{"id":19548,"date":"2015-04-18T14:00:22","date_gmt":"2015-04-18T14:00:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19548"},"modified":"2015-04-17T23:31:16","modified_gmt":"2015-04-17T23:31:16","slug":"indios-da-amazonia-tem-mais-bacterias-beneficas-a-saude-do-que-populacoes-ocidentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/indios-da-amazonia-tem-mais-bacterias-beneficas-a-saude-do-que-populacoes-ocidentais\/","title":{"rendered":"\u00cdndios da Amaz\u00f4nia t\u00eam mais bact\u00e9rias ben\u00e9ficas \u00e0 sa\u00fade do que popula\u00e7\u00f5es ocidentais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19549\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma equipe multidisciplinar de cientistas americanos e venezuelanos, liderados por pesquisadores do Centro M\u00e9dico Langone, da Universidade de Nova York, descobriu a cole\u00e7\u00e3o mais diversificada de bact\u00e9rias corporais j\u00e1 vistas em seres humanos em uma tribo isolada de \u00edndios yanomamis, localizada em regi\u00f5es remotas da floresta amaz\u00f4nica no Sul da Venezuela.<\/p>\n<p>Segundo os cientistas, o microbioma de pessoas que vivem em pa\u00edses industrializados \u00e9 cerca de 40% menos diversificado do que dos \u00edndios. O estudo foi publicado hoje na revista \u201cScience Advances\u201d.<\/p>\n<p>O levantamento mostraria como antibi\u00f3ticos modernos e dietas industrializadas reduzem significativamente a diversidade do microbioma humano. Trata-se de um efeito grave, considerando que as trilh\u00f5es de bact\u00e9rias que vivem no corpo e sobre ele s\u00e3o cada vez mais encaradas como vitais para nossa sa\u00fade.<\/p>\n<p>Acredita-se que os \u00edndios yanomamis, que vivem de ca\u00e7a e coleta h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, viveram em isolamento total do mundo at\u00e9 2009, quando foram contatados pela primeira vez por uma expedi\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. Como esta \u00e9 uma das raras popula\u00e7\u00f5es que nunca foram expostas a antibi\u00f3ticos modernos, seus integrantes s\u00e3o encarados como uma grande oportunidade para estudo do microbioma humano.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00f3s encontramos uma diversidade sem precedentes nas amostras fecais, orais e da pele recolhidas entre os yanomamis \u2014 conta Maria Dominguez-Bello, professora de Medicina da Universidade de Nova York e l\u00edder do estudo. \u2014 \u00c9 mais um sinal da rela\u00e7\u00e3o, de um lado, entre a diminui\u00e7\u00e3o da diversidade bacteriana, dietas industrializadas, antibi\u00f3ticos modernos e, do outro lado, doen\u00e7as metab\u00f3licas e imunol\u00f3gicas. Entre elas est\u00e3o a obesidade, a asma, alergia e diabetes, que t\u00eam aumentado drasticamente desde os anos 1970.<\/p>\n<p>Maria avalia que algum fator ambiental, que se manifestou fortemente nos \u00faltimos 30 anos, estaria conduzindo o ser humano a estas doen\u00e7as, afetando o microbioma.<\/p>\n<p>No estudo, a equipe de Maria avaliou amostras bacterianas coletadas e preservadas de 34 das 54 vilas yanomamis presentes naquela regi\u00e3o. Entre os volunt\u00e1rios, 28 deram amostras fecais e da pele, enquanto 11 deram apenas amostras fecais. O DNA destes materiais dos \u00edndios foi, ent\u00e3o, comparado ao de amostras de popula\u00e7\u00f5es dos EUA, de amer\u00edndios amaz\u00f4nicos da Venezuela e de uma comunidade rural no Sudeste da \u00c1frica \u2014 ambos os povos t\u00eam maior exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 cultural ocidental do que os yanomamis.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 um gradiente de diversidade nas fezes e na pele que \u00e9 inversamente proporcional \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o a antibi\u00f3ticos e a alimentos processados \u2014 revela Jose Clemente, coautor da pesquisa e professor de Gen\u00e9tica e Gen\u00f4mica da Escola de Medicina do Hospital Mount Sinai, em Nova York. \u2014 Mesmo uma exposi\u00e7\u00e3o m\u00ednima a estes produtos diminui consideravelmente a diversidade e remove bact\u00e9rias potencialmente ben\u00e9ficas do nosso microbioma.<\/p>\n<p>Entre as amostras de pele dos yanomamis, os pesquisadores n\u00e3o encontraram apenas um grupo taxon\u00f4mico dominante de bact\u00e9rias. No material coletado nos EUA, h\u00e1 menor diversidade e altas propor\u00e7\u00f5es relativas dos g\u00eaneros Staphylococcus, Corynebacterium, Neisseriaceae e Propionibacterium.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise gen\u00e9tica do material coletado na boca e no intestino dos yanomamis revelou que suas popula\u00e7\u00f5es tinham bact\u00e9rias que cont\u00eam genes que codificam a resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos \u2014 n\u00e3o s\u00f3 os naturais, encontradas no solo, como tamb\u00e9m os sint\u00e9ticos, algo que surpreendeu os pesquisadores.<\/p>\n<p>\u2014 Durante os anos 1940 e 1950, no auge do desenvolvimento farmac\u00eautico de antibi\u00f3ticos, a maioria deles era derivada de bact\u00e9rias naturais presentes no solo \u2014 explica Gautam Dantas, professor de Patologia, Imunologia e Engenharia M\u00e9dica da Universidade de Washington, que tamb\u00e9m assina o estudo. \u2014 N\u00e3o esper\u00e1vamos encontrar resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos sint\u00e9ticos modernos.<\/p>\n<p>Os pesquisadores apontam que a grande maioria dos estudos do microbioma humano se concentram em popula\u00e7\u00f5es ocidentais. A investiga\u00e7\u00e3o de micr\u00f3bios n\u00e3o expostos a dietas processadas e antibi\u00f3ticos poderia lan\u00e7ar luz sobre como o microbioma humano pode estar mudando em resposta \u00e0 cultura moderna, e, portanto, ajudar a criar novas terapias que possam reabilitar desequil\u00edbrios causadores de doen\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe multidisciplinar de cientistas americanos e venezuelanos, liderados por pesquisadores do Centro M\u00e9dico Langone,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19549,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/indios.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma equipe multidisciplinar de cientistas americanos e venezuelanos, liderados por pesquisadores do Centro M\u00e9dico Langone,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19548"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19548"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19548\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19549"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}