{"id":2014,"date":"2014-06-27T15:30:17","date_gmt":"2014-06-27T15:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=2014"},"modified":"2014-06-27T15:30:17","modified_gmt":"2014-06-27T15:30:17","slug":"do-campo-a-cidade-as-secas-agora-afetam-a-populacao-urbana-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/do-campo-a-cidade-as-secas-agora-afetam-a-populacao-urbana-brasileira\/","title":{"rendered":"Do campo \u00e0 cidade: as secas agora afetam a popula\u00e7\u00e3o urbana brasileira"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-2015\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>The World Bank<\/strong><\/span><\/p>\n<p>At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, no imagin\u00e1rio coletivo dos brasileiros, a seca ainda era um problema exclusivo da regi\u00e3o nordeste, uma das mais pobres do pa\u00eds. Novelas, filmes, m\u00fasicas e outras obras de arte imortalizaram as fam\u00edlias que, definhando de fome e sede, deixavam seus pequenos s\u00edtios para tr\u00e1s. E rumavam para cidades como S\u00e3o Paulo, no sudeste, onde havia mais oportunidades.<\/p>\n<p>Este ano, por\u00e9m, o destino dos antigos migrantes passou a sofrer com secas e a possibilidade de falta d\u2019\u00e1gua (a partir de novembro). Ironia do destino? N\u00e3o. De fato, a maior cidade da Am\u00e9rica do Sul, com 11 milh\u00f5es de habitantes, sofre desde o fim de 2013 com a pior seca em 80 anos.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, o n\u00edvel das represas que abastecem a cidade baixou a 22%. Como compara\u00e7\u00e3o, nessa mesma \u00e9poca em 2013, o sistema funcionava com 57%.<\/p>\n<p>A possibilidade de racionamento de \u00e1gua preocupa n\u00e3o s\u00f3 a popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os candidatos a governador do estado. As elei\u00e7\u00f5es est\u00e3o marcadas para outubro.<\/p>\n<p><strong>Fen\u00f4meno inevit\u00e1vel<\/strong><\/p>\n<p>Esses problemas t\u00eam ra\u00edzes bem claras: mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, incha\u00e7o urbano e infraestrutura insuficiente de abastecimento.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo mostra o quanto as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas afetam a todas as partes do pa\u00eds e s\u00e3o inevit\u00e1veis\u201d, avaliou recentemente o ministro da Integra\u00e7\u00e3o Nacional, Francisco Teixeira. De fato, as secas h\u00e1 muito tempo deixaram de ser exclusividade do campo e, mais ainda, do Nordeste.<\/p>\n<p>Na \u00faltima d\u00e9cada, por exemplo, o sul do pa\u00eds sofreu com estiagens mais intensas e frequentes do que o normal para a regi\u00e3o. Este ano, at\u00e9 a hidrel\u00e9trica de Itaipu foi afetada: o n\u00edvel do lago que a abastece se aproximou do registrado em 2001, o mais baixo da hist\u00f3ria. J\u00e1 em 2005 e 2010, foi a vez da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Para completar as an\u00e1lises, vem a previs\u00e3o de que o El Ni\u00f1o \u2013 fen\u00f4meno capaz de afetar o clima latino-americano e global \u2013 tem 90% de chances de ocorrer em 2014, aumentando a possibilidade de calor e seca em diversas partes do Brasil.<\/p>\n<p><strong>Economia amea\u00e7ada<\/strong><\/p>\n<p>As consequ\u00eancias de uma seca urbana s\u00e3o diferentes das ocorridas na zona rural. A poss\u00edvel falta d\u2019\u00e1gua pode n\u00e3o causar uma emigra\u00e7\u00e3o, como no Nordeste, mas preocupa a economia \u2013 ainda que n\u00e3o existam dados gerais sobre o impacto econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O estado de S\u00e3o Paulo concentra 36% da produ\u00e7\u00e3o industrial e 33,5% da renda gerada pelo setor de servi\u00e7os no pa\u00eds, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Segundo um <a href=\"http:\/\/www.iag.usp.br\/pos\/meteorologia\/portugues\/biblio\/changes-extreme-daily-rainfall-s%C3%A3o-paulo-brazil\" target=\"_blank\"><span style=\"text-decoration: underline; color: #0000ff;\"><strong>estudo da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/strong><\/span><\/a>, o grande problema \u00e9 a variabilidade clim\u00e1tica: os per\u00edodos de secas e cheias ficaram mais intensos nas \u00faltimas oito d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cTamb\u00e9m \u00e9 importante considerar que a popula\u00e7\u00e3o das grandes cidades cresce a cada ano e, com isso, o consumo de \u00e1gua tende a subir. S\u00f3 que a infraestrutura n\u00e3o acompanha esse crescimento com a velocidade necess\u00e1ria. O resultado \u00e9 o que estamos vendo hoje em S\u00e3o Paulo\u201d, explicou a professora e pesquisadora Assun\u00e7\u00e3o Dias, autora do trabalho.<\/p>\n<p><strong>Do sert\u00e3o ao litoral<\/strong><\/p>\n<p>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o uma realidade que Araguacy Silva (mais conhecida como Guel), l\u00edder comunit\u00e1ria em um bairro pobre da regi\u00e3o metropolitana de Recife, passou a acompanhar e temer.<\/p>\n<p>Quando v\u00ea na televis\u00e3o as not\u00edcias sobre o poss\u00edvel racionamento em S\u00e3o Paulo, lembra-se do que viveu em 2013, quando ela e os vizinhos passaram v\u00e1rios dias com \u00e1gua liberada por no m\u00e1ximo duas horas. O motivo? As secas no \u00e1rido interior do estado de Pernambuco, cujos efeitos chegaram at\u00e9 o litoral.<\/p>\n<p>Por causa delas, o n\u00edvel da barragem de Pirapama, inaugurada nesse mesmo ano \u2013 justamente para acabar com a falta d\u2019\u00e1gua de milhares de pessoas \u2013, chegou a somente 13%, prolongando o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No bairro onde Guel mora, o jeito foi chamar caminh\u00f5es-pipa, guardar o l\u00edquido como fosse poss\u00edvel (nem todos dispunham de tanques ou caixas d\u2019\u00e1gua) e reus\u00e1-lo. \u201cSabia que estava faltando \u00e1gua no interior, mas n\u00e3o fazia ideia de que esse problema podia nos afetar\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o dela, a crise em S\u00e3o Paulo deveria ser o ponto de partida para que governo e especialistas estudem n\u00e3o s\u00f3 o clima do sert\u00e3o, mas tamb\u00e9m o das grandes cidades, com mais cuidado. \u201cSe vivemos um problema no ano passado, quais as chances de ele acontecer de novo? E como vamos nos preparar?\u201d, preocupa-se.<\/p>\n<p><strong>O \u201crel\u00f3gio\u201d das secas<\/strong><\/p>\n<p>Parte da solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o do primeiro monitor brasileiro de secas, um projeto apoiado pelo Banco Mundial que envolve uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es federais e dos estados do Nordeste que avaliam a seca em suas m\u00faltiplas dimens\u00f5es: meteorol\u00f3gica, hidrol\u00f3gica, assim como seus impactos sobre os v\u00e1rios setores da economia.<\/p>\n<p>O monitor tem o objetivo de produzir um mapa (mensal ou quinzenal) que descreve o estado atual da seca em todo o Nordeste, integrando dados que hoje s\u00e3o coletados e analisados separadamente por essas mesmas institui\u00e7\u00f5es. A metodologia, facilmente replic\u00e1vel para outras partes do Brasil, est\u00e1 sendo desenvolvida e dever\u00e1 ser posta em pr\u00e1tica a partir de janeiro de 2015.<\/p>\n<p>\u201cO principal desafio que o Brasil enfrenta agora \u00e9 aproveitar esse momento crucial e a oportunidade de agir de forma ousada, para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a uma gest\u00e3o e um planejamento com a\u00e7\u00f5es proativas, que minimizem os efeitos das secas no pa\u00eds\u201d, diz Erwin De Nys, especialista s\u00eanior em recursos h\u00eddricos do Banco Mundial.<\/p>\n<p>\u201cAs secas t\u00eam diferentes fases ou graus de severidade; \u00e9 importante para a sociedade saber se estamos passando por uma seca moderada ou severa; cada fase ser\u00e1 representada como o quadrante de um rel\u00f3gio\u201d, compara Francisco de Assis de Sousa Filho, professor da Universidade Federal do Cear\u00e1. \u201cE o monitor de secas funcionar\u00e1 como o ponteiro, indicando precisamente a fase em que se est\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 uma experi\u00eancia que j\u00e1 teve sucesso em cidades como Madri, por exemplo, e gradualmente est\u00e1 sendo adotada em outras partes do mundo, como o M\u00e9xico.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><strong>(Mundo Sustent\u00e1vel)<\/strong><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>The World Bank At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, no imagin\u00e1rio coletivo dos brasileiros, a seca ainda<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2015,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/torneira.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"The World Bank At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, no imagin\u00e1rio coletivo dos brasileiros, a seca ainda","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2014\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2015"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}