{"id":20093,"date":"2015-04-27T15:00:49","date_gmt":"2015-04-27T15:00:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20093"},"modified":"2015-04-27T01:09:30","modified_gmt":"2015-04-27T01:09:30","slug":"o-mais-completo-exemplar-do-grupo-de-aves-carnivoras-foi-encontrado-na-argentina-em-depositos-de-33-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-mais-completo-exemplar-do-grupo-de-aves-carnivoras-foi-encontrado-na-argentina-em-depositos-de-33-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Exemplar de ave carn\u00edvora  foi encontrado na Argentina em dep\u00f3sitos de 3,3 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20094\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Alexander Kellner<\/p>\n<p>Vejo at\u00e9 com uma boa pitada de humor esse tipo de express\u00e3o: \u2018aves do terror\u2019. Sei que talvez seja uma forma injusta de rotular um grupo de animais que, convenhamos, nada faz de diferente de todos os demais na sua luta pela sobreviv\u00eancia. Por\u00e9m, raramente uma express\u00e3o desse tipo \u00e9 t\u00e3o bem aplicada como para os Phorusrhacidae, um dos mais fascinantes grupos de aves que j\u00e1 existiram. Trata-se de formas terrestres que ocupavam o topo do topo da cadeia alimentar e deveriam ter sido os principais predadores no tempo em que viveram.<\/p>\n<p>Agora uma descoberta realizada na Argentina que acaba de ser publicada no <span class=\"link-external\"><a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/02724634.2014.912656#abstract\" target=\"_blank\"><em>Journal of Vertebrate Paleontology<\/em><\/a><\/span> revela diversas novidades sobre essas aves, que incluem interessantes infer\u00eancias sobre o seu comportamento, inclusive sobre os sentidos da audi\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o.<\/p>\n<h3>Aves do terror<\/h3>\n<p>De uma forma simplificada, os Phorusrhacidae comp\u00f5em um grupo de aves cujos primeiros representantes foram encontrados em dep\u00f3sitos formados h\u00e1 60 milh\u00f5es de anos, bem antes da extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros n\u00e3o-avianos (ocorrida h\u00e1 66 milh\u00f5es de anos). Elas viveram at\u00e9 aproximadamente 2,5 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, quando foram extintas por causas ainda n\u00e3o bem compreendidas. Variam de 1 a 3 metros de comprimento, podendo chegar a pesar em torno de 350 kg.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem aponte o surgimento do istmo do Panam\u00e1, uma por\u00e7\u00e3o de terra que ligou os continentes da Am\u00e9rica do Norte e da Am\u00e9rica do Sul mais ou menos por volta desse tempo, como o fator principal para a dizima\u00e7\u00e3o do grupo, j\u00e1 que possibilitou a migra\u00e7\u00e3o de outros carn\u00edvoros, como cachorros e felinos, do norte para o sul, aumentando a competi\u00e7\u00e3o na busca por presas.<\/p>\n<p>A primeira descri\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie de \u2018ave do terror\u2019 foi realizada h\u00e1 muito tempo, mais especificamente em 1887 por Florentino Ameghino (1854-1911), importante paleont\u00f3logo argentino. Desde ent\u00e3o, foram encontradas muitas novas esp\u00e9cies, totalizando quase duas dezenas. Praticamente todas foram encontradas na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/colunas\/cacadores-de-fosseis\/imagens\/avedoterror02.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Praia de La Estafeta\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/colunas\/cacadores-de-fosseis\/imagens\/avedoterror02.jpg\/image_preview\" alt=\"Praia de La Estafeta\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Praia de La Estafeta, em Mar del Plata, prov\u00edncia de Buenos Aires, Argentina, onde foi encontrado o esqueleto da nova \u2018ave do terror\u2019, o mais completo descrito at\u00e9 o momento. (foto: Matias Taglioretti e Fernando Scaglia)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A principal \u2018ave do terror\u2019 n\u00e3o-sulamericana \u00e9 <em>Titanis walleri<\/em>, encontrada em dep\u00f3sitos de 3,1 milh\u00f5es de anos no Texas (Estados Unidos). Com 2,5 metros de comprimento e pesando algo em torno de 150 kg, ela era uma das maiores do grupo. Existe tamb\u00e9m uma ocorr\u00eancia na \u00c1frica de um f\u00eamur incompleto e outros ossos fragmentados na Europa que poderiam pertencer a esse grupo.<\/p>\n<p>No Brasil, tamb\u00e9m temos uma representante das \u2018aves do terror\u2019: o <em>Paraphysornis brasiliensis<\/em>, que tinha aproximadamente 2 metros de altura e foi encontrado em rochas de 23 milh\u00f5es de anos no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Entre as caracter\u00edsticas principais dos Phorusrhacidae destacam-se a grande cabe\u00e7a, que, junto com o bico maci\u00e7o e em forma de gancho, deve ter sido uma importante ferramenta para destro\u00e7ar as suas presas. As asas atrofiadas indicam claramente que n\u00e3o podiam voar, mas as suas pernas bem desenvolvidas sugerem que elam tenham sido boas corredoras.<\/p>\n<p>O parentesco mais pr\u00f3ximo se d\u00e1 com a seriemas, formas viventes e tamb\u00e9m aves predadoras nativas da Am\u00e9rica do Sul, por\u00e9m de tamanho e peso bem menores (menos de um metro, com peso variando de 25 a 30 kg). Ademais, as seriemas, cujo canto \u00e9 bem peculiar, conseguem voar quando amea\u00e7adas.<\/p>\n<h3>A descoberta<\/h3>\n<p>Liderados por Frederico J. Degrange, da Universidade Nacional de C\u00f3rdoba, na Argentina, pesquisadores descreveram o mais completo esqueleto de uma \u2018ave do terror\u2019. O exemplar foi encontrado em rochas formadas h\u00e1 aproximadamente 3,3 milh\u00f5es de anos na praia de La Estafeta, situada em Mar del Plata, na prov\u00edncia de Buenos Aires, costa leste da Argentina.<\/p>\n<p>A nova esp\u00e9cie foi chamada de <em>Llallawavis scagliai<\/em>, inspirada na palavra <em>llallawa<\/em>, que, na l\u00edngua de um povo ind\u00edgena local, significa \u2018magn\u00edfico\u2019. O termo <em>scagliai<\/em> \u00e9 uma homenagem a um importante diretor (Galileo Juan Scaglia, 1915-1989) de um museu local.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned image-inline\">\n<dt><a href=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/colunas\/cacadores-de-fosseis\/imagens\/avedoterror03.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" class=\"link-overlay\" title=\"Esqueleto de Llallawavis scagliai\" src=\"http:\/\/cienciahoje.uol.com.br\/colunas\/cacadores-de-fosseis\/imagens\/avedoterror03.jpg\/image_preview\" alt=\"Esqueleto de Llallawavis scagliai\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Esqueleto montado de \u2018Llallawavis scagliai\u2019, esp\u00e9cie que tinha 1,2 metros de altura e pesava menos de 20 kg. (foto: Matias Taglioretti e Fernando Scaglia)<\/dd>\n<\/dl>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Llallawavis scagliai<\/em> n\u00e3o era uma das maiores representantes do grupo, tendo aproximadamente 1,2 metros de altura e pesando menos de 20 kg. Por\u00e9m, sua excepcional preserva\u00e7\u00e3o permitiu aos pesquisadores realizar an\u00e1lises por tomografia computadorizada da regi\u00e3o auditiva do animal, como tamb\u00e9m estabelecer infer\u00eancias de seus movimentos.<\/p>\n<p>Como resultado, Degrange e colegas puderam determinar que <em>Llallawais<\/em> tinha uma capacidade para ouvir sons com frequ\u00eancias em torno de 2.300 Hz, valor abaixo da m\u00e9dia se comparado ao das esp\u00e9cies de aves viventes proximamente relacionadas aos Phorusrhacidae, como as pr\u00f3prias seriemas.<\/p>\n<p>Tal fato levou \u00e0 sugest\u00e3o de que possivelmente <em>Llallawais<\/em> desenvolveu habilidades ac\u00fasticas para sons de baixa frequ\u00eancia para comunica\u00e7\u00e3o entre membros da mesma esp\u00e9cie ou talvez para a identifica\u00e7\u00e3o de presas. Os autores tamb\u00e9m puderam examinar a regi\u00e3o da \u00f3rbita do animal, onde encontraram os ossos escler\u00f3ticos em perfeitas condi\u00e7\u00f5es, o que permitiu ajustar a vis\u00e3o da c\u00f3rnea dessa ave, considerada de h\u00e1bitos diurnos.<\/p>\n<p>Embora os autores tenham ressaltado bem que esses resultados devem ser considerados preliminares e que mais an\u00e1lises desse tipo deveriam ser feitas em outras esp\u00e9cies de Phorusrhacidae, o mais interessante do estudo \u00e9 o fato de que temos a possibilidade de refinar o comportamento das \u2018aves do terror\u2019.<\/p>\n<p>Antes que eu me esque\u00e7a, vale a pena mencionar que essa dica para a coluna veio a partir de um dos autores do artigo, Matias Taglioretti, pelo Facebook. Mais leitores podem fazer o mesmo \u2013 tamb\u00e9m por <em>e-mail<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Alexander Kellner<\/strong><br \/>\nMuseu Nacional\/UFRJ<br \/>\nAcademia Brasileira de Ci\u00eancias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexander Kellner Vejo at\u00e9 com uma boa pitada de humor esse tipo de express\u00e3o:<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20094,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ave_carnivora.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Alexander Kellner Vejo at\u00e9 com uma boa pitada de humor esse tipo de express\u00e3o:","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20093"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20093"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20093\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20094"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20093"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20093"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20093"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}