{"id":20616,"date":"2015-05-07T12:00:54","date_gmt":"2015-05-07T12:00:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20616"},"modified":"2015-05-06T23:36:54","modified_gmt":"2015-05-06T23:36:54","slug":"cientistas-descobrem-microbios-que-podem-representar-elo-perdido-da-vida-complexa-na-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/cientistas-descobrem-microbios-que-podem-representar-elo-perdido-da-vida-complexa-na-terra\/","title":{"rendered":"Cientistas descobrem micr\u00f3bios que podem representar \u2018elo perdido\u2019 da vida complexa na Terra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20618\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todos seres vivos mais complexos da Terra, sejam fungos, plantas ou animais, s\u00e3o em geral compostos basicamente por conjuntos de c\u00e9lulas com n\u00facleo definido, onde fica guardado seu DNA, diversas organelas (pequenos \u00f3rg\u00e3os) dentro de uma membrana, e com v\u00e1rios formatos e fun\u00e7\u00f5es diferentes, chamadas eucari\u00f3ticas. Mas a vida no planeta teria come\u00e7ado de forma bem mais simples, com micro-organismos unicelulares, isto \u00e9, de apenas uma c\u00e9lula, em que seu material gen\u00e9tico \u201cflutua\u201d livre em seu interior, onde tamb\u00e9m est\u00e3o presentes apenas algumas poucas organelas essenciais, conhecidas como procari\u00f3ticas. Assim, a maneira que os seres eucariontes teriam evolu\u00eddo a partir dos procariontes \u00e9 objeto de d\u00favidas e intensos debates entre os cientistas, num mist\u00e9rio que come\u00e7a a ser solucionado com a recente descoberta de uma nova linhagem de micr\u00f3bios que representariam o \u201celo perdido\u201d entre os dois.<\/p>\n<p>Encontrada junto a fontes hidrotermais a mais de 2 mil metros no fundo do Oceano \u00c1rtico, entre a Noruega e a Groenl\u00e2ndia, esta linhagem de micr\u00f3bios, batizada provisoriamente de <em>Lokiarchaeota<\/em>, ou apenas \u201cLoki\u201d, tem caracter\u00edsticas de procariontes, como a falta de um n\u00facleo definido, mas tamb\u00e9m algumas de eucariontes, no meio caminho entre ambos. Seu nome \u00e9 uma refer\u00eancia tanto \u00e0 regi\u00e3o da cordilheira oce\u00e2nica onde foram achados, o \u201cCastelo de Loki\u201d (que por sua vez lembra o deus n\u00f3rdico associado \u00e0 travessura e ao caos), quanto ao dom\u00ednio Archaea, cuja descoberta e classifica\u00e7\u00e3o, nos anos 1970, pelo renomado bi\u00f3logo Carl Woese j\u00e1 tinham surpreendido a comunidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, Woese mostrou que embora simples e pequenos como as bact\u00e9rias, organismos procari\u00f3ticos \u201ct\u00edpicos\u201d, os integrantes do <em>Archaea<\/em> tamb\u00e9m podiam ser relacionados com os eucariontes. Com isso, passou-se a dividir a chamada \u201c\u00e1rvore da vida\u201d na Terra em tr\u00eas ramos principais (os dom\u00ednios <em>Bacteria<\/em> e <em>Archaea<\/em>, ambos procariontes, e o <em>Eukaryota<\/em>) e dando in\u00edcio \u00e0 discuss\u00e3o se os seres mais complexos do planeta teriam evolu\u00eddo a partir dos <em>Archaea<\/em> e, se sim, como.<\/p>\n<p>&#8211; O quebra-cabe\u00e7a da origem das c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas \u00e9 extremamente complicado, com muitas pe\u00e7as ainda faltando \u2013 destaca Thijs Ettema, pesquisador da Universidade de Uppsala, na Su\u00e9cia, e l\u00edder da equipe de cientistas respons\u00e1vel pela descoberta, relatada na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista \u201cNature\u201d. &#8211; Esper\u00e1vamos que os Loki revelassem mais algumas pe\u00e7as deste quebra-cabe\u00e7a, mas quando obtivemos os primeiros resultados n\u00e3o pod\u00edamos acreditar no que est\u00e1vamos vendo. Os dados eram simplesmente espetaculares.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, an\u00e1lise do DNA da nova linhagem de micr\u00f3bios mostrou que ela tem mais de 150 genes para a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas que at\u00e9 agora eram considerados exclusivos da biologia dos eucariontes. Estes genes permitiriam aos Loki ter um citoesqueleto com base na prote\u00edna conhecida como actina, construindo e demolindo membranas para o transporte interno de subst\u00e2ncias, para se remodelar e mudar de formato e potencialmente tamb\u00e9m para capturar material de seu ambiente via os processos de endocitose ou fagocitose, funcionalidades antes s\u00f3 vistas em c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas.<\/p>\n<p>E \u00e9 principalmente por esta te\u00f3rica capacidade de realizar a fagocitose que os Loki s\u00e3o suspeitos de representar um ponto-chave no caminho da vida entre os procariontes e os eucariontes. Pelas teorias mais aceitas atualmente, as mitoc\u00f4ndrias, uma das organelas que s\u00f3 existem nas c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas, seriam resultado da evolu\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias \u201csequestradas\u201d do ambiente pelas precursoras dos seres eucariontes. As mitoc\u00f4ndrias t\u00eam um DNA pr\u00f3prio que mais parece com o das bact\u00e9rias do que o encontrado no n\u00facleo celular, e sua presen\u00e7a no interior das c\u00e9lulas teria for\u00e7ado o aparecimento de uma barreira de separa\u00e7\u00e3o justamente para evitar que isso provocasse uma esp\u00e9cie de \u201ccaos gen\u00e9tico\u201d no organismo. Al\u00e9m disso, as mitoc\u00f4ndrias funcionam como verdadeiras usinas de produ\u00e7\u00e3o de energia das c\u00e9lulas eucari\u00f3ticas, tendo assim fornecido o combust\u00edvel necess\u00e1rio para que elas se organizassem em formas de vida mais complexas e pluricelulares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos seres vivos mais complexos da Terra, sejam fungos, plantas ou animais, s\u00e3o em geral<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20618,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/elo_perdico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todos seres vivos mais complexos da Terra, sejam fungos, plantas ou animais, s\u00e3o em geral","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20616"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20616"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20616\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}