{"id":19330,"date":"2015-04-14T10:00:10","date_gmt":"2015-04-14T10:00:10","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19330"},"modified":"2015-04-13T23:01:40","modified_gmt":"2015-04-13T23:01:40","slug":"reservas-extrativistas-permitem-exploracao-sustentavel-da-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/reservas-extrativistas-permitem-exploracao-sustentavel-da-natureza\/","title":{"rendered":"Reservas extrativistas permitem explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da natureza"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19331\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 25 anos, o Brasil criou um novo modelo de assentamento: o das reservas extrativistas. Ser\u00e1 que hoje elas est\u00e3o cumprindo o objetivo de sua cria\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Os rep\u00f3rteres Jos\u00e9 Raimundo e Franklin Feitosa viajaram para o acre para mostrar as conquistas e os desafios da primeira reserva desse modelo no pa\u00eds, a Alto Juru\u00e1.<\/p>\n<p>Mata fechada, rios sinuosos, vida selvagem. A equipe do Globo Rural sobrevoou a reserva extrativista\u00a0 Alto Juru\u00e1, a primeira criada no Brasil. Seu territ\u00f3rio ultrapassa a linha do horizonte: 506 mil hectares, quase 70% do munic\u00edpio de Marechal Thaumaturgo, no Acre.<\/p>\n<p>A reserva Alto Juru\u00e1 foi criada em 1990, depois da morte de Chico Mendes, o l\u00edder seringueiro assassinado em 1988. Ao todo, existem 89 reservas extrativistas no Brasil, espalhadas por 17 estados, num total de 14 milh\u00f5es de hectares, uma \u00e1rea equivalente ao do estado do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>A equipe chega de avi\u00e3o \u00e0 cidade de Marechal Thaumaturgo e de l\u00e1, os rios s\u00e3o a \u00fanica op\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDescendo o rio Juru\u00e1 e adiante subindo um dos seus principais afluentes, o Tejo, a chega-se a uma das comunidades existentes dentro da reserva, conhecida como Restaura\u00e7\u00e3o, a mais ou menos 160 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de Marechal Taumaturgo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Domingos, chefe da reserva, explica que o Governo Federal implantou as reservas extrativistas por tr\u00eas raz\u00f5es b\u00e1sicas:<br \/>\n&#8211; preservar a floresta amea\u00e7ada;<br \/>\n&#8211; instalar um novo modelo de reforma agr\u00e1ria, que incentivasse a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais da regi\u00e3o;<br \/>\n&#8211; e explorar os recursos da floresta \u2013 o l\u00e1tex das seringueiras, castanha, frutos amaz\u00f4nicos, peixes e at\u00e9 madeira, de maneira sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>O manejo seria feito pelos assentados, que teriam o sustento garantido e ainda seriam uma esp\u00e9cie de guardi\u00f5es da natureza. No caso da Alto Juru\u00e1, o produto extrativista mais importante da \u00e9poca da sua cria\u00e7\u00e3o e que iria garantir a sobreviv\u00eancia das 850 fam\u00edlias da reserva, era a borracha.<\/p>\n<p>Cada seringueiro tinha entre 300 e 350 \u00e1rvores para extrair o l\u00e1tex. Nos primeiros anos de funcionamento, a reserva produzia mais de 720 toneladas por ano. Caiu para tr\u00eas em 2011. Hoje, n\u00e3o produz nem uma tonelada. Isso porque a grande maioria dos produtores parou de cortar. \u201cO rio Tejo chegava a dar 444 toneladas de borracha. Foi ficando muito dif\u00edcil para estas fam\u00edlias e elas foram desistindo de extrair a borracha\u201d, diz Domingos.<\/p>\n<p>Raimundo Nonato foi o primeiro seringueiro assentado na reserva. Foi atra\u00eddo pelas promessas de receber ajuda do governo e extrair o l\u00e1tex, mas desistiu logo nos primeiros tr\u00eas anos de trabalho. N\u00e3o teve como escoar a produ\u00e7\u00e3o e quando conseguia entregar, recebia o pagamento com atraso que chegava a um ano, segundo ele. O jeito foi partir pra outra. \u201cProduzo feij\u00e3o, arroz, milho&#8221;, conta.<\/p>\n<p>O lote \u00e9 chamado de coloca\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da lavoura, a fam\u00edlia se sustenta com tr\u00eas aposentadorias: a dele, a da mulher e a de um filho deficiente f\u00edsico. S\u00e3o tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos em casa. \u201cEu achava que naquela vida da seringa n\u00e3o tinha vida melhor, mas deus d\u00e1 o jeito. O governo ajudou tamb\u00e9m\u201d, declara.<\/p>\n<p>Seguindo a subida pelo Tejo, a equipe chega \u00e0 casa do Olimar Vieira da Silva e Luiza. O casal tem seis filhos, quatro ainda moram com os pais.\u00a0 Fam\u00edlia unida, de gente trabalhadora.<br \/>\nEle tamb\u00e9m \u00e9 um dos pioneiros da reserva. Come\u00e7ou a vida aqui extraindo l\u00e1tex, mas assim como os outros, acabou desistindo. &#8220;H\u00e1 cinco anos deixou de cortar seringa, hoje n\u00e3o corta mais nada, s\u00f3 pra fazer fogo, mas agora nem pra isso&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Com a fal\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o da borracha na regi\u00e3o, Olimar recorreu a um direito previsto nas leis da reserva: desmatar at\u00e9 15 hectares de floresta, cerca de 5% da coloca\u00e7\u00e3o, que t\u00eam em torno de 350 hectares.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea que abriu na mata, ele se voltou \u00e0 agricultura tradicional: s\u00f3 de mandioca, s\u00e3o quinze mil p\u00e9s, mas o que ele mais gosta de fazer \u00e9 farinha. A farinha \u00e9 de boa qualidade, bem torrada, crocante. Famosa em Cruzeiro do Sul, mas produzida na reserva extrativista. \u201cTem \u00e9poca que ela chega a R$ 140, a saca de 50 quilos\u201d, conta.<\/p>\n<p>Numa safra boa, ele chega a produzir 300 sacas e quando colhe pouca mandioca, n\u00e3o se aperta: o a\u00e7ude que construiu com os filhos est\u00e1 cheio de peixes. Recentemente ele plantou uma ro\u00e7a de milho. Da floresta mesmo, ele tira muito pouco.<\/p>\n<p>Depois de dois dias de rio, chega-se \u00e0\u00a0 Restaura\u00e7\u00e3o. Quando a reserva foi criada, o lugar n\u00e3o passava de uma coloca\u00e7\u00e3o com uma d\u00fazia de casas. Hoje, para o padr\u00e3o amaz\u00f4nico, ganhou ares de cidade.<\/p>\n<p>A Restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 a maior de todas as comunidades da reserva. Cresceu tanto nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, que virou a principal vila do munic\u00edpio de Marechal Thaumaturgo. Mais de 800 pessoas que viviam na floresta, hoje moram no local.<\/p>\n<p>Foram em busca de trabalho, com a ideia de melhorar de vida. Vando Ara\u00fajo Andrade deixou os pais l\u00e1 na floresta. Arranjou um emprego na prefeitura, juntou um dinheirinho e montou um pequeno mercado. \u201cA gente trabalhava no ro\u00e7a, no feij\u00e3o, na agricultura. At\u00e9 dava certo, mas \u00e9 mais trabalhoso, mais sofrido, e aqui \u00e9 menos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Escola, posto de sa\u00fade, at\u00e9\u00a0 barbearia tem na Restaura\u00e7\u00e3o. Sem falar das igrejas. Quem antes vivia perdido na largueza da floresta, hoje sente falta de espa\u00e7o. A assentada Ivete Pereira Da Cunha, n\u00e3o imaginava que um dia fosse viver o drama das cidades. Quando construiu sua casa, estava sozinha. Hoje, j\u00e1 tem vizinho dos dois lados. Ivete conseguiu trocar a coloca\u00e7\u00e3o que morava por outra mais perto, mas j\u00e1 entrou em conflito com o vizinho. Conta que ele invadiu a terra onde plantava mandioca e plantou pasto pro gado. O vizinho, Antonio Castelo, se defende: \u201cN\u00e3o tinha nada demarcado de ningu\u00e9m\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Conflito, lavoura e pecu\u00e1ria.. A segunda parte da reportagem especial mostra que em Foz do Breu, no outro extremo da reserva Alto Juru\u00e1, o desmatamento, a pecu\u00e1ria e at\u00e9 o tr\u00e1fico de drogas\u00a0 colocam em risco o futuro dos assentados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 25 anos, o Brasil criou um novo modelo de assentamento: o das reservas extrativistas.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":19331,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/reservas_extrativistas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 25 anos, o Brasil criou um novo modelo de assentamento: o das reservas extrativistas.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19330"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19330"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19330\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19331"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19330"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19330"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19330"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}