{"id":20337,"date":"2015-05-02T15:00:36","date_gmt":"2015-05-02T15:00:36","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20337"},"modified":"2015-05-02T12:34:41","modified_gmt":"2015-05-02T12:34:41","slug":"presenca-de-cafeina-em-agua-tratada-e-indicio-de-contaminacao-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/presenca-de-cafeina-em-agua-tratada-e-indicio-de-contaminacao-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7a de cafe\u00edna em \u00e1gua tratada \u00e9 ind\u00edcio de contamina\u00e7\u00e3o, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20338\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A escassez e o risco de racionamento n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos problemas que parte dos brasileiros enfrenta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua. O crescimento das cidades e o consequente adensamento populacional, aliados ao saneamento prec\u00e1rio e a novos h\u00e1bitos de consumo, t\u00eam contribu\u00eddo para lan\u00e7ar nos mananciais (rios, lagos e dep\u00f3sitos subterr\u00e2neos) centenas de subst\u00e2ncias conhecidas como contaminantes emergentes (CE) resultantes das atividades humanas. Uma pesquisa recente, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), contribuiu para verificar a dimens\u00e3o do problema ao estudar a presen\u00e7a de cafe\u00edna na \u00e1gua. Essa subst\u00e2ncia serve de indicador da exist\u00eancia de outras em sistemas de abastecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>O pesquisador Wilson de Figueiredo Jardim, vice-coordenador do Instituto Nacional de Ci\u00eancias e Tecnologias Anal\u00edticas Avan\u00e7adas (Inctaa) e professor associado do Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp, \u00e9 um dos autores do livro Cafe\u00edna em \u00e1guas de abastecimento p\u00fablico no Brasil, lan\u00e7ado no ano passado. Ele explica que o termo &#8220;contaminante emergente&#8221; \u00e9 abrangente e pode reunir mais de mil compostos. Al\u00e9m de n\u00e3o estarem previstas na legisla\u00e7\u00e3o, essas subst\u00e2ncias apresentam em comum o fato de serem detectadas em v\u00e1rios tipos de ambientes o que aumenta a exposi\u00e7\u00e3o humana a elas. &#8220;Estamos falando de f\u00e1rmacos prescritos ou n\u00e3o, drogas il\u00edcitas, nanomateriais, produtos de higiene pessoal, repelentes de inseto, protetores solares, produtos de clora\u00e7\u00e3o e ozoniza\u00e7\u00e3o de \u00e1guas, microrganismos, horm\u00f4nios naturais e sint\u00e9ticos, entre outros&#8221;, enumera. &#8220;Uma s\u00e9rie de novas e de velhas subst\u00e2ncias que fazem parte da nossa rotina di\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>Diante disso, o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) declarou que este \u00e9 um problema real e que merece a aten\u00e7\u00e3o dos governos para identificar fontes, rotas e receptores dos CE na natureza. De acordo com Jardim, j\u00e1 h\u00e1 numerosas evid\u00eancias de animais silvestres, especialmente peixes, r\u00e9pteis e anf\u00edbios, que vivem em locais com grande aporte de esgoto dom\u00e9stico e possuem problemas de feminiza\u00e7\u00e3o, infertilidade e indefini\u00e7\u00e3o sexual. Isso ocorre porque, al\u00e9m dos horm\u00f4nios naturais excretados no esgoto sanit\u00e1rio, h\u00e1 uma quantidade consider\u00e1vel de similares sint\u00e9ticos provenientes principalmente da p\u00edlula anticoncepcional e da terapia de reposi\u00e7\u00e3o hormonal. &#8220;Al\u00e9m disso, in\u00fameras mol\u00e9culas como o bisfenol A e v\u00e1rios pesticidas clorados, dentre outros, podem confundir nosso sistema end\u00f3crino&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Altas cargas<\/strong><\/p>\n<p>O problema se agrava porque, segundo Jardim, \u00e9 invi\u00e1vel legislar sobre centenas de compostos, um dos grandes desafios em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas. Por isso, a comunidade cient\u00edfica trabalha na identifica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis subst\u00e2ncias indicadoras, ou seja, um composto que possa apontar o risco da exposi\u00e7\u00e3o a algumas classes de produtos. \u00c9 a\u00ed que entra a cafe\u00edna, um excelente indicador por estar associado a compostos com atividade estrog\u00eanica que podem alterar o metabolismo hormonal do ser humano.<\/p>\n<p>Segundo Jardim, a cafe\u00edna encontrada nos mananciais \u00e9 quase toda oriunda do esgoto dom\u00e9stico, porque \u00e9 a bebida mais consumida no mundo depois da \u00e1gua. &#8220;Altas concentra\u00e7\u00f5es num manancial indicam que ele recebe altas cargas de esgoto sanit\u00e1rio&#8221;, explica. &#8220;Nas \u00e1guas de abastecimento, uma desinfec\u00e7\u00e3o efetiva remove os ind\u00edcios da contamina\u00e7\u00e3o fecal, mas a cafe\u00edna \u00e9 um composto resiliente e, por isso, \u00e9 uma impress\u00e3o digital qu\u00edmica. Podemos dizer que onde existe cafe\u00edna, embora nas concentra\u00e7\u00f5es encontradas ela n\u00e3o seja t\u00f3xica, h\u00e1 uma grande variedade de outros compostos que n\u00e3o s\u00e3o monitorados, mas que podem trazer algum impacto \u00e0 sa\u00fade humana.&#8221;<\/p>\n<p>No trabalho que coordenou, Jardim coletou 100 amostras de \u00e1gua tratada em 61 pontos espalhados por 22 capitais (cinco em Bras\u00edlia; quatro em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife; tr\u00eas em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Vit\u00f3ria, Cuiab\u00e1, Manaus, Bel\u00e9m e Salvador; dois em Goi\u00e2nia, Campo Grande, Porto Velho, Natal, S\u00e3o Lu\u00eds, Jo\u00e3o Pessoa e Teresina; e um em Florian\u00f3polis e Palmas). Foram feitas coletas durante duas campanhas realizadas entre julho e setembro de 2011 e 2012. Porto Velho e Palmas tiveram amostras apenas na primeira, enquanto Campo Grande, Manaus, Bel\u00e9m, S\u00e3o Lu\u00eds, Teresina e Salvador somente na segunda. As demais capitais foram estudadas nos dois per\u00edodos de amostragem, sendo que em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro houve altera\u00e7\u00e3o de pontos de coleta entre a primeira e a segunda campanha.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00e3o grave<\/strong><\/p>\n<p>Segundo Jardim, os resultados mostraram o que de certa forma j\u00e1 era esperado. &#8220;Mas n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o de qu\u00e3o grave era a falta de saneamento e suas consequ\u00eancias tanto na qualidade dos mananciais como na \u00e1gua distribu\u00edda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz. &#8220;Primeiro, constatou-se que os mananciais de superf\u00edcie (rios e lagos) apresentam concentra\u00e7\u00f5es de cafe\u00edna da ordem de mil a 10 mil vezes maiores do que aquelas encontradas na Europa, nos Estados Unidos, no Canad\u00e1 e no Jap\u00e3o. At\u00e9 mesmo as \u00e1guas subterr\u00e2neas apresentavam concentra\u00e7\u00f5es mensur\u00e1veis de cafe\u00edna.&#8221; No cen\u00e1rio nacional, verificou-se que as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram muito diferentes daquelas medidas no estado de S\u00e3o Paulo. Um dado curioso \u00e9 que as capitais costeiras mostraram n\u00edveis menores de cafe\u00edna da \u00e1gua de abastecimento quando comparadas com as capitais interioranas. Isso se explica, segundo Jardim, pelo fato de que os emiss\u00e1rios submarinos ou o simples descarte na orla de algum modo preservam os mananciais.<\/p>\n<p>Entre as capitais estudadas, Porto Alegre foi a que apresentou a maior concentra\u00e7\u00e3o de cafe\u00edna na \u00e1gua tratada para consumo humano, com um valor m\u00e9dio de 1.211 nanogramas por litro (ng\/l), seguida de Campo Grande, com 900 ng\/l. Al\u00e9m do consumo de mate em Porto Alegre, rico em cafe\u00edna, os mananciais das duas cidades est\u00e3o muito impactados por esgoto. Entre as capitais com os menores \u00edndices m\u00e9dios est\u00e3o Porto Velho (3,0 ng\/l), Fortaleza (4,0 ng\/l), Recife (5,0 ng\/l) e S\u00e3o Lu\u00eds (8,0 ng\/l). Outras cinco cidades estudadas registraram concentra\u00e7\u00e3o m\u00e9dia entre 100 e 200 ng\/l: Vit\u00f3ria (101 ng\/l), Cuiab\u00e1 (114 ng\/l), Belo Horizonte (119 ng\/l), S\u00e3o Paulo (121 ng\/l) e Teresina (188 ng\/l).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escassez e o risco de racionamento n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos problemas que parte dos<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20338,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/agua_contaminacao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A escassez e o risco de racionamento n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos problemas que parte dos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20337"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20337"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20337\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20338"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20337"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20337"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20337"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}