{"id":19051,"date":"2015-04-09T15:00:45","date_gmt":"2015-04-09T15:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19051"},"modified":"2015-04-09T00:02:28","modified_gmt":"2015-04-09T00:02:28","slug":"povos-de-terreiro-conquistam-maioria-para-derrubar-pl-que-proibe-morte-induzida-de-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/povos-de-terreiro-conquistam-maioria-para-derrubar-pl-que-proibe-morte-induzida-de-animais\/","title":{"rendered":"Povos de terreiro conquistam maioria para derrubar PL que pro\u00edbe morte induzida de animais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/terreiro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19052\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/terreiro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/terreiro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/terreiro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Morte de vidas, qual a diferen\u00e7a? A pergunta foi feita de forma inusitada nesta ter\u00e7a-feira (07) aos que passavam pelo Largo Gl\u00eanio Peres, em Porto Alegre. Seminus, amarrados ao ch\u00e3o, sujos de sangue e cobertos por pipocas e velas, ativistas defensores de animais simbolizaram uma oferenda humana. O grupo protestou contra os rituais de morte induzida praticados nas religi\u00f5es de matriz africana. O debate foi aberto no estado por conta do Projeto de Lei 21\/2015 da deputada Regina Becker Fortunati (PDT) que prev\u00ea a proibi\u00e7\u00e3o dos rituais dos povos de terreiro. O texto quase foi rejeitado na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ) nesta manh\u00e3, mas o pedido de vista do deputado Di\u00f3genes Basegio (PDT) postergou a decis\u00e3o para a pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<p>Durante a sess\u00e3o, acompanhada por dezenas de religiosos de matriz africana, dez deputados chegaram a declarar seus votos apontando para a inconstitucionalidade do texto. Apenas o relator da mat\u00e9ria, deputado Gabriel Souza (PMDB) teve entendimento diferente. No entanto, a causa n\u00e3o foi ganha pelos povos de terreiros que lotaram dentro e fora da Assembleia pelo pedido do deputado Basegio, l\u00edder da bancada do PDT.<\/p>\n<p>\u201cConsideramos que tivemos uma vit\u00f3ria pela mobiliza\u00e7\u00e3o que fizemos. Mas tivemos um traidor do povo. O deputado Basegio. Aquele que vai ao ax\u00e9, que bota fitinha no pulso, que vai ao mercado bater folha ou que vai no dia 2 de fevereiro levar florzinha pra Iemanj\u00e1 n\u00e3o pode trair seu povo. Ele quis agradar uma deputada que n\u00e3o merece o t\u00edtulo de parlamentar. Em um contexto pol\u00edtico que vivemos de crescente intoler\u00e2ncia esta deputada consegue instalar o \u00f3dio religioso no RS. Ela retoma um processo discriminador, intolerante e racista\u201d, disse a representante do Conselho Estadual de Povos de Terreiro, M\u00e3e Vera Soares.<\/p>\n<p><strong>\u201cO racismo est\u00e1 institu\u00eddo nas Assembleias Legislativas\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul possuiu 60 mil terreiros e aproximadamente 600 mil pessoas praticantes das religi\u00f5es de matriz africana. De acordo com a representante do F\u00f3rum Nacional de Povo de Tradi\u00e7\u00f5es de Matriz Africana, Regina Nogueira, a resist\u00eancia dos descendentes desta tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 nacional. \u201cEm S\u00e3o Paulo acabamos de derrubar um projeto semelhante ao do RS. O racismo est\u00e1 institu\u00eddo nas Assembleias Legislativas. Mas n\u00f3s temos o direito de nos alimentarmos da nossa f\u00e9 de uma forma diferente. N\u00e3o cometemos maus-tratos e n\u00e3o defendemos a vitela, por exemplo, que todo ga\u00facho gosta e significa prender um carneiro numa gaiola pra deixar a carne mais clara\u201d, compara.<\/p>\n<p>A morte de bois, porcos e ovelhas no Brasil vem batendo recordes nos \u00faltimos anos. Conforme dados do IBGE, foram 34,4 milh\u00f5es mortos em 2013. Deste percentual, 65,1% corresponde a regi\u00e3o Sul do pa\u00eds. \u201cEu nunca vi este pessoal protestar em frente aos matadouros ou aqui mesmo no Largo Gl\u00eanio Peres em que tivemos agora apouco a Feira do Peixe\u201d, questionou o estudante Guilardo Silveira , presente ao ato contra o morte induzida de animais.<\/p>\n<p>Ele ficou impressionado com a cena representada pelos ativistas e \u00e9 contra o PL 21\/2015. \u201cEu acho errado existir um projeto de lei para tentar mudar uma cultura. A religi\u00e3o africana faz parte da cultura do pa\u00eds, somos descendentes dos africanos. N\u00e3o fazem nenhuma proposta pra mudar a cultura do ga\u00facho que se alimenta de churrasco. Quer dizer que contra cultura negra pode, contra a cultura branca que impera na produ\u00e7\u00e3o de gado n\u00e3o?\u201d, indagou.<\/p>\n<p><strong>\u2018Oferte amor, n\u00e3o sangue\u2019<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/341.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-516673  \" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/341.jpg\" alt=\"(Foto: Guilherme Santos\/Sul21)\" width=\"636\" height=\"424\" \/><\/a><\/p>\n<p>O grupo de ativistas em defesa dos animais se autodefine como independentes e veganos (filosofia de vida que n\u00e3o consome animais ou qualquer produto de origem animal). Entre eles estavam uma ga\u00facha radicada na Fran\u00e7a e um franc\u00eas, militantes em campanhas internacionais de Peta (People for the Ethical Treatment of Animals) e Sea Shepherd Conservation Society.<\/p>\n<p>\u201cOferte amor e n\u00e3o sangue\u201d e \u201cSacrificar crian\u00e7as tamb\u00e9m j\u00e1 foi parte da cultura e tradi\u00e7\u00e3o\u201d eram as palavras destacadas nos cartazes empunhados por eles durante duas horas de interven\u00e7\u00e3o no Centro de Porto Alegre. Muitos curiosos paravam para ler as frases, tirar fotos ou tentar identificar o que significava o ato. \u201cN\u00e3o acreditei quando vi. Mas n\u00e3o concordo com esta descaracteriza\u00e7\u00e3o da minha religi\u00e3o\u201d, disse a auxiliar de servi\u00e7os gerais, Sandra Susete.<\/p>\n<p>\u2018Idiota\u2019, \u2018Sinistro\u2019 e outras interjei\u00e7\u00f5es eram feitas por alguns que olhavam e minutos depois saiam do local do protesto. Alguns chegaram a confundir os manifestantes com cad\u00e1veres. \u201cEles est\u00e3o mortos?\u201d, perguntou uma mulher muito impactada.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o tentando transformar um ato de prote\u00e7\u00e3o aos animais com um ato de intoler\u00e2ncia religiosa e n\u00e3o \u00e9 isso. Eu, por exemplo, sou simpatizante de umbanda, sou filha de Oxum, n\u00e3o tenho preconceito com isso. Mas n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o humana aqui, \u00e9 o sacrif\u00edcio de animais. Vidas morrem em nome de um Deus. Somos contra todo tipo de explora\u00e7\u00e3o animal\u201d, defende a ativista Luzia Goulart.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o repetindo o que fizeram h\u00e1 500 anos quando retiraram a identidade do povo que tem nos orix\u00e1s o \u00fanico elo com a m\u00e3e \u00c1frica. S\u00f3 o racismo pode ter motivado um projeto que cita apenas os povos de terreiro. N\u00f3s n\u00e3o somos religi\u00e3o, somos tradi\u00e7\u00e3o milenar e ela n\u00e3o tem o direito de ferir este princ\u00edpio que habita dentro de mim e no meu povo. Mas com a for\u00e7a do orix\u00e1, n\u00e3o vai vencer. Seguiremos mobilizados\u201d, diz M\u00e3e Vera Soares.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/333.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-516674  \" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/333.jpg\" alt=\"(Foto: Guilherme Santos\/Sul21)\" width=\"638\" height=\"425\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morte de vidas, qual a diferen\u00e7a? 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