{"id":20079,"date":"2015-04-27T12:00:45","date_gmt":"2015-04-27T12:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=20079"},"modified":"2015-04-27T00:32:03","modified_gmt":"2015-04-27T00:32:03","slug":"conquista-do-cerrado-permitiu-a-ampliacao-da-area-de-plantio-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/conquista-do-cerrado-permitiu-a-ampliacao-da-area-de-plantio-no-pais\/","title":{"rendered":"Conquista do Cerrado permitiu a amplia\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de plantio no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-20080\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Para comemorar os 50 anos da Rede Globo, o Globo Rural preparou uma reportagem especial mostrando algumas das principais mudan\u00e7as da agropecu\u00e1ria brasileira nesse meio s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Mudou o jeito de produzir, a tecnologia melhorou e, com ela, a produtividade das lavouras e cria\u00e7\u00f5es se multiplicou. Os rep\u00f3rteres Cristina Vieira e Vico Iasi visitaram produtores e pesquisadores que foram protagonistas desta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Enquanto a chuva n\u00e3o chega, as m\u00e1quinas se apressam para terminar a colheita das \u00faltimas \u00e1reas de soja da safra.<\/p>\n<p>A equipe de reportagem esteve na Fazenda Lagoa Rica, no munic\u00edpio de <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/mt\/mato-grosso\/cidade\/diamantino.html\">Diamantino<\/a> (MT). Uma propriedade moderna, t\u00edpica da regi\u00e3o: 15 mil hectares plantados, lavouras produtivas, armaz\u00e9ns gigantescos e um vaiv\u00e9m constante de tratores, caminh\u00f5es, colheitadeiras.<\/p>\n<p>No comando do neg\u00f3cio est\u00e3o o seu Hor\u00e1cio Tavares e os filhos, Vladimir e Hor\u00e1cio J\u00fanior. Donos da fazenda, eles se dizem apaixonados pela atividade.<\/p>\n<p>\u201cO Centro-Oeste foi um milagre. Essa terra aqui tem calor, tem clima bom. O <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/mato-grosso\">Mato Grosso<\/a> foi feito assim e ele \u00e9 muito especial\u201d, conta o agricultor Hor\u00e1cio Tavare.<\/p>\n<p>Com tecnologia de ponta, em alguns talh\u00f5es a fam\u00edlia consegue colher at\u00e9 65 sacas de soja por hectare.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea v\u00ea uma colhedeira hoje, a gente est\u00e1 usando GPS, piloto autom\u00e1tico. Uma m\u00e1quina dessas a\u00ed chega a colher 3 mil sacos por dia\u201d, diz o agricultor Vladimir Tavares.<\/p>\n<p>Com a contribui\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias como essa, nas \u00faltimas d\u00e9cadas o Mato Grosso se transformou em um dos polos mais din\u00e2micos da agricultura do Brasil, e o Brasil em um dos maiores produtores de alimentos do mundo.<\/p>\n<p>Estamos hoje em primeiro lugar na produ\u00e7\u00e3o global de soja, caf\u00e9, laranja, carne bovina, a\u00e7\u00facar, etanol de cana de a\u00e7\u00facar e, entre os maiores do mundo no frango, no milho, no porco, no algod\u00e3o e por a\u00ed afora.<\/p>\n<p>Somando todas as cadeias produtivas \u2013 em fazendas, agroind\u00fastrias e servi\u00e7os \u2013 o agroneg\u00f3cio brasileiro representa hoje nada menos do que 23% da economia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esse gigantismo da agricultura brasileira se consolidou principalmente ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 apenas 50 anos, o retrato do nosso campo era bem diferente.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, o principal produto agr\u00edcola do Brasil n\u00e3o era a soja, mas sim o caf\u00e9. E uma regi\u00e3o de S\u00e3o Paulo estava bombando. Gar\u00e7a \u00e9 um munic\u00edpio que foi o maior produtor de caf\u00e9 de S\u00e3o Paulo, em 1960, e o maior do Brasil em 1970.<\/p>\n<p>No munic\u00edpio, seu Paulo Renato de Souza \u00e9 um produtor respeitado. Ele conta que Gar\u00e7a ainda produz caf\u00e9, em menor quantidade. Mas o ambiente atual n\u00e3o tem nada a ver com a euforia dos anos 1960.<\/p>\n<p>\u201cO que acontece hoje, em Mato Grosso, na soja, aqui era o caf\u00e9. A for\u00e7a aqui era o caf\u00e9. Aqui na regi\u00e3o de Gar\u00e7a era gente para todos os lados, eram in\u00fameras propriedades, bastante, todas com caf\u00e9, e todas cultivadas na enxada\u201d, afirma o agricultor Paulo Renato de Souza.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1960, seu Paulo cultivava 200 hectares de caf\u00e9 e empregava 150 pessoas nos meses de safra. Isso fora as 40 fam\u00edlias de funcion\u00e1rios que moravam na fazenda.<\/p>\n<p>\u201cAs casas eram onde o pessoal morava, sem problema. As propriedades n\u00e3o tinham energia, rar\u00edssima. A gente assistia o povo levar para casa bacalhau, sardinha, manjuba, que n\u00e3o precisava de geladeira para manter. Eram alimentos que se conservava no sal e, ent\u00e3o, n\u00e3o estragava\u201d, conta o agricultor Paulo Renato de Souza.<\/p>\n<p>E se, na agricultura, o caf\u00e9 era a grande vedete dos anos 1960, no conjunto da agropecu\u00e1ria quem aparecia reinando era o boi. Segundo o <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/tudo-sobre\/ibge\/\">IBGE<\/a> (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), a lista dos principais produtos do nosso campo, em 1965, era a seguinte: boi e caf\u00e9, quase empatados no topo. Depois, leite, cana-de-a\u00e7\u00facar, milho, arroz, algod\u00e3o e feij\u00e3o.<\/p>\n<p>Vale notar que soja, frango e porco, que hoje est\u00e3o entre os grandes, n\u00e3o tinham tanta import\u00e2ncia naquele tempo, como explica o agr\u00f4nomo Fl\u00e1vio Bolliger, que coordena as pesquisas agropecu\u00e1rias do IBGE.<\/p>\n<p>\u201cO uso de insumos era muito menor, muito menos difundido, com produ\u00e7\u00e3o muito baseada em instala\u00e7\u00f5es rudimentares, baixa produtividade, rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o antiga que determinavam que a produ\u00e7\u00e3o fosse baixa em rela\u00e7\u00e3o ao potencial que o Brasil tinha. Na \u00e9poca, S\u00e3o Paulo, Rio Grande do Sul e Paran\u00e1 eram p\u00f3los, mas no pa\u00eds como um todo. A produ\u00e7\u00e3o era bastante menor\u201d, explica Fl\u00e1vio Bolliger, agr\u00f4nomo e coordenador de pesquisas agropecu\u00e1rias do IBGE.<\/p>\n<p>Olhando para as imagens, os dados e as hist\u00f3rias do passado, a gente se pergunta como \u00e9 que aquele Brasil conseguiu mudar tanto. Como \u00e9 que aquele pa\u00eds de agricultura tradicional se transformou em uma pot\u00eancia moderna do agroneg\u00f3cio?<\/p>\n<p>O salto na produ\u00e7\u00e3o brasileira se baseia em v\u00e1rios pontos. Primeiro, vale lembrar que, nos \u00faltimos 50 anos, a agropecu\u00e1ria passou a ocupar mais espa\u00e7o no pa\u00eds. Segundo o IBGE, a \u00e1rea produtiva, somando lavouras e pastagens, passou de 150 milh\u00f5es de hectares, em 1960, para cerca de 230 milh\u00f5es nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Grande parte do crescimento ocorreu na regi\u00e3o Centro-Oeste, que at\u00e9 ent\u00e3o tinha uma produ\u00e7\u00e3o relativamente pequena.<\/p>\n<p>A Fazenda Jatob\u00e1, em Diamantino (MT), \u00e9 um exemplo da expans\u00e3o da agricultura brasileira. H\u00e1 50 anos toda essa \u00e1rea era coberta por Cerrado. A mata foi sendo aberta e o que se v\u00ea hoje \u00e9 essa imensid\u00e3o de lavouras. Milho a perder de vista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do milho, a fazenda tamb\u00e9m conta com grandes lavouras de soja.<\/p>\n<p>A propriet\u00e1ria, dona Terezinha Brunetta, tem uma hist\u00f3ria familiar t\u00edpica da regi\u00e3o. Filha de pequenos produtores, ela nasceu no Rio Grande do Sul, viveu em Santa Catarina e passou a juventude trabalhando na terra.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 50 anos eu estava em Santa Catarina, no s\u00edtio do meu pai. Plantava milho, colhia na m\u00e3o. E a gente n\u00e3o ia pra lugar nenhum. Porque se plantava pouco, se produzia pouco e a fam\u00edlia era grande. Eram oito irm\u00e3os\u201d, conta a agricultora Terezinha Brunetta.<\/p>\n<p>Em busca de mais espa\u00e7o para plantar, dona Terezinha se mudou para o Mato Grosso em 1984, j\u00e1 casada e com tr\u00eas filhas pequenas. Primeiro, a fam\u00edlia comprou mil hectares e, depois, aumentou a fazenda, com mais 600 hectares.<\/p>\n<p>Dona Terezinha ficou vi\u00fava em 1997 e hoje administra a propriedade com a ajuda da filha, Keila.<\/p>\n<p>\u201cEssa era a casa que estava aqui quando n\u00f3s chegamos. N\u00f3s fomos abrindo o Cerrado aos poucos. Um ano, 200 hectares. Outro ano, mais 50 hectares. Outro ano, mais 100. Naquela \u00e9poca, a gente tinha a cara, a coragem e a vontade de trabalhar\u201d, lembra a agricultora Terezinha Brunetta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da vontade de trabalhar, muitos dos migrantes que vinham para o Centro-Oeste contavam com incentivos p\u00fablicos para montar as fazendas. O agr\u00f4nomo \u00c1lvaro Salles, diretor do Instituto Matogrossense do Algod\u00e3o, chegou com a fam\u00edlia nos anos 1970.<\/p>\n<p>\u201c[O que me fez sair do Sul] Principalmente essa possibilidade de sair dessa pequena propriedade, vender aquilo l\u00e1 e comprar uma \u00e1rea m\u00e9dia, grande e aqui ele pode crescer, n\u00e9? Existiam programas governamentais que facilitaram a compra de corretivos do solo, a compra de m\u00e1quina\u201d, diz \u00c1lvaro Salles, diretor do IMA (Instituto Matogrossense do Algod\u00e3o).<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da agricultura tamb\u00e9m mudou a paisagem e a economia da regi\u00e3o. Al\u00e9m das lavouras e fazendas, surgiram cooperativas, armaz\u00e9ns, entrepostos e cidades inteiras que brotaram na plan\u00edcie do Cerrado.<\/p>\n<p>Um mapa ilustra bem essa expans\u00e3o: em 1960, as \u00e1reas ocupadas pela agropecu\u00e1ria, com o correr do tempo, tiveram a mancha produtiva aumentada principalmente nos estados do Centro-Oeste, com destaque para o Mato Grosso.<\/p>\n<p>Mas o salto da agropecu\u00e1ria do pa\u00eds n\u00e3o se explica apenas pelo crescimento das \u00e1reas produtivas e pela chamada \u201cconquista do Cerrado\u201d.<\/p>\n<p>Na segunda parte da reportagem, o Globo Rural\u00a0 fala do papel da pesquisa para a transforma\u00e7\u00e3o do nosso campo. A invas\u00e3o das m\u00e1quinas e o novo perfil de agricultores e trabalhadores rurais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para comemorar os 50 anos da Rede Globo, o Globo Rural preparou uma reportagem especial<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":20080,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/plantio_cerrado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Para comemorar os 50 anos da Rede Globo, o Globo Rural preparou uma reportagem especial","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20079"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20079"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20079\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20079"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20079"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20079"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}