{"id":19665,"date":"2015-04-19T17:06:19","date_gmt":"2015-04-19T17:06:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19665"},"modified":"2015-04-19T17:06:19","modified_gmt":"2015-04-19T17:06:19","slug":"extrativismo-gera-renda-para-familias-que-vivem-na-reserva-chico-mendes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/extrativismo-gera-renda-para-familias-que-vivem-na-reserva-chico-mendes\/","title":{"rendered":"Extrativismo gera renda para fam\u00edlias que vivem na Reserva Chico Mendes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19666\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 27 anos, o l\u00edder seringueiro Chico Mendes morreu em defesa do ideal de preserva\u00e7\u00e3o da floresta Amaz\u00f4nica. Hoje, al\u00e9m de toda a lembran\u00e7a dessa luta, existe tamb\u00e9m uma reserva que leva o seu nome. Ela fica no Acre e \u00e9 a maior reserva extrativista do pa\u00eds. Em boa parte da reserva, o extrativismo ainda \u00e9 a principal fonte de renda das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Na cidade de Xapuri, os moradores ainda guardam a mem\u00f3ria de Chico Mendes e sua luta em defesa da floresta. Um museu preserva sua hist\u00f3ria. A casa onde ele morava \u00e9 ponto tur\u00edstico e um museu preserva a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 22 de dezembro de 1988, Chico Mendes foi assassinado quando sa\u00eda na porta do quintal. Os assassinos, um fazendeiro e o filho, foram condenados a 19 anos de pris\u00e3o. Cumpriram a pena e hoje j\u00e1 est\u00e3o em liberdade.<\/p>\n<p>A Reserva Chico Mendes foi criada em 1990 para colocar em pr\u00e1tica o sonho do l\u00edder seringueiro. Grande parte da \u00e1rea fica entre os munic\u00edpios de Xapuri e Brasileia. \u00c9 a maior reserva extrativista do pa\u00eds &#8211; quase um milh\u00e3o de hectares &#8211;\u00a0 e abriga cerca de duas mil fam\u00edlias.<\/p>\n<p>O leite da borracha \u00e9 mat\u00e9ria-prima das mais importantes da regi\u00e3o e grande parte vem da Reserva extrativista.<\/p>\n<p>Antes da cria\u00e7\u00e3o da reserva, em 1984, o Globo Rural visitou seringais da regi\u00e3o, no auge dos conflitos entre fazendeiros e seringueiros.\u00a0 O rep\u00f3rter Ivaci Matias acompanhou a luta de Chico Mendes e seus companheiros para impedir a destrui\u00e7\u00e3o da floresta.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o dos seringueiros e o apoio de ambientalistas at\u00e9 do exterior foram fundamentais.\u00a0 Pelo menos em uma regi\u00e3o do Acre, grande parte da mata permanece intacta e a \u00e1rvore da borracha continua importante para muita gente.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do l\u00e1tex nunca esteve t\u00e3o bom. Os seringueiros recebem R$ 8 por quilo de l\u00e1tex, 300% acima do pre\u00e7o praticado na produ\u00e7\u00e3o dos seringais plantados em outras regi\u00f5es do pa\u00eds. H\u00e1 duas explica\u00e7\u00f5es para isso: valorizar o trabalho de quem extrai das \u00e1rvores nativas na Amaz\u00f4nia e preservar a floresta.<\/p>\n<p>Com a experi\u00eancia de quem nasceu e cresceu na floresta, o seringueiro Gerson da Silva sabe bem o que \u00e9 extrair da natureza o sustento da fam\u00edlia e com a consci\u00eancia de quem n\u00e3o se preocupa apenas em ganhar dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cA floresta para n\u00f3s representa v\u00e1rias coisas. \u00c9 at\u00e9 uma m\u00e3e para n\u00f3s. Eu sinto por ela um amor, nasci e me criei at\u00e9 hoje na floresta e n\u00e3o tenho muita ideia de sair para a cidade\u201d.<\/p>\n<p>Um grupo de 300 seringueiros da reserva j\u00e1 tem comprador certo e com a vantagem de nem precisar sair de casa para entregar o produto.<\/p>\n<p>A coleta dos seringais \u00e9 levada para uma f\u00e1brica de preservativos em Xapuri. Ela processa 250 toneladas de l\u00e1tex por m\u00eas e 70% v\u00eam da reserva extrativista. A compensa\u00e7\u00e3o financeira, tr\u00eas vezes acima do valor regional, estimula mais ainda os seringueiros, segundo a diretora da f\u00e1brica, Dirlei Bersch.<\/p>\n<p>\u201cO l\u00e1tex no Acre e o l\u00e1tex associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de preservativos, ele agrega um servi\u00e7o ambiental. Por isso ele tem uma remunera\u00e7\u00e3o superior ao pre\u00e7o de mercado\u201d.<\/p>\n<p>Uma usina beneficiamento de castanha do Par\u00e1, ou castanha do Brasil, mais um produto extra\u00eddo na regi\u00e3o, tamb\u00e9m fica em Xapuri, perto da reserva, e pertence a uma cooperativa com dois mil produtores. Todo ano, na \u00e9poca da colheita, que vai de janeiro a abril, mais de sete mil toneladas chegam de v\u00e1rios pontos da floresta.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o brasileira passa de 38 mil toneladas por ano. S\u00f3 o estado do Acre responde por 35% e a colheita \u00e9 feita na base do fac\u00e3o.<\/p>\n<p>A castanha no passado n\u00e3o era toda aproveitada. Como ela come\u00e7ou a dar pre\u00e7o, quase que a gente n\u00e3o deixa castanhas para as cotias comerem\u201d, conta Manoel Jos\u00e9 da Silva, presidente da Cooperacre.<\/p>\n<p>O primo de Chico Mendes, Raimundo Mendes de Barros, que ainda mora na reserva, se orgulha de viver o extrativismo.<\/p>\n<p>\u201cEu tiro aqui 250, 300 latas de castanha por ano. Vendido a R$ 30 d\u00e1 R$ 8 mil por ano. Tamb\u00e9m vendo banana, seringa, abacaxi, ovos, galinha, pato. A gente consegue juntar renda pra sobreviver com a fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m reclama na reserva nem da castanha nem da borracha. Mas outra atividade provoca muita pol\u00eamica: a extra\u00e7\u00e3o de madeira. H\u00e1 uma serraria que funciona legalmente dentro da unidade de conserva\u00e7\u00e3o. O lugar tem um plano de manejo florestal aprovado pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais.<\/p>\n<p>No plano, algumas \u00e1rvores s\u00e3o selecionadas para o corte, mas sempre deixando a maioria dos exemplares da mesma esp\u00e9cie em p\u00e9, que ir\u00e3o garantir a regenera\u00e7\u00e3o daquela \u00e1rea desmatada da floresta.<\/p>\n<p>Os produtores criaram uma cooperativa que se encarrega da extra\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o para explorar o manejo. As fam\u00edlias de 5% do valor final. S\u00e3o R$ 60 por metro c\u00fabico de madeira pelas \u00e1rvores licenciadas, aquelas que podem ser retiradas da floresta.<\/p>\n<p>Quem ganha mais dinheiro nessa hist\u00f3ria vive fora da reserva. Alexandre Nogueira \u00e9 um jovem empres\u00e1rio. O neg\u00f3cio dele \u00e9 comprar as toras da cooperativa, serrar e vender na cidade.<\/p>\n<p>A cooperativa entregou ao empres\u00e1rio por R$ 350 o metro c\u00fabico que o assentado vendeu por R$ 60,00. Alexandre revende a mesma madeira por R$ 1,2 mil a 1,3 mil.<br \/>\n\u201cEu n\u00e3o diria justo. \u00c9 que o mercado meio que obriga a esse pre\u00e7o\u201d, diz Alexandre.<\/p>\n<p>Segundo Ti\u00e3o Aquino, presidente da associa\u00e7\u00e3o dos produtores da reserva, nem toda \u00e1rvore \u00e9 extra\u00edda de forma legal na Chico Mendes.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 invasores retirando madeira e h\u00e1 o pr\u00f3prio morador tamb\u00e9m de forma clandestina e n\u00e3o regulamentada\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com dados do INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, do in\u00edcio da sua cria\u00e7\u00e3o at\u00e9 o fim de 2013, a Reserva Extrativista Chico Mendes perdeu 5%o de sua cobertura vegetal, mais de 46 mil hectares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 27 anos, o l\u00edder seringueiro Chico Mendes morreu em defesa do ideal de preserva\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19666,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/extrativismo.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 27 anos, o l\u00edder seringueiro Chico Mendes morreu em defesa do ideal de preserva\u00e7\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19665\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}