{"id":19006,"date":"2015-04-08T12:00:08","date_gmt":"2015-04-08T12:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=19006"},"modified":"2015-04-07T22:02:55","modified_gmt":"2015-04-07T22:02:55","slug":"plantio-de-eucalipto-aumenta-chuva-em-regioes-altas-das-serras-do-mar-e-mantiqueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/plantio-de-eucalipto-aumenta-chuva-em-regioes-altas-das-serras-do-mar-e-mantiqueira\/","title":{"rendered":"Plantio de eucalipto aumenta chuva em regi\u00f5es altas das Serras do Mar e Mantiqueira"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/eucalipto.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-19007\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/eucalipto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/eucalipto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/eucalipto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira pelo plantio de eucalipto aumenta o volume de chuva sobre as \u00e1reas mais altas e, consequentemente, os riscos de deslizamentos de terra nessas regi\u00f5es serranas durante a esta\u00e7\u00e3o chuvosa \u2013 entre dezembro e fevereiro.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o \u00e9 de uma pesquisa de doutorado realizada pela tecnologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Viviane Regina Algarve, no \u00e2mbito do Projeto Tem\u00e1tico <b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/29498\/assessment-of-impacts-and-vulnerability-to-climate-change-in-brazil-and-strategies-for-adaptation-op\/\" target=\"_blank\">\u201cAssessment of impacts and vulnerability to climate change in Brazil and strategies for adaptation option\u201d<\/a><\/b>, apoiado pela FAPESP.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que a mudan\u00e7a da vegeta\u00e7\u00e3o natural por eucalipto nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira altera as trocas de energia entre a superf\u00edcie e a atmosfera, modificando o padr\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o de vento que ocorre entre o vale e a montanha e, em raz\u00e3o disto, o transporte de calor e umidade para o topo das serras\u201d, disse Regina Alval\u00e1, pesquisadora do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e orientadora do estudo, \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b>.<\/p>\n<p>\u201cO aumento da converg\u00eancia de umidade sobre os topos das montanhas facilita a forma\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o de nuvens, nevoeiros e tempestades\u201d, explicou.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Anu\u00e1rio Estat\u00edstico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Produtores de Florestas Plantadas, h\u00e1 mais de 6 milh\u00f5es de hectares de florestas de eucalipto dos g\u00eaneros <i>Pinnus<\/i> e <i>Eucalyptus<\/i> no Brasil, em regi\u00f5es com diferentes topografias e padr\u00f5es de chuva.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto est\u00e3o concentradas em cidades situadas pr\u00f3ximas das Serras do Mar e da Mantiqueira, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto.<\/p>\n<p>Com o aumento da demanda por celulose e madeira, as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto t\u00eam sido expandidas para encostas \u00edngremes em munic\u00edpios pr\u00f3ximos a essas duas regi\u00f5es serranas do estado.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o dessa e de outras mudan\u00e7as no uso e cobertura da terra \u2013 como a convers\u00e3o para \u00e1rea de pastagem \u2013, que t\u00eam ocorrido nas \u00faltimas d\u00e9cadas nas encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira, est\u00e1 aumentando o volume de chuvas sobre as \u00e1reas mais altas dessas regi\u00f5es serranas, o que pode resultar em riscos de deslizamentos, apontam os autores do estudo.<\/p>\n<p>\u201cComo o eucalipto \u00e9 uma vegeta\u00e7\u00e3o de porte alto, absorve muita radia\u00e7\u00e3o e, com isso, altera os balan\u00e7os de energia e de \u00e1gua entre a superf\u00edcie e a atmosfera. Isso acaba culminando em um aumento do volume de chuvas\u201d, disse Alval\u00e1.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram s\u00e9ries hist\u00f3ricas de dados de chuvas, referentes ao per\u00edodo de 1961 a 1990, de 25 esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas distribu\u00eddas por munic\u00edpios localizados pr\u00f3ximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.<\/p>\n<p>\u201cObservamos que, embora as altera\u00e7\u00f5es mais significativas no volume de chuvas tenham ocorrido sobre as \u00e1reas mais elevadas das Serras do Mar e da Mantiqueira, tamb\u00e9m houve um aumento do n\u00famero de epis\u00f3dios de chuvas em algumas \u00e1reas na regi\u00e3o do Vale do Para\u00edba\u201d, afirmou Alval\u00e1.<\/p>\n<p><b>Proje\u00e7\u00f5es<\/b><\/p>\n<p>A fim de avaliar os impactos da convers\u00e3o de \u00e1reas de floresta para plantio de eucalipto ou para pastagem no regime de chuva das Serras do Mar e da Mantiqueira, os pesquisadores fizeram proje\u00e7\u00f5es usando o modelo clim\u00e1tico regional ETA-CPTEC, com resolu\u00e7\u00e3o espacial de 10 quil\u00f4metros, desenvolvido pelo Inpe.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es indicaram que tanto a troca da vegeta\u00e7\u00e3o natural por plantio de eucalipto como para \u00e1rea de pastagem levam ao aumento no volume di\u00e1rio de chuvas durante o ver\u00e3o, principalmente sobre as \u00e1reas mais elevadas das regi\u00f5es serranas.<\/p>\n<p>\u201cA an\u00e1lise dos dados observacionais do per\u00edodo entre 1941 e 2012 e as simula\u00e7\u00f5es com o modelo meteorol\u00f3gico ETA para o per\u00edodo entre 1981 e 1990 indicam que as mudan\u00e7as no uso e cobertura da terra observadas nas Serras do Mar e da Mantiqueira causaram o aumento no volume de chuvas em algumas \u00e1reas dessas regi\u00f5es serranas\u201d, avaliou Alval\u00e1.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de diagn\u00f3stico da evolu\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de uso da terra e suas implica\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas s\u00e3o essenciais para orientar tomadores de decis\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os governamentais e da Defesa Civil na identifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de risco\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Em outro estudo, publicado no <b><a href=\"http:\/\/www.mdpi.com\/2220-9964\/1\/2\/209\" target=\"_blank\"><i>International Journal of Geo-Information<\/i><\/a><\/b>, os pesquisadores avaliaram a suscetibilidade ao deslizamento de terra em \u00e1reas ocupadas por planta\u00e7\u00f5es de eucalipto em diferentes fases de desenvolvimento, ou convertidas em \u00e1reas de pastagem, em 16 munic\u00edpios pr\u00f3ximos das Serras do Mar e da Mantiqueira.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo indicaram que as \u00e1reas convertidas para pastagem apresentam os maiores n\u00edveis de suscetibilidade, seguidas pelas que receberam novas planta\u00e7\u00f5es de eucalipto e as ocupadas por moradias.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o sobre a \u00e1rea crescente de planta\u00e7\u00f5es de eucalipto em encostas \u00edngremes no Estado de S\u00e3o Paulo uma vez que n\u00e3o h\u00e1 estudos espec\u00edficos sobre o impacto do reflorestamento em processos de movimento de massa\u201d, ressaltam os autores do estudo.<\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, o eucalipto tem diferentes fases de desenvolvimento, que podem contribuir em maior ou menor escala para a ocorr\u00eancia de deslizamentos de terra.<\/p>\n<p>No est\u00e1gio inicial de desenvolvimento \u2013 que dura entre dois e tr\u00eas anos \u2013, as \u00e1rvores de eucalipto possuem uma grande quantidade de folhas, que bloqueiam a exposi\u00e7\u00e3o do solo \u00e0 luz solar, tornando-o mais \u00famido e vulner\u00e1vel a deslizamentos.<\/p>\n<p>J\u00e1 na fase adulta, diminui a quantidade de folhas das \u00e1rvores de eucalipto, permitindo que a luz solar atinja e reduza a vulnerabilidade do solo.<\/p>\n<p>Durante a fase da colheita do eucalipto, contudo, o solo fica completamente exposto \u00e0 chuva e aumenta sua taxa de eros\u00e3o, o que pode deflagrar deslizamentos de terra, apontam os autores do estudo.<\/p>\n<p>\u201cA taxa de eros\u00e3o de uma \u00e1rea de colheita de eucalipto pode ser at\u00e9 quatro vezes maior do que a de uma regi\u00e3o com vegeta\u00e7\u00e3o preservada\u201d, destacam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A substitui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o natural das encostas das Serras do Mar e da Mantiqueira 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