{"id":19997,"date":"2015-04-26T19:00:04","date_gmt":"2015-04-26T19:00:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19997"},"modified":"2015-04-26T00:29:10","modified_gmt":"2015-04-26T00:29:10","slug":"materia-escura-pode-ter-ligacao-com-cancer-e-extincoes-em-massa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/materia-escura-pode-ter-ligacao-com-cancer-e-extincoes-em-massa\/","title":{"rendered":"Mat\u00e9ria escura pode ter liga\u00e7\u00e3o com c\u00e2ncer e extin\u00e7\u00f5es em massa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/materia_escura.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19998\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/materia_escura-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/materia_escura-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/materia_escura.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>No come\u00e7o deste ano, a Dra. Sabine Hossenfelder, f\u00edsica te\u00f3rica de Estocolmo, na Su\u00e9cia, fez a sugest\u00e3o surpreendente de que a mat\u00e9ria escura pode causar c\u00e2ncer. Ela n\u00e3o se referia \u00e0 &#8220;mat\u00e9ria escura&#8221; do genoma (outro termo para a DNA lixo), mas \u00e0s part\u00edculas te\u00f3ricas, sem luz, que os cosm\u00f3logos acreditam impregnar o universo e manter as gal\u00e1xias juntas.<\/p>\n<p>Embora ainda necessite ser detectada diretamente, presume-se que a mat\u00e9ria escura exista porque n\u00f3s podemos ver os efeitos de sua gravidade. \u00c0 medida que suas part\u00edculas invis\u00edveis passam por nossos corpos, elas podem provocar muta\u00e7\u00f5es no DNA, assegura a teoria, somando-se em uma escala extremamente baixa ao \u00edndice total de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Foi perturbador ver dois reinos aparentemente diferentes, cosmologia e oncologia, de repente serem justapostos. Por\u00e9m, esse foi apenas o come\u00e7o. Logo ap\u00f3s Hossenfelder ter puxado o assunto em ensaio publicado na internet, Michael Rampino, professor da Universidade de Nova York, acrescentou geologia e paleontologia ao cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em artigo para a Real Sociedade Astron\u00f4mica, ele prop\u00f4s que a mat\u00e9ria escura \u00e9 respons\u00e1vel pelas extin\u00e7\u00f5es em massa que periodicamente varreram a Terra, incluindo a que matou os dinossauros.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 baseada em especula\u00e7\u00f5es de outros cientistas segundos os quais a Via L\u00e1ctea \u00e9 fatiada horizontalmente pelo centro por um disco fino de mat\u00e9ria escura. \u00c0 medida que o Sol, viajando pela gal\u00e1xia, sobe e desce atrav\u00e9s desse plano escuro, ele gera ecos gravitacionais capazes de deslocar cometas distantes de suas \u00f3rbitas, enviando-os em rota de colis\u00e3o com a Terra.<\/p>\n<p>Uma vers\u00e3o anterior dessa hip\u00f3tese foi apresentada no ano passado pelos f\u00edsicos Lisa Randall e Matthew Reece, de Harvard. Por\u00e9m, Rampino acrescentou outro toque: durante a viagem gal\u00e1ctica da Terra, a mat\u00e9ria escura se acumula em seu n\u00facleo. Ali, as part\u00edculas se autodestroem, gerando calor suficiente para provocar erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas mortais. Atacados por cima e por baixo, os dinossauros sucumbiram.<\/p>\n<p>\u00c9 surpreendente ver algo t\u00e3o abstrato quanto a mat\u00e9ria escura ganhar tanta solidez, ao menos na mente humana. A ideia foi criada no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1930 como um mecanismo te\u00f3rico \u2013 um meio de explicar observa\u00e7\u00f5es que de outra forma n\u00e3o fariam sentido.<\/p>\n<p>As gal\u00e1xias parecem estar girando t\u00e3o r\u00e1pido que elas deveriam ter se separado h\u00e1 muito tempo, arremessando as estrelas como se fossem fagulhas de fogos de artif\u00edcio. Simplesmente n\u00e3o existe gravidade suficiente para manter uma gal\u00e1xia unida, a n\u00e3o ser que ela esconda uma quantidade enorme de mat\u00e9ria invis\u00edvel \u2013 part\u00edculas que n\u00e3o emitem nem absorvem luz.<\/p>\n<p>Alguns independentes prop\u00f5em alternativas, tentando ajustar as equa\u00e7\u00f5es da gravidade para explicar o que parece ser massa desaparecida. Por\u00e9m, para a maioria dos cosm\u00f3logos, a ideia da mat\u00e9ria invis\u00edvel se enraizou tanto que \u00e9 quase imposs\u00edvel viver sem ela.<\/p>\n<p>Supostamente cinco vezes mais abundante do que as coisas vistas, a mat\u00e9ria escura \u00e9 um componente crucial da teoria por tr\u00e1s da lente gravitacional, segundo a qual grandes massas como as gal\u00e1xias podem curvar raios de luz e fazer as estrelas aparecerem em partes inesperadas do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Essa foi a explica\u00e7\u00e3o para a observa\u00e7\u00e3o espetacular de uma &#8220;Cruz de Einstein&#8221; informada no m\u00eas passado. Funcionando como lentes enormes, um conglomerado de gal\u00e1xias defletiu a luz de uma supernova em quatro imagens \u2013 uma miragem cosmol\u00f3gica. A luz de cada reflexo tomou um caminho diferente, gerando relances de quatro momentos diferentes da explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Entretanto, nem sequer um conglomerado gal\u00e1ctico exerce gravidade suficiente para curvar a luz t\u00e3o gravemente a menos que se defenda que a maior parte de sua massa seja formada pela hipot\u00e9tica mat\u00e9ria escura. Na verdade, os astr\u00f4nomos t\u00eam tanta certeza de que a mat\u00e9ria escura existe que adotaram a lente gravitacional como ferramenta para mapear sua extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Trocando em mi\u00fados, a mat\u00e9ria escura \u00e9 utilizada para explicar a lente gravitacional, e est\u00e1 \u00e9 tida como outro ind\u00edcio da exist\u00eancia da mat\u00e9ria escura.<\/p>\n<p>C\u00e9ticos se perguntaram se isto seria uma vers\u00e3o moderna do que os astr\u00f4nomos antigos chamavam de &#8220;salvar o fen\u00f4meno&#8221;. Com elabora\u00e7\u00f5es suficientes, uma teoria pode explicar o que vemos sem necessariamente descrever a realidade. O exemplo cl\u00e1ssico \u00e9 o modelo geoc\u00eantrico dos c\u00e9us que Ptolomeu apresentou em &#8220;Almagesto&#8221;, com os planetas orbitando a Terra ao longo de arabescos complicados.<\/p>\n<p>Ptolomeu aparentemente n\u00e3o se importava se suas filigranas eram verdadeiras. O importante para ele \u00e9 que seu modelo funcionava, prevendo os movimentos planet\u00e1rios com grande precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Os cientistas modernos n\u00e3o est\u00e3o prontos para se contentar com esse subterf\u00fagio. Para demonstrar que a mat\u00e9ria escura reside no mundo e n\u00e3o apenas em suas equa\u00e7\u00f5es, eles tentam detect\u00e1-la indiretamente.<\/p>\n<p>Embora sua identidade continue desconhecida, a maioria dos te\u00f3ricos aposta que a mat\u00e9ria escura seja formada por part\u00edculas maci\u00e7as fracamente interagentes \u2013 conhecidas pela sigla inglesa, Wimp. Se elas realmente existirem, pode ser poss\u00edvel ter um vislumbre delas quando interagirem com mat\u00e9ria comum.<\/p>\n<p>Baseados nessa esperan\u00e7a, cientistas constru\u00edram detectores subterr\u00e2neos numa tentativa de medir o impacto das part\u00edculas \u00e0 medida que voam pela Terra e, ocasionalmente, colidem com \u00e1tomos de xen\u00f4nio, arg\u00f4nio ou alguma outra subst\u00e2ncia. Por\u00e9m, at\u00e9 agora n\u00e3o aconteceram choques.<\/p>\n<p>Segundo as estimativas de Hossenfelder, entre dez a alguns milhares de vezes por ano as Wimps podem atingir alguns dos nossos \u00e1tomos, incluindo os que comp\u00f5em o DNA. A energia seria forte o bastante para quebrar os elos moleculares e provocar muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando se trata de c\u00e2ncer, essa \u00e9 uma amea\u00e7a insignificante. Dois colegas de Hossenfelder, Katherine Freese e Christopher Savage, estimaram que os raios c\u00f3smicos cortando o corpo humano causem mais dano por segundo do que a mat\u00e9ria escura numa vida inteira. Todavia, o efeito da mat\u00e9ria escura ainda \u00e9 forte a ponto de cientistas cogitarem usar mol\u00e9culas de DNA ou RNA como detectores de Wimps.<\/p>\n<p>Se as Wimps se revelarem uma fic\u00e7\u00e3o, outra coisa ter\u00e1 de ser encontrada para explicar toda a massa desaparecida. H\u00e1 algo esquisito no universo e os astr\u00f4nomos est\u00e3o determinados a descobrir por qu\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No come\u00e7o deste ano, a Dra. 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