui renda superior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d, completa a pesquisadora.<\/p>\n<p>Sa\u00fade prejudicada<\/p>\n<p>Segundo Tanyse, os catadores de materiais recicl\u00e1veis enfrentam cargas de trabalho biol\u00f3gicas, mec\u00e2nicas, fisiol\u00f3gicas e ps\u00edquicas. \u201cEles ficam expostos a materiais contaminados, como seringas, agulhas, cacos de vidro e res\u00edduos hospitalares, que s\u00e3o as cargas biol\u00f3gicas. Al\u00e9m disso, quanto \u00e0s mec\u00e2nicas, ainda correm o risco de serem atropelados no tr\u00e2nsito ao carregarem seus carrinhos de m\u00e3o pesados e n\u00e3o adaptados.\u201d<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s cargas fisiol\u00f3gicas, ela ressalta o grande esfor\u00e7o f\u00edsico feito para carregar o peso transportado. E, por fim, apresentam problemas ps\u00edquicos, pois \u201cos catadores s\u00e3o vistos como pessoas de m\u00e1 \u00edndole e n\u00e3o como trabalhadores dignos que sustentam suas fam\u00edlias\u201d, conta a enfermeira.<\/p>\n<p>O peso das cargas trazem como consequ\u00eancias problemas osteomusculares, como dores na coluna e membros inferiores, e os exp\u00f5em a acidentes de trabalho \u2014 cortes pelo corpo, quedas e contus\u00f5es. E, ainda, diz a pesquisadora, amargam suas vidas a ansiedade e estresse. \u201cAmbos s\u00e3o dist\u00farbios causados pela instabilidade de renda, press\u00e3o enfrentada no tr\u00e2nsito, preconceito e desvaloriza\u00e7\u00e3o sofridos\u201d, diz Tanyse.<\/p>\n<p>\u201cO catador se vira como pode\u201d<\/p>\n<p>Uma das tem\u00e1ticas trabalhadas na tese aborda a improvisa\u00e7\u00e3o dos instrumentos de trabalho dos catadores. De acordo com a pesquisadora, os trabalhadores tentam adquirir ve\u00edculos motorizados ou de tra\u00e7\u00e3o animal em substitui\u00e7\u00e3o aos \u2018carrinhos de m\u00e3o\u2019, com o objetivo de reduzir a carga de trabalho, por\u00e9m, o baixo valor obtido com a reciclagem impossibilita a manuten\u00e7\u00e3o desses recursos.<br \/>\n\u201cA falta de recursos de prote\u00e7\u00e3o laboral e falta de direitos de sa\u00fade no trabalho em termos legais levam os catadores a cuidarem sozinhos da pr\u00f3pria sa\u00fade (automedica\u00e7\u00e3o) e procurarem os servi\u00e7os de sa\u00fade apenas em situa\u00e7\u00f5es que consideram graves\u201d, fala Tanyse.<\/p>\n<p>Ela ressalta que \u201co que os catadores mais demandam n\u00e3o \u00e9 serem reconhecidos como pessoas que precisam de \u2018ajuda social\u2019, mas sim de serem vistos como trabalhadores, recebendo todos os direitos que lhe s\u00e3o imputados a partir desta condi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A tese Do lixo \u00e0 mercadoria, do trabalho ao desgaste: estudo do processo de trabalho e suas implica\u00e7\u00f5es na sa\u00fade de catadores de materiais recicl\u00e1veis foi defendida em mar\u00e7o de 2015 e orientada pela professora Maria Helena Palucci Marziale.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles trabalham de sol a sol a procura de papel\u00e3o, garrafa pet. 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