{"id":20367,"date":"2015-05-02T17:21:40","date_gmt":"2015-05-02T17:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20367"},"modified":"2015-05-02T17:21:40","modified_gmt":"2015-05-02T17:21:40","slug":"entrevista-especial-com-leonardo-melgarejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-leonardo-melgarejo\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Leonardo Melgarejo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Aprova\u00e7\u00e3o de eucalipto transg\u00eanico atende interesse do mercado de pasta de celulose<\/strong><\/p>\n<p>Por Patricia Fachin<\/p>\n<p><strong>\u201cAs lavouras de eucalipto destinadas \u00e0 pasta de celulose constituem grandes blocos de uma mesma e \u00fanica planta, multiplicada por t\u00e9cnicas de clonagem\u201d, adverte o engenheiro agr\u00f4nomo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/7G7mBgdrhpoUGAlZKIYXpkErghA=\/top\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/09\/30\/eucalipto-03.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: epocanegocios.globo.com<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Os argumentos favor\u00e1veis \u00e0 planta\u00e7\u00e3o de eucalipto transg\u00eanico foram aceitos em se\u00e7\u00e3o plen\u00e1ria, no dia 9 de abril, com a aprova\u00e7\u00e3o de 18 dos 21 membros da CTNBio. A partir dessa decis\u00e3o, o plantio j\u00e1 \u201cest\u00e1 valendo, embora os estudos tenham sido realizados em \u00e1reas restritas, n\u00e3o cumprindo norma da CTNBio que exige testes em todos os agroecossistemas\u201d, critica Leonardo Melgarejo, em entrevista concedida \u00e0 IHU On-Line por e-mail.<\/p>\n<p>De acordo com o engenheiro agr\u00f4nomo, ap\u00f3s o cumprimento de prazos de rotina, o eucalipto transg\u00eanico ser\u00e1 cultivado em todo o territ\u00f3rio nacional, com exce\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do engenheiro agr\u00f4nomo, a autoriza\u00e7\u00e3o do plantio de eucalipto transg\u00eanico atende ao mercado de pasta de celulose, que \u201cpossui grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica\u201d. Segundo ele, atualmente poucas empresas que operam em \u201celevado n\u00edvel tecnol\u00f3gico, necessitando de grande volume de celulose, buscam as melhores op\u00e7\u00f5es para atender a demanda crescente a custos reduzidos. Isto implica estimular o plantio de \u00e1rvores de r\u00e1pido crescimento, nos locais onde este procedimento pode ser realizado a mais baixo custo, e \u2014 ao mesmo tempo \u2014 tratar de modificar estas \u00e1rvores para facilitar sua transforma\u00e7\u00e3o em papel, mantendo um olho na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o e outro no da concorr\u00eancia. Isto implica manter excelentes programas de pesquisa e de comercializa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Melgarejo explica que o eucalipto transg\u00eanico tem um gene diferente, o chamado cel1, \u201cque atua sobre a parede das fibras de celulose, alongando-as\u201d. Por conta disso, \u201cas \u00e1rvores se tornaram \u2018mais produtivas\u2019 sob o ponto de vista da celulose\u201d.<\/p>\n<p>Segundo ele, com o in\u00edcio dos plantios transg\u00eanicos, os tradicionais cultivos de sete anos ser\u00e3o substitu\u00eddos por plantios de cinco anos. \u201cA cada cinco anos ser\u00e3o retiradas cerca de 250 toneladas de madeira por hectare (isso nas carretas, correspondendo a pelo menos 150 toneladas de mat\u00e9ria seca), que para ser formada necessitou de \u00e1gua, sol e minerais. Em 20 anos, teremos quatro ciclos, quatro saques daquela dimens\u00e3o. Com o eucalipto n\u00e3o modificado, que exige corte a cada sete (e n\u00e3o cinco) anos, ter\u00edamos \u2014 nos mesmos 20 anos \u2014 tr\u00eas retiradas. Substancialmente menos, como deveria ser \u00f3bvio\u201d. E questiona: \u201cNeste sentido, ao longo do tempo, teremos menor aporte e maior volume de retiradas. O que seria de esperar?\u201d.<\/p>\n<p>Entre as justificativas que permitiram a aprova\u00e7\u00e3o dessa esp\u00e9cie modificada, o engenheiro agr\u00f4nomo informa que a FuturaGene\/Suzano argumentou que a planta\u00e7\u00e3o seria uma maneira de ampliar a oferta de papel, a qual \u201cconstituiria necessidade global e oportunidade para capta\u00e7\u00e3o de divisas\u201d. Al\u00e9m disso, os defensores do plantio argumentam que o \u201ceucalipto transg\u00eanico seria mais produtivo do que os demais, e isso \u2014 em tese \u2014 permitiria reduzir a necessidade de \u00e1rea, liberando espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos; n\u00e3o haveria implica\u00e7\u00f5es ambientais, n\u00e3o haveria problema com o consumo de \u00e1gua, n\u00e3o haveria impactos sobre a sa\u00fade, e os estudos aportados pela empresa seriam suficientes para garantir estes pontos e outros\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, enfatiza, as \u201cfragilidades\u201d apontadas por alguns membros da CTNBio n\u00e3o foram respondidas, entre elas, a insufici\u00eancia de pesquisas para \u201cassegurar aus\u00eancia de impactos ambientais\u201d e \u201cestudos insuficientes para assegurar aus\u00eancia de problemas aos consumidores de mel\u201d. De acordo com Melgarejo, perguntas como \u201co gene NPTII, que confere toler\u00e2ncia a antibi\u00f3ticos, em longa s\u00e9rie de uso, poderia vir a ser absorvido por bact\u00e9rias do trato intestinal e digestivo, dificultando o tratamento de doen\u00e7as?\u201d e \u201cestudos realizados com uma esp\u00e9cie de abelhas seriam v\u00e1lidos para as centenas de esp\u00e9cies presentes no territ\u00f3rio nacional?\u201d ou, ainda, \u201cuma \u00e1rvore que produz quatro ciclos em 20 anos e substitui outra, que produz apenas tr\u00eas ciclos no mesmo per\u00edodo, n\u00e3o consumir\u00e1 mais \u00e1gua e outros nutrientes?\u201d, n\u00e3o foram respondidas antes da aprova\u00e7\u00e3o do plantio.<\/p>\n<p>Leonardo Melgarejo \u00e9 engenheiro agr\u00f4nomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o pela Universidade de Santa Catarina &#8211; UFSC. \u00c9 coordenador do GT Agrot\u00f3xicos e Transg\u00eanicos da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/i57.tinypic.com\/w2hehj.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00a0 \u00a0 \u00a0<em>\u00a0Foto: www.ecolnews.com.br<\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; Como surgiu a tentativa de aprovar a libera\u00e7\u00e3o do eucalipto transg\u00eanico? Em que contexto essa proposta surge e por quais raz\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> O mercado de pasta de celulose \u00e9 fortemente oligopolizado e possui grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica. Poucas empresas, operando em elevado n\u00edvel tecnol\u00f3gico, necessitando de grande volume de celulose, buscam as melhores op\u00e7\u00f5es para atender a demanda crescente a custos reduzidos. Isto implica estimular o plantio de \u00e1rvores de r\u00e1pido crescimento, nos locais onde este procedimento pode ser realizado a mais baixo custo, e \u2014 ao mesmo tempo \u2014 tratar de modificar estas \u00e1rvores para facilitar sua transforma\u00e7\u00e3o em papel, mantendo um olho na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o e outro no da concorr\u00eancia. Isto implica manter excelentes programas de pesquisa e de comercializa\u00e7\u00e3o. Os primeiros tratam de \u201cmelhorar\u201d as \u00e1rvores no sentido de facilitar a produ\u00e7\u00e3o da pasta, o que significa basicamente acelerar o crescimento e reduzir o teor de lignina, ampliando a propor\u00e7\u00e3o de celulose. S\u00e3o objetivos diferentes; o primeiro \u00e9 muito mais complexo, envolve muitos genes e ainda n\u00e3o est\u00e1 dominado pela ci\u00eancia. Para o segundo, a FuturaGene\/Susano encontrou uma solu\u00e7\u00e3o relativamente simples. Simples agora, como no caso do ovo de Colombo.<\/p>\n<p>Com a introdu\u00e7\u00e3o de um \u00fanico gene, chamado cel1, que atua sobre a parede das fibras de celulose, alongando-as, suas \u00e1rvores se tornaram \u201cmais produtivas\u201d sob o ponto de vista da celulose. O processo de obten\u00e7\u00e3o da pasta se fez simplificado pela menor propor\u00e7\u00e3o de lignina, que confere resist\u00eancia \u00e0 madeira. \u00c1rvores com mais lignina s\u00e3o desejadas para quem pretende fabricar m\u00f3veis, postes, casas, pontes, mas n\u00e3o para quem pretende desmanchar a madeira e produzir papel. E esta \u00e9 uma das cr\u00edticas ao eucalipto transg\u00eanico H421: ele \u00e9 p\u00e9ssimo para todos os usos de madeira que qualquer agricultor ou ind\u00fastria tradicional pretenda. Ele s\u00f3 \u00e9 bom para fabricar celulose. Assim, a contamina\u00e7\u00e3o de eucaliptos com outra finalidade, pelo p\u00f3len do eucalipto H421, gerar\u00e1 \u201cfilhos\u201d que n\u00e3o se prestar\u00e3o aos interesses de quem cultiva as \u00e1rvores com objetivos distintos daqueles dos \u201cpropriet\u00e1rios\u201d do H421. Al\u00e9m disso, aqueles \u201cfilhos\u201d com o transgene \u201cprovar\u00e3o\u201d que o propriet\u00e1rio das \u00e1rvores \u201ccontaminadas\u201d est\u00e1 usando indevidamente (vale dizer, roubando) a tecnologia do \u201cpropriet\u00e1rio\u201d do H421.<\/p>\n<p>Voltando ao tema dos programas internos. O setor envolvido com a promo\u00e7\u00e3o do plantio\/comercializa\u00e7\u00e3o das empresas de celulose, trata da expans\u00e3o \u2014 sempre com apoio do poder p\u00fablico \u2014 de programas que garantam a implanta\u00e7\u00e3o das lavouras de eucalipto. Bem estruturadas campanhas de marketing trabalham imagens que induzem a percep\u00e7\u00e3o coletiva a associar os eucaliptos \u00e0s no\u00e7\u00f5es ecologicamente positivas do \u201cflorestamento\u201d ou \u201creflorestamento\u201d.<\/p>\n<p>Estes programas tendem a ser mais agressivos em regi\u00f5es de economia deprimida, onde os est\u00edmulos \u00e0s empresas de celulose se mostram facilitados pela d\u00e9bil legisla\u00e7\u00e3o ambiental, e \u00e9 baixo o custo da terra. Acontece no Uruguai, no Paraguai, no Brasil e em muitos outros locais do planeta. No Rio Grande do Sul vivenciamos experi\u00eancia marcante durante o governo Yeda Crusius, em que programas de \u201creflorestamento\u201d foram implantados na \u00e1rea do pampa, onde ao longo de mil\u00eanios a natureza n\u00e3o optou por florestas. Sobre as ilus\u00f5es incorporadas naquele programa, recomendo leitura da tese de doutoramento de Patr\u00edcia Binkowski (<em>Din\u00e2micas Socioambientais e Disputas Territoriais em Torno dos Empreendimentos Florestais do Rio Grande do Sul<\/em> \u2013 PGDR-UFRGS, 2014).<\/p>\n<p>Obviamente estas lavouras de eucalipto, formando grandes blocos cultivados com um \u00fanico tipo de planta, n\u00e3o podem ser confundidas com florestas, que se caracterizam pela diversidade de esp\u00e9cimes. Mais grave do que isso, as lavouras de eucalipto destinadas \u00e0 pasta de celulose constituem grandes blocos de uma mesma e \u00fanica planta, multiplicada por t\u00e9cnicas de clonagem. A tecnologia atual permite isso: identificado um esp\u00e9cime que se destaca pelo r\u00e1pido crescimento, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio esperar que seus filhos cres\u00e7am e produzam sementes que ser\u00e3o cultivadas para verificar se a caracter\u00edstica desejada se mant\u00e9m, e a partir dali gerar milh\u00f5es de mudas que ser\u00e3o levadas a campo. T\u00e9cnicas de clonagem permitem passar direto da \u00e1rvore promissora para milh\u00f5es de plantas da mesma \u00e1rvore. N\u00e3o s\u00e3o irm\u00e3s; s\u00e3o r\u00e9plicas da \u00e1rvore original, com todas as suas particularidades. A grande quest\u00e3o \u00e9 que um clone n\u00e3o tem marca e, portanto, n\u00e3o tem dono. Eles n\u00e3o carregam assinatura que permita exclusividade de uso.<\/p>\n<p><strong>Clone<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 um clone com o gene cel1, registrado em nome de determinada empresa, n\u00e3o poder\u00e1 ser utilizado por outras empresas, sem a anu\u00eancia da primeira. A patente daquela constru\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e a garantia de que o transgene estar\u00e1 presente em todas as c\u00e9lulas do clone modificado conferem enorme seguran\u00e7a \u00e0 empresa detentora dos direitos de propriedade. Suas concorrentes estar\u00e3o cometendo crime, se utilizarem a tal \u00e1rvore sem autoriza\u00e7\u00e3o expressa. \u00c9 relevante dizer, neste ponto, que uma vez inserido determinado transgene no genoma de uma planta hospedeira, o processo de regress\u00e3o, de retirada daquele gene, se torna t\u00e3o complexo, oneroso e inseguro que deixa de ser interessante.<\/p>\n<p>Assim, respondendo \u00e0 pergunta: como surgiu a tentativa de aprova\u00e7\u00e3o? O setor de pesquisas de determinada empresa, em dado momento, se percebeu diante de grande oportunidade: dispunha de um clone de alta produtividade e dom\u00ednio sobre conjunto de dois genes que permitem ao mesmo tempo alterar a estrutura das cadeias de celulose (o gene cel1) e mapear com seguran\u00e7a sua presen\u00e7a (o gene NPTII). A inser\u00e7\u00e3o destes genes no chamado evento H421 e a autoriza\u00e7\u00e3o da CTNBio para plantio desta nova planta, em todo territ\u00f3rio nacional, confere enorme vantagem comercial para a empresa FuturaGene\/Suzano em rela\u00e7\u00e3o a seus concorrentes. Trata-se de grande passo porque, uma vez aprovado no Brasil, este eucalipto tende a ser aprovado em outros locais do planeta.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consiste o eucalipto transg\u00eanico? Quais s\u00e3o suas propriedades em rela\u00e7\u00e3o ao eucalipto normal?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo \u2013<\/strong> Trata-se de um eucalipto transformado para facilitar sua decomposi\u00e7\u00e3o em pasta de celulose. Quando os genes ce1 e npt11 foram apresentados \u00e0 CTNBio, nos primeiros processos de libera\u00e7\u00e3o planejada (ensaios de campo) envolvendo o eucalipto transg\u00eanico, n\u00e3o havia qualquer men\u00e7\u00e3o \u00e0 produtividade. O discurso referia altera\u00e7\u00e3o nas fibras de celulose e otimiza\u00e7\u00e3o do processo industrial. Mais recentemente isso mudou. O discurso dos ganhos de produtividade parece, por este motivo, ligado \u00e0 inser\u00e7\u00e3o daqueles genes em clone mais produtivo, como comentado acima. Na Audi\u00eancia P\u00fablica promovida pela CTNBio, a pedido da Empresa, Dario Grattapaglia, representante da EMBRAPA, afirmou conhecer clones modernos, que ofereceriam ganhos de produtividade equivalentes, na aus\u00eancia da transforma\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica incorporada ao H421.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como foi a vota\u00e7\u00e3o da libera\u00e7\u00e3o do eucalipto transg\u00eanico na CTNBio? Quais foram os argumentos favor\u00e1veis e contr\u00e1rios \u00e0 liberaliza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> Os argumentos favor\u00e1veis foram apresentados pela empresa e aceitos pela maioria dos membros da CTNBio, sendo repetidos no parecer consolidado, favor\u00e1vel ao pedido da empresa. Basicamente, a amplia\u00e7\u00e3o na oferta de papel constituiria necessidade global e oportunidade para capta\u00e7\u00e3o de divisas; o eucalipto transg\u00eanico seria mais produtivo do que os demais, e isso \u2014 em tese \u2014 permitiria reduzir a necessidade de \u00e1rea, liberando espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos; n\u00e3o haveria implica\u00e7\u00f5es ambientais, n\u00e3o haveria problema com o consumo de \u00e1gua, n\u00e3o haveria impactos sobre a sa\u00fade, e os estudos aportados pela empresa seriam suficientes para garantir estes pontos e outros, destacando vantagens e oportunidades de renda para agricultores de pequeno porte, estabelecidos em \u00e1reas pouco afeitas a outro tipo de atividade que n\u00e3o a silvicultura. Talvez existam outros argumentos, que agora n\u00e3o recordo. Enfim, diante de vasto conjunto de vantagens e aus\u00eancia de riscos relevantes, a maioria dos membros da CTNBio votou pela aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u201cPress\u00e3o do ministro\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Isto ocorreu em se\u00e7\u00e3o plen\u00e1ria do dia 9 de abril de 2015. \u00c9 importante destacar que no dia anterior, e a portas fechadas, os membros da CTNBio escutaram prele\u00e7\u00e3o do Ministro da Ci\u00eancia, Tecnologia e Informa\u00e7\u00e3o, Aldo Rebelo. Em sua fala, o ministro criticou pessoas contr\u00e1rias \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do eucalipto e enalteceu posi\u00e7\u00f5es a favor, contribuindo de forma inesperada para o resultado. Dada sua posi\u00e7\u00e3o e compromissos, considerando ainda que o MCTI indica a maior parte dos membros da CTNBio, o ato foi surpreendente. N\u00e3o tenho conhecimento de gesto parecido, na hist\u00f3ria da lei de Biosseguran\u00e7a e da CTNBio. Atitude desnecess\u00e1ria e triste, reveladora de parcialidade. Na perspectiva da CTNBio, que deveria se pautar por raz\u00f5es t\u00e9cnicas, a press\u00e3o do ministro parece mesmo inaceit\u00e1vel, ainda mais porque sua assessoria proibiu inclusive o acesso de servidores p\u00fablicos, funcion\u00e1rios de outros minist\u00e9rios, a um ambiente p\u00fablico, onde o livre acesso seria garantido pela legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A atitude do ministro possivelmente se deu em repres\u00e1lia \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Movimento das Mulheres Camponesas, que em 4 de mar\u00e7o de 2015 interrompeu a reuni\u00e3o antes da leitura do parecer de Kageyama, que havia pedido vistas ao processo no m\u00eas anterior. A a\u00e7\u00e3o das mulheres camponesas, principais respons\u00e1veis pela elabora\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica &#8211; PNAPO e do Plano Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica &#8211; PLANAPO se compreende. A aprova\u00e7\u00e3o do eucalipto amea\u00e7a a ambos. Ali\u00e1s, o parecer de Kageyama \u00e9 claro neste sentido. O p\u00f3len do H421 estar\u00e1 presente no mel produzido a partir de flores de eucalipto transg\u00eanico, e isso acabar\u00e1 com nosso acesso ao mercado internacional de mel org\u00e2nico, importante fonte de renda para milhares de apicultores brasileiros. Que motivo levaria os interesses de poucos produtores de pasta de celulose serem t\u00e3o mais importantes do que as necessidades de milhares de produtores de mel, a ponto de mobilizar um ministro, em defesa de seus interesses?<\/p>\n<p><strong>Argumentos contr\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Os argumentos contr\u00e1rios, voto vencido, apontavam fragilidades do processo. Estudos insuficientes para assegurar aus\u00eancia de impactos ambientais. Estudos insuficientes para assegurar aus\u00eancia de problemas aos consumidores de mel (o gene NPTII, que confere toler\u00e2ncia a antibi\u00f3ticos, em longa s\u00e9rie de uso, poderia vir a ser absorvido por bact\u00e9rias do trato intestinal e digestivo, dificultando o tratamento de doen\u00e7as?), \u00e0s abelhas (estudos realizados com uma esp\u00e9cie seriam v\u00e1lidos para as centenas de esp\u00e9cies presentes no territ\u00f3rio nacional?) e a popula\u00e7\u00f5es residentes em \u00e1reas com hist\u00f3rico de d\u00e9ficit h\u00eddrico (uma \u00e1rvore que produz quatro ciclos em 20 anos e substitui outra, que produz apenas tr\u00eas ciclos no mesmo per\u00edodo, n\u00e3o consumir\u00e1 mais \u00e1gua e outros nutrientes?). Por que a antecipa\u00e7\u00e3o da colheita reduziria a necessidade de terras, se o plantio de eucaliptos prev\u00ea v\u00e1rios ciclos? Al\u00e9m disso, a empresa pretende dar livre acesso a seu clone modificado, de modo que todos os produtores de pasta de celulose se \u201cbeneficiem\u201d daquela tecnologia? E se isso acontecer, os impactos sobre o ambiente e os ciclos h\u00eddricos n\u00e3o ser\u00e3o agravados?<\/p>\n<p>Os estudos da empresa n\u00e3o apontavam respostas a estas quest\u00f5es. Adicionalmente, algumas pesquisas de campo em andamento, aprovadas pela CTNBio, ainda n\u00e3o haviam sido conclu\u00eddas. A empresa teria solicitado autoriza\u00e7\u00e3o para estudos irrelevantes? A CTNBio teria autorizado pesquisas desnecess\u00e1rias, permitindo \u2014 para tanto \u2014 o plantio de \u00e1rvores transg\u00eanicas? Em respeito ao Princ\u00edpio da Precau\u00e7\u00e3o, estes e outros elementos discutidos na AP e inclu\u00eddos no parecer de Paulo Kageyama, apontavam necessidade de mais tempo, mais pesquisas. E o Dr. Paulo Kageyama sugeria que o processo fosse devolvido \u00e0 empresa para incorporar os esclarecimentos necess\u00e1rios. Talvez a presen\u00e7a do ministro, no dia anterior, n\u00e3o tenha sido decisiva, embora com certeza deva ser considerada marcante. Mas o fato \u00e9 que 18 membros da CTNBio votaram pela aprova\u00e7\u00e3o e apenas tr\u00eas votaram contra. Os votos contr\u00e1rios foram do MDA (Paulo Kageyama), do MRE (Geraldo Miniuci Ferreira) e de especialista representante da Agricultura Familiar (Suzi Cavalli).<\/p>\n<table cellspacing=\"5\" cellpadding=\"5\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; A partir de quando ser\u00e1 permitida a planta\u00e7\u00e3o desses eucaliptos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> J\u00e1 est\u00e1 valendo, embora os estudos tenham sido realizados em \u00e1reas restritas, n\u00e3o cumprindo norma da CTNBio que exige testes em todos os agroecossistemas. Resta o cumprimento de alguns prazos de rotina, e ent\u00e3o ele poder\u00e1 ser cultivado em todo o territ\u00f3rio nacional, exclu\u00eddas terras ind\u00edgenas e \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o em parques nacionais. Entre estes prazos, o mais relevante se refere \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Biosseguran\u00e7a &#8211; CNBS. O CNBS deve se manifestar em 30 dias, examinando os impactos socioecon\u00f4micos e julgando sobre a conveni\u00eancia e oportunidade de apoiar a recomenda\u00e7\u00e3o da CTNBio. Se o CNBS n\u00e3o se reunir e n\u00e3o emitir parecer, interpreta-se que ele acata e endossa as recomenda\u00e7\u00f5es da CTNBio.<\/p>\n<p>Trata-se de espa\u00e7o de esperan\u00e7a, embora o CNBS tenha se reunido em apenas tr\u00eas ocasi\u00f5es, quando referendou o ponto de vista da CTNBio, contrariando manifesta\u00e7\u00f5es da ANVISA, IBAMA, MDA e outros. No Brasil j\u00e1 foram liberados cerca de 70 Organismos Geneticamente Modificados &#8211; OGMs, sem manifesta\u00e7\u00e3o do CNBS. Mantida esta rotina, mais uma \u201crecomenda\u00e7\u00e3o\u201d da CTNBio se transformar\u00e1 em \u201cdecis\u00e3o\u201d do Brasil. Ap\u00f3s estes 30 dias, o H421 passar\u00e1 pelo sistema de registros do MAPA (que votou a favor de pedido da Empresa) e estar\u00e1 liberado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que muda na silvicultura ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do eucalipto transg\u00eanico?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> Em tese, apenas os riscos para os produtores de mel e os problemas para os habitantes de \u00e1reas com defici\u00eancia h\u00eddrica onde vierem a ser implantados os maci\u00e7os destas lavouras. Tamb\u00e9m se ampliar\u00e3o os ganhos e o valor das a\u00e7\u00f5es da empresa que det\u00e9m aquela tecnologia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que outros lugares do mundo esse tipo de planta \u00e9 permitida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> Em local algum.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais as implica\u00e7\u00f5es ambientais da planta\u00e7\u00e3o do eucalipto transg\u00eanico, tanto para o solo quanto para os recursos h\u00eddricos e outras culturas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> Ser\u00e3o brutais. Embora alguns pesquisadores afirmem que a preocupa\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua \u00e9 bobagem porque os ciclos permanecer\u00e3o e a \u00e1gua \u201cn\u00e3o desaparecer\u00e1\u201d, o fato \u00e9 o seguinte: teremos plantios destas lavouras, que ser\u00e3o colhidas aos cinco anos. A cada cinco anos ser\u00e3o retiradas cerca de 250 toneladas de madeira por hectare (isso nas carretas, correspondendo a pelo menos 150 toneladas de mat\u00e9ria seca), que para ser formada necessitou de \u00e1gua, sol e minerais. Em 20 anos, teremos quatro ciclos, quatro saques daquela dimens\u00e3o. Com o eucalipto n\u00e3o modificado, que exige corte a cada sete (e n\u00e3o cinco) anos, ter\u00edamos \u2014 nos mesmos 20 anos \u2014 tr\u00eas retiradas. Substancialmente menos, como deveria ser \u00f3bvio. A \u00e1gua ser\u00e1 buscada pelas ra\u00edzes profundas do eucalipto, em mananciais subterr\u00e2neos, cujo reabastecimento depende da chuva. Ocorre que as lavouras de eucalipto det\u00eam, na copada, boa parte da \u00e1gua das chuvas. Parcela significativa da precipita\u00e7\u00e3o simplesmente n\u00e3o chega ao solo; \u00e9 evaporada pela a\u00e7\u00e3o do vento. Como deveria ser \u00f3bvio, isto impactar\u00e1 sobre o reabastecimento dos len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos. Neste sentido, ao longo do tempo, teremos menor aporte e maior volume de retiradas. O que seria de esperar?<\/p>\n<p>Penso que qualquer estudante de agronomia poder\u00e1 demonstrar que esta equa\u00e7\u00e3o obrigatoriamente resultar\u00e1 em degrada\u00e7\u00e3o do solo e redu\u00e7\u00e3o da disponibilidade de \u00e1gua. Outras atividades ser\u00e3o prejudicadas e, com o tempo, as lavouras de eucalipto migrar\u00e3o para novas \u00e1reas. A l\u00f3gica do plantio em terras de terceiros \u00e9 bastante inteligente: ap\u00f3s alguns ciclos o \u201cfornecedor\u201d da madeira se defrontar\u00e1 com solos empobrecidos, cobertos de tocos de eucaliptos, com ra\u00edzes profundas e de dif\u00edcil extra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Leonardo Melgarejo &#8211;<\/strong> Sim. Sugiro que sobre este assunto sejam consultados Paulo Kageyama, Jo\u00e3o Dagoberto dos Santos e Betina Blochtein. Eles estiveram na Audi\u00eancia P\u00fablica expondo argumentos que foram desconsiderados pela CTNBio.<\/p>\n<p>Felizmente as mulheres rurais realizar\u00e3o este ano nova Marcha das Margaridas e, em sua condi\u00e7\u00e3o de principais respons\u00e1veis pela Pol\u00edtica Nacional de Agroecologia e Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica, voltar\u00e3o a chamar aten\u00e7\u00e3o para as implica\u00e7\u00f5es da aprova\u00e7\u00e3o desta \u00e1rvore transg\u00eanica, bem como de outras \u201crecomenda\u00e7\u00f5es\u201d e decis\u00f5es da CTNBio.<\/p>\n<p>Percebam que uma \u00e1rvore tem longo horizonte de vida, e que a autoriza\u00e7\u00e3o de plantio antes da conclus\u00e3o dos estudos, caso se revele equivocada, assegura vasto per\u00edodo de problemas potenciais. Os impactos sobre as abelhas, por exemplo, se ocorrerem, podem vir a ser catastr\u00f3ficos e generalizados. Os impactos sobre a \u00e1gua n\u00e3o s\u00e3o menos relevantes, mas ficar\u00e3o restritos a plantios realizados em regi\u00f5es de d\u00e9ficit h\u00eddrico. No caso ga\u00facho, isso inclui todo o bioma pampa.<\/p>\n<p>Espero que os membros da CTNBio, em sua decis\u00e3o problem\u00e1tica, n\u00e3o estejam errados, de forma a n\u00e3o prejudicar toda a sociedade.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 a\u00e7\u00e3o das mulheres impedindo a vota\u00e7\u00e3o no m\u00eas de mar\u00e7o, penso que agiram em defesa de seu compromisso, pensando nos interesses da coletividade. Uma atitude desesperada diante de situa\u00e7\u00e3o desesperadora. Parece mais f\u00e1cil de compreender do que o movimento do Ministro Rebelo, fortalecendo argumentos pela aprova\u00e7\u00e3o do pedido da empresa, e talvez assim induzindo parte dos membros da comiss\u00e3o a uma decis\u00e3o que deveria se restringir ao exame dos documentos incorporados ao processo.<\/p>\n<p>Espero que a sociedade, o Centro de governo, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal e as Comiss\u00f5es de \u00c9tica das categorias profissionais representadas dentro da CTNBio atentem para estes fatos e encaminhem a\u00e7\u00f5es no sentido de esclarecer suas implica\u00e7\u00f5es e evitar que se repitam.<\/p>\n<p>IHU On-Line<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aprova\u00e7\u00e3o de eucalipto transg\u00eanico atende interesse do mercado de pasta de celulose Por Patricia Fachin<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Aprova\u00e7\u00e3o de eucalipto transg\u00eanico atende interesse do mercado de pasta de celulose Por Patricia Fachin","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20367"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}