{"id":19769,"date":"2015-04-21T19:00:30","date_gmt":"2015-04-21T19:00:30","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19769"},"modified":"2015-04-21T00:18:37","modified_gmt":"2015-04-21T00:18:37","slug":"por-que-nao-conseguimos-combater-as-superbacterias-ianomamis-podem-ter-a-resposta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-nao-conseguimos-combater-as-superbacterias-ianomamis-podem-ter-a-resposta\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o conseguimos combater as superbact\u00e9rias? Ianom\u00e2mis podem ter a resposta"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19772\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Trinta e quatro \u00edndios ianom\u00e2mis de uma tribo isolada da Venezuela podem ser a chave para compreender por que nosso corpo n\u00e3o consegue combater algumas superbact\u00e9rias. Mesmo sem nunca terem tomado rem\u00e9dio, esses ianom\u00e2mis apresentam resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos criados pelo homem. Em alguns deles, nem mesmo medicamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, capazes de combater um amplo espectro de microorganismos, fariam efeito. Essa caracter\u00edstica, revelada por uma pesquisa publicada no peri\u00f3dico especializado <em>Science Advances,<\/em> na \u00faltima sexta-feira, pode ajudar a ci\u00eancia a descobrir a origem da grande resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos humana.<\/p>\n<p><strong>Resist\u00eancia natural &#8211;<\/strong> A aldeia ianom\u00e2mi, que conta com 54 habitantes, foi localizada em 2008 e, no ano seguinte, os pesquisadores venezuelanos colheram amostras das bact\u00e9rias da boca, da pele e das fezes dos \u00edndios, entre 4 e 50 anos. Esses habitantes jamais haviam tido contato com pessoas de fora de sua etnia. O objetivo dos cientistas era mapear seu microbioma, o conjunto de bact\u00e9rias que comp\u00f5e o corpo e tem papel importante na imunidade e preven\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Eles queriam desvendar como se comportam os microorganismos em pessoas que vivem em condi\u00e7\u00f5es semelhantes aos ancestrais humanos e conferir sua resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Por meio de extensas an\u00e1lises, os pesquisadores liderados pela Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, descobriram que os ianom\u00e2mis t\u00eam o microbioma mais variado do planeta. \u00c9 quase duas vezes mais rico em esp\u00e9cies que o de um americano e supera outros povos nativos da Amaz\u00f4nia e da \u00c1frica. No entanto, os testes com medicamentos mostraram que eles tamb\u00e9m t\u00eam genes de resist\u00eancia a pelo menos oito tipos de antibi\u00f3ticos &#8211; apesar de jamais terem tomado um. Alguns n\u00e3o apresentavam respostas nem mesmo aos medicamentos de amplo aspectro, o tipo de antibi\u00f3tico que usamos para combater bact\u00e9rias resistentes ou superbact\u00e9rias, como a <em>Escherichia coli<\/em>, uma das principais causadoras de infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias (o segundo tipo de infec\u00e7\u00e3o mais comum em todo o mundo).<\/p>\n<p>No entanto, nos \u00edndios, nem todos os genes de resist\u00eancia est\u00e3o na mesma bact\u00e9ria. Isso acontece porque s\u00f3 o uso constante de antibi\u00f3ticos, como fazemos nas cidades, seria capaz de provocar a sele\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das bact\u00e9rias resistentes a medicamentos. Essa tamb\u00e9m \u00e9 uma das explica\u00e7\u00f5es para um microbioma t\u00e3o variado: sem o acesso aos medicamentos, a variedade de esp\u00e9cies de microorganismos se mant\u00e9m maior.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que alguns genes de resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos podem ser desenvolvidos naturalmente. No entanto, tal resist\u00eancia em uma tribo isolada n\u00e3o seria esperada e \u00e9 preocupante. Esses \u00edndios podem ser a chave que vai nos ajudar a desvendar como surge esse processo e auxiliar na cria\u00e7\u00e3o de antibi\u00f3ticos mais eficazes&#8221;, afirma o infectologista Antonio Carlos Pignatari, diretor do Laborat\u00f3rio Especial em Microbiologia Cl\u00ednica da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp).<\/p>\n<p><strong>Ajuda ind\u00edgena &#8211;<\/strong> De acordo com os pesquisadores, uma das explica\u00e7\u00f5es para a resist\u00eancia pode ser a troca entre as bact\u00e9rias humanas e bact\u00e9rias do solo, onde genes de resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos s\u00e3o encontrados. Outra alternativa, mais remota, seria a recep\u00e7\u00e3o dos genes resistentes por meio de objetos ou do contato com popula\u00e7\u00f5es que j\u00e1 apresentavam essa resist\u00eancia.<\/p>\n<p>A possibilidade da resist\u00eancia natural a antibi\u00f3ticos n\u00e3o \u00e9 novidade para os cientistas. Afinal, o primeiro antibi\u00f3tico, a penicilina, foi descoberto por acaso em 1928 pelo bi\u00f3logo escoc\u00eas Alexander Fleming. Ele descobriu que um fungo encontrado no bolor tinha a capacidade de matar o <em>Staphylococcus aureus<\/em>, que causa infec\u00e7\u00f5es de pele. Desde ent\u00e3o, grande parte dos antibi\u00f3ticos que fabricamos s\u00e3o derivados de bact\u00e9rias encontradas na natureza e, principalmente, no solo.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns genes de resist\u00eancia podem surgir a partir do contato bact\u00e9rias naturais, principalmente pelo solo ou pela \u00e1gua. A troca de informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas do homem com o ambiente \u00e9 constante e o microbioma \u00e9 modificado pelo que comemos, pelos produtos de limpeza que usamos e pelos medicamentos&#8221;, explica Pignatari. &#8220;No entanto, ainda n\u00e3o sabemos ao certo como funcionam os mecanismos que conferem a resist\u00eancia natural aos genes e \u00e9 nisso que os ianom\u00e2mis poder\u00e3o nos ajudar.<\/p>\n<p><strong>Microbioma &#8211;<\/strong> Em nosso corpo, h\u00e1 dez bact\u00e9rias para cada c\u00e9lula. Juntos, esses 100 trilh\u00f5es de micro-organismos pesam em torno de 2 quilos &#8211; cerca de 500 gramas a mais que nosso c\u00e9rebro. Em 2007, os Institutos Nacionais de Sa\u00fade dos Estados Unidos (NIH, na sigla em ingl\u00eas) come\u00e7aram o Projeto do Microbioma Humano, com o objetivo de mapear todas as bact\u00e9rias de nosso organismo. Usando o conhecimento de sequenciamento de DNA do Projeto Genoma, tamb\u00e9m do NIH, 80 institui\u00e7\u00f5es de pesquisa mostraram que somos formados de mais bact\u00e9rias que c\u00e9lulas. Essas primeiras informa\u00e7\u00f5es, publicadas em 2012, ser\u00e3o compiladas e decifradas at\u00e9 o fim de 2015, quando termina o programa que j\u00e1 consumiu 153 milh\u00f5es de d\u00f3lares (cerca de 350 milh\u00f5es de reais) do governo americano.<\/p>\n<p>Acredita-se que esses min\u00fasculos, mas poderosos, micr\u00f3bios poder\u00e3o, em menos de uma d\u00e9cada, transformar o diagn\u00f3stico, preven\u00e7\u00e3o e tratamento de doen\u00e7as como obesidade, c\u00e2ncer, diabetes ou transtornos mentais. E tamb\u00e9m ser a solu\u00e7\u00e3o para a resist\u00eancia a antibi\u00f3ticos, problema que, desde 2014 preocupa todo o mundo. Nos Estados Unidos, a batalha perdida pelos antibi\u00f3ticos mata mais que a aids &#8211; s\u00e3o 23 000 mortes anuais, ante 15 000 causadas pelo HIV.<\/p>\n<p>No caso dos ianom\u00e2mis, algumas bact\u00e9rias raras em outras popula\u00e7\u00f5es podem ajudar a combater doen\u00e7as. Uma delas, por exemplo, pode diminuir os riscos de pedras nos rins. Por isso, os pesquisadores afirmam no artigo a necessidade de caracterizar o microbioma e seus genes de resist\u00eancia em popula\u00e7\u00f5es que t\u00eam estilos de vida ancestrais, n\u00e3o afetados pelas pr\u00e1ticas modernas.<\/p>\n<p>&#8220;A caracteriza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia nessas pessoas pode tamb\u00e9m apoiar a cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de antibi\u00f3ticos que minimizem a resist\u00eancia pr\u00e9-existente. As causas e consequ\u00eancias das mudan\u00e7as no microbioma precisam ser compreendidas para que seja poss\u00edvel reverter a tend\u00eancia global de doen\u00e7as metab\u00f3licas e inflamat\u00f3rias&#8221;, concluem os cientistas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trinta e quatro \u00edndios ianom\u00e2mis de uma tribo isolada da Venezuela podem ser a chave<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19772,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/ianomamis.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Trinta e quatro \u00edndios ianom\u00e2mis de uma tribo isolada da Venezuela podem ser a chave","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19769"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19769\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19772"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}