{"id":19601,"date":"2015-04-18T18:13:19","date_gmt":"2015-04-18T18:13:19","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19601"},"modified":"2015-04-18T18:13:19","modified_gmt":"2015-04-18T18:13:19","slug":"agua-e-educacao-momento-de-transicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agua-e-educacao-momento-de-transicao\/","title":{"rendered":"\u00c1gua e educa\u00e7\u00e3o: momento de transi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" id=\"irc_mi\" class=\"\" src=\"http:\/\/www.blogdawap.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/05\/torneira1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"640\" \/><\/p>\n<p>P<small><i>or M\u00f4nica Pilz Borba*<\/i><\/small><\/p>\n<div class=\"post-content\">\n<p>A cultura do desperd\u00edcio faz parte do dia a dia do povo brasileiro, principalmente nos grandes centros urbanos. Este valor t\u00e3o enraizado tem como um dos principais motivos a disponibilidade, riqueza e abund\u00e2ncia dos recursos naturais em nosso pa\u00eds, pois este ambiente de fartura nos propicia um inconsciente coletivo que potencializa o esbanjamento permanente, lembrando que o nosso modo de vida e cultura est\u00e3o intimamente ligados ao meio em que vivemos.<\/p>\n<p>Hoje somos 7 bilh\u00f5es de habitantes que consomem 50% a mais de recursos naturais renov\u00e1veis dispon\u00edveis no planeta[1], e no Brasil 85% da popula\u00e7\u00e3o reside nos centros urbanos, ambientes que afastam as pessoas da natureza e de seus ciclos, ampliando o analfabetismo ambiental. A l\u00f3gica dos ambientes urbanos estimula o consumo, e n\u00e3o apoia a racionalidade no uso cotidiano da \u00e1gua, dos alimentos, da energia e outros recursos, e isso vem trazendo enormes preju\u00edzos, problemas e instabilidade em rela\u00e7\u00e3o ao nosso futuro comum, at\u00e9 mesmo a continuidade da esp\u00e9cie humana na Terra.<\/p>\n<p>A crise h\u00eddrica \u00e9 uma amea\u00e7a e, ao mesmo tempo, uma oportunidade para os 20 milh\u00f5es de habitantes que moram nos 36 munic\u00edpios da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto Tiet\u00ea, aprenderem sobre a gest\u00e3o da \u00e1gua e para que possam redesenhar sua rela\u00e7\u00e3o com este precioso bem comum. Os gestores p\u00fablicos das \u00e1reas de Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Comunica\u00e7\u00e3o, Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos poderiam encarar esta situa\u00e7\u00e3o conjuntamente e promover um processo socioeducativo transformador destes valores, onde Pouco pode ser Muito. Evidenciar os limites dos recursos naturais \u00e9 um dos primeiros passos, rompendo assim com a l\u00f3gica do infinito que est\u00e1 internalizada na base da cultura do desperd\u00edcio. Por exemplo, todos deveriam saber que: a regi\u00e3o Norte concentra quase 70% de toda \u00e1gua doce dispon\u00edvel no Pa\u00eds. J\u00e1 a Sudeste disp\u00f5e de apenas 6%, por\u00e9m abriga 43% da popula\u00e7\u00e3o ante 8% do Norte. Se dividirmos essa disponibilidade h\u00eddrica no Sudeste pelo n\u00famero de habitantes, a situa\u00e7\u00e3o aqui \u00e9 igual a do Nordeste, com 3% da \u00e1gua e 23% de popula\u00e7\u00e3o, ou 0,1% de disponibilidade de \u00e1gua por habitante em ambas as regi\u00f5es. Por\u00e9m no ND a popula\u00e7\u00e3o, que sempre conviveu e convive com a seca economiza cada gota, enquanto que no SD as pessoas desperdi\u00e7am. Estas e muitas outras informa\u00e7\u00f5es deveriam fazer parte do conhecimento b\u00e1sico das pessoas, por\u00e9m a cultura do consumismo e da aus\u00eancia de valores ligados a vida e a \u00e9tica est\u00e3o levando a sociedade \u00e0 outro rumo.<\/p>\n<p>Mas pergunto a voc\u00eas leitores, qual ser\u00e1 o plano das Secretarias Estaduais e Municipais de Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Comunica\u00e7\u00e3o, Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto Tiet\u00ea? Algu\u00e9m sabe? Algu\u00e9m ouviu falar? Infelizmente as secretarias n\u00e3o se conversam e n\u00e3o possuem nenhum plano comum de atua\u00e7\u00e3o para aproveitar este rico momento, e assim continuamos a cambalear rumo ao abismo da incerteza que tanto nos entristece.<\/p>\n<p>Existem muitos inconformados, vision\u00e1rios e ativistas na cidade de S\u00e3o Paulo e regi\u00e3o que est\u00e3o reagindo a esta crise, ensinando as pessoas a Cuidar da \u00e1gua[2]! Estas iniciativas de \u201cCuidar\u201d da \u00e1gua, estimulam as pessoas a descobrir nascentes e rios enterrados na cidade, captar a \u00e1gua de chuva, plantar \u00e1rvores nas \u00e1reas de mananciais, economizar \u00e1gua no cotidiano, tais como: tomar banho e reservar a \u00e1gua numa bacia para usar na descarga da privada, reutilizar a \u00e1gua da m\u00e1quina de lavar roupa para limpar o ch\u00e3o, e escovar os dentes utilizando um copo d\u2019\u00e1gua, o que exige boa vontade e dedica\u00e7\u00e3o. Se houver est\u00edmulo pol\u00edtico e mercadol\u00f3gico, em breve estas tecnologias estar\u00e3o dispon\u00edveis para que estas a\u00e7\u00f5es sejam automatizadas, mas at\u00e9 l\u00e1 vamos ter que exercitar a mente, o cora\u00e7\u00e3o e o corpo para dar conta de enfrentar a crise como uma oportunidade de amadurecer nossa consci\u00eancia socioambiental, rumo a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade sustent\u00e1vel e justa.<\/p>\n<p>Infelizmente estas iniciativas v\u00eam sendo encaradas pelo poder p\u00fablico com certo desprezo, n\u00e3o dando cr\u00e9dito devido ao poder transformador que estas pr\u00e1ticas de sustentabilidade t\u00eam junto ao inconsciente coletivo da sociedade. Acredito que ao come\u00e7armos a estimular o cuidado com a nossa \u00e1gua, possamos romper esta l\u00f3gica de que somos apenas consumidores passivos, e assim trazer novos pensamentos, din\u00e2micas e olhares para a nossa rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua e com os demais recursos naturais.<\/p>\n<p>Para que possamos incluir a cultura da sustentabilidade do uso dos recursos naturais ser\u00e1 necess\u00e1rio que haja a amplia\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia socioambiental[3], ou seja, de que somos dependentes dos recursos naturais que h\u00e1 na Terra, rompendo a analfabetismo ambiental no qual estamos imersos. Para que haja esta mudan\u00e7a de pensamento, fala e atitude ser\u00e1 necess\u00e1rio um forte investimento na Ecopedagogia[4], que trata da aprendizagem de uma educa\u00e7\u00e3o com sentido na vida cotidiana para promover sociedades sustent\u00e1veis, principalmente junto as lideran\u00e7as, governantes e tomadores de decis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>[1] Living Planet Report, 2014 \u2013 WWF<\/p>\n<p>2 Para conhecer os resultados do Semin\u00e1rio \u00c1gua &amp; Educa\u00e7\u00e3o visite o site: <a href=\"http:\/\/www.5elementos.org.br\/site\/index.php\/resultados-do-seminario-agua-educacao-praticas-e-reflexoes\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.5elementos.org.br\/site\/index.php\/resultados-do-seminario-agua-educacao-praticas-e-reflexoes\/<\/a><\/p>\n<p>3 A Pol\u00edtica Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental LEI No 9.795, DE 27 DE ABRIL DE 1999 e sua implanta\u00e7\u00e3o acontece muito lentamente, n\u00e3o sendo prioridade nos governos do Brasil.<\/p>\n<p>4 Este conceito foi criado por F. Guti\u00e9rrez, educador e pesquisador costa-riquenho, estudioso da obra de Paulo Freire, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, no contexto da confer\u00eancia da RIO-92 e est\u00e1 relacionado aos princ\u00edpios da Carta da Terra, documento produzido por um f\u00f3rum da sociedade civil e representantes de todos os povos, sendo considerado, por isso, express\u00e3o da Cidadania Planet\u00e1ria. <em>(#Envolverde)<\/em><\/p>\n<p>* <em><strong>M\u00f4nica Pilz Borba<\/strong> \u00e9 pedagoga pela PUC-SP e possui p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o Ambiental pela Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP e em Agricultura Biol\u00f3gico Din\u00e2mica pelo Instituto Elo, \u00e9 fundadora e gestora do Instituto 5 Elementos \u2013 Educa\u00e7\u00e3o para a Sustentabilidade desde 1993, coordenadora e professora de cursos de educa\u00e7\u00e3o ambiental. Foi vice-presidente do Subcomit\u00ea Pinheiros Pirapora da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Alto Tiet\u00ea, coordenou o Centro de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental do Parque Villa-Lobos, e o Centro de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental em Caucaia do Alto (Cotia\/SP), projeto do HSBC. Em 2014 coordenou o projeto Consumo Sustent\u00e1vel e A\u00e7\u00e3o dos Res\u00edduos S\u00f3lidos na Subprefeitura da Lapa (SP), financiado pelo Fundo Especial de Meio Ambiente do Munic\u00edpio de SP e pela Natura. Coordenou programas como o de Energia Social para a Sustentabilidade Local, da Odebrecht Agroindustrial, realizado em v\u00e1rias cidades do Pa\u00eds para promover o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Local por meio de uma gest\u00e3o participativa apoiada em a\u00e7\u00f5es educativas e realizou diversos projetos nas \u00e1reas de cultura, educa\u00e7\u00e3o, atividades produtivas, sa\u00fade, seguran\u00e7a e meio ambiente. Possui v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es voltadas a Educa\u00e7\u00e3o Ambiental, tais como \u00c1guas nos Oeste do Alto Tiet\u00ea dispon\u00edvel para <a href=\"http:\/\/www.pinheirospirapora.org.br\/pp\/downloads\/publicacoes\/%C3%81guas%20no%20Oeste%20do%20Alto%20Tiet%C3%AA%20-%205%20Elementos.pdf\" target=\"_blank\">download<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>Fonte: Envolverde<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por M\u00f4nica Pilz Borba* A cultura do desperd\u00edcio faz parte do dia a dia do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por M\u00f4nica Pilz Borba* A cultura do desperd\u00edcio faz parte do dia a dia do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19601"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19601\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}