{"id":19712,"date":"2015-04-20T19:00:35","date_gmt":"2015-04-20T19:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19712"},"modified":"2015-04-20T16:21:58","modified_gmt":"2015-04-20T16:21:58","slug":"rio-grande-do-sul-esta-entre-os-estados-com-maior-indice-de-encalhe-de-cetaceos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/rio-grande-do-sul-esta-entre-os-estados-com-maior-indice-de-encalhe-de-cetaceos\/","title":{"rendered":"Rio Grande do Sul est\u00e1 entre os Estados com maior \u00edndice de encalhe de cet\u00e1ceos"},"content":{"rendered":"<div class=\"materia-dados\">\n<div class=\"materia-assinatura\">\n<div class=\"materia-assinatura-dados\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19713\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por\u00a0Lara Ely<\/div>\n<div class=\"materia-assinatura-dados\">\n<div class=\"materia-corpo entry-content\">\n<p>Quem consegue ver um rabo de baleia riscar o horizonte, rente ao mar, mant\u00e9m a imagem eternizada. Quem n\u00e3o tem essa sorte, e cruza com o mam\u00edfero gigante morto na praia, pode n\u00e3o imaginar o roteiro percorrido pelo animal at\u00e9 chegar ali. Nos \u00faltimos anos, cachalotes,jubartes, francas, espadartes, brydes, minkes e diversas esp\u00e9cies de golfinhos anunciaram-se aos olhos dos banhistas do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>O cad\u00e1ver que jaz na orla \u00e9, muitas vezes, uma v\u00edtima das atividades humanas nos oceanos \u2013 acaba jogado na costa depois de acidentes com redes ou embarca\u00e7\u00f5es, intoxicado pela polui\u00e7\u00e3o marinha ou desorientado pelos altos n\u00edveis de ru\u00eddos, a polui\u00e7\u00e3o sonora. Thiago N\u00f3brega Lisb\u00f4a, coordenador do Projeto Baleias do Rio Grande do Sul, explica:<\/p>\n<p>\u2013 As baleias e os golfinhos s\u00e3o extremamente auditivos. Essas criaturas se orientam, se comunicam e at\u00e9 mesmo encontram sua comida atrav\u00e9s de sons. O tr\u00e1fego de embarca\u00e7\u00f5es, assim como a explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera marinha, gera ru\u00eddos muito potentes que muitas vezes estouram os t\u00edmpanos desses animais. Esses sons confundem os cet\u00e1ceos (baleias e golfinhos) e os afetam at\u00e9 o ponto de poder provocar a sua morte.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/zerohora.clicrbs.com.br\/rbs\/image\/17118470.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p><strong>Arte: Leonardo Azevedo<\/strong><\/p>\n<p>Nem todos os casos viram estat\u00edsticas, mas o litoral ga\u00facho apresenta um dos maiores \u00edndices de encalhes de cet\u00e1ceos do Brasil. Mesmo protegidas da ca\u00e7a desde 1986 pela Comiss\u00e3o Baleeira Internacional, as baleias e golfinhos seguem em risco. A coincid\u00eancia da rota de navios com as rotas migrat\u00f3rias \u00e9 um dos principais motivos para os encalhes no Estado.<\/p>\n<p>\u2013 A colis\u00e3o, quando acontece, n\u00e3o \u00e9 reportada, e muitas vezes a carca\u00e7a sequer chega \u00e0 beira da praia \u2013 acrescenta Thiago Lisb\u00f4a.<\/p>\n<p>Quando v\u00e3o parar na areia, os animais encalhados se tornam fonte de dados importantes para pesquisadores como a bi\u00f3loga Aur\u00e9lea Mader, da Ardea Consultoria Ambiental, e Sandro Bonatto, da faculdade de Bioci\u00eancias da PUCRS. A an\u00e1lise, segundo ela, permite investigar se a morte foi causada por acidente, contamina\u00e7\u00e3o ou aproxima\u00e7\u00e3o das redes para disputa dos peixes com os pescadores, por exemplo. Bonatto realiza cat\u00e1logos gen\u00e9ticos para conhecer graus de parentesco entre visitantes.<\/p>\n<p>\u2013 Uma vez, uma jubarte ficou encalhada e o pessoal conseguiu coloc\u00e1-la de volta no mar. O registro do perfil gen\u00e9tico permitiu saber, oito anos mais tarde, que o mesmo animal sobreviveu e retornou \u00e0s \u00e1guas brasileiras \u2013 explica o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>Minera\u00e7\u00e3o do mar<\/strong><\/p>\n<p>Aur\u00e9lea identifica outra raz\u00e3o para os cet\u00e1ceos gostarem tantos das \u00e1guas ga\u00fachas: a abund\u00e2ncia de alimento devido \u00e0 jun\u00e7\u00e3o das correntes do Brasil (proveniente do Norte) e das Malvinas (das \u00e1guas geladas do Sul). Essas correntes, segundo ela, tamb\u00e9m criam um canal que empurra as carca\u00e7as para a costa.<\/p>\n<p>\u2013 Aqui tem mais carca\u00e7as porque h\u00e1 mais abund\u00e2ncia de biodiversidade e, por isso, mais pesca \u2013 diz.<\/p>\n<p>O ciclo letal derivado do aumento do esfor\u00e7o de pesca em virtude da diminui\u00e7\u00e3o dos estoques pesqueiros tem feito muitas v\u00edtimas acidentais. A principal delas \u00e9 a toninha, um pequeno e t\u00edmido golfinho que s\u00f3 ocorre do Brasil \u00e0 Argentina. Por causa do bico longo e cheio de pequenos dentes, ela tem s\u00e9rios problemas com as enormes redes de pesca e fica facilmente presa. Estima-se que na costa ga\u00facha morram mil por ano.<\/p>\n<p>Segundo a bi\u00f3loga marinha Greta Gastaldo de Castilhos, que acaba de realizar um estudo sobre o impacto da pesca nestes animais, se medidas urgentes n\u00e3o forem tomadas, as toninhas desaparecer\u00e3o da natureza em um futuro muito pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Para amenizar esse cen\u00e1rio, o Minist\u00e9rio da Pesca limitou em 16 quil\u00f4metros a extens\u00e3o m\u00e1xima das redes de pesca no Estado. Nem sempre, por\u00e9m, as exig\u00eancias s\u00e3o respeitadas pelos pescadores.<\/p>\n<p>\u2013 Captura de rede de arrasto mata muita tartaruga, baleia e le\u00e3o marinho. Sabemos que h\u00e1 barcos de arrasto fazendo pesca em \u00e1reas proibidas e at\u00e9 em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o, e ningu\u00e9m denuncia \u2013 diz Aur\u00e9lea.<\/p>\n<p>Fundador do Projeto Baleia Franca, Jos\u00e9 Truda Palazzo diz que por ser dif\u00edcil a fiscaliza\u00e7\u00e3o pela Marinha, a costa brasileira acaba virando territ\u00f3rio de ningu\u00e9m. E as esp\u00e9cies marinhas s\u00e3o subtra\u00eddas dos oceanos sem controle.<\/p>\n<p>\u2013 Temos no Brasil a chamada minera\u00e7\u00e3o da pesca. Cada um extrai o que quer, tirando o que temos de melhor, at\u00e9 um dia acabar.<\/p>\n<p><strong>Conhecer para preservar<\/strong><\/p>\n<p>O aspecto selvagem e incomum \u00e9 o que mais atrai banhistas e turistas. As recentes pol\u00eamicas envolvendo a observa\u00e7\u00e3o de baleias e golfinhos em parques aqu\u00e1ticos ou aqu\u00e1rios trazida pelos document\u00e1rios A enseada e Blackfish, fazem crescer o interesse na observa\u00e7\u00e3o desses animais em seu h\u00e1bitat natural.<\/p>\n<p>Os filmes mostram a brutal captura dos cet\u00e1ceos e as reais condi\u00e7\u00f5es a que s\u00e3o submetidos. Em 2008, o Brasil declarou suas \u00e1guas santu\u00e1rio de baleias e golfinhos. Por\u00e9m, ainda h\u00e1 muito a avan\u00e7ar para garantir a conserva\u00e7\u00e3o destes animais \u2013 e isso passa primeiro por conhec\u00ea-los. Segundo Lisb\u00f4a, o litoral ga\u00facho \u00e9 privilegiado para este tipo de observa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Podemos ver golfinhos a poucos metros de dist\u00e2ncia nas barras de Imb\u00e9 e Torres. Al\u00e9m disso, existe uma intera\u00e7\u00e3o de pesca cooperativa com os pescadores de tarrafas praticamente \u00fanica no mundo. No ver\u00e3o, se afastam da costa em virtude da massiva e desrespeitosa presen\u00e7a dos homens, mas fora de temporada, principalmente em Imb\u00e9, o espet\u00e1culo \u00e9 di\u00e1rio \u2013 afirma.<\/p>\n<p>A grande novidade, e que poderia impulsionar a observa\u00e7\u00e3o no Estado, \u00e9 a presen\u00e7a das baleias francas durante toda a sua temporada reprodutiva. Segundo Lisb\u00f4a, apesar de gigantes (chegam a 18 metros), elas s\u00e3o d\u00f3ceis e permanecem muito pr\u00f3ximas \u00e0 orla, logo atr\u00e1s da linha de arrebenta\u00e7\u00e3o, o que facilita a observa\u00e7\u00e3o em terra. O pesquisador coordena um projeto que h\u00e1 tr\u00eas anos se dedica a mensurar a sua ocorr\u00eancia no Estado, e o resultado \u00e9 surpreendente:<\/p>\n<p>\u2013 Nestes tr\u00eas anos, temos aproximadamente 400 registros de ocorr\u00eancia desses animais no Litoral Norte. Al\u00e9m de se acasalar, elas v\u00eam \u00e0 nossa costa para dar \u00e0 luz e todo o cuidado de que necessitam os beb\u00eas baleias. Podemos dizer que temos muitas baleias ga\u00fachas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Lara Ely Quem consegue ver um rabo de baleia riscar o horizonte, rente ao mar,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/cetaceos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por\u00a0Lara Ely Quem consegue ver um rabo de baleia riscar o horizonte, rente ao mar,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19712"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19712"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19712\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19712"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19712"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19712"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}